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Kofi Annan-Síria: missão possível

Nações Unidas (Prensa Latina) O anúncio do governo sírio sobre o cessar de suas operações militares em 10 de abril consolidou a mediação do enviado de Nações Unidas, Kofi Annan, em frente a intensas manobras de países essenciais que tratam de boicotar esse gerenciamento.

A decisão de Damasco foi comunicada pelo chanceler sírio, Walid a o-Moallen, ao emissário da ONU, que a transmitiu nesta segunda-feira ao Conselho de Segurança, órgão presidido desde ontem pela embaixadora norte-americana, Susan Rice.

E foi a própria diplomata a encarregada de informar à imprensa na sede da ONU, em um dia após que sua chefa, a secretária de Estado, Hillary Clinton, reconheceu ao opositor Conselho Nacional Sírio como “representante legítimo do povo” e lhe ofereceu um financiamento milionário.

Durante um intercâmbio por videoconferência com o Conselho de Segurança, Annan confirmou que para em 10 de abril as autoridades sírias porão fim ao movimento de forças militares e ao uso de armas pesadas e retirarão seus militares dos centros urbanos.

As medidas fazem parte do plano de seis pontos proposto pelo emissário da ONU ao governo sírio como passos para avançar para uma solução do conflito que já dura um ano.

Esse esquema também contempla a necessidade de permitir a entrada de ajuda humanitária, a implantação de uma trégua diária para sua distribuição e atenção a feridos e atingidos pelo conflito e em rendimento de jornalistas estrangeiros ao país.

Assim, dispõe o início de um processo de diálogo com vistas ao estabelecimento de um sistema político plural e democrático na Síria.

Ao respeito, Rice informou que Nasser Kidwa, segundo ao comando de Annan, “tem sustentado contatos construtivos” com as forças opositoras sírias para que ponham fim a suas ações armadas 48 horas após o fim dos movimentos do exército.

Depois do anúncio das decisões adotadas por Damasco, o Conselho de Segurança ratificou seu respaldo a Annan em seus esforços por um acordo da crise.

Não obstante, essa expressão de apoio aparenta mais formalidade que compromisso ao provir de um órgão que inclui a declarados promotores da queda do presidente sírio, Bashar Assad, e de seu governo, como o são os Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Alemanha, entre outros.

Representantes desses países, liderados pela secretária de Estado Clinton, acabam de acordar na Turquia o envio de cifras milionárias de dinheiro e médios técnicos as forças opositoras na Síria, apesar da mediação que desenvolve Annan em nome da ONU.

Nesse sentido, o representante permanente de Damasco nas Nações Unidas, Bashar Jaafari, afirmou que aqueles que armam, financiam e fornecem equipamentos de comunicação aos grupos terroristas sírios buscam o fracasso da missão de Annan.

O embaixador criticou diretamente a Arábia Saudita, Catar, Turquia e “a todos àqueles que pretendem ignorar a soberania da Síria e criar vias paralelas ao Conselho de Segurança que não são reconhecidas internacionalmente”.

Assim, fez menção particular ao chanceler saudita, Faisal Bin Abdelaziz, por convocar de maneira aberta a armar às forças antigovernamentais na Síria, “como um dever”.

Jaafari advertiu sobre a existência de uma dupla linguagem que contradiz o caminho harmonioso adotado pelo Conselho de Segurança e ameaça o trabalho empreendido por Annan.

Esperamos que o enviado especial da ONU converse com as outras partes do conflito, em especial/ com os que querem armar os grupos terroristas, para pôr fim aos atos de violência, destacou o diplomata sírio.

Uma primeira avaliação realizada pela ONU e o governo sírio sobre a situação no país árabe determinou a existência de um milhão de pessoas que precisam assistência humanitária.

Trata-se da população diretamente afetada pela violência, feridos e deslocados de seus lugares de residência, bem como aqueles que perderam o acesso aos serviços essenciais ou seus familiares.

Os dados foram difundidos pela coordenadora da ONU para o socorro de emergência, Valerie Amos, que destacou a urgência de alimentos, assistência médica, artigos do lar, conselho psicológico e respaldo em matéria de educação.

Por outro lado, o Conselho de Segurança informou que uma equipe do departamento de manutenção da paz da ONU viajará a Síria nesta semana para iniciar os preparativos para o eventual envio de uma missão de observação e monitoreo da situação.

*Chefe da Sucursal da Prensa Latina nas Nações Unidas.

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