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“Sistema social de Cuba protege contra o tráfico de pessoas”, diz relatora da ONU. Alguém leu isso em algum lugar?

leccionesdemanipulacion321Durante anos, Cuba foi incluída em todo o tipo de “listas negras” do governo dos EUA . Por exemplo, na de países que, supostamente, não combatem o “tráfico de pessoas” (2). As acusações contra Cuba, feitas pelo Departamento de Estado e por organizações de Miami que a Casa Branca financia e apadrinha, resultam em várias manchetes da grande imprensa internacional.

Ao contrário, se relatórios e opiniões procedem de órgãos das Nações Unidas, impõe-se o silêncio informativo. É o caso das declarações de Maria Grazia Giammarinaro, relatora especial da ONU sobre direitos humanos das vítimas do tráfico de pessoas, realizadas depois de sua recente visita à ilha.

E por que não suas palavras não foram notícia? Porque a relatora reconheceu a “vontade política” de Havana e a força de seu sistema social frente ao tráfico de pessoas. “Posso dizer que os fatores de vulnerabilidade neste país são menos significativos que em outros. Refiro-me a fatores vinculados a desigualdades sociais profundas ou à indigência, que é muito menor que em outras nações”, assegurou. Ela indicou também que em Cuba os cidadãos contam com “um elevado nível de educação” e que, por isso, “conhecem seus direitos”. E acrescentou: “os serviços sociais em Cuba têm ampla cobertura e o número de trabalhadores sociais é extremamente alto em relação à população. Portanto existe a oportunidade de que esses trabalhadores sociais conheçam o que acontece nas comunidades e intervenham em situações, como exemplo, de um menor em risco em um contexto familiar difícil”.

Desse modo, a especialista independente do Conselho de Direitos Humanos da ONU pulverizava as acusações do governo dos EUA que, em relatório de 2015, continuava assegurando que Cuba não cumpre completamente “com os padrões mínimos para a eliminação do tráfico de pessoas”.

Giammarinaro classificou, além disso, como “um bom exemplo a seguir” as missões de cooperação médica de Cuba em todo o mundo, que operam “em zonas remotas onde não há assistência hospitalar disponível”. Um segundo golpe para a Casa Branca, que segue repetindo que os cooperantes médicos de Cuba são objeto de “tráfico de pessoas” e “escravidão laboral” por parte de seu governo.

É verdadeiramente cínico que sejam os sucessivos governos dos EUA, e sua mídia próxima, que acusem Havana de “comércio de pessoas”, quando foi a política de privilégios legais a causa para que milhares de migrantes cubanos, em suas tentativas de chegar aos EUA, acabassem sendo objeto de “tráfico humano” pelas máfias que operam no Panamá, no México ou na Colômbia.

A relatora também fez considerações críticas a Cuba. Recomendou, por exemplo, que se eleve até 18 anos de idade a proteção legal contra possíveis abusos de menores, levando em conta que hoje se atinge a maioridade na ilha aos 16 anos.

E destacou desafios do país, comuns a quase todos os países do sul, como os casos de tráfico e exploração sexual de migrantes, principalmente mulheres jovens, que são enganadas ao assinarem falsos contratos de trabalho no exterior.

Curiosamente, isso é o que interessou levar às manchetes dos poucos veículos que divulgaram as palavras de Maria Grazia Giammarinaro. “Relatora da ONU: Cuba ainda tem muito o que fazer contra o tráfico de pessoas”. Sem comentários.

(Cubainformación)

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