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A hora da energia renovável

Planta solar cienfuegosPerto da cidade de Pinar del Río, a província mais ocidental, ao lado da estrada que atravessa a zona de Troncoso, uma construção recente veio a alterar a monotonia da paisagem, na qual uma vez houve laranjais e onde hoje predominam as terras vazias.

É o parque fotovoltaico Pinar 220 A1, o primeiro de seu tipo instalado na província, a partir de uma tecnologia que promete mudar, significativamente, a matriz da geração elétrica no território.

Embora sua capacidade seja de só três megawatt na hora de ponta (MWp), pouco mais de um ano depois de ter começado seu funcionamento, o Pinar 220 A1 mostra resultados muito alentadores.

O diretor de investimentos da Empresa Elétrica de Pinar del Río, Michel Casal, assegura que neste tempo os 12.080 painéis fotovoltaicos colocados no parque, geraram em torno de seis gigawatts (GW) que foram inseridos no sistema eletroenergético nacional.

“Caso tiverem sido gerados em uma das termoelétricas que existem no país, isso teria custado mais de 0,5 milhão de dólares”, adverte. “Contudo, aqui se conseguiu praticamente sem custo algum”.

PROJETOS EM ANDAMENTO

O resultado confirma na prática o que indicaram os estudos: o aproveitamento dos raios do Sol que incidem de maneira intensa durante o ano todo sobre Vueltabajo (como também é conhecido o território), pode ajudar a reduzir consideravelmente a dependência dos combustíveis fósseis.

No caso do primeiro parque solar de Pinar del Río, a média de geração atinge os 13 MW, com alta eficiência. “Até agora esteve funcionando sem interrupções e com um nível mínimo de manutenção”, precisa Michel.

Segundo o diretor de Investimentos da Empresa Elétrica de Pinar del Río, a partir desta experiência, na província continuou a potencialização da construção de novos parques.

Como resultado disso, na atualidade se testa a primeira etapa de uma nova obra, também nas proximidades da zona de Troncoso, que deve atingir os 2,7MWp, quando estiver concluída.

Junto a isso, foram identificadas outras áreas em toda a província com potencialidades para acolher este tipo de instalações.

Delas, há duas que começaram a ser construídas neste ano, e deverão estar prontas em 2017. A primeira área está perto da de Pinar 220 A1, com uma capacidade de quatro MWp, é regida por uma empresa chinesa, e a segunda em El Cafetal, município de San Luis, de 2,2 MWp, será montada pela empresa elétrica de Pinar del Río.

As restantes áreas ficam à espera de futuros investimentos, que podem ser realizados por entidades cubanas ou estrangeiras.

MAIS DE 100 ANOS DE HISTÓRIA

O emprego de fontes renováveis de energia no território mais ocidental de Cuba, com o propósito de gerar eletricidade, produz-se há mais de um século.

Segundo os historiadores, isso esteve marcado pela abertura, em dezembro de 1912, da hidroelétrica Salto de Pilotos, a mais antiga do país, que ainda funciona, embora disponha de um equipamento mais moderno.

Depois, seguem as hidroelétricas de San Vicente, no município de Viñales, e a de El Salto Grande, em Guane, ambas montadas em 1920, as quais também continuam em exploração.

Trata-se, não obstante, de exemplos isolados e com um impacto discreto até agora, relativamente à geração de kilowatts de energia e quanto a toneladas de combustível deixadas de consumir.

Porém, esta realidade que durante mais de um século marcou a vida da província, deve mudar, de maneira significativa, nos próximos anos, graças ao aparecimento de tecnologias muito mais eficientes, a diminuição dos custos dos empreendimentos e a prioridade que o país dá na atualidade a esse tema.

O diretor da Unidade Empresarial de Base de Hidroenergia em Vueltabajo, Jorge Luiz Arzola, assinala que às sete instalações que possui sua entidade na província, com uma potência instalada de 415 kw, pretendem-se somar oito mais, antes que conclua o ano 2020 (com uma capacidade de geração cinco vezes maior), quase todas localizadas nas comportas de represas, e com a missão de gerar energia limpa diretamente à rede nacional.

MODIFICAR A MATRIZ ENERGÉTICA

Com essa mesma intenção, as 28 áreas selecionadas no território para a construção de parques fotovoltaicos, sobre uma superfície total de 442,32 acres, deverão atingir no seu conjunto 105,9 MWp.

A materialização do programa, previsto para ser executado de maneira gradual nos próximos anos, segundo o diretor de investimentos da Empresa Elétrica de Pinar del Río, gerará boa parte da energia que consome o território.

“Hoje, a máxima demanda se encontra ao redor dos 154MW, de modo que estamos falando de abranger aproximadamente 70% das necessidades da província, mediante painéis solares”.

Se em termos econômicos o beneficio calculado é enorme, levando em conta todo o combustível que já não será preciso utilizar, do ponto de vista do meio ambiente também é muito alto.

“O volume de CO2 que se deixará de emitir é considerável, levando em conta que só no parque Pinar 220 A1 se estima em milhares de toneladas”, assinala Michel.

Pouco mais de um século depois que a abertura da hidroelétrica Salto de Pilotos marcasse o começo da geração elétrica, sem a necessidade de lançar mão dos combustíveis fosseis, parece que. finalmente, na província, chegou a hora das fontes renováveis de energia.

Perto da cidade de Pinar del Río, ao lado da estrada que atravessa Troncoso, a construção do terceiro parque fotovoltaico com o qual contará a zona — de um total de seis que serão instalados nela — assim o indica, e também os estudos e projetos que se vieram realizando nos últimos tempos, com o propósito de obter energia limpa a partir das fontes naturais que não se esgotem, nem provoquem poluição.

(Granma)

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