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Cuba e EUA perfilam diálogo sobre restauração de relações

conversaciones-cuba-usaDelegações de Cuba e Estados Unidos dão hoje os toques finais a uma nova rodada de diálogo para avançar na restauração de vínculos diplomáticos, prevista para amanhã nesta capital.

Segundo adiantaram as partes nos últimos dias, a retomada das relações – rompidas há mais de meio século pela Casa Branca -, a abertura de embaixadas em Havana e Washington e o funcionamento das mesmas, centrarão os diálogos no Departamento de Estado.

Também coincidiram em assinalar o ambiente favorável para progredir no processo de busca da normalização dos vínculos bilaterais, anunciado em 17 de dezembro pelos presidentes Raúl Castro e Barack Obama, que sustentaram um histórico encontro no Panamá, no marco da VII Cimeira das Américas, realizada no mês passado.

Em declarações a jornalistas na capital cubana, o funcionário do Ministério de Relações Exteriores Gustavo Machín destacou o contexto positivo para a nova rodada de conversas.

Como também fizeram nesta ocasião a diretora geral dos Estados Unidos na Chancelaria, Josefina Vidal, e a secretária assistente de Estado para os Assuntos do Hemisfério Ocidental, Roberta Jacobson, que lideraram os encontros prévios, em 22 de janeiro em Havana, em 27 de fevereiro em Washington e no dia 16 de março, também em Havana, esta última qualificada pela ilha de uma reunião de acompanhamento.

A decisão do presidente Obama de excluir Cuba da lista de países patrocinadores do terrorismo e os avanços na gestão para garantir os serviços bancários de nossa missão em Washington, criam um cenário bilateral propício, afirmou Machín na segunda-feira.

Conforme adiantou o funcionário, Cuba insistirá amanhã a respeito dos princípios e instrumentos internacionais que regem os vínculos diplomáticos.

O país caribenho denuncia que representantes de Washington em sua Seção de Interesses em Havana violam o estabelecido na Convenção de Viena sobre diplomacia, a partir de sua participação em atividades dirigidas à subversão interna.

É necessário encontrar uma interpretação comum dessa Convenção, face a uma retomada de vínculos sobre a base do estrito cumprimento do mecanismo adotado tanto por Cuba como pelos Estados Unidos, sublinhou Machín.

Por sua vez, uma fonte do Departamento norte-americano de Estado, que não revelou sua identidade, estimou ontem por telefone que se aprecia um “sentido de compromisso com o avanço do processo”, impulsionado pelo encontro dos presidentes no Panamá.

Ontem chegou aqui a delegação da ilha, com Vidal à frente, para uma reunião que gera expectativas.

Além das rodadas anteriores sobre a restauração de laços diplomáticos e a abertura de embaixadas, as partes têm estabelecido contatos técnicos a respeito de questões de interesse comum, como a migração, as telecomunicações, o correio postal e prevenção e resposta a derrames de petróleo em alto mar.

Outros assuntos conversados têm relação com as áreas marinhas protegidas, as cartas náuticas e a hidrografia, as tecnologias da informação e os direitos humanos.

Cuba celebra a aproximação com o poderoso vizinho do norte, no entanto, é necessário que para gerar entre ambos países um contexto de normalização, Washington deve pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto à ilha por mais de meio século.

Neste contexto também está o reclame antilhano da devolução do território da Base Naval de Guantánamo e o cessar das transmissões ilegais de rádio e televisão, que acompanham há anos os planos de mudança de regime da Casa Branca.

(Prensa Latina)

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