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Cuba e os Estados Unidos anunciam nova edição da Comissão Bilateral

Cuba EEUUA quarta sessão da Comissão Bilateral Cuba-Estados Unidos terá lugar, em 30 de setembro, em Washington, para rever os resultados alcançados e o trabalho realizado nos últimos quatro meses, depois da última celebração deste tipo de encontros que teve lugar em 16 de maio passado em Havana, anunciou em 28 de setembro, o vice-diretor geral para os Estados Unidos da chancelaria cubana, Gustavo Machín.

O diplomata precisou em uma entrevista coletiva no Ministério das Relações Exteriores em Havana, que também serão acordados os próximos passos que darão as partes no resto do ano para avançar no processo de melhoria das relações entre ambos os países.

Durante a reunião, a delegação cubana, que estará encabeçada pela diretora geral para os Estados Unidos do Minrex, Josefina Vidal, exporá «os poucos avanços alcançados na esfera econômica comercial, como resultado da vigência do bloqueio», e reiterará que as medidas tomadas pela administração do presidente Obama, apesar de serem «positivas», ainda são «insuficientes e limitadas», sustentou Machín.

Nesse sentido exemplificou que ainda existem «significativas restrições» para as exportações dos Estados Unidos para ramos chaves da economia cubana. São muito poucos os produtos da Ilha que podem ser exportados para os Estados Unidos, e não se autorizam investimentos desse país em Cuba, salvo no setor das Telecomunicações, referiu.

Sobre este tema detalhou que tampouco existem relações bancárias normais entre ambos os países ao não autorizar-se a abertura de uma conta correspondente de bancos cubanos em instituições financeiras estadunidenses.

Devemos insistir, apesar da autorização dos financiamentos e do uso do dólar estadunidense — que foi parte do pacote de medidas anunciado em março passado — que Cuba ainda na pode nem receber créditos, nem realizar pagamentos a terceiros ou fazer depósitos em efetivo nessa moeda, sustentou Machín.

Em outro momento assegurou que Havana tem reiterado a necessidade de levantar o bloqueio se se quer começar a falar de relações normais.

Nesse sentido comentou que a comitiva cubana que assistirá a esta nova edição da Comissão Bilateral insistirá nos outros temas sem os quais «não podemos falar nem conceber relações normais entre ambos os países: a devolução do território ilegalmente ocupado pela base em Guantánamo; pôr fim à política migratória preferencial para os cidadãos cubanos e eliminar outras políticas que são daninhas e que afetam ao nosso país».

A delegação estadunidense será copresidida pela secretária adjunta de Estado para Assuntos Hemisféricos, Mari Carmen Aponte, e o diretor do Gabinete de Planificação de Políticas do Departamento de Estado, Jonathan Finer. A Comissão Bilateral foi criada em agosto de 2015 como um me­canismo para acompanhar os vínculos entre os dos países, após o restabelecimento das relações diplomáticas. Sua primeira reunião foi em 11 de setembro na capital cubana.

Relativamente ao alcançado nos últimos meses, Machín afirmou que se continuaram obtendo resultados concretos na esfera diplomática e de cooperação. Especificou a esse respeito que foram assinados três novos acordos em saúde, enfrentamento ao narcotráfico, e a inclusão de oficiais de segurança a bordo nos voos charters entre Cuba e os Estados Unidos.

O vice-diretor geral para os Estados Unidos da chancelaria cubana disse, ademais, que tiveram lugar oito visitas de alto nível dos dois lados e se realizaram 12 encontros técnicos. Sobre este último ítem precisou que três se realizaram pela primeira vez: enfrentamento ao terrorismo, cooperação em matéria penal e segurança do comércio e os viajantes.

Machín indicou igualmente que como parte do alcançado até o momento está o reatamento dos voos regulares dos Estados Unidos a vários destinos de Cuba; bem como os dois workshops sobre temas bancários financeiros efetuados tendo em conta as limitações das medidas adotadas pelo governo estadunidense nesse setor.

OS ASSUNTOS INTERNOS NÃO ESTÃO NA MESA DE NEGOCIAÇÕES

Em dias recentes o candidato à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano, Donald Trump, disse que desfaria tudo quanto se tem avançado com Cuba caso não forem cumpridos vários requisitos, os quais vão contra a soberania da Ilha maior das Antilhas. Sobre este assunto, Machín esclareceu que as relações entre Washington e Havana são totalmente assimétricas; isto significa que cada país adota medidas soberanas e unilaterais que tendem a promover o processo.

«Não podemos influir, nem nos vamos intrometer no processo eleitoral nos Estados Unidos», afirmou. E enfatizou que Cuba espera que o próximo presidente tenha em conta isso e seja consequente com a opinião e o desejo de amplos e majoritários setores da sociedade estadunidense, incluindo cubanos residentes lá, que apoiam o levantamento do bloqueio e a mudança da política para a Ilha caribenha.

O diplomata sublinhou que o processo da melhoria das relações bilaterais em curso «é baseado na igualdade e a reciprocidade», e que nosso país «sempre tem deixado claro que seus assuntos internos não estão na mesa de negociações, pois respondem a decisões internas de Cuba e dos cubanos».

Quanto ao anúncio da nominação de Jeffrey De Laurentis como embaixador dos Estados Unidos aqui — requer da aprovação do Senado — comentou que era uma decisão «consequente com os compromissos que ambos os países assumiram» quando decidiram restabelecer seus nexos.

Outro dos assuntos abordados no encontro com a imprensa foi o da anunciada visita de Jill Biden a Cuba de 6 a 9 de outubro, segundo informou a página de Facebook da Embaixada estadunidense aqui. A esse respeito, Machín expressou que era uma viagem de interesse da professora universitária e esposa do vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que estava encaminhada a conhecer a experiência cubana em setores como a educação, a saúde e a cultura.

WORLD LEARNING

Cuba rechaça a promoção de programas que Washington promove sem o consentimento ou a consulta pelos canais oficiais estabelecidos para intercâmbios deste tipo, sustentou Machín acerca do programa de bolsas de verão para estudo e intercâmbio de jovens cubanos nos Estados Unidos que promove a Organização não Governamental (ONG) Word Learning.

O restabelecimento dos vínculos diplomáticos se fez sobre a base do respeito à soberania e a igualdade, reiterou Machín, e insistiu em que «uma vez que os países restabelecem suas relações existem canais oficiais para a tramitação de qualquer tipo de intercâmbio entre ambos os países; uma questão que se faz com o resto das missões diplomáticas com sede em Havana».

A comunicação entre a legação estadunidense e o Minrex é fluida e por essa mesma via temos tratado temas não somente referidos a World Learning, mas a outros que se tentam implementar alheios à vontade e sem coordenação com o Estado cubano, reafirmou.

Em outro momento precisou que a posição cubana não vai contra a promoção dos intercâmbios e a cooperação entre ambos os países. «Estamos cooperando oficialmente a partir de um programa proposto pela Embaixada dos Estados Unidos e o Departamento de Estado em relação com o ensino do inglês em Cuba e é um projeto que está funcionando», disse Machín, quem lembrou que antes do restabelecimento já existiam os intercâmbios entre instituições cubanas e estadunidenses em nível científico, acadêmico e universitário.

(Granma)

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