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Analistas nos EUA criticam legitimidade de rebeldes líbios

O aparecimento de Seif al-Islã, filho de Muamar Kadafi, em Trípoli põe hoje em dúvida a legitimidade de declarações rebeldes e evidência que a luta pelo controle de Líbia ainda não conclui, afirmaram analistas estadunidenses.

A agência Stratfor, com base no Texas, confirmou que Seif Islã Kadafi se apresentou nesta terça-feira bem cedo na manhã no Rixos Hotel ante um grupo numeroso de repórteres estrangeiros.

“Sua presença desacredita uma comunicação do Conselho Nacional de Transição (CNT), que na segunda-feira 22 afirmou que os rebeldes tinham capturado a Seif Islã”, comentou o reconhecido organismo de especialistas estadunidenses.

Aquele anúncio inclusive foi confirmado por importantes delegados da Corte Penal Internacional (CPI), como o promotor Luis Moreno-Ocampo e o porta-voz Fadi Abdallah, que asseguraram estavam discutindo a rendição de Seif Islã com os insurgentes e o CNT.

Na coletiva de imprensa esta manhã, Seif Islã afirmou que seu pai estava a salvo em Trípoli e que a capital assegurada pelas forças leais ao governo de Kadafi.

Al Islã também desmentiu certas declarações dos rebeldes a respeito de que o iam entregar à CPI. Existe ademais um vídeo circulando no site, no qual se aprecia como Seif al-Islã, com t-shirt verde, é recebido em público por um grupo grande de partidários.

“Seu encontro com a imprensa ilustra ao menos dois pontos chaves: As declarações rebeldes para induzir uma maior rebelião no perímetro da capital e mais respaldo das forças estrangeiras são altamente pouco fiáveis”, indica a análise da agência dos Estados Unidos.

A campanha de desinformação dos insurgentes tem crescido significativamente e voltou-se mais sofisticada à medida que avança a crise política em Líbia, e nesse contexto se marca a suposta captura de Seif Islã, agrega o texto.

Stratfor recordou que os sediciosos antes asseguraram que tinham detido a Mohammed Kadafi, o maior dos filhos do líder líbio, mas depois mudaram a história e anunciaram que este escapou de seus guardas.

O segundo ponto que demonstra esta história -sublinham os especialistas- é que a luta não tem acabado ainda, ainda que as forças rebeldes possam entrar em Trípoli com relativa facilidade, ajudadas pelos bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico (OTAN).

No entanto, ainda não há indicações de que se vão render os comandos melhor armados e mais leais a Kadafi, particularmente a Brigada Khamis, dirigida por seu filho menor, enfatiza o comentário de Stratfor.

“O grau de controle de Kadafi sobre Trípoli permanece incerto, mas o líder ainda mantém fortalezas no oeste -Zwara- e também no extremo este da capital, assim mesmo é forte em regiões centrais de Líbia como Sirte e Sabha”, explica.

O CNT alertou que o governante poderia usar estas áreas para entrincheirar-se e fundar novas bases em prol de recrudescer as operações militares contra os rebeldes.

A insurgência em Trípoli assim mesmo enfrenta a ameaça de que as tropas leais a Kadafi possam em breve organizar uma intensa contraofensiva que impeça manter o controle das fontes de abastecimento para a principal cidade líbia.

“As forças governamentais líbias estão sofrendo talvez muitos contratempos para manter os poucos enclaves defensivos, mas a conclusão é que a declaração dos rebeldes de que controlam a Trípoli não é nada confiável atualmente”, apontou Stratfor.

Strategic Forecasting Inc., comumente conhecida como Stratfor, é uma agência de análise político fundada em Austin, Texas, em 1996, e que se apresenta como “uma companhia de inteligência global independente de todas as correntes políticas ou partidárias.”

(Prensa Latina)

1 Comentario

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  1. martinho júnior / PáginaGlobalBlogspot

    ÁFRICA CONTINUA A PERDER!

    África continua a perder e mais parece um eterno perdedor: perdeu com a escravatura, perdeu com o colonialismo, perdeu com o “apartheid” e hoje não encontra outras soluções para poder fazer face à hegemonia senão “aliar-se” a ela, aceitar “em paz” os termos da “formatação global”, ou fazer soçobrar seus regimes, ou “actores”, como o teimoso do Kadafi.

    Mesmo aqueles países que “alinharam” com a “democracia representativa” não estão a salvo, pois nesses países a manipulação conseguida com as políticas de “portas abertas” do neo liberalismo há a força que dita as leis da “paz” e o “modelo a seguir” é a “alternância democrática”…

    A “paz” dos ricos nunca trará justiça social, nunca trará equilíbrio e as próprias ciências só são conseguidas desde que elas correspondam aos estímulos dos investimentos e dos lucros, servirão apenas para que o elitismo se fortaleça “até ao infinito dos tempos”, conforme ao engenho, arte e a inspiração de Cecil John Rhodes e de escolas “da preferência” como as de Oxford ou de Cambridge…

    Os “lobbies” do petróleo, do gás, do armamentos e da indústria mineira, não param de ganhar terreno em África, pela via da guerra ou da paz, sem alternativas e sem outras opções, como se o mundo estivesse a ser gerido por processos próprios da Idade Média!

    Martinho Júnior

    Luanda

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