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	<title>Cubadebate (Português) &#187; Nações Unidas</title>
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		<title>Intervenção do Miguel Díaz Canel- Bermudez, no Debate Geral do 75º período ordinário de sessões da Assembleia Geral das Nações Unidas</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2020 21:02:53 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cubadebate</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Covid-19]]></category>
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		<category><![CDATA[Discurso]]></category>
		<category><![CDATA[Miguel Díaz-Canel]]></category>
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		<description><![CDATA[Uma epidemia global mudou drasticamente a vida quotidiana. De um dia para o outro, milhões se contaminam, e morrem milhares de pessoas cuja esperança de vida, graças ao desenvolvimento, era mais longa. Sistemas hospitalares de alto nível de atendimento colapsaram, e as estruturas de saúde de países pobres sofrem com a sua incapacidade crónica. Drásticas quarentenas convertem as cidades mais populosas em desertos.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-5985" alt="Canel ONU 75" src="/files/2020/09/Canel-ONU-75.jpg" width="300" height="250" />Senhor Secretário-Geral:</p>
<p>Senhor Presidente:</p>
<p>Uma epidemia global mudou drasticamente a vida quotidiana. De um dia para o outro, milhões se contaminam, e morrem milhares de pessoas cuja esperança de vida, graças ao desenvolvimento, era mais longa. Sistemas hospitalares de alto nível de atendimento colapsaram, e as estruturas de saúde de países pobres sofrem com a sua incapacidade crónica. Drásticas quarentenas convertem as cidades mais populosas em desertos. A vida social não existe fora das redes digitais. Teatros, discotecas, galerias e, inclusive, escolas são fechadas ou redimensionadas.</p>
<p>As nossas fronteiras fecharam, as nossas economias se contraem, as nossas reservas se esgotam. A vida sofre o radical redesenho de costumes ancestrais, e a insegurança substitui a certeza. Até os melhores amigos não se reconhecem, atrás das máscaras que nos salvam do contágio. Tudo muda.</p>
<p>Tanto quanto a solução para a pandemia, já urge a democratização desta indispensável Organização, para que responda de maneira efectiva às necessidades e aspirações de todos os povos.<br />
O ansiado direito da humanidade a viver em paz e segurança, com justiça e liberdade, base da união das nações, é constantemente ameaçado.</p>
<p>Mais de 1,9 biliões de dólares são malbaratados hoje, em uma insensata corrida armamentista, sustentada na política agressiva e belicista do imperialismo, cujo máximo expoente é o actual governo dos Estados Unidos, responsável por 38% do gasto militar global.</p>
<p>Falamos de um regime notavelmente agressivo e moralmente corrupto, que despreza e ataca o multilateralismo, emprega a chantagem financeira na sua relação com as agências do sistema das Nações Unidas e, com uma prepotência nunca antes vista, retira-se da Organização Mundial da Saúde, da Unesco e do Conselho de Direitos Humanos.</p>
<p>Paradoxalmente, o país que aloja a sede da ONU também se afasta de tratados internacionais fundamentais, como o Acordo de Paris sobre mudança climática; repudia o consensual acordo nuclear com o Irão; impulsiona guerras comerciais; põe fim ao seu compromisso com instrumentos internacionais de controle, na esfera do desarmamento; militariza o ciberespaço; multiplica a coerção e as sanções unilaterais contra os que não se submetem aos seus desígnios; e patrocina a derrubada pela força de governos soberanos, com métodos de guerra não convencional.</p>
<p>Nessa linha de comportamento, divorciada dos antigos princípios da coexistência pacífica e do respeito ao direito alheio à autodeterminação como garante da paz, o governo presidido por Donald Trump, além disso, manipula com fins subversivos a cooperação no âmbito da democracia e dos direitos humanos, enquanto no seu próprio território proliferam, praticamente sem controle, as expressões de ódio, racismo, brutalidade policial e as irregularidades do sistema eleitoral e do direito dos cidadãos ao voto.</p>
<p>Urge reformar as Nações Unidas. Esta poderosa organização, que emergiu do milionário custo em vidas de duas guerras mundiais e como resultado da compreensão universal da importância do diálogo, da negociação, da cooperação e da legalidade internacional, não pode atrasar mais a sua actualização e democratização.</p>
<p>Algo muito essencial e profundo falhou, quando se assiste, de modo quotidiano e permanente, à violação dos princípios da Carta da ONU, e quando é cada vez mais frequente o uso da força ou a sua ameaça, nas relações internacionais.</p>
<p>Não é possível sustentar por mais tempo, como algo natural e imutável, uma ordem internacional desigual, injusta e antidemocrática, que antepõe o egoísmo à solidariedade, e os interesses mesquinhos de uma minoria poderosa às legítimas aspirações de milhões de pessoas.</p>
<p>Apesar das insatisfações e demandas de transformação que, junto com outros Estados e com milhões de cidadãos do mundo, pedimos às Nações Unidas, a Revolução cubana defenderá sempre a existência do organismo a que devemos o pouco, mas imprescindível, multilateralismo que sobrevive à prepotência imperial.</p>
<p>Mais de uma vez, ante este mesmo foro, Cuba reiterou a sua vontade de cooperar com a democratização da ONU e com a defesa da cooperação internacional, que somente ela pode salvar. Como disse o Primeiro Secretário do Partido Comunista de Cuba, General de Exército Raúl Castro Ruz, e cito: “Poderá contar sempre, a comunidade internacional, com a sincera voz de Cuba, ante a injustiça, a desigualdade, o subdesenvolvimento, a discriminação e a manipulação; e pelo estabelecimento de uma ordem internacional mais justa e equitativa, em cujo centro realmente se coloque o ser humano, a sua dignidade e bem-estar”. Fim da citação.</p>
<p>Senhor Presidente:</p>
<p>Retomando a gravidade do momento actual, que muitos atribuem unicamente à pandemia da Covid-19, considero fundamental advertir que o seu impacto ultrapassa, e muito, o âmbito sanitário.</p>
<p>Pelas suas sequelas nefastas, a impressionante quantidade de mortes, o prejuízo à economia mundial e a deterioração dos níveis de desenvolvimento social, a expansão da epidemia, nos últimos meses, angustia e desespera a líderes e cidadãos de praticamente todas as nações.<br />
Mas a crise multidimensional que ela provocou demonstra claramente o imenso erro das políticas desumanizadas impostas a todo custo pela ditadura do mercado.</p>
<p>Hoje somos dolorosas testemunhas do desastre a que o mundo foi conduzido, pelo sistema irracional e insustentável de produção e consumo do capitalismo, por décadas de uma injusta ordem internacional e de aplicação de um cru e desenfreado neoliberalismo, que agravou as desigualdades e sacrificou o direito dos povos ao desenvolvimento.</p>
<p>Ao contrário do excludente neoliberalismo, que separa e descarta milhões de seres humanos, condenando-os a sobreviver com as sobras do banquete do um por cento mais rico, o vírus da Covid-19 não discrimina entre uns e outros, mas os seus devastadores impactos económicos e sociais serão letais entre os mais vulneráveis, os de menos ganhos, tanto no mundo subdesenvolvido, como nos bolsões de pobreza das grandes urbes industrializadas.</p>
<p>Segundo projecções da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), aos 690 milhões de pessoas que passavam fome em 2019, poderão somar-se 130 milhões, em consequência da recessão económica causada pela pandemia. Estudos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirmam que se perderam mais de 305 milhões de empregos, e que mais de um mil e seiscentos milhões de trabalhadores veem ameaçados os seus meios de subsistência.</p>
<p>Não podemos enfrentar a Covid-19, a fome, o desemprego e a crescente desigualdade económica e social, entre indivíduos e entre países, como fenómenos independentes. Urge implementar políticas integrais, que tenham como prioridade o ser humano, e não os ganhos económicos ou as vantagens políticas.</p>
<p>Seria criminoso deixar para amanhã decisões de ontem e hoje. É um imperativo impulsionar a solidariedade e a cooperação internacional, para amortecer o golpe.</p>
<p>Somente as Nações Unidas, com a sua associação universal, tem a autoridade e o alcance necessários para retomar a justa luta por eliminar a impagável dívida externa, que, agravada pelos efeitos socioeconómicos da pandemia, atenta contra a sobrevivência dos povos do Sul.</p>
<p>Senhor Presidente:</p>
<p>O aparecimento do Sars-CoV-2 e dos primeiros indícios de que ameaçava provocar uma pandemia não pegaram Cuba desprevenida.<br />
Com a experiência de décadas de enfrentamento a epidemias terríveis, algumas delas introduzidas deliberadamente, como parte da permanente guerra contra o nosso projecto político, pôs-se imediatamente em prática um grupo de medidas, sustentadas em nossas capacidades e virtudes fundamentais: um Estado socialista organizado, responsável por velar pela saúde dos seus cidadãos, com capital humano altamente qualificado, e uma sociedade com elevado grau de participação popular, na adopção de decisões e na solução dos seus problemas.</p>
<p>A aplicação dessas medidas, junto com o conhecimento acumulado em mais de 60 anos de enormes esforços para criar e fortalecer um sistema de saúde de qualidade e de alcance universal, assim como a pesquisa e o desenvolvimento científicos permitiram não apenas preservar o direito à saúde de todos os cidadãos, sem excepção, como enfrentar a pandemia em melhores condições.</p>
<p>E o fizemos, apesar das duras restrições do prolongado bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelo governo dos Estados Unidos, brutalmente intensificado nos dois últimos anos, inclusive em tempos de pandemia, como prova de que esse é o componente essencial da sua política de hostilidade em relação a Cuba.</p>
<p>A agressividade do bloqueio atingiu um nível qualitativamente novo, que reforça a sua condição de impedimento real e determinante para o manejo da economia e o desenvolvimento do nosso país. O governo estadunidense intensificou especialmente a perseguição às transacções financeiras de Cuba e, desde 2019, adopta medidas violadoras do Direito Internacional, para privar o povo cubano da possibilidade de adquirir o combustível que necessita nas suas actividades quotidianas e para o seu desenvolvimento.</p>
<p>Com o fim de prejudicar e demonizar a Revolução cubana e a outros que qualifica como adversários, os Estados Unidos publicam listas espúrias, carentes de legitimidade, com as quais se arroga o direito de impor ao mundo medidas coercitivas unilaterais e qualificações infundadas.</p>
<p>Não passa uma semana, sem que esse governo emita declarações contra Cuba, ou imponha novas restrições. Portanto é paradoxal que tenha se recusado a qualificar como terrorista o ataque perpetrado contra a Embaixada de Cuba em Washington, no dia 30 de Abril de 2020, quando um indivíduo armado com um fuzil de assalto disparou mais de 30 cartuchos contra a sede diplomática e depois confessou a sua intenção de matar.</p>
<p>Denunciamos a dupla moral do governo estadunidense, na luta contra o terrorismo, e exigimos que seja publicamente condenado, esse brutal ataque.<br />
Reclamamos que cessem a hostilidade e a campanha difamatória contra o trabalho altruísta da cooperação médica internacional de Cuba, que, com alto prestígio e resultados verificáveis, contribuiu para salvar centenas de vidas e reduzir o impacto da doença em diversas regiões. Personalidades internacionais e organizações sociais de notável prestígio reconheceram a tarefa humanista realizada pela Brigada Internacional Médica Especializada em Situações de Desastre e Graves Epidemias “Henry Reeve”, advogando que lhe seja concedido o Prémio Nobel da Paz.</p>
<p>Enquanto o governo dos Estados Unidos ignora o chamado a somar esforços no combate à pandemia e se retira da OMS; Cuba, em resposta a solicitações recebidas, e guiada pela profunda vocação solidária e humanista do seu povo, reforça a sua cooperação, enviando mais de 3.700 colaboradores, organizados em 46 brigadas médicas, a 39 países e territórios afectados pela Covid-19.</p>
<p>Nesse sentido, condenamos a chantagem criminosa com que os Estados Unidos pressionaram a Organização Pan-americana da Saúde, com o propósito de utilizar esse organismo regional como instrumento da sua obsessiva agressão contra o nosso país. A força da verdade sempre jogará por terra as mentiras, e a história colocará os factos e os protagonistas no seu lugar. O exemplo de Cuba prevalecerá.</p>
<p>Nossos consagrados trabalhadores da Saúde, orgulho de uma nação formada no ideário martiano de que Pátria é Humanidade, receberão ou não o Prémio que merece a sua nobreza, mas faz anos que ganharam o reconhecimento dos povos abençoados pelo seu trabalho em saúde.</p>
<p>O governo dos Estados Unidos não oculta a sua intenção de aplicar novas e mais duras medidas agressivas contra Cuba, nos próximos meses.</p>
<p>Declaramos uma vez mais, ante a comunidade internacional, que o nosso povo, orgulhoso da sua história e comprometido com os ideais e a obra da Revolução, saberá resistir e vencer.</p>
<p>Senhor Presidente:<br />
As pretensões de impor a dominação neocolonial à Nossa América, declarando publicamente a vigência da Doutrina Monroe, contrariam a Proclamação da América Latina e das Caraíbas como Zona de Paz.</p>
<p>Queremos ratificar publicamente, neste cenário virtual, que a República Bolivariana da Venezuela contará sempre com a solidariedade de Cuba, frente às tentativas de desestabilizar e subverter a ordem constitucional e a união cívico-militar, e de destruir a obra iniciada pelo Comandante Hugo Chávez Frías e continuada pelo presidente Nicolás Maduro Moros a favor do povo venezuelano.</p>
<p>Repudiamos também as acções dos Estados Unidos dirigidas a desestabilizar a República da Nicarágua, e corroboramos a invariável solidariedade com o seu povo e governo, liderados pelo Comandante Daniel Ortega.</p>
<p>Solidarizamo-nos com as nações das Caraíbas que exigem justas reparações pelos horrores da escravidão e do tráfico de escravos, em um mundo em que crescem a discriminação racial e a repressão às comunidades afrodescendentes.</p>
<p>Reafirmamos o nosso compromisso histórico com a livre determinação e a independência do povo irmão de Porto Rico.</p>
<p>Apoiamos a legítima reivindicação da Argentina, de soberania sobre as ilhas Malvinas, Sandwich do Sul e Geórgia do Sul.</p>
<p>Reiteramos o compromisso com a paz na Colômbia e a convicção de que o diálogo entre as partes é a via para alcançar uma paz estável e duradoura nesse país.</p>
<p>Apoiamos a busca de uma solução pacífica e negociada para a situação imposta à Síria, sem ingerência externa e com pleno respeito à sua soberania e integridade territorial.</p>
<p>Demandamos uma solução justa para o conflito do Oriente Médio, que passa pelo exercício real do direito inalienável do povo palestino a construir o seu próprio Estado, dentro das fronteiras anteriores a 1967 e com a sua capital em Jerusalém oriental. Repudiamos as tentativas de Israel de anexar novos territórios da Cisjordânia.</p>
<p>Expressamos a nossa solidariedade com a República Islâmica do Irão, ante a escalada agressiva dos Estados Unidos.</p>
<p>Reafirmamos nossa permanente solidariedade com o povo saaraui.</p>
<p>Condenamos energicamente as sanções unilaterais e injustas contra a República Popular Democrática da Coreia.</p>
<p>Ratificamos o nosso repúdio à intenção de estender a presença da OTAN até as fronteiras da Rússia e à imposição de sanções unilaterais e injustas contra essa nação.</p>
<p>Repudiamos a intromissão estrangeira nos assuntos internos da República da Bielorrússia e reiteramos a nossa solidariedade ao legítimo presidente desse país, Aleksandr Lukashenko, e ao povo irmão bielorrusso.</p>
<p>Condenamos a ingerência nos assuntos internos da República Popular da China e nos opomos a qualquer tentativa de ferir a sua integridade territorial e soberania.</p>
<p>Senhor Presidente:</p>
<p>As preocupantes circunstâncias actuais fizeram que, pela primeira vez, nos 75 anos de história da Organização das Nações Unidas, sejamos obrigados a nos reunir de modo não presencial.</p>
<p>A comunidade científica de Cuba, outro orgulho da nação que, desde o triunfo da Revolução dos justos, anunciou ao mundo o seu propósito de converter-se em um país de homens e mulheres de Ciência, trabalha sem descanso em uma das primeiras vacinas em fase de ensaio clínico no mundo.</p>
<p>Os seus criadores e outros pesquisadores e estudiosos, articulados com o sistema de Saúde, desenvolvem protocolos de atendimento às pessoas contagiadas, às recuperadas e à população de risco, que nos permitiram manter as estatísticas da epidemia em torno de 80% de pessoas contaminadas salvas, e um índice de letalidade inferior à média continental e mundial.</p>
<p>“Médicos, e não bombas”, anunciou um dia o líder histórico da Revolução Cubana e principal promotor do desenvolvimento das Ciências em Cuba, Comandante em Chefe Fidel Castro Ruz. Essa é a nossa divisa. Salvar vidas e compartilhar o que somos e temos, ao preço de qualquer sacrifício, é o que oferecemos ao mundo desde as Nações Unidas, à qual só pedimos uma mudança, em sintonia com a gravidade do momento.</p>
<p>Somos Cuba.</p>
<p>Lutemos juntos pela promoção da paz, da solidariedade e do desenvolvimento.</p>
<p>Muito obrigado</p>
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		<title>Deslocadas 38 milhões de pessoas no mundo, segundo relatório</title>
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		<pubDate>Thu, 07 May 2015 01:34:23 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cubadebate</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Nações Unidas]]></category>
		<category><![CDATA[Sudan]]></category>
		<category><![CDATA[Violência]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma cifra recorde de 38 milhões de pessoas encontram-se deslocadas de seus lares pela violência em diversas partes do mundo, segundo um relatório apresentado hoje na sede de Nações Unidas em Genebra. O estudo do Observatório de Deslocação Interna (IDMC) reflete que no ano passado, 30 mil seres humanos abandonaram suas casas diariamente ante o auge dos conflitos e as crises humanitárias vinculadas aos mesmos.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-3642" alt="desplazados_sudan" src="/files/2015/05/desplazados_sudan.jpg" width="300" height="200" />Uma cifra recorde de 38 milhões de pessoas encontram-se deslocadas de seus lares pela violência em diversas partes do mundo, segundo um relatório apresentado hoje na sede de Nações Unidas em Genebra.</p>
<p>O estudo do Observatório de Deslocação Interna (IDMC) reflete que no ano passado, 30 mil seres humanos abandonaram suas casas diariamente ante o auge dos conflitos e as crises humanitárias vinculadas aos mesmos.</p>
<p>A quantidade de pessoas nessa dramática situação equivale ao total dos habitantes de populosas cidades como Londres, Nova York e Pequim, um palco que reflete a urgência de deter as hostilidades no planeta e de abrir espaços para a solução pacífica das diferenças.</p>
<p>&#8220;Trata-se das piores cifras de deslocamentos forçadas em uma geração, o que deixa evidente nosso fracasso absoluto para proteger civis inocentes&#8221;, advertiu Jan Egeland, secretário geral do Conselho Norueguês para Refugiados, que inclui o IDMC.</p>
<p>De acordo com o reporte 2015, tão só no ano passado se incorporaram 11 milhões de pessoas à lamentável estatística, alimentada por conflitos como os da Síria, Ucrânia, Iraque, República Centroafricana, Sudão do Sur, Iêmen, Líbia e a República Democrática do Congo.</p>
<p>Para Egeland, os gerenciamentos diplomáticos, as resoluções da ONU, os acordos de cessar-fogo e as conversas de paz têm perdido a batalha contra homens armados sem piedade, motivados por interesses políticos e religiosos.</p>
<p>Este relatório deveria ser considerado um tremendo sinal de alarme, que possibilitasse romper a tendência marcada por milhões de seres humanos, entre eles muitas crianças, aprisionadas em zonas de conflito, sublinhou.</p>
<p>Por sua vez, o alto comissário adjunto das Nações Unidas para os Refugiados, Volker Turk, disse a propósito do reporte apresentado em Genebra, que os confrontos impõem a desesperança e disparam o fluxo humano.</p>
<p>Muitas das pessoas nesta situação cruzarão fronteiras e se converterão em refugiados, além de arriscar suas vidas por escapar da violência, afirmou.</p>
<p>Turk recordou a tragédia que nos últimos meses vive o Mediterrâneo, cujas águas se converteram em um cemitério para milhares de seres humanos que tentam chegar à costa européia, procedentes de crises armadas e da pobreza em estados africanos e asiáticos.</p>
<p>&#8220;A solução mais evidente consiste em um esforço supremo para propiciar a paz nos países devastados pela guerra&#8221;, sentenciou.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A imprensa mundial censura a Unesco e o Banco Mundial&#8230; quando elogiam a educação de Cuba</title>
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		<pubDate>Sat, 02 May 2015 02:08:49 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cubadebate</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Cuba]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Nações Unidas]]></category>
		<category><![CDATA[UNESCO]]></category>

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		<description><![CDATA[Os relatórios apresentados pelos órgãos das Nações Unidas costumam ser notícia nos grandes meios de comunicação. E os dados que esses organismos destacam em suas coletivas de imprensa costumam ser ressaltados pelos mesmos veículos (1). Mas, às vezes, não é assim. No começo de abril, a Unesco apresentou seu “Relatório de Acompanhamento da Educação para Todos no Mundo 2015”: um balanço, 15 anos depois, do que fora conseguido por 164 países. ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-3625" alt="leccionesdemanipulacion261" src="/files/2015/05/leccionesdemanipulacion261.jpg" width="300" height="225" />Os relatórios apresentados pelos órgãos das Nações Unidas costumam ser notícia nos grandes meios de comunicação. E os dados que esses organismos destacam em suas coletivas de imprensa costumam ser ressaltados pelos mesmos veículos (1). Mas, às vezes, não é assim.</p>
<p>No começo de abril, a Unesco apresentou seu “Relatório de Acompanhamento da Educação para Todos no Mundo 2015”: um balanço, 15 anos depois, do que fora conseguido por 164 países em relação a seis grandes objetivos estabelecidos no Fórum Mundial de Educação de Dacar, no ano 2000 (2).</p>
<p>Um dos dados destacados pela Unesco no relatório é o de que, na América Latina e Caribe, apenas um país cumpriu 100% dos mencionados objetivos: Cuba (3).</p>
<p>Vocês entendem agora por que a grande imprensa não se interessou pelo relatório da Unesco?</p>
<p>O relatório posiciona Cuba no 28º lugar mundial, no mesmo nível de Reino Unido, Japão, Noruega, Suíça e Finlândia. Destaca, por exemplo, os indicadores de equidade de gênero em todo o sistema educativo de Cuba, próximos da paridade total, e a qualidade de ensino na ilha, muito relacionada, por exemplo, com a taxa de alunos por docente. Para uma média mundial de 40, Cuba apresenta taxa de dez estudantes por professor (4).</p>
<p>Que o sistema educativo cubano continue sendo elogiado internacionalmente pode parecer curioso, quando as próprias instituições da ilha se mostram preocupadas por certos retrocessos recentes (5). Longe de receber o reconhecimento da Unesco com triunfalismo, a ministra da Educação, Ana Elsa Velásquez, afirmou que o governo cubano encontra-se “insatisfeito”, já que “Cuba tem muitos desafios” para superar, especialmente na formação de docentes, na infraestrutura e na informatização do sistema educativo (6).</p>
<p>Sobre os elogios da Unesco a Cuba – como era de se esperar – não lemos uma só palavra nos grandes diários internacionais. O jornal espanhol “El País”, apesar de ter assinado um acordo com a Unesco há apenas dois meses (7) e de ter publicado, nos últimos meses, vários artigos sobre a situação da educação no mundo (8) – nos quais Cuba também não é mencionada –, ignorou absolutamente o mencionado “Relatório de Acompanhamento da Educação para Todos” da Unesco.</p>
<p>Uma organização muito mais vinculada aos valores ideológicos das grandes empresas de comunicação, o Banco Mundial, reconheceu no ano passado que Cuba é o país do mundo que mais investe em educação (9). Com 12,9% do PIB destinado à educação, a ilha supera países como Dinamarca, com 8,7%, Reino Unido, com 6,2%, ou Estados Unidos, com 5,4% (10).</p>
<p>Em um relatório anterior, intitulado “Professores excelentes. Como melhorar a aprendizagem na América Latina e Caribe” (11), o Banco Mundial também elogiava Cuba por dispor do melhor sistema educativo da região (12).</p>
<p>Mas a autoridade ideológica do Banco Mundial também não serviu, neste caso, para que os grandes jornais se interessassem minimamente por seus dados “incômodos” sobre os êxitos do sistema educativo de Cuba.</p>
<p>(1) http://elpais.com/elpais/2014/10/28/planeta_futuro/1414492780_152446.html</p>
<p>(2) http://es.unesco.org/gem-report/report/2015/la-educaci%C3%B3n-para-todos-2000-2015-logros-y-desaf%C3%ADos#sthash.HDsRruov.dpbs</p>
<p>(3) http://www.unesco.org/new/es/media-services/single-view/news/education_for_all_2000_2015_only_cuba_reached_global_education_goals_in_latin_america_and_the_caribbean/#.VTYjlfBGQ3g</p>
<p>(4) http://noticias.universia.cl/educacion/noticia/2015/04/13/1123090/cuba-unico-pais-logro-cumplir-100-objetivos-ept-mundo-unesco.html</p>
<p>(5) http://www.bbc.co.uk/mundo/blogs/2014/10/141016_voces_desde_cuba_yuris_norido_maestros_educacion</p>
<p>(6) http://www.granma.cu/cuba/2015-04-10/destaca-la-unesco-resultados-de-cuba-en-materia-de-educacion</p>
<p>(7) http://politica.elpais.com/politica/2015/02/02/actualidad/1422911947_172741.html</p>
<p>(8) http://elpais.com/elpais/2014/09/03/planeta_futuro/1409736940_718200.html</p>
<p>(9) http://data.worldbank.org/indicator/SE.XPD.TOTL.GD.ZS</p>
<p>(10) http://espanol.almayadeen.net/Study/2Kml_ddYWEeKIKRbARNhBA/seg%C3%BAn-el-banco-mundial-cuba-es-el-pa%C3%ADs-del-mundo-que-inviert</p>
<p>(11) http://www.bancomundial.org/content/dam/Worldbank/Highlights%20&amp;%20Features/lac/LC5/Spanish-excellent-teachers-report.pdf</p>
<p>(12) http://www.kienyke.com/noticias/banco-mundial-cuba-tiene-el-mejor-sistema-educativo-de-america-latina/</p>
<p><strong>(José Manzaneda, Cubainformacion´s coordinator)</strong></p>
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		<title>Primeiro vice-presidente cubano recbe Secretária Executiva da Cepal</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Apr 2015 20:35:16 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cubadebate</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cepal]]></category>
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		<description><![CDATA[O primeiro vice-presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, recebeu hoje à Secretária Executiva da Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal), Alicia Bárcena.Durante o encontro, a alta servidora pública das Nações Unidas manifestou sua satisfação por poder acompanhar Cuba no processo de atualização de seu modelo econômico e ratificou a vontade da Cepal de continuar brindando toda a ajuda possível.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-3610" alt="diaz-canel" src="/files/2015/05/diaz-canel.jpg" width="262" height="193" />O primeiro vice-presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, recebeu hoje à Secretária Executiva da Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal), Alicia Bárcena.</p>
<p>Durante o encontro, a alta servidora pública das Nações Unidas manifestou sua satisfação por poder acompanhar Cuba no processo de atualização de seu modelo econômico e ratificou a vontade da Cepal de continuar brindando toda a ajuda possível.</p>
<p>Também se abordaram temas de mútuo interesse sobre a cooperação regional, na que Cuba mantém um destacado papel.</p>
<p>Acompanharam Bárcena neste encontro o Diretor do Escritório Subregional da Cepal no México, Hugo Eduardo Beteta, e o Diretor da Divisão de Planejamento de Programas e Operações da entidade, Raúl García-Buchaca.</p>
<p>Pela parte cubana estiveram presentes a ministra interina, Ileana Núñez, e o Diretor em funções de Organismos Econômicos Internacionais, William Díaz, ambos da pasta de Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro.</p>
<p><strong>(Prensa Latina)</strong></p>
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		<title>Kofi Annan-Síria: missão possível</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Apr 2012 12:18:14 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cubadebate</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Kofi Annan]]></category>
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		<description><![CDATA[Nações Unidas (Prensa Latina) O anúncio do governo sírio sobre o cessar de suas operações militares em 10 de abril consolidou a mediação do enviado de Nações Unidas, Kofi Annan, em frente a intensas manobras de países essenciais que tratam de boicotar esse gerenciamento.A decisão de Damasco foi comunicada pelo chanceler sírio, Walid a o-Moallen, ao emissário da ONU, que a transmitiu nesta segunda-feira ao Conselho de Segurança, órgão presidido desde ontem pela embaixadora norte-americana, Susan Rice]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-2569" src="/files/2012/04/kofi-annan.jpg" alt="" width="285" height="196" />Nações Unidas (Prensa Latina) O anúncio do governo sírio sobre o cessar de suas operações militares em 10 de abril consolidou a mediação do enviado de Nações Unidas, Kofi Annan, em frente a intensas manobras de países essenciais que tratam de boicotar esse gerenciamento.</p>
<p>A decisão de Damasco foi comunicada pelo chanceler sírio, Walid a o-Moallen, ao emissário da ONU, que a transmitiu nesta segunda-feira ao Conselho de Segurança, órgão presidido desde ontem pela embaixadora norte-americana, Susan Rice.</p>
<p>E foi a própria diplomata a encarregada de informar à imprensa na sede da ONU, em um dia após que sua chefa, a secretária de Estado, Hillary Clinton, reconheceu ao opositor Conselho Nacional Sírio como &#8220;representante legítimo do povo&#8221; e lhe ofereceu um financiamento milionário.</p>
<p>Durante um intercâmbio por videoconferência com o Conselho de Segurança, Annan confirmou que para em 10 de abril as autoridades sírias porão fim ao movimento de forças militares e ao uso de armas pesadas e retirarão seus militares dos centros urbanos.</p>
<p>As medidas fazem parte do plano de seis pontos proposto pelo emissário da ONU ao governo sírio como passos para avançar para uma solução do conflito que já dura um ano.</p>
<p>Esse esquema também contempla a necessidade de permitir a entrada de ajuda humanitária, a implantação de uma trégua diária para sua distribuição e atenção a feridos e atingidos pelo conflito e em rendimento de jornalistas estrangeiros ao país.</p>
<p>Assim, dispõe o início de um processo de diálogo com vistas ao estabelecimento de um sistema político plural e democrático na Síria.</p>
<p>Ao respeito, Rice informou que Nasser Kidwa, segundo ao comando de Annan, &#8220;tem sustentado contatos construtivos&#8221; com as forças opositoras sírias para que ponham fim a suas ações armadas 48 horas após o fim dos movimentos do exército.</p>
<p>Depois do anúncio das decisões adotadas por Damasco, o Conselho de Segurança ratificou seu respaldo a Annan em seus esforços por um acordo da crise.</p>
<p>Não obstante, essa expressão de apoio aparenta mais formalidade que compromisso ao provir de um órgão que inclui a declarados promotores da queda do presidente sírio, Bashar Assad, e de seu governo, como o são os Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Alemanha, entre outros.</p>
<p>Representantes desses países, liderados pela secretária de Estado Clinton, acabam de acordar na Turquia o envio de cifras milionárias de dinheiro e médios técnicos as forças opositoras na Síria, apesar da mediação que desenvolve Annan em nome da ONU.</p>
<p>Nesse sentido, o representante permanente de Damasco nas Nações Unidas, Bashar Jaafari, afirmou que aqueles que armam, financiam e fornecem equipamentos de comunicação aos grupos terroristas sírios buscam o fracasso da missão de Annan.</p>
<p>O embaixador criticou diretamente a Arábia Saudita, Catar, Turquia e &#8220;a todos àqueles que pretendem ignorar a soberania da Síria e criar vias paralelas ao Conselho de Segurança que não são reconhecidas internacionalmente&#8221;.</p>
<p>Assim, fez menção particular ao chanceler saudita, Faisal Bin Abdelaziz, por convocar de maneira aberta a armar às forças antigovernamentais na Síria, &#8220;como um dever&#8221;.</p>
<p>Jaafari advertiu sobre a existência de uma dupla linguagem que contradiz o caminho harmonioso adotado pelo Conselho de Segurança e ameaça o trabalho empreendido por Annan.</p>
<p>Esperamos que o enviado especial da ONU converse com as outras partes do conflito, em especial/ com os que querem armar os grupos terroristas, para pôr fim aos atos de violência, destacou o diplomata sírio.</p>
<p>Uma primeira avaliação realizada pela ONU e o governo sírio sobre a situação no país árabe determinou a existência de um milhão de pessoas que precisam assistência humanitária.</p>
<p>Trata-se da população diretamente afetada pela violência, feridos e deslocados de seus lugares de residência, bem como aqueles que perderam o acesso aos serviços essenciais ou seus familiares.</p>
<p>Os dados foram difundidos pela coordenadora da ONU para o socorro de emergência, Valerie Amos, que destacou a urgência de alimentos, assistência médica, artigos do lar, conselho psicológico e respaldo em matéria de educação.</p>
<p>Por outro lado, o Conselho de Segurança informou que uma equipe do departamento de manutenção da paz da ONU viajará a Síria nesta semana para iniciar os preparativos para o eventual envio de uma missão de observação e monitoreo da situação.</p>
<p>*Chefe da Sucursal da Prensa Latina nas Nações Unidas.</p>
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		<title>CINISMO GENOCIDA (PRIMEIRA PARTE)</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Nov 2011 00:28:06 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cubadebate</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nenhuma pessoa em seu bom censo, especialmente aqueles que tiveram acesso aos conhecimentos elementares que são adquiridos em uma escola primária, concordaria com que nossa espécie, de modo particular os que são crianças, adolescentes ou jovens, sejam privados hoje, amanhã e para sempre do direito a viver. Jamais os seres humanos ao longo de sua história azarenta, como pessoas dotadas de inteligência, conheceram experiência semelhante. Sinto-me no dever de transmitir àqueles que se tomam a moléstia de ler estas reflexões, o critério de que todos, sem exceção, estamos na obrigação de criar consciência sobre os riscos que a humanidade está correndo de forma inexorável, rumo a uma catástrofe definitiva e total como conseqüência das decisões irresponsáveis de políticos aos quais o azar, mais do que o talento ou o mérito, colocou em suas mãos o destino da humanidade.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Nenhuma pessoa em seu bom censo, especialmente aqueles que tiveram acesso aos conhecimentos elementares que são adquiridos em uma escola primária, concordaria com que nossa espécie, de modo particular os que são crianças, adolescentes ou jovens, sejam privados hoje, amanhã e para sempre do direito a viver. Jamais os seres humanos ao longo de sua história azarenta, como pessoas dotadas de inteligência, conheceram experiência semelhante.</p>
<p>Sinto-me no dever de transmitir àqueles que se tomam a moléstia de ler estas reflexões, o critério de que todos, sem exceção, estamos na obrigação de criar consciência sobre os riscos que a humanidade está correndo de forma inexorável, rumo a uma catástrofe definitiva e total como conseqüência das decisões irresponsáveis de políticos aos quais o azar, mais do que o talento ou o mérito, colocou em suas mãos o destino da humanidade.</p>
<p>Sejam ou não os cidadãos de seu país, portadores duma crença religiosa ou céticos relativamente ao tema, nenhum ser humano em seu juízo são concordaria com que seus filhos, ou familiares mais próximos, pereçam de forma abrupta ou vítimas de atrozes e torturantes sofrimentos.</p>
<p>Trás os crimes repugnantes que com frequência crescente vem cometendo a Organização do Tratado do Atlântico Norte, sob a égide dos Estados Unidos e dos países mais ricos da Europa, a atenção mundial se concentrou na reunião do G-20, onde se devia analisar a profunda crise econômica que afeta hoje todas as nações. A opinião internacional, e particularmente a européia, esperavam resposta à profunda crise econômica que com suas profundas implicações sociais, e inclusive climáticas, ameaçam a todos os habitantes do planeta. Nessa reunião se decidia se o euro podia se manter como a moeda comum da maior parte da Europa, e inclusive se alguns países poderiam permanecer dentro da comunidade.</p>
<p>Não houve resposta nem solução alguma para os problemas mais sérios da economia mundial apesar dos esforços da China, da Rússia, Indonésia, África do Sul, o Brasil, Argentina e outros de economia emergente, desejosos de cooperar com o resto do mundo na busca de soluções aos graves problemas econômicos que o afetam.</p>
<p>O insólito é que apenas a NATO deu por concluída a operação na Líbia —após o ataque aéreo que feriu o chefe constitucional desse país, destruiu o veículo que o transportava e o deixou à mercê dos mercenários do império, que o assassinaram e exibiram como troféu de guerra, ultrajando costumes e tradições muçulmanas— a OIEA, órgão das Nações Unidas, uma instituição que deveria estar ao serviço da paz mundial, lançou o relatório político, tarifado e sectário, que coloca o mundo à beira da guerra com o emprego de armas nucleares que o império ianque, em aliança com a Grã-Bretanha e o Israel, vem preparando minuciosamente contra o Irão.</p>
<p>Depois do “Veni, vidi, vici” do famoso imperador romano há mais de dois mil anos, traduzido para “vim, vi,  morreu” transmitido à opinião pública através de uma importante cadeia de televisão logo que se conheceu da morte do Khadaffi, sobram as palavras para qualificar a política dos Estados Unidos da América.</p>
<p>O que importa agora é a necessidade de criar nos povos uma consciência clara do abismo para onde a humanidade está sendo conduzida. Duas vezes nossa Revolução conheceu riscos dramáticos: em outubro de 1962, o mais crítico de todos em que a humanidade esteve ao bordo do holocausto nuclear; e em meados de 1987, quando nossas forças se enfrentavam às tropas racistas sul-africanas, dotadas com as armas nucleares que os israelitas lhes ajudaram a criar.</p>
<p>O Xá do Irão também colaborou junto do Israel com o regime racista e fascista sul-africano.</p>
<p>O quê é a ONU?, uma organização impulsionada pelos Estados Unidos da América antes de finalizar a Segunda Guerra Mundial. Essa nação, cujo território distava consideravelmente dos cenários de guerra, enriquecera enormemente; acumulou 80% do ouro do mundo e sob a direção de Roosevelt, sincero antifascista, impulsionou o desenvolvimento da arma nuclear que Truman, sucessor seu, oligarca e medíocre, não hesitou em usar contra as cidades indefesas de Hiroshima e Nagasaki no ano 1945.</p>
<p>O monopólio do ouro mundial em poder dos Estados Unidos da América, e o prestígio de Roosevelt, lhe permitiu o acordo de Bretton Woods que lhe destinou o papel de emitir o dólar como única divisa que se utilizou durante anos no comércio mundial, sem outra limitante que seu apoio em ouro metálico.</p>
<p>Os Estados Unidos da América, ao findar aquela guerra, eram também o único país que possuía a arma nuclear, privilégio que não hesitou em transmitir-lhe a seus aliados e membros do Conselho de Segurança: a Grã-Bretanha e a França, as duas potências coloniais mais importantes do mundo naquela época.</p>
<p>À URSS, Truman nem sequer lhe informou uma palavra da arma atômica antes de usá-la. China, então governada pelo general nacionalista, oligárquico e pró-ianque, Chiang Kai-shek, não podia ser excluída daquele Conselho de Segurança.</p>
<p>A URSS, golpeada duramente pela guerra, a destruição e a perda de mais de 20 milhões de seus filhos pela invasão nazi, consagrou ingentes recursos econômicos, científicos e humanos para equiparar sua capacidade nuclear com a dos Estados Unidos da América. Quatro anos depois, em 1949, provou sua primeira arma nuclear; a de Hidrogênio, em 1953; e em 1955 seu primeiro megaton. A França dispôs de sua primeira arma nuclear em 1960.</p>
<p>Eram apenas três os países que possuíam a arma nuclear em 1957, quando a ONU, sob a égide ianque, criou a Organização Internacional da Energia Atômica. Alguém pode imaginar que esse instrumento dos Estados Unidos da América fez alguma coisa por advertir o mundo dos terríveis riscos a que seria exposta a sociedade humana quando o Israel, aliado incondicional dos Estados Unidos da América e da NATO, situado em pleno coração das mais importantes reservas do mundo em petróleo e gás, se constituísse em perigosa e agressiva potência nuclear?</p>
<p>Suas forças, em cooperação com as tropas coloniais inglesas e francesas, atacaram Port Said quando Abdel Nasser nacionalizou o Canal de Suez, propriedade da França, o que obrigou o Primeiro-Ministro soviético a transmitir um ultimato exigindo o cessar daquela agressão, que os aliados europeus dos Estados Unidos da América não tiveram outra alternativa que acatar.</p>
<p>Continua amanhã.</p>
<p><img class="alignnone" src="http://www.cubadebate.cu/wp-content/uploads/2011/11/firma-fidel-111112-cinismo-genocida-primera-parte-300x176.jpg" alt="" width="300" height="176" /></p>
<p><strong>Fidel Castro Ruz</strong></p>
<p><strong>12 de novembro de 2011</strong></p>
<p><strong> 20h15.</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Chávez, Evo e Obama  (Segunda Parte e Final)</title>
<link>http://pt.cubadebate.cu/reflexoes-fidel/2011/09/27/chavez-evo-obama-segunda-parte/</link>
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		<pubDate>Tue, 27 Sep 2011 16:45:20 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cubadebate</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fidel Castro Ruz]]></category>
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		<description><![CDATA[Se nosso Prêmio Nobel se auto-engana, alguma coisa que está por provar, isso tal vez explique as incríveis contradições de seus raciocínios e a confusão plantada entre seus ouvintes. Não há um ápice de ética, e nem sequer de política, em sua tentativa de justificar sua anunciada decisão de vetar qualquer resolução a favor do reconhecimento da Palestina como Estado independente e membro das Nações Unidas. Até políticos, que em nada partilham um pensamento socialista e chefiam partidos que foram íntimos aliados de Augusto Pinochet, proclamam o direito da Palestina a ser membro da ONU.
]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Se nosso Prêmio Nobel se auto-engana, alguma coisa que está por provar, isso tal vez explique as incríveis contradições de seus raciocínios e a confusão plantada entre seus ouvintes.</p>
<p>Não há um ápice de ética, e nem sequer de política, em sua tentativa de justificar sua anunciada decisão de vetar qualquer resolução a favor do reconhecimento da Palestina como Estado independente e membro das Nações Unidas. Até políticos, que em nada partilham um pensamento socialista e chefiam partidos que foram íntimos aliados de Augusto Pinochet, proclamam o direito da Palestina a ser membro da ONU.</p>
<p>As palavras de Barack Obama sobre o assunto principal que hoje se discute na Assembléia-Geral dessa organização, só podem ser aplaudidas pelos canhões, os mísseis e os bombardeiros da NATO.</p>
<p>O resto de seu discurso são palavras vazias, carentes de autoridade moral e de sentido. Observemos por exemplo quão órfãs de idéias foram, quando no mundo esfomeado e pilhado pelas transnacionais e pelo consumismo dos países capitalistas desenvolvidos Obama proclama:</p>
<p>“Para vencer as doenças é preciso melhorar os sistemas de saúde. Continuaremos lutando contra o AIDS, a tuberculose e o paludismo; focar-nos-emos na saúde dos adultos e das crianças, e é preciso detectar e lutar contra qualquer perigo biológico como o H1N1, ou uma ameaça terrorista ou uma enfermidade.”</p>
<p>“As ações no relativo à mudança climática: Devemos utilizar os recursos escassos, e continuar o trabalho para construir, na base do que se fez em Copenhague e Cancún, para que as grandes economias continuem com seu compromisso. Juntos devemos trabalhar para transformar a energia que é o motor das economias e apoiar outros que avançam em suas economias. Esse é o compromisso para as próximas gerações, e para garantir que as sociedades consigam suas potencialidades devemos permitir que os cidadãos também alcancem suas potencialidades”</p>
<p>Todo o mundo sabe que os Estados Unidos não assinaram o Protocolo de Quioto e tem sabotado todos os esforços por preservar a humanidade das terríveis conseqüências da mudança climática, apesar de ser o país que consome uma parte considerável e desproporcionada do combustível e dos recursos mundiais.</p>
<p>Deixemos constância das palavras idílicas com que pretendia seduzir os homens de Estado ali reunidos:</p>
<p>“Não há nem uma linha reta, nem um só caminho rumo ao sucesso, viemos de diferentes culturas e temos diferentes histórias; mas não podemos esquecer que quando nos reunimos aqui como chefes de diferentes governos, representamos cidadãos que partilham as aspirações básicas, as mesmas: viver em dignidade e em liberdade; ter educação e alcançar as oportunidades; amar suas famílias, e amar e venerar seus deuses; viver numa paz que faz com que a vida valha a pena ser vivida; a natureza de um mundo imperfeito faz com que tenhamos aprendido estas lições cada dia.”</p>
<p>“…porque os que vieram antes do que nós acreditavam que a paz é melhor do que a guerra, e a paz é melhor do que a repressão, e que a prosperidade é melhor do que a pobreza. Essa é a mensagem que vem, não das capitais, mas dos povos, da gente, e quando o alicerce desta instituição foi fundado, Truman veio e disse: As Nações Unidas basicamente é a expressão da natureza moral das aspirações do ser humano. Vivemos em um mundo que muda a uma grande velocidade, esta é uma lição que nunca devemos esquecer. A paz é difícil, mas sabemos que é possível, por isso é que juntos devemos decidir-nos para que isto seja definido pelas esperanças e não os temores. Juntos devemos atingir a paz, uma paz que seja duradoira.</p>
<p>“Muitíssimo obrigado.”</p>
<p>Escutá-las até o final merece algo mais do que gratidão; merece um prêmio.</p>
<p>Como já disse, nas primeiras horas da tarde coube o uso da palavra a Evo Morales Ayma, presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, quem entrou rapidamente nos temas essenciais.</p>
<p>“…há uma clara diferença sobre a cultura da vida frente à cultura da morte; há uma clara diferença sobre a verdade frente à falsidade, uma profunda diferença da paz frente à guerra.”</p>
<p>“…sinto que será difícil entender-nos com políticas econômicas que concentram o capital em poucas mãos. Os dados demonstram que 1% da população no mundo concentra 50% das riquezas. Se existem essas profundas diferenças, como poderia a pobreza poderia ser resolvida? E se não acabarmos com a pobreza, como poderia ser garantida uma paz duradoira?”</p>
<p>“De criança me lembro perfeitamente que antes, quando havia uma rebelião dos povos contra um sistema capitalista, contra os modelos econômicos de pilhagem permanente dos nossos recursos naturais, os dirigentes sindicais, os líderes políticos de tendência esquerdista eram acusados de comunistas para apreendê-los; às forças sociais as atacavam militarmente: confinamentos, exílios, chacinas, perseguições, encarceramentos, acusados de comunistas, de socialistas, de maoístas, de marxistas-leninistas. Sinto que isso agora tem terminado, agora já não nos acusam de marxistas-leninistas, mas agora têm outros instrumentos como o narcotráfico e o terrorismo…”</p>
<p>“…preparam intervenções quando seus presidentes, quando seus governos, quando os povos não são pró-capitalistas nem pró-imperialistas.”</p>
<p>“…fala-se duma paz duradoira. Como pode ter uma paz duradoira com bases militares norte-americanas? Como pode ter paz duradoira com intervenções militares?”</p>
<p>“Para o quê servem estas Nações Unidas, se aqui um grupo de países decidem intervenções, chacinas?”</p>
<p>“Se quiséssemos que esta organização, as Nações Unidas, tenha autoridade para fazer respeitar as resoluções, então temos que começar a pensar em refundar as Nações Unidas…”</p>
<p>“Cada ano nas Nações Unidas decidem —quase cem por cento das nações, salvo os Estados Unidos e o Israel— desbloquear, acabar com o bloqueio econômico contra Cuba, e quem faz respeitar isso?  É claro que o Conselho de Segurança jamais vai fazer respeitar essa resolução das Nações Unidas […] Não posso entender como em uma organização de todos os países do mundo suas resoluções não são respeitadas. O quê são as Nações Unidas?”</p>
<p>“Desejo dizer-lhes que a Bolívia não está de costas ao reconhecimento da Palestina nas Nações Unidas.  Nossa posição é que a Bolívia dá as boas-vindas à Palestina às Nações Unidas.”</p>
<p>“Vocês sabem, amáveis ouvintes, que eu procedo do Movimento Camponês Indígena, e nossas famílias quando falam de uma empresa se pensa que a empresa tem muito dinheiro, carrega muito dinheiro, são milionários, e não podiam entender como uma empresa iria pedir ao Estado que lhe empreste dinheiro para o investimento correspondente.</p>
<p>“Por isso digo que estas entes financeiras internacionais são as que fazem negócio mediante as empresas privadas; porém, quem têm que pagar isso? Justamente são os povos, os Estados.”</p>
<p>“…Bolívia junto do Chile, temos uma demanda histórica para retornar ao mar com soberania ao Pacífico, com soberania. Por isso, a Bolívia tem tomado a decisão de recorrer aos tribunais internacionais, para demandar uma saída útil soberana ao oceano Pacífico.</p>
<p>“A Resolução 37/10 da Assembléia-Geral da ONU, de 15 de novembro de 1982, estabelece que ‘recorrer a um Tribunal Internacional de Justiça para resolver litígios entre Estados não deve ser considerado como um ato inamistoso.’</p>
<p>“A Bolívia se ampara no direito e na razão para recorrer a um Tribunal Internacional, porque seu enclaustramento é devido a uma guerra injusta, uma invasão. Demandar uma solução no âmbito internacional representa para a Bolívia a reparação de uma injustiça histórica.</p>
<p>“A Bolívia é um Estado pacifista que privilegia o diálogo com os países vizinhos, e por isso mantém abertos os canais de negociação bilateral com o Chile, sem que isso signifique renunciar a seu direito de recorrer a um Tribunal Internacional…”</p>
<p>“Os povos não são responsáveis do enclaustramento marítimo da Bolívia, os causantes são as oligarquias, as transnacionais que como sempre se apoderam de seus recursos naturais.</p>
<p>“O Tratado de 1904 não contribuiu à paz nem à amizade, ocasionou que por mais de um século a Bolívia não tivesse acesso a um porto soberano.”</p>
<p>“…na região América se gesta outro movimento dos países da América latina com o Caribe, eu diria uma nova OEA sem os Estados Unidos, para libertar-nos de certas imposições, felizmente, com a pequena experiência que temos na UNASUL. […] já não precisamos, se houver algum conflito de países […]  que venham desde cima e de afora a pôr ordem.”</p>
<p>“Também desejo aproveitar esta oportunidade para falar sobre um tema central:  a luta contra o narcotráfico.  A luta contra o narcotráfico é usada pelo imperialismo norte-americano com fins essencialmente políticos. A DEA dos Estados Unidos na Bolívia não lutava contra o narcotráfico, controlava o narcotráfico com fins políticos.  Se havia algum dirigente sindical, ou havia algum dirigente político antiimperialista, para isso estava a DEA:  para implicá-lo. Muitos dirigentes, muitos políticos nos salvamos desses trabalhos tão sujos desde o império para implicar-nos no narcotráfico. Até agora, ainda continuam nessa tentativa.”</p>
<p>“Nas semanas passadas diziam alguns meios de comunicação desde os Estados Unidos, que o avião da presidência estava detido com vestígios de cocaína nos Estados Unidos. Que falso!, tentam confundir à população, tentam fazer uma campanha suja contra o governo, inclusive contra o Estado. Contudo, o quê fazem os Estados Unidos?  Tira a certificação à Bolívia e à Venezuela.  Que autoridade moral têm os Estados Unidos para certificar ou tirar a certificação aos países na América do Sul ou na América Latina?, quando Estados Unidos é o primeiro consumidor de drogas do mundo, quando Estados Unidos é um dos produtores de maconha no mundo, primeiro produtor de maconha do mundo […] Com que autoridade pode certificar ou tirar a certificação? É uma outra forma de como amedrontar ou intimidar os países, tentar escarmentar os países.  Todavia, a Bolívia, com muita responsabilidade, vai lutando contra o narcotráfico.</p>
<p>“No mesmo relatório dos Estados Unidos, isto é, do Departamento de Estado dos Estados Unidos, é reconhecida uma redução líquida da cultura de coca, que tem melhorado a interdição.</p>
<p>“Porém, cadê o mercado? O mercado é a origem do narcotráfico e o mercado está aqui.  E quem tira a certificação aos Estados Unidos porque não tem diminuído o mercado?</p>
<p>“Hoje de manhã, o presidente Calderón, do México, dizia que o mercado da droga continua crescendo e porquê não há responsabilidades para erradicar o mercado. […] Façamos uma luta sob uma co-responsabilidade partilhada. […] Na Bolívia não temos medo, e é preciso acabar com o segredo bancário se quisermos fazer uma luta frontal contra o narcotráfico.”</p>
<p>“…Uma das crises, à margem da crise do capitalismo, é a crise alimentar. […] temos uma pequena experiência na Bolívia: dá-se créditos aos produtores de arroz, milho, trigo e soja, com zero por cento de juros, e inclusive eles podem pagar sua dívida com seus produtos; trata-se de alimentos; ou créditos brandos para fomentar a produção.  Não obstante, as bancas internacionais nunca levam em conta o pequeno produtor, nunca levam em contas as associações, as cooperativas, que muito bem podem contribuir se tiverem a oportunidade. […] Temos que terminar com o comércio chamado de competitividade.</p>
<p>“Em uma competência, quem ganha?, o mais poderoso, o que tem mais vantagens, sempre as transnacionais, e o quê acontece com o pequeno produtor?, o quê é dessa família que deseja surgir com seu próprio esforço? […] Numa política de competitividade com certeza nunca vamos resolver o tema da pobreza.</p>
<p>“Mas, finalmente, para concluir esta intervenção desejo dizer-lhes que a crise do capitalismo já é impagável. […] A crise econômica do capitalismo não apenas é conjuntural, mas é estrutural, e o quê fazem os países capitalistas ou os países imperialistas?, procuram qualquer pretexto para intervir em um país e para recuperar seus recursos naturais.</p>
<p>“Esta manhã o Presidente dos Estados Unidos dizia que o Iraque já se libertou, eles próprios vão se governar.  Os iraquianos poderão se governar, mas o petróleo dos iraquianos nas mãos de quem está agora?</p>
<p>“Saudaram, disseram que acabou a autocracia na Líbia, agora é a democracia; pode ter a democracia, mas o petróleo da Líbia nas mãos de quem ficará agora? […] os bombardeamentos não eram por causa do Khadaffi, por causa de uns rebeldes, mas é procurando o petróleo da Líbia.”</p>
<p>“…Portanto, sua crise, a crise do capitalismo, querem-na ultrapassar, querem-na emendar recuperando nossos recursos naturais, na base do nosso petróleo, na base do nosso gás, dos nossos recursos naturais.</p>
<p>“…temos uma enorme responsabilidade: defender os direitos da Mãe Terra.”</p>
<p>“…a melhor forma de defender os direitos humanos é agora defendendo os direitos da Mãe Terra […] aqui temos uma enorme responsabilidade de aprovar os direitos da Mãe Terra.  Há apenas 60 anos aprovaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Há apenas 60 anos atrás constataram nas Nações Unidas que também o ser humano tem seus direitos. Depois dos direitos políticos, dos direitos econômicos, dos direitos dos povos indígenas, agora temos a enorme responsabilidade de como defender os direitos da Mãe Terra.</p>
<p>“Também estamos convencidos de que o crescimento infinito num planeta finito é insustentável e impossível, o limite do crescimento é a capacidade degenerativa dos ecossistemas da Terra. […] fazemos um apelo a […] um novo decálogo de reivindicações sociais: em sistemas financeiros, sobre os recursos naturais, sobre os serviços básicos, sobre a produção, sobre a dignidade e a soberania, e nessa base começar a refundar as Nações Unidas para que as Nações Unidas sejam a máxima instância para a solução em temas de paz, em temas de pobreza, em temas de dignidade e de soberania dos povos do mundo.”</p>
<p>“Esperamos que esta experiência vivida como Presidente possa servir de alguma coisa para todos nós, como também eu venho a aprender de muitos de vocês para continuar trabalhando pela igualdade e pela dignidade do povo Boliviano.</p>
<p>“Muitíssimo obrigado.”</p>
<p>Após os medulares conceitos de Evo Morales, o Presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abbas, ao que concederam o uso da palavra dois dias depois, expôs os dramáticos sofrimentos dos habitantes da Palestina: “…a crassa injustiça histórica perpetrada com nosso povo, por isso foi acordado o estabelecimento do Estado da Palestina em só 22% do território da Palestina e, sobre tudo, o território palestino que ocupou Israel em 1967. Tomar esse passo histórico, que aplaudiram os Estados do mundo, permitiu condescender sobremaneira para conseguir uma contemporização histórica, que permitiria que fosse atingida a paz na terra da paz.”</p>
<p>“[…] Nosso povo continuará com a resistência pacífica popular à ocupação do Israel, seus assentamentos e sua política de apartheid, bem como a construção do muro de anexação racista […] armado de sonhos, valor, esperança e de consignas perante a face de tanques, gás lacrimogêneo, buldôzeres e balas.”</p>
<p>“…queremos dar-lhes a mão ao governo e ao povo israelita para a imposição da paz, e lhes digo: construamos juntos, de maneira urgente, um futuro para nossos filhos em que possam gozar de liberdade, de segurança e de prosperidade. […] Construamos relações de cooperação que estejam na base da paridade, da eqüidade e da amizade entre dois Estados vizinhos, a Palestina e o Israel, em vez de políticas de ocupação, assentamentos, guerra e eliminação do outro.”</p>
<p>Tem decorrido quase meio século desde aquela brutal ocupação promovida e apoiada pelos Estados Unidos. Contudo, apenas transcorre um dia sem que o muro seja levantado, monstruosos equipamentos mecânicos destruam moradias palestinas e algum jovem, e inclusive adolescente palestino, caia ferido ou morto.</p>
<p>Quão profundas verdades continham as palavras de Evo!</p>
<p><img class="alignnone" title="Reflexões do companheiro Fidel" src="http://www.cubadebate.cu/wp-content/uploads/2011/09/firma-110926-chavez-evo-y-obama-segunda-parte-y-final-300x191.jpg" alt="" width="300" height="191" /></p>
<p><strong>Fidel Castro Ruz<br />
26 de setembro de 2011<br />
22h32.</strong></p>
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		<title>Chávez, Evo e Obama (Primeira parte)</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Sep 2011 22:37:38 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cubadebate</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Faço alto nas tarefas que ocupam a totalidade de meu tempo nestes dias, para dedicar umas palavras à singular oportunidade que oferece para a ciência política o sexagésimo sexto período da Assembléia-Geral das Nações Unidas. O acontecimento anual demanda um singular esforço dos que assumem as mais altas responsabilidades políticas em muitos países. Para eles, constitui uma dura prova; para os amadores a essa arte, que não são poucos visto que a todos afeta vitalmente, resulta difícil subtrair-se à tentação de observar o interminável mas instrutivo espetáculo.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Faço alto nas tarefas que ocupam a totalidade de meu tempo nestes dias, para dedicar umas palavras à singular oportunidade que oferece para a ciência política o sexagésimo sexto período da Assembléia-Geral das Nações Unidas.</p>
<p>O acontecimento anual demanda um singular esforço dos que assumem as mais altas responsabilidades políticas em muitos países. Para eles, constitui uma dura prova; para os amadores a essa arte, que não são poucos visto que a todos afeta vitalmente, resulta difícil subtrair-se à tentação de observar o interminável mas instrutivo espetáculo.</p>
<p>Existem, em primeiro lugar, infinidade de temas peliagudos e conflitos de interesses. Para grande número dos participantes é preciso tomar posição sobre fatos que constituem flagrantes violações de princípios. Por exemplo: que posição adotar sobre o genocídio da NATO na Líbia?  Deseja alguém deixar constância de que sob sua direção o governo do seu país apoiou o monstruoso crime realizado por Estados Unidos e seus aliados da NATO, cujos sofisticados aviões de combate, com ou sem piloto, levaram a cabo mais de vinte mil missões de ataque contra um pequeno Estado do Terceiro Mundo que possui apenas seis milhões de habitantes, alegando as mesmas razões que ontem foram utilizadas para atacar e invadir Sérvia, Iraque, Afeganistão e hoje ameaçam com o fazer na Síria ou em qualquer outro país do mundo?</p>
<p>Não foi precisamente o Governo do Estado anfitrião da ONU que ordenou a chacina do Vietnã, Laos e Camboja, o ataque mercenário de Baia dos Porcos em Cuba, a invasão de São Domingos, a “Guerra Suja” na Nicarágua, a ocupação da Granada e do Panamá pelas forças militares dos Estados Unidos e o massacre de panamenhos em El Chorrillo? Quem promoveu os golpes militares e os genocídios no Chile, na Argentina e no Uruguai, que custaram dezenas de milhares de mortos e desaparecidos? Não falo de coisas acontecidas há 500 anos, quando os espanhóis iniciaram o genocídio na América, ou há 200 quando os ianques exterminavam indígenas nos Estados Unidos ou escravizavam africanos, apesar de que “todos os homens nascem livres e iguais” como dizia a Declaração de Filadélfia. Falo de fatos acontecidos nas últimas décadas e que estão acontecendo hoje.</p>
<p>Estes fatos não podem deixar de serem recordados e de serem repetidos quando tem lugar um acontecimento da importância e do relevo da reunião que se realiza na Organização das Nações Unidas, onde se coloca a prova a inteireza política e a ética dos governos.</p>
<p>Muitos deles representam países pequenos e pobres necessitados de apoio e de cooperação internacional, tecnologia, mercados e créditos, que as potências capitalistas desenvolvidas têm manejado a seu bel-prazer.</p>
<p>Apesar do monopólio sem vergonha da mídia e dos métodos fascistas dos Estados Unidos e seus aliados para confundir e enganar a opinião mundial, a resistência dos povos cresce, e isso pode ser constatado nos debates que se estão produzindo nas Nações Unidas.</p>
<p>Não poucos líderes do Terceiro Mundo, a pesar dos entraves e das contradições indicadas, têm colocado com valentia suas idéias. As próprias vozes que emanam dos governos da América Latina e do Caribe já não possuem o acento serviçal e vergonhoso da OEA, que caracterizou os pronunciamentos dos Chefes de Estados em décadas passadas. Dois deles dirigiram-se a esse foro; ambos, o presidente bolivariano Hugo Chávez, mistura das raças que integram o povo da Venezuela e Evo Morales, de pura estirpe indígena milenária, verteram seus conceitos nessa reunião, um através de uma mensagem e outro de viva voz, respondendo ao discurso do Presidente ianque.</p>
<p>Telesul transmitiu os três pronunciamentos. Graças a isso conseguimos conhecer desde a noite da terça-feira 20 a mensagem do Presidente Chávez, lida detidamente por Walter Martínez em seu programa Dossiê. Obama proferiu seu discurso na manhã da quarta-feira como Chefe de Estado do país anfitrião da ONU, e Evo pronunciou o seu nas primeiras horas da tarde desse próprio dia. Em prol da brevidade pegarei parágrafos essenciais de cada texto.</p>
<p>Chávez não pôde assistir pessoalmente à Reunião de Cúpula das Nações Unidas, após 12 anos de luta sem descanso um só dia,. O que colocou em risco sua vida e efetuou sua saúde e hoje luta abnegadamente por sua plena recuperação. Contudo, era difícil que sua mensagem valente não abordasse o tema mais crítico da histórica reunião. Transcrevo-a quase na íntegra:</p>
<p>“Dirijo estas palavras à Assembléia-Geral da Organização das Nações Unidas, […] para ratificar, neste dia e neste cenário, o total apoio da Venezuela ao reconhecimento do Estado palestino: o direito da Palestina a se tornar em um país livre, soberano e independente. Trata-se de um ato de justiça histórico com um povo que leva em si, desde sempre, toda a dor e o sofrimento do mundo.</p>
<p>“O grande filósofo francês Gilles Deleuze, […] diz com o acento da verdade: “A causa palestina é, antes do mais, o conjunto de injustiças que este povo tem padecido e continua padecendo.” E também é, atrevo-me a acrescentar, uma permanente e insubmissa vontade de resistência que já está inscrita na memória heróica da condição humana. […] Mahmud Darwish, voz infinita da Palestina possível, fala-nos desde o sentimento e da consciência desse amor: ‘Não precisamos da lembrança/ porque em nós está o Monte Carmelo/ e em nossas pálpebras está a erva da Galileia./ Não digas: se corrêssemos rumo a meu país como o rio!/ O não digas!/ Porque estamos na carne de nosso país/ e ele está em nós.’</p>
<p>“Contra aqueles que sustentam, falazmente que o acontecido ao povo palestino não é um genocídio, o próprio Deleuze sustenta com lucidez implacável: ‘Em todos os casos se trata de fazer como se o povo palestino não apenas não deveria existir, mas que não tivesse nunca existido. É, como o dizer?, o grau zero do genocídio: decretar que um povo não existe; negar-lhe o direito à existência’.”</p>
<p>“…a resolução do conflito do Oriente Médio passa, necessariamente, por fazer-lhe justiça ao povo palestino; este é o único caminho para conquistar a paz.</p>
<p>“Magoa e indigna que os que padeceram um dos piores genocídios da história, tenham se tornado em verdugos do povo palestino; magoa e indigna que a herança do Holocausto seja a Nakba. E indigna, a secas, que o sionismo continua fazendo uso da chantagem do anti-semitismo contra quem se opõem a seus atropelos e a seus crimes. Israel tem instrumentalizado e instrumentaliza, com descaramento e vileza, a memória das vítimas. E o faz para agir, com total impunidade, contra a Palestina. De passo, não resulta ocioso precisar que o anti-semitismo é uma miséria ocidental, européia, da qual não participam os árabes. Não esqueçamos, também, que é o povo semita palestino o que padece a limpeza étnica praticada pelo Estado colonialista israelita.”</p>
<p>“…uma coisa é rejeitar o anti-semitismo, e outra muito diferente é aceitar passivamente que a barbárie sionista lhe imponha um regime de apartheid ao povo palestino. Do ponto de vista ético, quem rejeitar o primeiro, tem que condenar o segundo.”</p>
<p>“… o sionismo, como visão do mundo, é absolutamente racista. As palavras de Golda Meir, em seu aterrador cinismo, são prova eloqüente disso: ‘Como vamos devolver os territórios ocupados? Não tem ninguém a quem devolvê-los. Não há tal coisa chamada de palestinos. Não era como se pensa que existia um povo chamado de palestino, que se considera ele próprio como palestino e que nós chegamos, os expulsamos e lhes tiramos seu país. Eles não existiam.’”</p>
<p>“Leia-se e releia-se esse documento que se conhece historicamente como Declaração de Balfour do ano 1917: o Governo britânico se arrogava a potestade de prometer aos judeus um lar nacional na Palestina, desconhecendo deliberadamente a presença e a vontade dos seus habitantes. É preciso acrescentar que na Terra Santa conviveram em paz, durante séculos, cristãos e muçulmanos, até que o sionismo começou a reivindicá-la como de sua inteira e exclusiva propriedade.”</p>
<p>“Ao concluir a Segunda Guerra Mundial, seria exacerbada a tragédia do povo palestino, consumando-se a expulsão de seu território e, ao mesmo tempo, da história. Em 1947 a ominosa e ilegal resolução 181 das Nações Unidas recomenda a partição da Palestina em um Estado judeu, um Estado árabe e uma zona sob controle internacional (Jerusalém e Belém). Foi concedido, […]56% do território para o sionismo para a constituição de seu Estado. De fato, esta resolução violava o direito internacional e desconhecia flagrantemente a vontade das grandes maiorias árabes: o direito de autodeterminação dos povos se convertia em letra morta.”</p>
<p>“…contra o que Israel e os Estados Unidos pretendem fazer acreditar ao mundo, através das transnacionais da comunicação, o que aconteceu e continua acontecendo na Palestina, digamo-lo junto de Said, não é um conflito religioso: é um conflito político, de carimbo colonial e imperialista; não é um conflito milenário mas contemporâneo; não é um conflito que nasceu no Oriente Médio mas na Europa.</p>
<p>“Qual era e qual continua sendo o âmago do conflito?: Privilegia-se a discussão e consideração da segurança do Israel, e para nada a da Palestina. Assim pode ser verificado na história recente: basta com recordar o novo episódio de genocídio desencadeado por Israel através da operação ‘Chumbo Fundido’ em Gaza.</p>
<p>“A segurança da Palestina não pode ser reduzida ao simples reconhecimento de um limitado autogoverno e autocontrole policial em seus ‘enclaves’ da ribeira ocidental do Jordão e na Faixa de Gaza, deixando de fora não apenas a criação do Estado palestino, sobre as fronteiras anteriores a 1967 e com Jerusalém oriental como sua capital, os direitos de seus nacionais e sua autodeterminação como povo, mas também, a compensação e conseguinte regresso à Pátria de 50% da população palestina que se encontra espalhada pelo mundo inteiro, tal e como o estabelece a resolução 194.</p>
<p>“Resulta incrível que um país (Israel) que deve sua existência a uma resolução da Assembléia-Geral, possa ser tão desdenhoso das resoluções que emanam das Nações Unidas, denunciava o padre Miguel D’Escoto quando pedia o cessar do massacre contra o povo de Gaza, a finais de 2008 e princípios de 2009.”</p>
<p>“É impossível ignorar a crise das Nações Unidas. Perante esta mesma Assembléia-Geral sustentamos, no ano 2005, que o modelo das Nações Unidas se tinha esgotado. O fato de que se tenha adiado o debate sobre a questão palestina, e que se lhe esteja sabotando abertamente, é uma nova confirmação disso.</p>
<p>“Há já vários dias Washington vem manifestando que vetará no Conselho de Segurança o que será resolução majoritária da Assembléia-Geral: o reconhecimento da Palestina como membro pleno da ONU. Junto das Nações irmãs que conformam a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (ALBA), na Declaração de reconhecimento do Estado palestino, temos deplorado, desde já, que tão justa aspiração possa ser bloqueada por esta via. Como sabemos, o império, neste e noutros casos, pretende impor um duplo padrão no cenário mundial: é a dupla moral ianque que viola o direito internacional na Líbia, porém permite que o Israel faça o que quiser, tornando-se assim no principal cúmplice do genocídio palestino a mãos da barbárie sionista. Lembremos umas palavras de Said que metem o dedo na chaga: ‘Devido aos interesses do Israel nos Estados Unidos, a política deste país em torno ao Oriente Médio é, portanto, israelo-cêntrica.’”</p>
<p>“Quero findar com a voz de Mahmud Darwish em seu poema memorável: ‘Sobre esta terra tem uma coisa que merece viver: sobre esta terra está a senhora da terra, a mãe dos começos,/ a mãe dos finais. Chamava-se Palestina. Continua se chamando Palestina./ Senhora: eu mereço, porque tu és minha dama, eu mereço viver.’”</p>
<p>“Continuará chamando-se de Palestina: Palestina viverá e vencerá! Longa vida a Palestina livre, soberana e independente!</p>
<p>“Hugo Chávez Frías</p>
<p>“Presidente da República Bolivariana da Venezuela”.</p>
<p>Quando a reunião começou na manhã seguinte, suas palavras estavam já no coração e na mente das pessoas ali reunidas.</p>
<p>O líder bolivariano nunca foi inimigo do povo judeu. Homem de particular sensibilidade, detestava profundamente o brutal crime cometido pelos nazistas contra crianças, mulheres e homens, jovens e idosos nos campos de concentração onde também os ciganos foram vítimas de crimes atrozes e tentativa de extermínio, que, não obstante, ninguém se lembra e nunca são mencionados. Igualmente centenas de milhares de russos morreram nesses campos de extermínio como raça inferior no conceito racial nazista.</p>
<p>Quando Chávez regressou a seu país, procedente de Cuba, na noite de quinta-feira 22 de setembro, referiu-se com indignação ao discurso pronunciado por Barack Obama nas Nações Unidas. Poucas vezes o escutei falar com tanto desencanto sobre um líder ao qual tratava com determinado respeito, como uma vítima da própria história da discriminação racial nos Estados Unidos. Nunca o considerou capaz de agir como o teria feito George Bush e conservava uma lembrança respeitosa das palavras trocadas com ele na reunião de Trinidad e Tobago.</p>
<p>“Ontem estivemos ouvindo um conjunto de discursos, antes de ontem também, lá nas Nações Unidas, discursos precisos como o da presidenta Dilma Rousseff; discurso de alto valor ético como o do presidente Evo Morales; um discurso que poderíamos catalogar como um monumento ao cinismo, o discurso do presidente Obama, é um monumento ao cinismo que sua própria cara delatava, sua própria cara era um poema; um homem chamando à paz, imagine você, Obama chamando à paz, com quê moral? Um monumento histórico ao cinismo esse discurso do presidente Obama.</p>
<p>“Estivemos ouvindo discursos precisos, orientadores: o do presidente Lugo, o da presidenta argentina, fixando posições valentes perante o mundo.”</p>
<p>Quando começou a reunião de Nova Iorque na manhã de quarta-feira 21 de setembro, o Presidente dos Estados Unidos, &#8211;após as palavras da Presidenta do Brasil que abriu os debates, e depois da apresentação de rigor&#8211; ocupou o pódio e iniciou seu discurso.</p>
<p>“Em sete décadas, ―começou dizendo― quando a ONU impediu que houvesse uma Terceira Guerra Mundial, continuamos em um mundo marcado pelo conflito e prenhe de pobreza; quando proclamamos nosso amor pela paz e ódio pela guerra, continuam existindo convulsões no mundo que nos colocam a todos em perigo.”</p>
<p>Não se sabe qual seria o momento em que segundo Obama, a ONU impediu uma Terceira Guerra Mundial.</p>
<p>“Assumi o cargo em um momento de duas guerras para os Estados Unidos, uma guerra contra o extremismo, que nos levou à guerra; em primeiro lugar, Osama Bin Laden e sua organização Al-Qaeda continuavam livres. Hoje estabelecemos uma nova direção, no final deste ano as operações militares no Iraque vão concluir, vamos ter relações normais com um país soberano, membro da comunidade de nações. Essa aliança será fortalecida com o fortalecimento do Iraque, da sua força de segurança, do seu governo, do seu povo e também das suas aspirações.”</p>
<p>De que país está realmente Obama falando?</p>
<p>“Ao pôr término à guerra no Iraque, os Estados Unidos e seus aliados começarão a transição no Afeganistão; temos um país no Afeganistão que pode assumir a responsabilidade do futuro de seu país, na medida em que em que o fazem vamos tirando nossas próprias forças e vamos construindo uma aliança solidária com o povo afegão. Não deve existir dúvida, então, de que a onda da guerra está se revertendo.</p>
<p>“Assumi o poder quando milhares de estadunidenses serviam no Afeganistão e no Iraque, no final deste ano esse número vai se reduzir à metade e seguirá diminuindo. Isto é fundamental para a soberania, tanto do Iraque quanto do Afeganistão e também resulta essencial para o fortalecimento da ONU e dos Estados Unidos, quando construímos nossa própria nação; além disso, estamos saindo dali com uma posição forte. Há 10 anos havia uma ferida aberta e ferros retorcidos, um coração partido no centro desta cidade; hoje quando se ergue uma nova torre simboliza a renovação de Nova Iorque; hoje Al-Qaeda tem mais pressões do que nunca, sua liderança tem sido degradada, Osama Bin Laden, um homem que matou milhares de pessoas de dúzias de países, já não colocará em perigo a paz do mundo.”</p>
<p>De quem foi aliado Bin Laden, quem realmente o treinou e armou para combater os soviéticos no Afeganistão? Não foram os socialistas, nem os revolucionários em nenhuma parte do mundo.</p>
<p>“Esta década tem sido bem difícil, […] mas hoje estamos na encruzilhada da história, com a oportunidade de nos movimentar de maneira decisiva rumo à paz; para tal devemos voltar à sabedoria dos que criaram esta instituição. As Nações Unidas e sua Carta instam a que nos juntemos para manter a paz e a segurança internacionais.”</p>
<p>Quem tem bases militares em todas as partes do mundo, quem é o maior exportador de armas, quem possui centenas de satélites espiões, quem investe mais de um milhão de milhões de dólares anuais em despesas militares?</p>
<p>“Este ano tem sido um momento de grandes transformações, mais nações têm avançado para manter a paz e a segurança e mais indivíduos estão reclamando seu direito a viver em paz e me liberdade.”</p>
<p>Depois cita os casos do Sudão do Sul e Costa de Marfim. Não diz que no primeiro, as transnacionais ianques se lançaram sobre as reservas petroleiras desse novo país, cujo presidente nessa própria Assembléia da ONU, disse que era um recurso valioso, mas esgotável e propunha o uso racional e ótimo do mesmo.</p>
<p>Obama também não expressou que a paz, em Costa de Marfim foi alcançada com o apoio dos soldados colonialistas de um eminente membro da belicosa NATO que acaba de lançar milhares de bombas sobre a Líbia.</p>
<p>Menciona pouco depois a Tunísia, e atribui aos Estados Unidos o mérito do movimento popular que derrubou o governo desse país, um aliado do imperialismo.</p>
<p>Mais assombroso ainda, Obama pretende ignorar que Estados Unidos foi o responsável de que no Egito se instalasse o governo tirânico e corrupto de Use Mubarak, que ultrajando os princípios de Nasser, aliou-se ao imperialismo, arrebatou a seu país dezenas de milhares de milhões e tiranizou esse valoroso povo.</p>
<p>“Há um ano, ―afirma Obama― Egito tivera um presidente durante quase 30 anos. Durante 18 dias os olhos do mundo estavam focados na Praça Taghir, onde os egípcios de todas as camadas da sociedade, jovens, crianças, mulheres, homens, muçulmanos e cristãos, demandavam seus direitos universais. Vimos nesses manifestantes a força da não violência que nos tem levado de Nova Deli até Selma e vimos que a mudança chegou ao Egito e ao mundo árabe por meios pacíficos.”</p>
<p>“Dia após dia frente às balas e às armas o povo líbio não renunciou a sua liberdade, e quando foi ameaçado por essa atrocidade que temos visto muito nos últimos séculos, a ONU respeitou sua Carta, o Conselho de Segurança autorizou as medidas necessárias para evitar um massacre na Líbia. A Liga Árabe exigiu esta intervenção, houve uma aliança e uma coligação para evitar o avanço das forças de Khadaffi.”</p>
<p>“Ontem as lideranças de uma nova Líbia tomaram seu lugar aqui, conosco, e nesta semana as Nações Unidas e os Estados Unidos estão abrindo sua nova embaixada em Trípoli.</p>
<p>“Eis como a comunidade internacional deve funcionar, e deveria funcionar: as nações que se juntam para procurar a paz e a segurança e os indivíduos que exigem seus direitos.</p>
<p>“Todos nós temos a responsabilidade de apoiar a nova Líbia, o novo governo líbio que enfrenta transformar esta promessa em uma benção para todos os líbios.”</p>
<p>“O regime de Khadaffi acabou, Gbagbo, Ben Ali, Mubarak, já não estão no poder. Osama Bin Laden se foi, e a idéia de que a mudança somente pode chegar pela violência tem sido enterrada junto com ele.”</p>
<p>Observem a forma poética com que Obama despacha o assunto de Bin Laden, qualquer que tenha sido a responsabilidade deste antigo aliado, executado com um disparo no rosto diante de sua esposa e seus filhos e lançado ao mar desde um porta-aviões, ignorando costumes e tradições religiosas de mais de mil milhões de crentes e princípios jurídicos elementares estabelecidos por todos os sistemas penais. Tais métodos não conduzem nem conduzirão jamais à paz.</p>
<p>“Alguma coisa está acontecendo em nosso mundo, —continua relativamente à Líbia― a maneira como as coisas têm sido é como será no futuro. A mão da tirania tem terminado, os tiranos têm sido ignorados e agora o povo tem o poder. Os jovens rejeitam a ditadura, rejeitam a mentira de que algumas raças, alguns povos, algumas etnias não merecem a democracia.</p>
<p>“A promessa no papel de que todos nascemos livres e com o mesmo direito cada vez está mais próxima de ser realidade […] A medida do sucesso é se as pessoas podem viver em uma liberdade, dignidade e segurança sustentável, e a ONU e seus membros devem fazer o necessário para apoiar estas aspirações básicas, e temos mais trabalho que fazer nesse sentido.”</p>
<p>De imediato a empreende contra outro país muçulmano onde, como se sabe, seus serviços de inteligência junto dos de Israel, assassinam sistematicamente os cientistas mais destacados da tecnologia militar.</p>
<p>A seguir ameaça Síria, onde a agressividade ianque pode conduzir a um massacre muito mais espantoso do que o da Líbia: “Hoje, homens, mulheres e crianças têm sido assassinados e torturados pelo regime da Síria; milhares têm sido assassinados, muitos durante o período sagrado do Ramadã; milhares têm atravessado a fronteira da Síria.</p>
<p>“O povo sírio tem mostrado dignidade e valentia em sua busca de justiça, protestando pacificamente e morrendo pelos mesmos valores que esta instituição defende. Ora bem, a questão é simples: Vamos apoiar o povo sírio ou vamos apoiar seus opressores? A ONU já tem aplicado sanções aos líderes sírios. Apoiamos a transferência de poder que responda ao desejo do povo sírio, e muitos se nos juntaram neste esforço; mas pelo bem da Síria e da paz e a segurança do mundo devemos falar com uma só voz: não tem desculpa para a ação. Tem chegado o momento para que o Conselho de Segurança sancione o regime da Síria e apóie o povo sírio.”</p>
<p>Por acaso ficou algum país excluído das ameaças sangrentas deste ilustre defensor da segurança e da paz internacional? Quem concedeu aos Estados Unidos tais prerrogativas?</p>
<p>“Na região, devemos responder aos apelos pela mudança. No Iêmen, mulheres, crianças, homens se reuniram nas praças, todos os dias, com a esperança de que sua determinação e o derramamento de seu sangue conduzam a uma mudança. O povo estadunidense apóia essas aspirações. Devemos trabalhar com os vizinhos e os parceiros no mundo para procurar um caminho que conduza para uma transição pacífica do governo de Saleh, e que hajam eleições livres e justas o mais rápido possível.</p>
<p>“No Bahrein foram tomadas medidas para a reforma na prestação de contas. Estamos contentes com isso, porém se precisa de muito mais. Somos amigos de Bahrein, e seguiremos exigindo ao governo e aos opositores que procurem um diálogo significativo que chegue a mudanças pacíficas e cumpra os desejos do povo. Acreditamos que o patriotismo de Bahrein pode ser maior do que o sectarismo que o separa; é difícil, mas se pode conseguir.”</p>
<p>Não menciona em absoluto que ali se encontra uma das maiores bases militares da região e que as transnacionais ianques controlam e dispõem a seu bel-prazer das maiores reservas de petróleo e de gás da Arábia Saudita e dos Emiratos Árabes.</p>
<p>“Julgamos que cada nação deve ter seu próprio caminho para conseguir satisfazer as aspirações dos povos. Não podemos concordar com todos aqueles que se expressam politicamente, mas sempre vamos defender os direitos universais que foram apoiados por esta Assembléia, direitos que dependem de eleições livres e justas, governos transparentes e que prestem contas, tenham respeito pelos direitos das mulheres e das minorias, justiça igual e justa. Isso merece nosso povo. Estes são os elementos da paz que podem durar.”</p>
<p>“…Os Estados Unidos vão continuar apoiando as nações que vão rumo à democracia com maior comércio e investimento, para que a liberdade seja seguida da oportunidade. Continuaremos nosso compromisso com os governos, mas também com a sociedade civil, os estudantes, os empresários, os partidos políticos, a imprensa, a mídia.</p>
<p>“Temos condenado os que violam os direitos humanos e impedem que cheguem a esses países. Castigamos os que violam esses direitos, e sempre vamos servir como uma voz daqueles que têm sido silenciados.”</p>
<p>Depois desta longa lengalenga, o insigne Prêmio Nobel entra no espinhoso tema de sua aliança com o Israel que por certo, não figura entre os privilegiados possuidores de um dos mais modernos sistemas de armas nucleares e meios capazes de alcançar objetivos distantes. Conhece perfeitamente bem quão arbitrária e impopular é essa política.</p>
<p>“Sei que nesta semana há um tema que é fundamental neste sentido, para esses direitos. É uma prova para a política externa dos Estados Unidos quando o conflito entre o Israel e os palestinos continua. Há um ano estive neste pódio e fiz um apelo para que houvesse uma Palestina livre. Então acreditei, e ainda acredito hoje, que o povo palestino merece seu Estado, mas também disse que uma paz genuína só pode ser alcançada entre israelitas e palestinos. Um ano depois, apesar de muitos esforços dos Estados Unidos e de outros, as partes não têm podido salvar suas diferenças. Diante desta estagnação propus uma nova base de negociações, fi-lo no passado mês de maio. Essa base é clara, é conhecida para todos: os israelitas devem saber que qualquer acordo deve ter garantias para sua segurança; os palestinos devem conhecer as bases territoriais de seu Estado. Sei que muitos têm estado frustrados pela falta de avanços, e eu também estive e continuo estando. A questão não é a meta que procuramos, senão como atingimos essa meta.”</p>
<p>“A paz exige muito trabalho, a paz não vai chegar por resoluções nem declarações perante a ONU, se fosse tão fácil já se teria conseguido. Os israelitas e os palestinos devem se sentar, e vão viver juntos, são eles os que devem procurar uma solução viável em suas fronteiras, devem procurar uma solução sobre Jerusalém, sobre os refugiados. A paz depende do acordo entre aqueles que devem viver juntos depois que culminem nossos discursos, muito depois de que nós tenhamos votado.”</p>
<p>Estende-se a seguir em uma longa ladainha para explicar e justificar o inexplicável e o injustificável.</p>
<p>“…Não há dúvidas nesse sentido de que os palestinos têm visto isto retrasado por demasiado tempo, e é justamente porque cremos tanto nas aspirações do povo palestino que os Estados Unidos têm investido tanto tempo e tanto esforço em construir um Estado palestino e negociações que possam cumprir esta meta do Estado palestino; porém é preciso compreender isto também, os Estados Unidos fizeram um compromisso com a segurança do Israel, é essencial; nossa amizade é profunda e duradoira com este Estado israelita.”</p>
<p>“O povo judeu tem formado um Estado com sucesso e merece reconhecimento e relações normais com seus vizinhos, e os amigos dos palestinos não lhe fazem nenhum favor ao ignorar esta verdade.</p>
<p>“…cada lado tem aspirações legítimas, e isso é parte do que faz a paz, algo tão difícil, e o prazo final somente poderá ser quebrado quando cada parte aprenda a estar nos sapatos do outro, cada parte possa ver o mundo através dos olhos do outro. Isso devemos incentivá-lo, devemos promover isso.”</p>
<p>Enquanto isso, os palestinos permanecem desterrados de sua própria pátria, suas casas são destruídas por monstruosos equipamentos mecânicos e um muro odioso, muito mais alto que o de Berlin, separa uns palestinos de outros. O melhor que podia ter reconhecido Obama é que os próprios cidadãos israelitas já estão cansados da dilapidação de recursos investidos no setor militar, que os priva de paz e de acesso aos meios elementares de vida. Igual do que os palestinos, eles estão sofrendo as conseqüências dessas políticas impostas por Estados Unidos e os elementos mais belicosos e reacionários do Estado sionista.</p>
<p>“Na medida em que fazemos face a esses conflitos e a estas revoluções devemos reconhecer e recordar que […] a paz verdadeira depende de criar a oportunidade que faz com que a vida valha a pena ser vivida, e para tal devemos confrontar inimigos comuns da humanidade: as armas nucleares, a pobreza, a ignorância e a enfermidade.”</p>
<p>Quem entende este galimatias do Presidente dos Estados Unidos perante a Assembléia-Geral?</p>
<p>A seguir postula sua ininteligível filosofia:</p>
<p>“Para fazer face à destruição mundial devemos lutar por um mundo sem armas nucleares; nos últimos dois anos começamos a andar essa senda. Desde a Reunião de Cúpula em Washington muitas nações começaram a assegurar seu material nuclear contra os possíveis terroristas.”</p>
<p>Pode ter terrorismo maior do que a política agressiva e belicosa de um país cujo arsenal de armas nucleares poderia destruir várias vezes a vida humana neste planeta?</p>
<p>“Os Estados Unidos vão continuar trabalhando para proibir a prova de materiais nucleares e dos materiais para estas armas nucleares”, continua nos prometendo Obama. “Temos começado, então, a avançar no sentido correto. Os Estados Unidos estão comprometidos a cumprir com suas obrigações; mas quando cumprimos com nossas obrigações esperamos que as instituições também ajudem a limitar a expansão destas armas […] O Irão não tem podido demonstrar que seu programa de armas nucleares seja pacífico.”</p>
<p>Volta com a lengalenga! Mas desta vez o Irão não está sozinho; acompanha-o a República Democrática da Coréia.</p>
<p>“Coréia do Norte ainda tem que tomar medidas para reduzir suas armas e reduzir sua beligerância contra o Sul. Existe um futuro de muitas oportunidades para os povos dessas nações se seus governos cumprirem com suas obrigações internacionais; mas se continuarem na senda fora do direito internacional, deverão sentir maiores pressões de isolamento, por isso é que nosso compromisso rumo à paz e à segurança exigem que isto seja feito desta maneira.”<br />
Continuará amanhã.</p>
<p><img class="alignnone" title="Reflections by Comrade  Fidel" src="http://www.cubadebate.cu/wp-content/uploads/2011/09/firma110925-re-chavez-evo-y-obama-300x175.jpg" alt="" width="300" height="175" /></p>
<p><strong>Fidel Castro Ruz<br />
25 de setembro de 2011<br />
19h36</strong></p>
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		<title>Hostilidade dos EUA afeta as telecomunicações em Cuba</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Sep 2011 01:55:32 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cubadebate</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A hostilidade dos Estados Unidos afeta as telecomunicações de Cuba, em uma tentativa de impedir o desenvolvimento econômico e social do país. Só de maio de 2010 a abril passado a política de bloqueio de Washington contra Havana ocasionou perdas superiores aos sete milhões de dólares, de acordo com o relatório de Cuba à Assembleia]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-2256" src="/files/2011/09/Bloqueo-USA-a-Cuba.jpg" alt="" width="300" height="250" />A hostilidade dos Estados Unidos afeta as  telecomunicações de Cuba, em uma tentativa de impedir o desenvolvimento  econômico e social do país.</p>
<p>Só de maio de 2010 a abril passado a política de bloqueio de Washington  contra Havana ocasionou  perdas superiores aos sete milhões de dólares,  de acordo com o relatório de Cuba à Assembleia Geral da Organização de  Nações Unidas (ONU).</p>
<p>A agressividade estadunidense concentrou-se  tanto no impedimento para que empresas do setor comprassem componentes e  equipamentos como nos obstáculos aos cubanos para navegar pela  internet, com especial ênfase nas redes sociais.</p>
<p>O Twitter  reconheceu em outubro do ano passado sua total responsabilidade pelo  bloqueio do envio de mensagens via celular a partir Cuba para sua  plataforma.</p>
<p>Como se fosse pouco, em abril passado conheceu-se  que a rede social, que conta com mais de 100 milhões de usuários ativos  no mundo, impede aos cubanos o uso de determinadas ferramentas com o  argumento de que acedem de um país proibido.</p>
<p>A casa financeira  Synivere deixou de pagar em fevereiro de 2011 à Empresa de  Telecomunicações de Cuba (Etecsa) impostos por conceito de &#8220;roaming&#8221;  para telefonia celular, um dos principais rendimentos com o qual conta  essa companhia como outras similares no planeta.</p>
<p>Depois de  explicar que seu banco não pode realizar transações com a nação  caribenha, Synivere deve à Etecsa cerca de 2,6 milhões de dólares.</p>
<p>Com amplo apoio internacional -como sucede desde 1992- e perante  situações como as descritas, as autoridades cubanas se dispõem a exigir  pela vigésima ocasião consecutiva na ONU à Casa Branca pelo bloqueio  econômico, comercial e financeiro que mantem contra a ilha.</p>
<p>De  acordo com o relatório de Cuba, circulado aqui na semana passada, até  dezembro de 2010 tal política ocasionou danos por 104 mil milhões de  dólares a cálculos correntes e muito conservadores.</p>
<p>Se toma-se  em consideração a depreciação do dólar diante do valor do ouro no  mercado financeiro internacional, as perdas totais causadas a Cuba por  essa agressão chegariam aos 975 bilhões de dólares, de acordo com o  texto.</p>
<p><strong>(Prensa Latina)</strong></p>
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