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EUA: outro escândalo sobre brutalidade policial, a lista cresce

PoliceAbuseA sucessão de escândalos sobre atos de violência policial nos Estados Unidos pareça impossível de deter e como bem advertem altos funcionários da Casa Branca e especialistas no tema, já constitui um problema sistêmico de grandes proporções.

Poucos dias após as manifestações violentas em Baltimore, Maryland, pela morte do jovem afro-americano Freddie Gray nas mãos da polícia, que motivou o início de uma investigação por parte do Departamento de Justiça, surgiram novas revelações sobre excessos das forças da ordem.

Desta vez foi na cidade norte-americana de San Francisco, Califórnia, onde as autoridades locais iniciaram uma investigação sobre supostas ações racistas e homofóbicas de membros do Departamento de Polícia da cidade.

Segundo o diário Los Angeles Times, o promotor do Distrito, George Gascon, preside a investigação a respeito de aproximadamente três mil casos de condutas impróprias de agentes desse corpo repressivo que evidenciaram violência desmedida contra supostos delinquentes apenas porque se tratava de afro-americanos e homossexuais.

Os investigadores analisam os danos que sofreram os afetados na última década – alguns dos quais estão na prisão – para determinar se as penas que receberam devem ser eliminadas e a possibilidade de rejeitar as acusações contra os que têm causas pendentes.

Nas ações ilegais estariam envolvidos 14 oficiais, que também organizavam brigas de boxe e outros esportes de combate entre reclusos, que incluíam a possibilidade de que os agentes fizessem aposta naqueles que consideravam possíveis vencedores.

Se um só destes indivíduos foi prejudicado ou está preso por preconceitos raciais ou de outro tipo por parte da polícia, já seria demais, disse Gascon, que reconheceu que estas ações comprometeram a confiança do público no sistema, como ocorreu em muitas partes do país.

O promotor acrescentou que vários casos já foram desestimados, e os promotores até a data alertaram aos advogados defensores sobre possíveis problemas com cerca de outras 60 vítimas, mas estão priorizando os que permanecem na prisão, pois há outros 1.400 mil que estiveram presos mas não foram processados.

A investigação deve estar pronta no fim do presente ano, ainda que não exista um prazo definido para terminá-la.

O chefe da polícia na cidade, Greg Suhr, recomendou a expulsão de 6 dos 14 oficiais envolvidos nos fatos, a partir dos resultados de uma investigação inicial.

O Defensor Público de San Francisco, Jeff Adachi, informou que este não é o único caso na cidade, se trata de um problema sistêmico – qualificação utilizada em sumários similares em outros territórios – e espera que os investigadores entrevistem as vítimas dos atos discriminatórios em lugar de só revisar os documentos.

Por sua vez, o reverendo Amos Brown, membro da junta diretora da Associação Nacional pelo Avanço da População Negra (Naacp) disse que os afro-americanos compõem cerca de 5% da população da cidade, mas constituem 70% nas prisões de menores que existem nessa metrópole.

Este é um problema moral, todo mundo é culpado, tanto republicanos quanto democratas, juízes ou oficiais da polícia, acrescentou Brown.

As revelações destas atividades ilegais em San Francisco, considerada uma das cidades mais “liberais” do país, somam-se a uma longa lista de atos de brutalidade policial em numerosas localidades norte-americanas.

O caso mais recente ocorreu em Baltimore, Maryland, onde durante duas semanas se produziram manifestações violentas em protesto pela morte do jovem negro Freddie Gray nas mãos da polícia, depois de ter ferimentos graves em sua coluna vertebral.

A prefeita da referida cidade, Stephanie Rawlings-Blake, pediu ao Governo federal uma investigação sobre denúncias de ações racistas e de brutalidade policial por parte das forças da ordem e reconheceu as péssimas relações que existem entre a comunidade e os representantes da lei.

A solicitação não se fez esperar, e a promotora geral dos Estados Unidos, Loretta Lynch, anunciou em 8 de maio que o Departamento de Justiça iniciou uma investigação a fundo sobre a morte de Gray e as falhas dos organismos policiais em Baltimore, para determinar se os oficiais envolvidos nesta ação criminosa violaram a Constituição.

Segundo Lynch, a Divisão de Assuntos Civis dessa agência já realizou cerca de vinte destas investigações nos últimos seis anos, com o objetivo de melhorar as práticas policiais e suavizar a percepção das comunidades em relação às entidades encarregadas de fazer cumprir a lei.

Nestes processos foram examinados casos de uso excessivo da força, assédio ilegal e discriminatório, bem como detenções, prisões e registros ilegais. Por outro lado, vários legisladores democratas que representam o estado de Maryland no Congresso federal expressaram à Promotora Geral seu apoio a uma investigação sobre os abusos policiais em Baltimore, entre eles o senador Ben Cardin e os representantes Elijah E. Cummings, John Delaney, Donna F. Edwards e Steny Hoyer, entre outros. Os problemas que enfrentamos em nossa cidade não são únicos no país, não ocorrem da noite para o dia e requererá muito tempo para sarar as feridas que provocam, assinalou recentemente a prefeita de Baltimore, Rawlings-Blake.

O diário The Baltimore Sun revelou recentemente que o Governo da referida cidade pagou aproximadamente seis milhões de dólares desde 2011 para conseguir acordos extrajudiciais com vítimas de violência policial.

A investigação do jornal mostrou que dezenas de residentes negros foram espancados e provocaram deformações em seus rostos e rompimentos nos ossos durante detenções de questionável legalidade, e na maioria dos casos os promotores ou os juízes rejeitaram as acusações contra os suspeitos.

Apesar do esforço da equipe de Governo de Obama e as pressões de ativistas e organizações defensoras dos direitos dos afrodescendentes, os escândalos de brutalidade policial contra as minorias continuam em ritmo crescente nos Estados Unidos e o caso de San Francisco é apenas uma amostra.

O mais provável é que não seja o último. Tal e como reconhece o próprio chefe da Casa Branca, a desigualdade social, a falta de oportunidades e o enraizamento da cultura de violência conspiram contra a solução deste problema sistêmico.

Nesse sentido, a opinião pública norte-americana pede ao Governo federal que se ocupe mais da luta contra a pobreza, pois 80% dos estadunidenses estão insatisfeitos com os esforços que realiza o Executivo para combater esse flagelo.

Assim revelou uma pesquisa recente da empresa Gallup, que mostrou também que apenas 16% dos norte-americanos manifestaram complacência com o trabalho das agências federais para melhorar as condições de vida dos menos favorecidos no país.

Segundo dados do Escritório do Censo, quase 44 milhões de norte-americanos vivem abaixo do índice de pobreza, aproximadamente 16% da população, incluindo 20% das crianças desse país.

Os estados da Califórnia e Flórida estão entre os de pior índice, com 23% e 20%, respectivamente, de seus habitantes nesse status.

(Roberto García Hernández ,Prensa Latina)

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