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Brasil: Aprovação de texto final marcará fim da Cúpula Rio+20

Rio de Janeiro, 22 jun (Prensa Latina) A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, concluirá hoje com a aprovação do documento final, criticado por muitos dos presidentes participantes e considerado por outros como o melhor possível.

O texto final foi resultado de um consenso atingido entre os negociadores na terça-feira passada, um dia antes do início da sessão de alto nível, e recebeu fortes críticas de ambientalistas e de entidades da sociedade civil que o chamaram de pouco ambicioso, frustrante e decepcionante.

O documento pode ser modificado pelos chefes de Estado e/ou Governo presentes na Cúpula para incorporar-lhe algumas das reivindicações dessas organizações defensoras do meio ambiente e, inclusive, de alguns presidentes.

Amigos da Terra Internacional, uma das maiores organizações ambientalistas de base do mundo, afirmou que o texto final da Rio+20 “é um atentado aos povos, porque é um documento vazio, sem alma e sem compromissos concretos com o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável”.

Mas, funcionários da Organização das Nações Unidas e do país anfitrião reiteraram que o texto aprovado pelos negociadores e que foi apresentado pelo Brasil diante do fracasso de três encontros do Comitê Preparatório é o melhor possível, porque conseguiu o consenso entre os diferentes países participantes em sua discussão.

Para boa parte dos críticos ao texto, falta nele o compromisso dos países ricos com o financiamento das ações do desenvolvimento sustentável, e outros lamentam não ter conseguido elevar à categoria de agência independente o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Além disso, condenam a rejeição dos Estados Unidos, Canadá e da União Europeia à iniciativa do G77+China de criar um fundo anual de 30 bilhões de dólares para promover o desenvolvimento sustentável. Para essa postura, essas nações alegaram a atual crise econômica que enfrentam.

Ao intervir ontem na Cúpula, o presidente cubano, Raúl Castro, denunciou que “a paralisação das negociações e a falta de um acordo que permita frear a mudança climática global são um nítido reflexo da falta de vontade política e da incapacidade dos países desenvolvidos de atuar conforme às obrigações que se derivam de sua responsabilidade histórica e sua posição atual”.

Isto se pôs de manifesto nesta reunião, apesar do enorme esforço que o Brasil tem feito e que lhe agradecemos, sublinhou o presidente cubano.

Raúl Castro chamou a deixar as justificativas e egoísmos e buscar soluções, porque desta vez todos, absolutamente todos, pagaremos as consequências da mudança climática.

Por sua vez, o presidente boliviano, Evo Morales, criticou a denominada economia verde como um novo mecanismo de submetimento dos povos e dos governos anticapitalistas e também como o capitalismo promove a privatização e a mercantilização da biodiversidade e dos recursos genéticos.

“O ambientalismo do capitalismo é um novo colonialismo de dupla face, é um colonialismo da natureza ao mercantilizar as fontes naturais da vida e é um colonialismo aos países do sul que carregam a responsabilidade de proteger o meio ambiente, que é destruído pela economia capitalista industrial do norte”, destacou.

O presidente do Equador, Rafael Correa, exigiu dos países desenvolvidos que assumam uma responsabilidade diferenciada diante da problemática meio ambiental, pois são os maiores contaminantes da atmosfera.

Afirmou que agora que estão em moda os salvamentos bancários multimilionários, é hora de falar de salvamentos ambientais, que é a base deste conceito de responsabilidade comum, mas diferenciada.

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