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	<title>Cubadebate (Português) &#187; Honduras</title>
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		<title>Entre a emigração e o crime</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Mar 2011 01:51:01 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cubadebate</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fidel Castro Ruz]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões de Fidel]]></category>
		<category><![CDATA[América Latina]]></category>
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		<description><![CDATA[
A realidade é que muitos jovens centro-americanos têm sido conduzidos pelo imperialismo a cruzarem uma rígida e cada vez mais infranqueável fronteira, ou prestar serviços nos bandos milionários dos narcotraficantes. Não seria mais justo ―pergunto-me― uma Lei de Ajuste para todos os latino-americanos, como a que foi inventada para castigar Cuba há já quase meio século? Continuará crescendo até o infinito o número de pessoas que morrem cruzando a fronteira dos Estados Unidos e as dezenas de milhares que já estão morrendo cada ano nos povos aos que o senhor oferece uma “Aliança Igualitária”?]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Os latino-americanos não são criminais natos nem inventaram as drogas.</p>
<p>Os astecas, os maias, e outros grupos humanos pré-colombianos do México e da América Central, por exemplo, eram excelentes agricultores e nem sequer conheciam a cultura da coca.</p>
<p>Os quíchuas e os aimaras foram capazes de produzir nutritivos alimentos em terraços perfeitos que seguiam as curvas de nível das montanhas. Em planaltos que ultrapassam às vezes os três e quatro mil metros de altura, cultivavam a quina, um cereal rico em proteínas, e a batata.</p>
<p>Conheciam e cultivavam também a planta da coca, cujas folhas mastigavam desde tempos imemoriais para mitigarem o rigor das alturas. Tratava-se de um costume milenar que os povos praticavam com produtos como o café, o tabaco, o licor ou outros.</p>
<p>A coca era originária das abruptas ladeiras dos Andes amazônicos. Seus povoadores a conheciam muito tempo antes do Império Inca, cujo território, em seu máximo esplendor, espalhava-se no espaço atual do Sul da Colômbia, todo o Equador, o Peru, a Bolívia, o Leste do Chile, e o Nordeste da Argentina; que totalizava cerca de dois milhões de quilômetros quadrados.</p>
<p>O consumo da folha de coca se converteu em privilégio dos imperadores Incas e da nobreza nas cerimônias religiosas.</p>
<p>Ao desaparecer o Império após a invasão espanhola, os novos amos estimularam o hábito tradicional de mastigar a folha para estender as horas de trabalho da mão-de-obra indígena, um direito que perdurou até que a Convenção Única sobre Entorpecentes das Nações Unidas proibiu o uso da folha de coca, salvo com fins médicos ou científicos.</p>
<p>Foi assinada por quase todos os países. Apenas se discutia qualquer tema relacionado com a saúde. O tráfico de cocaína não atingia nessa altura sua enorme magnitude atual. Nos anos decorridos criaram-se gravíssimos problemas que exigem de análises profundas.</p>
<p>Sobre o espinhoso tema da relação entre a droga e o crime organizado a própria ONU afirma delicadamente que “América Latina é ineficiente no combate ao crime.”</p>
<p>A informação que publicam diferentes instituições varia devido a que o assunto é sensível. Os dados às vezes são tão complexos e variados que podem induzir a confusão. Do que não cabe a menor dúvida é que o problema se agrava aceleradamente.</p>
<p>Há quase um mês e meio, no dia 11 de fevereiro de 2011 um relatório publicado na Cidade de México pelo Conselho Cidadão para a Segurança Pública e a Justiça desse país, oferece dados interessantes sobre as 50 cidades mais violentas do mundo, pelo número de homicídios acontecidos no ano 2010. Nesse relatório se afirma que o México reúne 25% dessas cidades. Por terceiro ano consecutivo o lugar número um corresponde a Cidade Juárez, na fronteira com os Estados Unidos.</p>
<p>A seguir expõe que “…nesse ano a taxa de homicídios dolosos de Juárez foi 35% superior à de Kandahar, Afeganistão ―a número dois no ranking― e 941% superior à de Bagdad…”, isto é, quase dez vezes superior à capital do Iraque, cidade que ocupa o número 50 da lista.</p>
<p>Quase de imediato acrescenta que a cidade de San Pedro Sula, em Honduras, ocupa o terceiro lugar com 125 homicídios por cada 100 000 habitantes; sendo superada apenas por Cidade Juárez, no México, com 229; e Kandahar, Afeganistão, com 169.</p>
<p>Tegucigalpa, Honduras, ocupa o sexto lugar com<br />
109 homicídios, por cada 100 000 habitantes.</p>
<p>Deste modo se pode constatar que Honduras, a da base aérea ianque de Palmerola, onde aconteceu um Golpe de Estado já sob a presidência de Obama, tem duas cidades entre as seis em que se produzem mais homicídios no mundo. Cidade de Guatemala alcança 106.</p>
<p>De acordo ao referido relatório, a cidade colombiana de Medellín, com 87.42 figura também entre as mais violentas da América e do mundo.</p>
<p>O discurso do Presidente norte-americano Barack Obama em El Salvador, e sua posterior conferência de imprensa, conduziram-me ao dever de publicar essas linhas sobre o tema.</p>
<p>Na Reflexão de 21 de março lhe critiquei sua falta de ética ao não mencionar no Chile nem sequer o nome de Salvador Allende, um símbolo de dignidade e valentia para o mundo, que morreu como conseqüência do golpe de Estado promovido por um Presidente dos Estados Unidos.</p>
<p>Como sabia que no dia seguinte visitaria El Salvador, um país centro-americano símbolo das lutas dos povos da nossa América que mais tem sofrido como conseqüência da política dos Estados Unidos no nosso hemisfério, eu disse: “Ali terá de inventar bastante, porque nessa irmã nação centro-americana, as armas e os treinadores que recebeu dos governos do seu país, derramaram muito sangue.”</p>
<p>Desejava-lhe boa viagem e “um pouco mais de sensatez.” Devo admitir que em seu longo périplo, foi um pouco mais cuidadoso no último trecho.</p>
<p>Monsenhor Oscar Arnulfo Romero era um homem admirado por todos os latino-americanos, crentes ou não crentes, assim como os sacerdotes jesuítas covardemente assassinados pelos capangas que os Estados Unidos treinaram, apoiaram e armaram até os dentes. Em El Salvador, a FMLN, organização militante de esquerda, levou a cabo uma das lutas mais heróicas do nosso continente.</p>
<p>O povo salvadorenho lhe concedeu a vitória ao Partido que emergiu do seio desses gloriosos combatentes, cuja história profunda não é hora de construir ainda.</p>
<p>O que urge é encarar o dramático dilema que vive El Salvador, do mesmo modo que o México, o resto da América Central e da América do Sul.</p>
<p>O próprio Obama expressou que por volta de 2 milhões de salvadorenhos moram nos Estados Unidos, o que equivale a 30% da população desse país. A brutal repressão desatada contra os patriotas, e a pilhagem sistemática de El Salvador imposta pelos Estados Unidos, obrigou centenas de milhares de salvadorenhos a emigrarem para aquele território.</p>
<p>O novo é que, à desesperada situação dos centro-americanos, junta-se o fabuloso poder dos bandos terroristas, as sofisticadas armas e a demanda de drogas, originadas pelo mercado dos Estados Unidos.</p>
<p>O Presidente de El Salvador no breve discurso que precedeu ao do visitante, expressou textualmente: “Insisti-lhe que o tema do crime organizado, o narcotráfico, a insegurança cidadã não é um tema que ocupe apenas a El Salvador, a Guatemala, Honduras ou a Nicarágua e nem sequer o México ou a Colômbia; é um tema que nos ocupa como região, e nesse sentido estamos trabalhando na construção de uma estratégia regional, através da Iniciativa CARFI.”</p>
<p>“…insisti-lhe em que este é um tema que não só deve ser abordado desde a perspectiva da perseguição do delito, através do fortalecimento das nossas polícias e dos nossos exércitos, mas que também enfatizando nas políticas de prevenção do delito e portanto, a melhor arma para combater em si a delinqüência na região, é investindo em políticas sociais.”</p>
<p>Em sua resposta o mandatário norte-americano disse: “O Presidente Funes tem-se comprometido a criar mais oportunidades econômicas aqui em El Salvador para que a gente não sinta que deve encaminhar-se rumo ao norte para manter sua família”.</p>
<p>“Sei que isto resulta especialmente importante para os aproximadamente 2 milhões de salvadorenhos que estão morando e trabalhando nos Estados Unidos.”</p>
<p>“&#8230;pus ao par ao Presidente sobre as novas medidas de proteção ao consumidor que promulguei, que lhes dão às pessoas mais informação e garantem que suas remessas realmente cheguem até seus seres queridos em casa.</p>
<p>“Hoje também estamos lançando um novo esforço para fazer face aos narcotraficantes e às gangues que têm causado tanta violência em todos os países, nomeadamente cá na América Central.”</p>
<p>“&#8230;dedicaremos $200 milhões para apoiar os esforços aqui na região, o que inclui encarar [...] as forças sociais e econômicas que incentivam os jovens à criminalidade. Ajudaremos para reforçar os tribunais, os grupos da sociedade civil e às instituições que defendem o estado de direito.”</p>
<p>Não preciso de mais uma palavra para expressar a essência de uma situação dolorosamente triste.</p>
<p>A realidade é que muitos jovens centro-americanos têm sido conduzidos pelo imperialismo a cruzarem uma rígida e cada vez mais infranqueável fronteira, ou prestar serviços nos bandos milionários dos narcotraficantes.</p>
<p>Não seria mais justo ―pergunto-me― uma Lei de Ajuste para todos os latino-americanos, como a que foi inventada para castigar Cuba há já quase meio século? Continuará crescendo até o infinito o número de pessoas que morrem cruzando a fronteira dos Estados Unidos e as dezenas de milhares que já estão morrendo cada ano nos povos aos que o senhor oferece uma “Aliança Igualitária”?</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-101320 firma" src="http://www.cubadebate.cu/wp-content/uploads/2011/03/firma-de-fidel-25-de-marzo-de-2011-300x171.jpg" alt="" /></p>
<p><strong>Fidel Castro Ruz<br />
25 de março de 2011<br />
20h46</strong></p>
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