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	<title>Cubadebate (Português) &#187; Discurso</title>
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		<title>Intervenção do Miguel Díaz Canel- Bermudez, no Debate Geral do 75º período ordinário de sessões da Assembleia Geral das Nações Unidas</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2020 21:02:53 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cubadebate</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Covid-19]]></category>
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		<description><![CDATA[Uma epidemia global mudou drasticamente a vida quotidiana. De um dia para o outro, milhões se contaminam, e morrem milhares de pessoas cuja esperança de vida, graças ao desenvolvimento, era mais longa. Sistemas hospitalares de alto nível de atendimento colapsaram, e as estruturas de saúde de países pobres sofrem com a sua incapacidade crónica. Drásticas quarentenas convertem as cidades mais populosas em desertos.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-5985" alt="Canel ONU 75" src="/files/2020/09/Canel-ONU-75.jpg" width="300" height="250" />Senhor Secretário-Geral:</p>
<p>Senhor Presidente:</p>
<p>Uma epidemia global mudou drasticamente a vida quotidiana. De um dia para o outro, milhões se contaminam, e morrem milhares de pessoas cuja esperança de vida, graças ao desenvolvimento, era mais longa. Sistemas hospitalares de alto nível de atendimento colapsaram, e as estruturas de saúde de países pobres sofrem com a sua incapacidade crónica. Drásticas quarentenas convertem as cidades mais populosas em desertos. A vida social não existe fora das redes digitais. Teatros, discotecas, galerias e, inclusive, escolas são fechadas ou redimensionadas.</p>
<p>As nossas fronteiras fecharam, as nossas economias se contraem, as nossas reservas se esgotam. A vida sofre o radical redesenho de costumes ancestrais, e a insegurança substitui a certeza. Até os melhores amigos não se reconhecem, atrás das máscaras que nos salvam do contágio. Tudo muda.</p>
<p>Tanto quanto a solução para a pandemia, já urge a democratização desta indispensável Organização, para que responda de maneira efectiva às necessidades e aspirações de todos os povos.<br />
O ansiado direito da humanidade a viver em paz e segurança, com justiça e liberdade, base da união das nações, é constantemente ameaçado.</p>
<p>Mais de 1,9 biliões de dólares são malbaratados hoje, em uma insensata corrida armamentista, sustentada na política agressiva e belicista do imperialismo, cujo máximo expoente é o actual governo dos Estados Unidos, responsável por 38% do gasto militar global.</p>
<p>Falamos de um regime notavelmente agressivo e moralmente corrupto, que despreza e ataca o multilateralismo, emprega a chantagem financeira na sua relação com as agências do sistema das Nações Unidas e, com uma prepotência nunca antes vista, retira-se da Organização Mundial da Saúde, da Unesco e do Conselho de Direitos Humanos.</p>
<p>Paradoxalmente, o país que aloja a sede da ONU também se afasta de tratados internacionais fundamentais, como o Acordo de Paris sobre mudança climática; repudia o consensual acordo nuclear com o Irão; impulsiona guerras comerciais; põe fim ao seu compromisso com instrumentos internacionais de controle, na esfera do desarmamento; militariza o ciberespaço; multiplica a coerção e as sanções unilaterais contra os que não se submetem aos seus desígnios; e patrocina a derrubada pela força de governos soberanos, com métodos de guerra não convencional.</p>
<p>Nessa linha de comportamento, divorciada dos antigos princípios da coexistência pacífica e do respeito ao direito alheio à autodeterminação como garante da paz, o governo presidido por Donald Trump, além disso, manipula com fins subversivos a cooperação no âmbito da democracia e dos direitos humanos, enquanto no seu próprio território proliferam, praticamente sem controle, as expressões de ódio, racismo, brutalidade policial e as irregularidades do sistema eleitoral e do direito dos cidadãos ao voto.</p>
<p>Urge reformar as Nações Unidas. Esta poderosa organização, que emergiu do milionário custo em vidas de duas guerras mundiais e como resultado da compreensão universal da importância do diálogo, da negociação, da cooperação e da legalidade internacional, não pode atrasar mais a sua actualização e democratização.</p>
<p>Algo muito essencial e profundo falhou, quando se assiste, de modo quotidiano e permanente, à violação dos princípios da Carta da ONU, e quando é cada vez mais frequente o uso da força ou a sua ameaça, nas relações internacionais.</p>
<p>Não é possível sustentar por mais tempo, como algo natural e imutável, uma ordem internacional desigual, injusta e antidemocrática, que antepõe o egoísmo à solidariedade, e os interesses mesquinhos de uma minoria poderosa às legítimas aspirações de milhões de pessoas.</p>
<p>Apesar das insatisfações e demandas de transformação que, junto com outros Estados e com milhões de cidadãos do mundo, pedimos às Nações Unidas, a Revolução cubana defenderá sempre a existência do organismo a que devemos o pouco, mas imprescindível, multilateralismo que sobrevive à prepotência imperial.</p>
<p>Mais de uma vez, ante este mesmo foro, Cuba reiterou a sua vontade de cooperar com a democratização da ONU e com a defesa da cooperação internacional, que somente ela pode salvar. Como disse o Primeiro Secretário do Partido Comunista de Cuba, General de Exército Raúl Castro Ruz, e cito: “Poderá contar sempre, a comunidade internacional, com a sincera voz de Cuba, ante a injustiça, a desigualdade, o subdesenvolvimento, a discriminação e a manipulação; e pelo estabelecimento de uma ordem internacional mais justa e equitativa, em cujo centro realmente se coloque o ser humano, a sua dignidade e bem-estar”. Fim da citação.</p>
<p>Senhor Presidente:</p>
<p>Retomando a gravidade do momento actual, que muitos atribuem unicamente à pandemia da Covid-19, considero fundamental advertir que o seu impacto ultrapassa, e muito, o âmbito sanitário.</p>
<p>Pelas suas sequelas nefastas, a impressionante quantidade de mortes, o prejuízo à economia mundial e a deterioração dos níveis de desenvolvimento social, a expansão da epidemia, nos últimos meses, angustia e desespera a líderes e cidadãos de praticamente todas as nações.<br />
Mas a crise multidimensional que ela provocou demonstra claramente o imenso erro das políticas desumanizadas impostas a todo custo pela ditadura do mercado.</p>
<p>Hoje somos dolorosas testemunhas do desastre a que o mundo foi conduzido, pelo sistema irracional e insustentável de produção e consumo do capitalismo, por décadas de uma injusta ordem internacional e de aplicação de um cru e desenfreado neoliberalismo, que agravou as desigualdades e sacrificou o direito dos povos ao desenvolvimento.</p>
<p>Ao contrário do excludente neoliberalismo, que separa e descarta milhões de seres humanos, condenando-os a sobreviver com as sobras do banquete do um por cento mais rico, o vírus da Covid-19 não discrimina entre uns e outros, mas os seus devastadores impactos económicos e sociais serão letais entre os mais vulneráveis, os de menos ganhos, tanto no mundo subdesenvolvido, como nos bolsões de pobreza das grandes urbes industrializadas.</p>
<p>Segundo projecções da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), aos 690 milhões de pessoas que passavam fome em 2019, poderão somar-se 130 milhões, em consequência da recessão económica causada pela pandemia. Estudos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirmam que se perderam mais de 305 milhões de empregos, e que mais de um mil e seiscentos milhões de trabalhadores veem ameaçados os seus meios de subsistência.</p>
<p>Não podemos enfrentar a Covid-19, a fome, o desemprego e a crescente desigualdade económica e social, entre indivíduos e entre países, como fenómenos independentes. Urge implementar políticas integrais, que tenham como prioridade o ser humano, e não os ganhos económicos ou as vantagens políticas.</p>
<p>Seria criminoso deixar para amanhã decisões de ontem e hoje. É um imperativo impulsionar a solidariedade e a cooperação internacional, para amortecer o golpe.</p>
<p>Somente as Nações Unidas, com a sua associação universal, tem a autoridade e o alcance necessários para retomar a justa luta por eliminar a impagável dívida externa, que, agravada pelos efeitos socioeconómicos da pandemia, atenta contra a sobrevivência dos povos do Sul.</p>
<p>Senhor Presidente:</p>
<p>O aparecimento do Sars-CoV-2 e dos primeiros indícios de que ameaçava provocar uma pandemia não pegaram Cuba desprevenida.<br />
Com a experiência de décadas de enfrentamento a epidemias terríveis, algumas delas introduzidas deliberadamente, como parte da permanente guerra contra o nosso projecto político, pôs-se imediatamente em prática um grupo de medidas, sustentadas em nossas capacidades e virtudes fundamentais: um Estado socialista organizado, responsável por velar pela saúde dos seus cidadãos, com capital humano altamente qualificado, e uma sociedade com elevado grau de participação popular, na adopção de decisões e na solução dos seus problemas.</p>
<p>A aplicação dessas medidas, junto com o conhecimento acumulado em mais de 60 anos de enormes esforços para criar e fortalecer um sistema de saúde de qualidade e de alcance universal, assim como a pesquisa e o desenvolvimento científicos permitiram não apenas preservar o direito à saúde de todos os cidadãos, sem excepção, como enfrentar a pandemia em melhores condições.</p>
<p>E o fizemos, apesar das duras restrições do prolongado bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelo governo dos Estados Unidos, brutalmente intensificado nos dois últimos anos, inclusive em tempos de pandemia, como prova de que esse é o componente essencial da sua política de hostilidade em relação a Cuba.</p>
<p>A agressividade do bloqueio atingiu um nível qualitativamente novo, que reforça a sua condição de impedimento real e determinante para o manejo da economia e o desenvolvimento do nosso país. O governo estadunidense intensificou especialmente a perseguição às transacções financeiras de Cuba e, desde 2019, adopta medidas violadoras do Direito Internacional, para privar o povo cubano da possibilidade de adquirir o combustível que necessita nas suas actividades quotidianas e para o seu desenvolvimento.</p>
<p>Com o fim de prejudicar e demonizar a Revolução cubana e a outros que qualifica como adversários, os Estados Unidos publicam listas espúrias, carentes de legitimidade, com as quais se arroga o direito de impor ao mundo medidas coercitivas unilaterais e qualificações infundadas.</p>
<p>Não passa uma semana, sem que esse governo emita declarações contra Cuba, ou imponha novas restrições. Portanto é paradoxal que tenha se recusado a qualificar como terrorista o ataque perpetrado contra a Embaixada de Cuba em Washington, no dia 30 de Abril de 2020, quando um indivíduo armado com um fuzil de assalto disparou mais de 30 cartuchos contra a sede diplomática e depois confessou a sua intenção de matar.</p>
<p>Denunciamos a dupla moral do governo estadunidense, na luta contra o terrorismo, e exigimos que seja publicamente condenado, esse brutal ataque.<br />
Reclamamos que cessem a hostilidade e a campanha difamatória contra o trabalho altruísta da cooperação médica internacional de Cuba, que, com alto prestígio e resultados verificáveis, contribuiu para salvar centenas de vidas e reduzir o impacto da doença em diversas regiões. Personalidades internacionais e organizações sociais de notável prestígio reconheceram a tarefa humanista realizada pela Brigada Internacional Médica Especializada em Situações de Desastre e Graves Epidemias “Henry Reeve”, advogando que lhe seja concedido o Prémio Nobel da Paz.</p>
<p>Enquanto o governo dos Estados Unidos ignora o chamado a somar esforços no combate à pandemia e se retira da OMS; Cuba, em resposta a solicitações recebidas, e guiada pela profunda vocação solidária e humanista do seu povo, reforça a sua cooperação, enviando mais de 3.700 colaboradores, organizados em 46 brigadas médicas, a 39 países e territórios afectados pela Covid-19.</p>
<p>Nesse sentido, condenamos a chantagem criminosa com que os Estados Unidos pressionaram a Organização Pan-americana da Saúde, com o propósito de utilizar esse organismo regional como instrumento da sua obsessiva agressão contra o nosso país. A força da verdade sempre jogará por terra as mentiras, e a história colocará os factos e os protagonistas no seu lugar. O exemplo de Cuba prevalecerá.</p>
<p>Nossos consagrados trabalhadores da Saúde, orgulho de uma nação formada no ideário martiano de que Pátria é Humanidade, receberão ou não o Prémio que merece a sua nobreza, mas faz anos que ganharam o reconhecimento dos povos abençoados pelo seu trabalho em saúde.</p>
<p>O governo dos Estados Unidos não oculta a sua intenção de aplicar novas e mais duras medidas agressivas contra Cuba, nos próximos meses.</p>
<p>Declaramos uma vez mais, ante a comunidade internacional, que o nosso povo, orgulhoso da sua história e comprometido com os ideais e a obra da Revolução, saberá resistir e vencer.</p>
<p>Senhor Presidente:<br />
As pretensões de impor a dominação neocolonial à Nossa América, declarando publicamente a vigência da Doutrina Monroe, contrariam a Proclamação da América Latina e das Caraíbas como Zona de Paz.</p>
<p>Queremos ratificar publicamente, neste cenário virtual, que a República Bolivariana da Venezuela contará sempre com a solidariedade de Cuba, frente às tentativas de desestabilizar e subverter a ordem constitucional e a união cívico-militar, e de destruir a obra iniciada pelo Comandante Hugo Chávez Frías e continuada pelo presidente Nicolás Maduro Moros a favor do povo venezuelano.</p>
<p>Repudiamos também as acções dos Estados Unidos dirigidas a desestabilizar a República da Nicarágua, e corroboramos a invariável solidariedade com o seu povo e governo, liderados pelo Comandante Daniel Ortega.</p>
<p>Solidarizamo-nos com as nações das Caraíbas que exigem justas reparações pelos horrores da escravidão e do tráfico de escravos, em um mundo em que crescem a discriminação racial e a repressão às comunidades afrodescendentes.</p>
<p>Reafirmamos o nosso compromisso histórico com a livre determinação e a independência do povo irmão de Porto Rico.</p>
<p>Apoiamos a legítima reivindicação da Argentina, de soberania sobre as ilhas Malvinas, Sandwich do Sul e Geórgia do Sul.</p>
<p>Reiteramos o compromisso com a paz na Colômbia e a convicção de que o diálogo entre as partes é a via para alcançar uma paz estável e duradoura nesse país.</p>
<p>Apoiamos a busca de uma solução pacífica e negociada para a situação imposta à Síria, sem ingerência externa e com pleno respeito à sua soberania e integridade territorial.</p>
<p>Demandamos uma solução justa para o conflito do Oriente Médio, que passa pelo exercício real do direito inalienável do povo palestino a construir o seu próprio Estado, dentro das fronteiras anteriores a 1967 e com a sua capital em Jerusalém oriental. Repudiamos as tentativas de Israel de anexar novos territórios da Cisjordânia.</p>
<p>Expressamos a nossa solidariedade com a República Islâmica do Irão, ante a escalada agressiva dos Estados Unidos.</p>
<p>Reafirmamos nossa permanente solidariedade com o povo saaraui.</p>
<p>Condenamos energicamente as sanções unilaterais e injustas contra a República Popular Democrática da Coreia.</p>
<p>Ratificamos o nosso repúdio à intenção de estender a presença da OTAN até as fronteiras da Rússia e à imposição de sanções unilaterais e injustas contra essa nação.</p>
<p>Repudiamos a intromissão estrangeira nos assuntos internos da República da Bielorrússia e reiteramos a nossa solidariedade ao legítimo presidente desse país, Aleksandr Lukashenko, e ao povo irmão bielorrusso.</p>
<p>Condenamos a ingerência nos assuntos internos da República Popular da China e nos opomos a qualquer tentativa de ferir a sua integridade territorial e soberania.</p>
<p>Senhor Presidente:</p>
<p>As preocupantes circunstâncias actuais fizeram que, pela primeira vez, nos 75 anos de história da Organização das Nações Unidas, sejamos obrigados a nos reunir de modo não presencial.</p>
<p>A comunidade científica de Cuba, outro orgulho da nação que, desde o triunfo da Revolução dos justos, anunciou ao mundo o seu propósito de converter-se em um país de homens e mulheres de Ciência, trabalha sem descanso em uma das primeiras vacinas em fase de ensaio clínico no mundo.</p>
<p>Os seus criadores e outros pesquisadores e estudiosos, articulados com o sistema de Saúde, desenvolvem protocolos de atendimento às pessoas contagiadas, às recuperadas e à população de risco, que nos permitiram manter as estatísticas da epidemia em torno de 80% de pessoas contaminadas salvas, e um índice de letalidade inferior à média continental e mundial.</p>
<p>“Médicos, e não bombas”, anunciou um dia o líder histórico da Revolução Cubana e principal promotor do desenvolvimento das Ciências em Cuba, Comandante em Chefe Fidel Castro Ruz. Essa é a nossa divisa. Salvar vidas e compartilhar o que somos e temos, ao preço de qualquer sacrifício, é o que oferecemos ao mundo desde as Nações Unidas, à qual só pedimos uma mudança, em sintonia com a gravidade do momento.</p>
<p>Somos Cuba.</p>
<p>Lutemos juntos pela promoção da paz, da solidariedade e do desenvolvimento.</p>
<p>Muito obrigado</p>
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		<title>Discurso proferido pelo Presidente da República de Cuba, Fidel Castro Ruz, no ato de constituição do Contingente Internacional de Médicos Especializados em Situações de Desastres e Graves Epidemias “Henry Reeve”</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Sep 2020 00:18:42 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cubadebate</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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		<category><![CDATA[Brigada Henry Reeve]]></category>
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		<description><![CDATA[Discurso proferido pelo Presidente da República de Cuba, Fidel Castro Ruz, no ato de constituição do Contingente Internacional de Médicos Especializados em Situações de Desastres e Graves Epidemias “Henry Reeve” e graduação nacional de estudantes das Ciências Médicas, na Cidade Esportiva, em 19 de setembro de 2005]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-5944" alt="fidel henryy reeve" src="/files/2020/09/fidel-henryy-reeve.jpg" width="300" height="249" />Discurso proferido pelo Presidente da República de Cuba, Fidel Castro Ruz, no ato de constituição do Contingente Internacional de Médicos Especializados em Situações de Desastres e Graves Epidemias “Henry Reeve” e graduação nacional de estudantes das Ciências Médicas, na Cidade Esportiva, em 19 de setembro de 2005</p>
<p>Médicos do ano letivo 2004-2005 que acabam de graduar-se;</p>
<p>Membros da brigada “Henry Reeve”;</p>
<p>Profissionais da saúde que têm cumprido gloriosas missões internacionais;</p>
<p>Estudantes de cuarto, quinto e sexto anos das Faculdades de Ciências Médicas da Capital;</p>
<p>Alunos da Escola Latino-Americana de Medicina;</p>
<p>Jovens que cursam estudos de enfermagem e tecnologia da saúde;</p>
<p>Professores, familiares e convidados;</p>
<p>Compatriotas:</p>
<p>O número dos graduados latino-americanos e caribenhos da Escola Latino-Americana de Medicina procedentes de países do Sul, Centro e da América do Norte, somados aos jovens cubanos que se formam hoje, perfazem 3.515 novos médicos que estarão ao serviço dos nossos povos e do mundo.</p>
<p>Este número crescerá até ultrapassar dez mil novos médicos por ano para cumprir o compromisso de formar em Cuba cem mil médicos latino-americanos e caribenhos em dez anos, sob os princípios da ALBA, assinados entre Cuba e a Venezuela, que contribuirá com a mesma cifra, em uma marcha decidida rumo à integração dos nossos povos.</p>
<p>Graduar-se de médico é abrir as portas de um longo caminho que conduz à mais nobre atividade que um ser humano pode fazer pelos demais.</p>
<p>Embora cada pessoa e cada povo tenham direito a uma vida sã e a desfrutar do privilégio de uma existência prolongada e útil, as sociedades mais ricas e desenvolvidas, dominadas pelo afã de lucro e pelo consumismo, converteram os serviços médicos em reles mercadoria, inacessíveis para os setores mais pobres da população. Em muitos países do Terceiro Mundo tais serviços apenas existem. E, entre os mais desenvolvidos e os eufemisticamente qualificados de “países em desenvolvimento”, as diferenças são abissais. Enquanto as estatísticas falam de países desenvolvidos com índices de mortalidade infantil inferiores a dez em cada mil nascidos vivos, e alguns exibem expectativas de vida que atingem ou ultrapassam os 80 anos de idade, outros países, como muitos da África, têm que se conformar com índices de mortalidade infantil em menores de um ano que ultrapassam os 100 e não poucas vezes os 150 em cada mil nascidos vivos e uma expectativa de vida que diminui e em alguns flutua entre 30 e 40 anos. Enquanto isso acontece diante dos olhos do mundo, as despesas militares ascendem a um trilhão de dólares todos os anos, só comparáveis a outra despesa absurda, a da publicidade comercial, que também é de um trilhão de dólares. Quaisquer dos dois, bem investido ano após ano, seria suficiente demais para que todos os moradores do planeta conseguissem viver decorosamente.</p>
<p>Nem o clima nem o potencial genético são a causa da tragédia. Cuba, país tropical, de clima caloroso e úmido, mais propício a vírus, bactérias e fungos, mistura de etnias sua população, submetida a um bloqueio cruel e a uma guerra econômica durante quase meio século, mostra, apesar de tudo, um índice de mortalidade infantil menor de 6 em cada mil nacidos vivos em seu primeiro ano de vida, abaixo do Canadá por uma estreita margem, e caminha para chegar a menos de 5 e, talvez menos de 4 em um futuro não longínquo, para ocupar o primeiro lugar do continente. Ao mesmo tempo, demorará metade do tempo que empregou a Suécia e o Japão para elevar de 70 para 80 anos sua expectativa de vida, que hoje chega aos 77,5 anos. Os seus serviços médicos têm elevado essa expectativa em quase 18 anos a partir de, aproximadamente 60 anos, quando do triunfo da Revolução, em primeiro de Janeiro de 1959.</p>
<p>Poderiam parecer presuntuosas essas palabras se não pudesse ser qualificada nossa Pátria como toda a justiça como o país que mais fez no mundo para compartilhar com outros povos os seus conhecimentos e experiências médicas.</p>
<p>Nem uma só vez, ao longo da sua abnegada história revolucionária, nosso povo deixou de oferecer sua ajuda médica solidária em caso de catástrofes a outros povos que precisassem dela, sem importar as diferenças ideológicas e políticas abissais, ou as graves ofensas recebidas dos governos de qualquer país.</p>
<p>Nossos conceitos sobre a condição humana de outros povos e o dever da irmandade e a solidariedade jamais foram nem serão traídos. Dezenas de milhares de médicos e profissionais da saúde cubanos espalhados pelo mundo são testemunho irrecusável do que afirmo. Para eles no existirão jamais barreiras da linguagem, sacrifício, perigos ou obstáculos. Já se completaram 43 anos a partir do momento em que Cuba enviou a primeira brigada médica à Argélia, recém-libertada do colonialismo, após heróica luta pela independência.</p>
<p>Depois de mais de quatro décadas, e finalizando o período especial, os serviços médicos se converteram no ramo mais importante do intercâmbio de bens e serviços do nosso país com o mundo, na esfera da economia, sem que por isso Cuba tenha deixado de oferecer sua cooperação médica de forma absolutamente gratuita a mais de 60 países do Terceiro Mundo que não dispõem de recursos econômicos. Assim foi e será sempre.</p>
<p>Nada do que eu tenho dito será, porém, comparável aos Programas Integrais de Saúde nascidos depois que o furacão Mitch açoitasse a América Central, no ano de 1998, matando dezenas de milhares de crianças e adultos, nomeadamente pessoas pobres e desabrigadas.</p>
<p>Prometemos enviar suficientes médicos para salvar, cada ano, tantas vidas como as que ceifou o furacão. Surgiu também, quase imediatamente, a ELAM, Escola Latino-Americana de Medicina. O programa integral estendeu-se a outras nações latino-americanas e do Caribe, e em breve a inúmeros e afastados países da África. Hoje, até Timor Leste, na longínqua Oceânia, foi inserido no Programa Integral de Saúde Cubano.</p>
<p>A ELAM já conta com mais de 12 mil estudantes. Há apenas dois meses, graduou os seus primeiros 1.610 médicos. Neste ato participaram inúmeros primeiros-ministros e altos funcionários da região, entre eles nosso saudoso irmão Hugo Chávez, Presidente da República Bolivariana da Venezuela, à qual nos unem indestrutíveis laços históricos e de luta comum pela plena independência e integração dos nossos povos.</p>
<p>Ambos, os dois, em nome dos povos da Venezuela e de Cuba, nos temos comprometido profundamente no apoio à saúde, à alfabetização, à educação, na Missão Milagre, PETROCARIBE, ELECTROCARIBE, na luta contra a Aids e outros importantes programas sociais e econômicos de grande conteúdo humano e integrador na nossa área.</p>
<p>A urgente tarefa de preservar e devolver a vista a não menos de seis milhões de latino-americanos e caribenhos e de formar 200 mil profissionais da saúde em dez anos não tem precedente no mundo.</p>
<p>Tenho, porém, a convicção de que esses programas serão superados. Em 30 de junho falou-se de estender a Missão Milagre aos países do Caribe. Hoje, 81 dias depois, posso lhes informar que o número de caribenhos operados da vista no nosso país ascende já a 4.212 e o de irmãos venezuelanos, ao longo do presente ano, a 79,450, que somados atingem o número de 83.662.</p>
<p>Os grandes avanços atingidos nesse campo pela nossa pátria serão estendidos a outros países irmãos da nossa região através dos jovens profissionais que começam a se formar na Escola Latino-Americana de Medicina.</p>
<p>É um fato real que a cooperação médica de Cuba e suas instituições de pesquisa científica com outros cantos do mundo se estende rapidamente para benefício da humanidade. Por isso, nada tem de estranha a atitude de Cuba, que não vacilou na hora de oferecer ao povo dos Estados Unidos o envio imediato de pessoal médico experiente, com os recursos indispensáveis para o atendimento urgente de pessoas em risco de morte por causa de um desastre natural. A isso se acrescenta o fato de que nosso país era o mais próximo da zona açoitada pelo furacão e estava em capacidade de enviar auxílio humano e material em questão de horas. Era como se um grande cruzeiro norte-americano com milhares de viajantes estivesse afundando nas proximidades de nossas costas. Não podíamos ficar indiferentes. Ninguém acreditaria que esse auxílio pode ser considerado uma ofensa ou uma humilhação. A nossa mensagem foi enviada às autoridades federais dos Estados Unidos logo após a passagem do furacão Katrina com sua força devastadora por Nova Orleans. Dói pensar, mas talvez algumas daquelas pessoas desesperadas, cercadas pela água e no limiar da morte, poderiam ter sido salvadas. Dura lição para os que o falso orgulho e os conceitos errados os levaram a não responder sequer demoradamente a nosso oferecimento, que não seria a primeira vez em circunstâncias similares. Alguns pretenderam justificar esta conduta alegando a recusa de Cuba a receber a ridícula oferta pecuniária de 50 mil dólares que, por óbvias razões históricas e morais, em meio de um bloqueio que custou bilhões de dólares, unido ao fustigamento e agressões durante meio século que custaram milhares de vidas, devíamos rejeitar. Nós não oferecíamos dinheiro; oferecíamos salvar vidas, e nosso oferecimento está em pé para hoje ou para amanhã, como é e será a norma de Cuba com qualquer povo do mundo.</p>
<p>Se falamos sobre este tema, foi porque numa longa lista de países que ofereceram ajuda omitiram o nome de Cuba, provocando confusão e até assombro a muitos amigos de nosso país no mundo. Assim o explicamos em 2 de setembro, três dias após o nosso oferecimento, enfatizando a disposição de enviar por ar, entre 12 e 36 horas, 1.100 médicos com 24 toneladas de medicamentos indispensáveis em suas mochilas. Transcorridas 48 horas, em 4 de setembro, aquela força que já atingia o número de 1.586 profissionais, pronta para partir com 36 toneladas de medicamentos, reunida no Palácio das Convenções, foi denominada Força Médica “Henry Reeve”, em honra daquele excepcional jovem combatente norte-americano que morreu lutando pela independência de Cuba.</p>
<p>Em 12 de setembro, à noite, o jornal Granma recebeu uma nota informativa, que publicou no dia 13. Nela se comunicava que a graduação médica do curso 2004-2005 seria em 19 de setembro, às 5h da tarde, na Praça das Bandeiras da Escola Latino-Americana de Medicina. As condiçoes do tempo obrigou-nos ha mudar a tempo. Informava-se também, e cito textualmente, que: “Nesse dia será constituída uma organização que até hoje não tem precedente no mundo: o Contingente Internacional de Médicos Especializados em Situações de Desastre e Graves Epidemias. Este ocupará o lugar da Força Médica constituída para apoiar o povo dos Estados Unidos logo o furacão Katrina açoitar com toda sua brutalidade o sul desse país. Seu objetivo não será apenas apoiar uma nação determinada, mas sim cooperar de imediato, com seu pessoal treinado especialmente, com outro país qualquer que sofrer uma catástrofe similar, nomeadamente os que enfrentam grandes açoites de furacões, enchentes ou outros fenômenos naturais dessa gravidade. Levará o mesmo nome que identificou a Força Médica nascida por ocasião da tragédia que sofreu recentemente o povo dos Estados Unidos, ‘Henry Reeve’”.</p>
<p>Já tinham transcorrido 14 dias e ainda não recebíamos resposta alguma ao nosso oferecimento.</p>
<p>Na quarta-feira 14 de setembro, à noite, reuni-me novamente com todos os integrantes daquela força em meio do processo de aprofundamento dos seus conhecimentos para lhes informar sobre a declaração da governadora da Louisiana, conhecida em Cuba nesse mesmo dia, e a mensagem enviada pelo primeiro vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, cujo conteúdo leio textualmente hoje para informação pública.</p>
<p>“Honorável Kathleen Babineaux Blanco, governadora, estado da Louisiana.</p>
<p>“Sra. governadora, limos atenciosamente sua Ordem Executiva nº KBB 2005-33 que estabelece a Declaração de Emergência da Saúde Pública e Suspensão do procedimento Estadual de Outorgamento de Licença aos Profissionais e Pessoal Médico Externo, a qual expressa textualmente que ‘&#8230; embora um número de pessoas foi resgatado, muitas outras ficam à espera de serem resgatadas, evacuadas e de receberem atendimento médico e muitos cidadãos sofreram e sofrerão doenças e ferimentos&#8230;’ A Declaração também destaca que ‘&#8230; o número de profissionais médicos disponível atualmente no Estado para responder a esta emergência é insuficiente e existe uma necessidade suplementar imediata de pessoal médico, com o objetivo de oferecer assistência aos afetados pelo desastre&#8230;</p>
<p>“Desejo comunicar-lhe que o pessoal cubano necessário oferecido aos Estados Unidos para socorrer a população e aliviar os sofrimentos das vítimas do furacão Katrina até a cifra de 1.586 médicos habilitados e experientes, com os medicamentos adequados ou qualquer outro que a novas circunstâncias precisarem, está pronto para partir imediatamente por via aérea ao estado da Louisiana quando a Sra. disponha da autorização correspondente das autoridades federais.</p>
<p>“Bruno Rodríguez Parrilla, ministro interino”</p>
<p>Até hoje, 19 de setembro, transcorreram mais cinco dias, e as autoridades federais ainda não disseram um palavra só. Cada vez existem, portanto, mais razões para pensar que nesta ocasião o generoso e oportuno oferecimento de nosso povo não será aceito.</p>
<p>Como a tragédia que o mundo vive é cada vez mais evidente, ratificamos a decisão de criar hoje, 19 de setembro de 2005, o Contingente “Henry Reeve”. Farão parte dele, em primeiro lugar, os membros da atual Força que leva esse nome. A ela se somarão sucessivamente 200 voluntários da atual gradução de médicos, 200 da anterior formatura 2003-2004, 600 alunos do sexto ano de Medicina do curso 2005-2006, e 800 do quinto ano deste mesmo curso. Depois virão osoutros, ninguém deve se sentir excluído.</p>
<p>As dezenas de milhares de especialistas em Medicina Geral Integral, bem como os Licenciados em Enfermagem e Tecnólogos da Saúde cubanos que cumprem ou já cumpriram missões no exterior, constituem uma reserva inesgotável para o Contingente “Henry Reeve”.</p>
<p>Além dos conhecimentos como médicos generais, os mais jovens, os especialistas em Medicina Geral Integral, que serão a maioria, ou outras especialidades, e seja qual for o lugar de nosso país ou do mundo onde desempenhem suas funçõeu do mundo onde desempenhem suas funspecialistas em Medicina General Integral os Licenciados em Enfermeragemo quinto ano deste s normais, todos os membros do Contingente devem possuir sólidos conhecimentos epidemiológicos e sobre doenças associadas a catástrofes, dois idiomas estrangeiros dos mais usuais; possuir condi­ções físicas apropriadas e, segundo o caso, a disposição e preparação necessárias para se deslocarem rapidamente através de diversos meios até o lugar onde precisarem deles com urgência. A esta gloriosa organização, a primeira de seu tipo na história de uma humanidade cada vez mais necessitada de cooperação e de solidariedade, poderão incorporar-se jovens latino-americanos e caribenhos formados na ELAM, incluindo os cidadãos norte-americanos que estudam nela.</p>
<p>O Contingente “Henry Reeve” pode não só apoiar a população em casos de furacões, enchentes e outros desastres naturais similares. Determinadas epidemias constituem verdadeiros desastres naturais e sociais. Chega dizer, por exemplo, o dengue hemorrágico, que açoita um número crescente de países latino-americanos, privando da vida nomeadamente crianças, e outras novas e velhas doenças graves, das que podemos e devemos conhecer as maneiras mais eficientes de combatê-las. Existe em particular, uma terrível epidemia — chamemo-la assim — que açoita o mundo: a Adis. Ela ameaça de liquidar nações inteiras e inclusive extensas regiões continentais. Na prevenção e na luta contra essa doença, Cuba ocupa um lugar destacado no mundo. Examinando o índice que prevalece neste hemisfério, pode-se apreciar que há países com um nível médio de infecção, onde a prevalência da Aids no ano 2003 – foi a ultima publicada — pode ser 2,4 %, 2,3%, 3,2%, da população adulta entre 15 e 49 anos. Não cito nomes, por rações obvias. Noutros a infecção é ainda mais alta. O melhor índice depois de Cuba é 0,6%. Também não cito nome. Em Cuba é 0,07%, quer dizer, 8,6 vezes menor prevalência que o país que mais se aproxima.</p>
<p>Nossos médicos, nossos cientistas, nossos químicos farmacêuticos, e nomeadamente os que fazem parte do Contingente “Henry Reeve”, devem conhecer o máximo possível sobre a Aids, sobre os métodos mais eficientes para combatê-la, e sobretudo que tais métodos se adaptem às condições concretas de cada país.</p>
<p>Quando as nações desenvolvidas imensamente ricas decidirem cooperar realmente com os países africanos e com outros do mundo na luta contra a Aids, necessitarão profissionais como os do Contingente “Henry Reeve”. Então se compreenderá em toda sua magnitude o valor deste passo. Os estados desenvolvidos e ricos dispõem de capital financeiro, porém não dispõem de capital humano. Para evitar a transmissão de mãe a filho, por exemplo, há que fazer uma cesárea à mãe; as mães vivem nas aldeias e os médicos do mundo desenvolvido não vão às aldeias africanas, não estão desenhados para isso.</p>
<p>É preciso formar os médicos que necessitam os campos, as aldeias, os bairros marginais e pobres das cidades do Terceiro Mundo. Inclusive nos países imensamente ricos, como os Estados Unidos, dezenas de milhões de afro-americanos, índios, imigrantes latinos, haitianos e outros, carecem de programa e de atendimento médico.</p>
<p>Nós oferecemos formar profissionais dispostos a lutarem contra a morte. Nós demonstraremos que há resposta a muitas das tragédias do planeta. Nós demonstramos que o ser humano pode e deve ser melhor. Nós demonstramos o valor da consciência e da ética. Nós oferecemos vida.</p>
<p>Vivam os defensores da vida que hoje se gradúam!</p>
<p>Vivam as médicas e os médicos capazes de vencer a morte!</p>
<p>Viva o glorioso Contingente Internacional “Henry Reeve”!</p>
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		<title>Discurso proferido pelo Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz na magna assembleia popular celebrada pelo povo de cuba na praça da Republica, a 2 de setembro de 1960</title>
<link>http://pt.cubadebate.cu/noticias/2020/09/02/discurso-proferido-pelo-comandante-em-chefe-fidel-castro-ruz-na-magna-assembleia-popular-celebrada-pelo-povo-de-cuba-na-praca-da-republica-2-de-setembro-de-1960/</link>
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		<pubDate>Wed, 02 Sep 2020 15:42:36 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cubadebate</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cuba]]></category>
		<category><![CDATA[Discurso]]></category>
		<category><![CDATA[Fidel Castro]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[O povo tem-se reunido hoje para discutir importantes questões, sobretudo de ordem internacional. Mas, por quê não ficou apenas alguém em sua casa? Por quê tem sido esta a mais grandiosa reunião que tem celebrado nosso povo, desde o triunfo da Revolução? Por quê? Porque nosso povo sabe o que está defendendo, nosso povo sabe a batalha que está levando a cabo, disse Fidel.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-5687" alt="Fidel" src="/files/2019/12/Fidel.jpg" width="300" height="250" />(O POVO RECEBE FIDEL CANTANDO EM CORO AS CONSIGNAS REVOLUCIONÁRIAS DE: “FIDEL, FIDEL, O QUÊ TEM FIDEL, QUE OS AMERICANOS NÃO PODEM COM ELE”; “FIDEL, SEGURO, NOS IANQUES BATE DURO”; “CUBA SIM, IANQUES NÃO”; E OUTRAS, E SE FAZ SILÊNCIO APENAS PERANTE AS NOTAS DO HINO NACIONAL).</p>
<p>Cidadãos:</p>
<p>Resulta evidente que cada um de vocês, desde o sítio em que se encontra, não pode ter uma ideia sequer da imensidade da multidão que se reuniu na tarde de hoje. É um verdadeiro mar humano, que se perde de um extremo a outro da Praça Cívica.</p>
<p>Para nós, os homens do Governo Revolucionário, que temos visto muitas reuniões do povo, esta é de tal magnitude que não deixa de impressionar-nos profundamente, e que nos faz ver a enorme responsabilidade que vocês e nós levamos sobre nossos ombros.</p>
<p>O povo tem-se reunido hoje para discutir importantes questões, sobretudo de ordem internacional. Mas, por quê não ficou apenas alguém em sua casa? Por quê tem sido esta a mais grandiosa reunião que tem celebrado nosso povo, desde o triunfo da Revolução? Por quê? Porque nosso povo sabe o que está defendendo, nosso povo sabe a batalha que está levando a cabo. E como nosso povo sabe que está levando a cabo uma grande luta por sua sobrevivência e por seu triunfo, e visto que nosso povo é um povo batalhador e um povo valente, por isso estão aqui presentes os cubanos.</p>
<p>E é pena que hoje, quando vamos discutir aqui as mesmas questões que foram discutidas em Costa Rica, não estivessem aqui sentados os 21 chanceleres de América (EXCLAMAÇÕES DE: “Fora!”). É pena, é pena que não estejam presentes para que tivessem a oportunidade de ver o povo que condenaram na reunião de Costa Rica. É pena que não estejam presentes para que pudessem comparar quão diferente é a linguagem diplomática das chancelarias e a linguagem dos povos.</p>
<p>Lá, é claro, falou nosso chanceler em nome do nosso povo (OVAÇÃO). Mas, os que o escutavam, em uma parte considerável dos ali reunidos, não estavam representando a seus povos. Se lá, em Costa Rica, se tivessem reunido homens que representassem o interesse verdadeiro e o sentir verdadeiro dos povos de América, sobretudo dos povos de América Latina, jamais se teria articulado uma declaração como a que pronunciaram contra os interesses de um povo de América, e contra os interesses de todos os povos irmãos de América (APLAUSOS).</p>
<p>E, o quê estava sendo discutido ali? Ali se estava brincando com o destino de nossa pátria; ali se estavam coonestando as agressões a nossa pátria; ali se estava afiando a faca que no coração da pátria cubana deseja cravar a mão criminosa do imperialismo ianque (EXCLAMAÇÕES DE: “Cuba sim, ianques não!”).<br />
Mas, por quê queriam condenar Cuba? O quê fez Cuba para ser condenada? O quê fez nosso povo para merecer a Declaração de Costa Rica? Nosso povo não fez outra coisa do que romper as cadeias! (APLAUSOS.) Nosso povo não fez coisa alguma, sem prejudicar nenhum outro povo, sem tirar nada a nenhum outro povo, mas lutar por um destino melhor. Nosso povo não quis outra coisa do que ser livre; nosso povo não quis outra coisa do que viver de seu trabalho, e nosso povo não quis outra coisa do que viver do fruto de seu esforço; nosso povo não quis outra coisa que seja seu o que é seu, que seja seu que é de sua terra, que seja seu o que é do seu sangue, que seja seu o que é do seu suor (APLAUSOS E EXCLAMAÇÕES DE: “¡Fidel, seguro, nos ianques bate duro!”).</p>
<p>Os cubanos não quiseram outra coisa senão que sejam suas as determinações que norteiam sua conduta; que seja sua, e sua só a bandeira da estrela solitária que ondula em nossa pátria! (APLAUSOS.) Que sejam suas as leis; que sejam suas as riquezas naturais; que sejam suas as instituições democráticas e revolucionárias; que seja seu o seu destino; e que esse destino não tem direito de ser interferido por nenhum interesse por poderoso que seja, nenhuma oligarquia e nenhum governo por poderoso que seja (APLAUSOS).</p>
<p>E deve ser nossa a liberdade, porque a liberdade nos custou muitos sacrifícios conquistá-la; e deve ser nossa e plena a soberania, porque pela soberania tem lutado nosso povo há um século; e deve ser nossa a riqueza de nossa terra e o fruto do nosso trabalho, porque por isso nosso povo teve que se sacrificar muito; e tudo quanto tem aqui criado foi criado pelo povo; e tudo quanto tem aqui de riqueza, o tem produzido nosso povo com seu suor e seu trabalho (APLAUSOS).</p>
<p>Nosso povo tinha direito a ser um dia um povo livre; nosso povo tinha direito a reger um dia seus próprios destinos; nosso povo tinha direito a contar um dia com governantes que não defendessem os monopólios estrangeiros, com governantes que não defendessem interesses privilegiados, com governantes que não defendessem os exploradores, mas governantes que colocassem os interesses de seu povo e de sua pátria por em cima dos interesses do estrangeiro voraz; com governantes que colocassem os interesses do povo, os interesses de seus camponeses, os interesses de seus operários, os interesses de seus jovens, os interesses de suas crianças, os interesses de suas mulheres, os interesses dos seus idosos, por em cima dos interesses dos privilegiados e dos exploradores (APLAUSOS).</p>
<p>Quando a Revolução chega ao poder a 1º de janeiro de 1959, há pouco mais de ano e meio, O quê havia em nossa pátria? O quê havia em nossa pátria como não fossem lágrimas, sangue, miséria e suor?; O quê havia para nossos camponeses em nossa pátria?; O quê havia para as crianças em nossa pátria?; O quê havia para os trabalhadores em nossa pátria?; O quê havia para as famílias humildes em nossa pátria?; O quê tinha imperado até esse dia em nossa pátria? Tinha imperado a exploração mais desumana; tinha imperado o abuso, tinha imperado a injustiça; tinha imperado a pilhagem sistemática dos fundos públicos pelos políticos abutres; tinha imperado a pilhagem sistemática das riquezas nacionais por monopólios estrangeiros; tinha imperado a desigualdade e a discriminação; tinha imperado a mentira e o engano; tinha imperado a submissão aos desígnios estrangeiros; tinha imperado a pobreza.</p>
<p>Centenas e centenas de milhares de famílias moravam sem esperanças em suas humildes choupanas; centenas e centenas de milhares de crianças não tinham escolas; mais de meio milhão de cubanos não tinha trabalho, e os cubanos negros tinham menos oportunidade do que ninguém para encontrar trabalho (APLAUSOS); os camponeses moravam nas veredas; os operários canavieiros trabalhavam apenas uns meses ao ano, e passavam fome, eles e seus filhos, o resto do tempo. O vício, o jogo, e todos seus análogos, imperavam em nosso país; era explorado o agricultor; era explorado o pescador; era explorado o trabalhador; era explorado o povo em sua imensa maioria.</p>
<p>Para o povo não se fazia nunca nada; para o povo não se realizava nenhuma medida de justiça, para libertar o povo de sua fome, para libertar o povo de sua pobreza, para libertar o povo de sua dor e do seu sofrimento; para libertar vocês, cidadãos cubanos, para libertar vocês, homens e mulheres, idosos e crianças, para libertar esta imensa multidão que aqui se reúne, para libertar a nação cubana, para fazer alguma coisa por ela, para fazer alguma coisa em prol dela; não se fazia absolutamente nada (APLAUSOS).</p>
<p>E o povo tinha que suportar impotente; o povo tinha que pagar os alugueres mais altos do mundo em nossa pátria; o povo tinha que pagar as taxas elétricas mais altas do mundo em nossa pátria; o povo tinha que pagar os serviços telefônicos em conformidade com os interesses de uma companhia estrangeira que lhe arrancou concessões a um governo tirânico, quando o sangue da nossa heroica juventude estudantil estava ainda quente nos pavimentos do Palácio Presidencial (APLAUSOS).</p>
<p>Nas reservas monetárias da nação restavam apenas 70 milhões; nosso país, em comércio desigual com os Estados Unidos de América, tinha pago em 10 anos 1 bilião de dólares mais dos que eles nos tinham pago a nós por nossos artigos. Não havia fábricas; quem ia colocar as fábricas para as centenas de milhares de cubanos que estavam sem trabalho? Não havia planos de agricultura; não havia planos de indústria, quem ia ficar preocupado por colocar indústrias? E o povo, o quê podia fazer? O quê podia fazer o operário açucareiro?; O quê podia fazer o operário canavieiro?; O quê podia fazer o trabalhador? Ao trabalhador não lhe restava mais do que seu mísero salário; ao trabalhador não lhe restava mais do que o pedaço de pão que escassamente podia levar a seus filhos esfomeados. Os lucros eram tirados pelos os monopólios estrangeiros, os lucros eram acumulados pelos donos&#8230;; os lucros eram acumulados pelos juros que se nutriam às custas do trabalho do povo. E esse dinheiro, ora era guardado indefinidamente nos bancos, ora investido em todo o gênero de luxos, ou, principalmente, marchava para o exterior.</p>
<p>Quem ia colocar as fábricas para as centenas de milhares de cubanos que estavam sem trabalho? E como a população cubana crescia, e como cada ano mais de 50 000 jovens chegavam à maioria de idade, de quê iam viver? Do quê ia viver a população crescente de nossa pátria? Do quê iam viver os camponeses, os filhos dos camponeses, quando eles não tinham nem trabalho nem terra? Do quê ia viver uma população que se multiplicava, e cujo crescimento humano era muito maior do que o crescimento de sua indústria e de sua economia?</p>
<p>O povo carecia de todas as oportunidades. Ah, o filho do camponês, ou o filho de um operário, o filho de uma família humilde qualquer, muito dificilmente podia aspirar a chegar a ser algum dia um profissional, um médico, um engenheiro, um arquiteto ou um técnico universitário! Tinha filhos de famílias pobres que, às custas de extraordinários sacrifícios, podiam chegar aos estudos superiores, mas a maioria esmagadora dos filhos das nossas famílias muitas das vezes não tinham oportunidade sequer de aprender as primeiras letras, e tinha regiões inteiras de Cuba onde nunca tinham visto um professor. Nosso povo não tinha acesso senão ao trabalho, se o encontrava! Para nosso povo restava sempre o pior; para nosso povo não havia nunca um campo de recreio; para nosso povo não havia nunca uma rua; para nosso povo não havia nunca um jardim, e havia muitos povoados onde se existia algum jardim, a uns cidadãos —os cidadãos negros—, não os deixavam passear neles (APLAUSOS).</p>
<p>Foi isso o que a Revolução encontrou ao chegar ao poder: um país economicamente subdesenvolvido, um povo que era vítima de todo gênero de exploração. Isso foi o que a Revolução encontrou depois de uma luta heroica e sangrenta. E as revoluções não são feitas para deixar as coisas como estão; as revoluções são feitas para retificar todas as injustiças. As revoluções não são feitas para proteger e ocultar privilégios; as revoluções são feitas para ajudar os que precisam ser ajudados; as revoluções são feitas para implantar a justiça, para pôr fim ao abuso, para pôr fim à exploração. E nossa Revolução foi feita para isso, e com esse fim caíram os que caíram. E para atingir esse propósito foram feitos tantos sacrifícios.</p>
<p>A Revolução vinha a arrumar a pátria; a Revolução vinha para fazer o que havia muito tempo que cada cubano estava pedindo que fosse feito. Quando cada cubano analisava impotente a vida do nosso país e o quadro em que se desenvolvia a vida nacional, sempre falava uma coisa: “É preciso arranjar isto, é preciso que isto fique arrumado; faz falta que algum dia isto se arranje.” E os mais otimistas falavam: “Algum dia isto ficará arranjado.”</p>
<p>Os cubanos vinham lutando há muito tempo para arranjar seu país. Mas havia uma força muito poderosa que nos impedia arrumar nosso país. Essa força era a penetração imperialista dos Estados Unidos em nossa pátria; essa força foi a que frustrou nossa plena independência; essa força foi a que não deixou entrar Calixto García e seus bravos soldados em Santiago de Cuba; essa força foi a que impediu o exército libertador fazer a revolução nos começos da república; essa força foi a que determinou, desde os primeiros momentos, os destinos da nossa pátria; essa força foi a que permitiu a posse dos recursos naturais e das melhores terras da nossa pátria, por interesses estrangeiros; essa força foi a que se atribuiu o direito a intervir nos assuntos do nosso país; essa força foi a que esmagou quantas revoluções tentaram fazer-se; essa força foi a que se associou sempre a todo o negativo, a todo reacionário e a todo o abusivo que havia em nosso país. Essa força foi a que impediu que em nossa pátria se tivesse feito uma revolução antes. E essa força é a que nos tenta impedir que arranjemos nosso país agora.</p>
<p>Essa é a força que manteve a tirania; essa força foi a que treinou os esbirros da tirania, a que armou os soldados da tirania, a que facilitou armas, aviões e bombas ao regime tirânico, para manter o nosso povo na pior opressão. Essa força tem sido o inimigo principal do desenvolvimento e do progresso da nossa pátria; essa força tem sido a causa principal dos nossos males; essa força é a que se empenha em que a Revolução Cubana fracasse; essa força é a que se empenha em que os criminosos de guerra voltem, em que os exploradores voltem, em que os monopólios voltem, em que os latifúndios voltem, em que a miséria volte, em que a opressão volte a nossa pátria (APLAUSOS).</p>
<p>Os cubanos têm que ver com muita clareza que o imperialismo, que é essa força a que nos referíamos, tenta de impedir que nosso povo alcance seu pleno desenvolvimento; têm que compreender que essa força não deseja que vocês, os cubanos, possam alcançar um padrão de vida mais alto; não deseja que seus filhos se eduquem; não deseja que nossos operários recebam o fruto do seu trabalho; não deseja que nossos camponeses recebam o fruto da sua terra; não deseja, afinal, que nosso povo possa crescer, que nosso povo possa trabalhar e que nosso povo possa ter um destino melhor.</p>
<p>Nosso povo não tivera oportunidade até hoje de compreender essas grandes verdades. A nosso povo lhe ocultavam a verdade, a nosso povo o enganavam miseravelmente, a nosso povo o mantinham dividido e confundido. Nosso povo não tivera oportunidade nunca de discutir esses problemas de tipo internacional; o povo não sabia uma palavra do que conversava o embaixador norte-americano com os governantes; o povo não sabia uma palavra do que tramavam os chanceleres; o povo não contava para nada; o povo não era reunido para falar a respeito dos seus problemas; o povo não era reunido para orientá-lo, o povo não era reunido para falar-lhe a verdade. Os destinos dos nossos povos eram decididos na chancelaria norte-americana; nosso povo não contava para nada nos destinos do país.</p>
<p>Podia Cuba continuar resignada a essa sorte? Podiam os cubanos continuar suportando aquele sistema? (EXCLAMAÇÕES DE: “Não!”) O quê fizeram os cubanos? O único que têm feito os cubanos é rebelar-se contra tudo isso; o que têm feito os cubanos é liberar-se de tudo isso (APLAUSOS).</p>
<p>Em seu empenho por fazer fracassar a Revolução, começaram por caluniá-la, começaram por fazer uma campanha contra ela em todo o mundo, para isolar-nos dos povos irmãos do continente e para que o mundo não soubesse o que nossa Revolução estava realizando. Depois, quando fracassaram as tentativas de desacreditar a Revolução, de dividir a Revolução, e de deter a Revolução, começaram as agressões mais ou menos diretas, começaram os bombardeamentos aos nossos canaviais, começaram as incursões aéreas sobre nosso território, continuaram as manobras para deixar-nos sem petróleo, e concluíram agredindo nossa economia e tirando-nos quase um milhão de toneladas da nossa quota açucareira.</p>
<p>Essa era uma política agressiva contra nosso país; era um ato que violava o direito internacional; era um ato que constituía uma agressão económica a um país pequeno, com o objetivo de fazê-lo desistir em seu propósito revolucionário; era uma agressão económica para obter um resultado político. A nação mais pequena tinha sido agredida; a nação pequena tinha visto seus campos bombardeados e incendiados por aviões que procediam dos Estados Unidos de América.</p>
<p>Era lógico que em qualquer reunião de chanceleres não se fosse condenar Cuba; era lógico que em qualquer reunião de chanceleres fossem condenados os Estados Unidos por suas agressões a um país pequeno. O absurdo era que o país pequeno fosse condenado pelos chanceleres, precisamente para servir os desígnios do poderoso país agressor. E isso é o que vamos discutir hoje nesta assembleia-geral nacional do povo de Cuba.</p>
<p>Em primeiro lugar, por quê é esta uma assembleia-geral do povo? O quê quer dizer isto de uma assembleia-geral do povo? Quer dizer, em primeiro lugar, que o povo é soberano, ou seja, que a soberania radica no povo e que dele dimanam todos os poderes (APLAUSOS). O povo de Cuba é soberano. Ninguém poderia discutir que aqui está representada a maioria do povo; ninguém poderia discutir que aqui está representado o povo. Nos anais da história da nossa pátria jamais se reuniu semelhante multidão; nos anais da história da nossa pátria jamais se viu um ato semelhante; nos anais da história de América jamais se reuniu semelhante multidão; nos anais da história de América jamais se viu um ato semelhante (APLAUSOS).</p>
<p>Os cubanos podemos hoje falar para América; os cubanos podemos hoje falar para o mundo. Aqui não se tem reunido um grupinho de “sargentos” políticos; aqui não se tem reunido um pequeno punhado de mercenários; aqui se reuniu hoje o povo! (APLAUSOS.) Os que desejem saber o que é um povo reunido, que venham e vejam isto! os que desejem saber que é um povo democrático, que venham e vejam isto! os que desejem ver o que é um povo regendo seus próprios destinos, que venham e vejam isto! os que desejem saber o quê é uma democracia, que venham e vejam isto!</p>
<p>Hoje nós podemos falar para América e para o mundo, porque falamos com a palavra&#8230; (EXCLAMAÇÕES DE: “¡Fidel, Fidel, Fidel!”) Podemos falar para América e para o mundo, porque não fala um grupo de homens que diga representar um povo, como falaram os que disseram representar ali os povos irmãos de América. Podemos falar para América com a voz, com a aprovação e com o apoio de uma nação inteira! E os que em América, os que em América digam que falam em nome de seus povos, que reúnam seus povos! Os que em América dizem que representam os povos e que foram lá, a Costa Rica, a falar em nome de seus respectivos povos, que reúnam seus respectivos povos! Os que em América, os que em América se chamam de democratas, que reúnam seus povos, como o temos reunido nós hoje aqui, para tratar com seus povos os problemas de América!</p>
<p>E para que os acordos de qualquer congresso internacional tenham validez, é necessário que contem com a aprovação do povo. Se eles desejam que nós acatemos os acordos de Costa Rica, que os submetam à aprovação dos seus respectivos povos! (APLAUSOS e EXCLAMAÇÕES DE: “¡Fidel, Fidel!”; “¡Cuba sim, ianques não!”; “Fidel, seguro, nos ianques bate duro!” e “Fidel, Fidel, o quê tem Fidel, que os americanos não podem com ele”. APENAS O HINO NACIONAL CONSEGUE MITIGAR AS EXCLAMAÇÕES).</p>
<p>É um princípio, é um princípio elementar de direito público, que nenhum chanceler pode comprometer o seu país em atos de direito internacional, se esse ato não conta com a aprovação do povo. Um representante de qualquer país não vai a uma reunião internacional por seu próprio direito. Ninguém tem direito por sua própria conta a comprometer a conduta internacional de um país, e os que vão sem representar os países, a comprometer a conduta dos países, não comprometem tal conduta. Todo ato que seja feito por em cima da vontade soberana dos povos, é um ato nulo, carece de validez. Portanto, a validez da declaração de Costa Rica depende não dos chanceleres, depende dos povos, e ao povo de Cuba não lhe podem vir com a história de que essa declaração tenha validez, porque eles dizem representar os povos, não! Eles têm que provar-nos que esse é o sentimento dos povos (APLAUSOS). E nós lhe pedimos ao governo de Venezuela, ao governo do Peru, ao governo de Chile, ao governo de Argentina, ao governo do Brasil, ao governo do Equador, ao governo de Costa Rica; ou seja, pedimos, respeitosamente, aos governos de América que convoquem seus povos em assembleia-geral e lhes submetam a Declaração de Costa Rica (APLAUSOS).<br />
E que não digam, que não digam que não podem; estamos falando democraticamente, estamos falando democraticamente, porque nós sim podemos falar de democracia; nós sim reunimos logo o povo e que o povo decida (APLAUSOS E EXCLAMAÇÕES). Pois, por quê o Presidente de Venezuela não reúne o povo? (EXCLAMAÇÕES). Nós convidamos respeitosamente o Presidente de Venezuela para que reúna em Caracas o povo de Venezuela e lhe submeta a Declaração de Costa Rica. Nós convidamos, respeitosamente, o Presidente de Argentina (VAIAS E EXCLAMAÇÕES) a que reúna em Buenos Aires, em assembleia-geral, o povo de Argentina e lhe consulte, como nós o estamos fazendo aqui, sobre a Declaração de Costa Rica (EXCLAMAÇÕES). Nós convidamos, respeitosamente, o governo de Uruguai a que reúna na capital de seu país o povo de Uruguai e o consulte sobre a Declaração de Costa Rica. Nós convidamos, respeitosamente, o governo do Chile a que reúna na capital (EXCLAMAÇÕES) —não, vocês não digam nada! Vamos esperar para ver se o reúnem! (EXCLAMAÇÕES)—, que reúnam o povo do Chile em na capital e o consultem sobre a Declaração de Costa Rica. Convidamos, assim, o governo de Peru, o governo do Equador, e já não falar, é claro, do governo da Nicarágua, o de Guatemala, o de Paraguai, porque já isso é uma piada, já isso é uma gozação. Não, não vou falar de desses governos tirânicos, como o da Nicarágua nem o de Paraguai, não, não! Vamos falar desses que se chamam governos democráticos e democracia vem de povo! Democracia quer dizer governo do povo, pelo povo e para o povo! (APLAUSOS E EXCLAMAÇÕES DE: “Com OEA e sem OEA, ganharemos a contenda!”).</p>
<p>E aquele que não reúna o povo, aquele que não reúna o povo, esse não é democrata! aquele que não consulte o povo, esse não é democrata! Para ser democrata tem que consultar o povo! (EXCLAMAÇÕES DE: “Isso só acontece em Cuba!”).</p>
<p>E esta sim que é uma representação, porque aqui não há “panela”, nem há fraude, nem há voto comprado, nem há sargento político, nem há maquinaria, nem há mamata, nem há nada; isto sim é puro! (APLAUSOS.) Esta sim que é uma democracia limpa de impurezas, limpa de impurezas, é uma democracia verdadeiramente “pasteurizada” (RISOS E APLAUSOS). E que não nos digam que a outra é mais democracia do que esta; que a democracia do sargento político, da “panela”, da mamata, da politicagem, do suborno, da compra de consciências, da coação, da maquinaria política, é mais pura do que esta.</p>
<p>Pode ter algo mais puro do que uma reunião de todo o povo? (EXCLAMAÇÕES DE: “Não!”). Alguém trouxe o povo à força? (EXCLAMAÇÕES DE: “Não!”). Alguém lhe pagou ao povo para que viesse? (EXCLAMAÇÕES DE: “Não!”). Aquele que veio aqui e está passando o trabalho que estão passando vocês, porque nós sabemos que em uma multidão apertada são muitas as pessoas que desmaiam, e são muitas as pessoas&#8230;</p>
<p>Nós sabemos da sede que vocês estão passando, nós sabemos do sacrifício que vocês estão fazendo (EXCLAMAÇÕES DE: “O que seja!”, “o que seja!”). Quando qualquer de vocês vem desde lugares tão afastados como a província de Oriente, ou a província de Camagüey, ou de Las Villas, ou de Matanzas, ou do interior de Havana, ou dos bairros mais afastados da capital, vem aqui, está horas e horas e permanece em pé firme, faz todos esses sacrifícios, o está fazendo absolutamente espontâneo, o está fazendo de maneira absolutamente espontânea. Cada um de vocês sente que esse é seu dever e vem aqui porque entende que esse é seu dever, e que vocês têm deveres grandes com sua pátria, e que vocês têm que defender sua pátria, e que vocês têm que colocar o nome de sua pátria bem alto, e que vocês têm que levantar-se contra a calúnia (APLAUSOS E EXCLAMAÇÕES DE: “O que seja!”, “o que seja!”).</p>
<p>E porque vocês sabem, vocês sabem que tinham que enviar-lhes uma mensagem aos povos irmãos de América, e porque vocês sabem que tinham que dar-lhe uma resposta à Declaração de Costa Rica, e porque vocês sabem que o povo todo devia dizer presente, porque é um povo consciente de seus deveres, porque é um povo que sente como está realizando um grande papel histórico, que sente como está defendendo uma causa muito nobre, que sente como se tem tornado na tocha de 200 milhões de seres humanos que hoje padecem as mesmas coisas que vocês estavam padecendo antes aqui (APLAUSOS).</p>
<p>Ah! o quê quer dizer isso? Que o povo marcha unido, porque o povo sabe que seus interesses são os que contam, que sua vontade é a que conta, que em sua pátria hoje não se faz absolutamente nada, como não seja para seu bem. E assim devem ser todos os governantes, todos os governantes devem existir para fazer o bem a seu povo, não para roubar, não para pilhar, não para vender seu povo, não para trair seu povo! (APLAUSOS.)</p>
<p>E por isso, por isso nós, que sim podemos falar em nome da democracia, é que falamos isto, e o dizemos para os governos de América, e esperamos que não se ofendam por isto, porque não lhes estamos dizendo nada de mau, não lhes estamos dizendo nada mais que reúnam o povo e que todo o povo reunido diga a última palavra sobre a Declaração de Costa Rica, e se o povo não der sua aprovação, a Declaração de Costa Rica não tem validez para nós! (APLAUSOS.) E esperamos que nenhum governo democrata de América fique zangado porque peçamos que reúna o povo.</p>
<p>Visto que dizem que somos nós os que nos estamos afastando da família norte-americana, nós lhes estamos dizendo que não, que os que se têm afastado da família norte-americana, isto é, a família latino-americana, para associar-se ao império ianque explorador são os que foram ali a Costa Rica, esses sim se estão afastando da família latino-americana, nós não! Tudo o contrário, queremos que nossa família, os povos de América Latina, se reúnam e digam a última palavra, porque essa sim é nossa família, os povos de América Latina sim são nossa família! (APLAUSOS.)</p>
<p>Mas, o quê acontece? o quê fez o império? Tira-nos nossa quota açucareira e, então, a distribui entre todos esses governos que tinham que condenar a ação. Ou seja, que nós fomos o país vítima; o governo norte-americano nos tira nossa quota e, antes de ir a discutir ali, a distribui entre os juízes. O quê fez o governo dos Estados Unidos? Um ato de suborno! foi oferecer aos juízes a parte que nos tinha tirado de nossa quota. Mas, também, outra coisa: enquanto se está discutindo em Costa Rica, acordam um crédito de 600 milhões de dólares para partilhar entre os governos, quer dizer, entre as oligarquias de América Latina. Como é possível que, no meio de uma conferência, um governo que se respeite a si próprio e respeite os outros, vá ali com um crédito de 600 milhões de dólares, oferecendo-o aos países que estão discutindo? Como pode conceber-se que essa seja uma política moral? É uma política imoral a política do governo dos Estados Unidos, que lhe tira a Cuba sua quota e a distribui entre as oligarquias, adota um crédito de 600 milhões de dólares no meio da conferência e o distribui às oligarquias, mas com isso, com isso poderão comprar as oligarquias, mas com isso não poderão comprar os povos! caso contrário, que vão e lhes perguntem aos povos! (APLAUSOS.) Que vão e lhes perguntem aos povos, para que vejam que os povos vão fazer igual do que nós, que lhes vão dizer: “Não, não, o que queremos é que as minas sejam nossas, e que o petróleo seja nosso, e que as indústrias sejam nossas, e que os monopólios se vão para sua casa, que não precisamos dos seus dólares.” Isso é o que lhes vão dizer os povos! (APLAUSOS.)</p>
<p>Porque, o quê é o que deseja o povo de Venezuela, que dêem para ele dólares? Não, o que deseja é que não levem os dólares dali! Isso é o que deseja, que não levem seu petróleo, que não estejam esgotando seus recursos naturais; o que deseja o povo de Venezuela é que lhe devolvam seu petróleo, suas minas e seus recursos naturais, para eles desenvolver seus recursos naturais e progredir; isso é o que deseja o povo de Venezuela. E isso é o que desejam os povos.</p>
<p>Os povos sabem que esse dinheiro fica entre as mãos da oligarquia, dos latifundiários, dos exploradores, de todos os que dirigem ali a política desses países; os povos sabem que eles não recebem nada. Por isso, essa é uma diplomacia que se trabalha em segredo, em que aos povos não lhes dizem nada, os povos são simples espectadores, e não são consultados quando são tomadas essas determinações.</p>
<p>Por isso, nós falamos para o imperialismo que o que vale não é a opinião da oligarquia, que as oligarquias se podem vender; mas os povos irmãos de América jamais se venderão por nenhum ouro do imperialismo ianque! (APLAUSOS.)</p>
<p>Foram ali a discutir, com a bolsa em uma mão e com a maça na outra. Demais é dizer-lhes que mesmo quando não tivessem levado a bolsa, tivessem obtido a Declaração de Costa Rica. Por quê? Porque levavam a maça. Porém, além disso, ainda que não tivessem levado a maça, tivessem votado junto do imperialismo. Sabem por quê? Porque os latifundiários de América não desejam que haja reforma agrária; os monopólios de América não desejam que haja reforma agrária; os exploradores em América Latina não desejam que haja justiça em América Latina. E então eles, de puro medo a uma revolução que aqui acabou com todos os privilégios, que acabou com os latifúndios, que acabou com a exploração, de puro medo a uma revolução como esta, e de puro medo a que os povos se contagiem do espírito revolucionário de Cuba, votam contra Cuba, porque o que desejam é que seja destruído o exemplo da Revolução Cubana.</p>
<p>Mas isso não é o que pensam os operários de América Latina; isso não é o que pensam os camponeses; isso não é o que pensam os estudantes; isso não é o que pensa o povo de América Latina. O povo de América Latina, ainda que lhe estiveram fazendo uma campanha contra Cuba, ainda que os telexes das agências ianques estão continuamente mentindo, caluniando e repetindo todo o gênero de falsidades sobre a Revolução, os povos não engolem, os povos não engolem as mentiras do imperialismo! (APLAUSOS.)</p>
<p>Ora bom, nós, o quê temos feito? Nós fomos ali a discutir, ali colocamos nossos pontos de vista, discutimos muito bem. O quê aconteceu? O que toda a gente esperava. Apesar das formidáveis razões, da extraordinária força moral de Cuba, aqueles chanceleres, ainda que envergonhados muitos deles, assinaram a declaração. Nem todos, porque o chanceler Arcaya, de Venezuela, ignorando, negou-se a acatar a diretriz governamental (APLAUSOS); porque ainda que a delegação de Venezuela assinou, seguindo instruções do governo de Venezuela, o chanceler Arcaya, representando o sentimento desse heroico povo de Venezuela, desse heroico povo de Venezuela que há uma semana que está na rua protestando contra a Declaração de Costa Rica (APLAUSOS), o chanceler Arcaya se negou a assinar ele a declaração.</p>
<p>Mas tem outro caso, ao Chanceler que tinha convocado aquela reunião, evidentemente por instruções de seu governo, porque foi o Chanceler do Peru quem convocou a reunião para tratar da suposta intromissão extracontinental, foi tal a repugnância que lhe provocou o espírito autoritário do Departamento de Estado norte-americano, foi tal a repugnância que lhe provocou a farsa, que também o Chanceler do Peru se negou, pessoalmente, a assinar essa declaração (APLAUSOS E EXCLAMAÇÕES DE: “Roa, Roa!”).</p>
<p>E ainda, ainda quando o Chanceler do México assinasse a declaração, apenas chegou ao México disse que de maneira nenhuma ele concordava com a condenação de Cuba; e embora, é claro, a declaração fosse uma condenação de Cuba, ele, pessoalmente, disse que não era sua intenção condenar a Revolução Cubana.</p>
<p>Quer dizer, que foi tal a força moral de Cuba, foi tal o prestígio de nossa Revolução, que vários chanceleres se negaram a assinar a declaração, e alguns dos que a assinaram fizeram declarações expressando seu ponto de vista favorável a Cuba.</p>
<p>É claro que isso não decide o conteúdo da declaração; o conteúdo da declaração é contra Cuba. Mas claro, ocorreram coisas tão extraordinárias nessa conferência que, segundo nos informa o companheiro Olivares, a delegação de Argentina apresentou um projeto em inglês, em inglês apresentou um projeto ali. Depois explicaram, depois explicaram que foi um erro, mas reparem que erros: um país, uma delegação de fala espanhola, apresentando um projeto em inglês (EXCLAMAÇÕES).</p>
<p>Isso foi uma vitória do imperialismo? Não, foi sim uma vitória de Pirro do imperialismo. As vitórias de Pirro são essas em que se perde mais do que se ganha. Vamos ver agora o quê vão dizer desta assembleia democrática, e como vão atrever-se agora a dizer que o povo esteja obrigado a acatar uma resolução que não é democrática; a historinha da democracia vai acabar para eles. Até aqui conseguiram estar falando da historinha da democracia nos Estados Unidos (EXCLAMAÇÕES), porque desde aqui, desde aqui, doravante, os que falamos em democracia somos nós que reunimos o povo e discutimos com o povo os problemas (APLAUSOS). E os que tenham que andar com leis de exceção, leis repressivas, perseguindo o povo ali com as forças repressivas na rua, encarcerando os cidadãos, que não falem em democracia; aquele que não possa reunir o povo e consultar o povo, e contar com o povo para que o povo decida sobre os destinos do país, que não venha com a historinha da democracia, que essa história é muito velha!</p>
<p>E agora, vamos discutir, vamos decidir, o povo de Cuba vai decidir, nesta assembleia-geral nacional do povo, sobre a Declaração de Costa Rica e, além disso, temos que formular nossa declaração nós próprios. Conforme eles fizeram a sua, nós temos que fazer a nossa daqui, a Declaração de Havana (APLAUSOS).</p>
<p>Quase todos os artigos da declaração estão contra Cuba, mas vamos ler os três mais importantes, são os que importam. E depois vamos decidir se aceitamos ou rejeitamos —ainda não— a declaração. Nós fomos a Costa Rica, não assinamos, e viemos aqui. Agora vamos submeter a declaração ao povo de Cuba.</p>
<p>Essa declaração diz no Artigo Primeiro: “Condena energicamente a intervenção ou ameaça de intervenção, mesmo quando seja condicionada” —reparem aonde chegamos, mesmo quando seja condicionada— “de uma potência extracontinental nos assuntos das repúblicas americanas, e declara que a aceitação de uma ameaça de intervenção extracontinental por parte de um estado norte-americano, coloca em perigo a solidariedade e segurança e norte-americanas, o que obriga à Organização de Estados Americanos a reprová-la e a rejeitá-la com igual energia”. Que energia, a energia da camarilha ou a energia do povo? Porque a energia do povo, que eu saiba, a energia do povo se está investindo em atos de protesto nas ruas das capitais das nações norte-americanas.</p>
<p>Portanto, isto nos obriga a colocar-lhe ao povo, reunido em assembleia-geral, a primeira questão: se no caso de ser invadida nossa ilha militarmente por forças imperialistas, aceita ou não aceita a ajuda da União Soviética? (O POVO EXCLAMA: “Sim! ALÉM DISSO, OUVEM-SE EXCLAMAÇÕES DE: “Fidel, Fidel!” “Cuba sim, ianques não!” “Fidel, Fidel, o quê tem Fidel, que os americanos não podem com ele!”, “Pim, Pom, fora, abaixo Caimanera!”).</p>
<p>Primeira votação e primeira resposta do povo de Cuba reunido em assembleia-geral nacional. Primeira resposta aos chanceleres de Costa Rica: Que o povo de Cuba, reunido em assembleia-geral nacional, declara, que se a ilha de Cuba é invadida por forças militares imperialistas, Cuba aceita a ajuda da União Soviética (APLAUSOS).</p>
<p>É bom, é bom que nós, também, lhes coloquemos uma pergunta aos chanceleres que condenavam energicamente a ameaça de intervenção, mesmo quando seja condicionada de uma potência extracontinental. Isto é, que eles declaram que se a nós a União Soviética nos oferece seu apoio militar em caso de que sejamos invadidos pelos Estados Unidos da América, que eles condenam o oferecimento de ajuda e a aceitação da ajuda, que bonito!</p>
<p>Nós queremos colocar-lhes outra pergunta aos chanceleres de Costa Rica: Com quê contam os governos de América Latina para defender Cuba se Cuba é invadida por forças militares imperialistas, como foi invadido já uma vez México, duas vezes, várias vezes Nicarágua, como foi invadido Haiti e como foi invadida Costa Rica? Com quê contam os governos de América Latina, com quê efetivos militares para defender Cuba?</p>
<p>Em primeiro lugar, que não os têm e, em segundo lugar, que se os tivessem também não podíamos contar com eles. Ou seja, que o que pretendiam era que nós rejeitássemos essa ajuda, a ajuda em caso de agressão. Para quê? Para que tivéssemos que estar dependendo, exclusivamente deles, que com toda certeza nos iam deixar na encruzilhada. Por isso, a resposta inteligente, a resposta correta, a resposta revolucionária e a resposta valente, é a resposta que o povo de Cuba lhes envia aos chanceleres que se reuniram em Costa Rica (APLAUSOS). Assim que sobre esse ponto já eles sabem ao quê devem ater-se.</p>
<p>Tem outro ponto que diz: “&#8230;rejeita, igualmente, a pretensão das potências chinesa-soviética de utilizar a situação política, económica ou social de qualquer estado norte-americano&#8230;” —claro, não mencionam a Cuba, mas se referem a Cuba— “por quanto dita pretensão é susceptível de quebrantar a unidade continental, e de colocar em perigo a paz e a segurança do hemisfério”.</p>
<p>Agora vamos fazer uma pergunta: Considera o povo que a União Soviética ou a República Popular China tenham a culpa desta Revolução que temos feito nós aqui? (O POVO EXCLAMA: “Não!”) Quem é o culpado desta Revolução? Quem tem a culpa de que os cubanos tivéssemos que fazer esta Revolução? Quem tem a culpa: a União Soviética, a República Popular China ou o imperialismo ianque? (EXCLAMAÇÕES DE: “Os ianques!”) ou seja, o único culpado de que esta Revolução tenha sido feita em Cuba é o imperialismo ianque, e, portanto, o povo de Cuba rejeita essa acusação de que a União Soviética ou a República Popular China estejam tentando utilizar a situação política, económica e social de um estado americano, para quebrantar a unidade continental, e colocar em perigo a paz e a segurança do hemisfério. Quem estão colocando em perigo a unidade continental? (EXCLAMAÇÕES DE: “Os ianques!”) Quem estão dividindo um povo latino de outros povos latinos? (EXCLAMAÇÕES DE: “Os ianques!”) Quem são os que reuniram ali um grupo de chanceleres latinos para fazer uma declaração contra um povo latino? (EXCLAMAÇÕES DE: “Os ianques!”) Os ianques. Quem têm sido os únicos agressores neste continente? (EXCLAMAÇÕES DE: “Os ianques!”) Os ianques. Então, nossa resposta a esse segundo ponto, é que os únicos que têm agredido os povos de América Latina, os únicos que têm quebrantado os povos de América Latina, e os únicos culpados do estado revolucionário que está sendo feito em Cuba, e terá lugar em América Latina, é o imperialismo ianque (APLAUSOS).</p>
<p>E para terminar de prová-lo, baste um exemplo. Aqui, por exemplo, temos um tratado que foi assinado, a 7 de março de 1952, pelo então ministro de Estado, senhor Aureliano Sánchez Arango (EXCLAMAÇÕES), com o embaixador norte-americano. Este tratado se chamou&#8230; (EXCLAMAÇÕES DE: “Chamava-se!”) Chamava-se, chamou ou chamava, é a mesma coisa, Convênio Bilateral de Ajuda Militar entre Cuba e os Estados Unidos de América. Este é o trato entre o tubarão e a sardinha, claro.</p>
<p>E, resulta interessante, por exemplo, o ponto dois do artigo um. Sei que o povo destas coisas de tratado não entende muito, porque ao povo não lhe falaram nem uma palavra sobre isso. E esta era a política do imperialismo: obrigava a cada um dos governos a subscrever um trato de tubarão a sardinha com ele; um pacto militar, calculem que classe de pactos seriam esses!, entre os Estados Unidos e os países de América Latina, pacto bilateral para ir atando, por uma série de compromissos, a todos os povos de América Latina. E no ponto dois diz: “O governo da República de Cuba se compromete a fazer uso eficaz da ajuda que receba do governo dos Estados Unidos de América, em conformidade com o presente convênio, com o objetivo de levar a cabo os planos de defesa aceites por ambos governos, conforme aos quais os dois governos farão parte em missões importantes para a defesa do hemisfério ocidental, e a menos que previamente&#8230;” —atendam bem o que diz o tratado. Diz: “&#8230;E a menos que previamente se obtenha a anuência do governo dos Estados Unidos de América&#8230;” —a menos que previamente se obtenha a anuência do governo dos Estados Unidos de América— “&#8230;não dedicarão essa ajuda a outros fins que não sejam aqueles para os quais se prestou”. Isto quer dizer que se nós somos testemunhas de que os aviões que lhes emprestaram, os tanques que lhes emprestaram, as bombas que lhes emprestaram e as armas que lhes emprestaram, serviram para assassinar camponeses, para bombardear camponeses na Sierra Maestra, e para assassinar milhares de cubanos, ou seja, para oprimir o povo e para fazer uma guerra desumana contra o povo. Este tratado diz que “a menos que previamente se obtenha a anuência do governo dos Estados Unidos de América, não dedicarão essa ajuda a outros fins que não sejam aqueles para os quais foi emprestada”. O quê quer dizer? Que o governo dos Estados Unidos de América deu autorização para que utilizassem esses canhões, essas bombas e esses aviões contra o povo de Cuba.</p>
<p>Este é um tratado que, embora parecesse absurdo&#8230; É claro, já a missão militar tinha sido despedida havia muito tempo, mas este tratado estava ainda vigente. Vamos a submetê-lo também à consideração do povo, e vamos hoje a submeter à consideração do povo se deve manter-se ou deve ser anulado este tratado militar (EXCLAMAÇÕES DE: “Anular-se!”). Ou seja, os que estiverem de acordo com que deve ser anulado este tratado militar agora mesmo, que ergam a mão (O POVO REUNIDO, EM SUA IMENSA MAIORIA, ERGUE A MÃO). Quer dizer que por vontade soberana do povo de Cuba, fica anulado este tratado militar entre Cuba e os Estados Unidos, que tanto sangue custou (APLAUSOS E EXCLAMAÇÕES DE: “Que seja queimado!”). Não, não vamos queimá-lo; vamos guardá-lo para a história, assim partido como está.</p>
<p>Amanhã, o Ministério de Estado, o Ministério de Relações Exteriores, que é como se chama no Governo Revolucionário, comunicará ao governo dos Estados Unidos que o povo de Cuba, por vontade absolutamente soberana e livre, reunido em assembleia-geral nacional, tem anulado esse, já caduco pelos fatos e pelo sentimento, convênio militar (EXCLAMAÇÕES DE: “Fora!”, “Fora!” “Pim, Pom, fora, abaixo Caimanera!”). Um momento, um momento, que na ordem do dia desta assembleia, não está ainda o problema de Caimanera (APLAUSOS). Haverá outras assembleias gerais nacionais. Haverá outras assembleias, e é preciso que nós saibamos falar de cada coisa em sua oportunidade. E nós propomos ao povo que mantenha para o momento oportuno a questão do problema de Caimanera; pedimos ao povo. Porque nós também queremos dar outra explicação; nós estamos respondendo hoje a fatos de tipo internacional, agressões de tipo internacional.</p>
<p>Nós fomos vítimas de agressões económicas, e quando nos tiraram 900 000 toneladas de açúcar, nós advertimos previamente que pagariam, usina por usina e empresa por empresa, as agressões que fizessem a nossa economia. Tiraram-nos 900 000, quase um milhão de toneladas, e lhes nacionalizamos 36 usinas açucareiras, a companhia elétrica, a companhia de telefones e as companhias petroleiras (APLAUSOS).</p>
<p>Bom, a eles lhes resta ainda uma parte aqui, que está aí na reserva, para que quando realizem novas agressões económicas, então nós lhes nacionalizamos as empresas que restem. Ou seja, qual será a política do Governo Revolucionário? Muito simples e muito clara, e isso também é necessário que o povo o compreenda e que o povo o apoie. Se continuarem as agressões económicas contra nosso país, continuaremos nacionalizando as empresas norte-americanas (APLAUSOS). Mas, se apesar da realidade de que nosso país e nosso povo está sendo vítima de uma série continuada de agressões, o imperialismo continua com suas agressões contra nosso país, e se empenha em arruinar economicamente nosso país, e se empenha em continuar agredindo nosso país, então, reuniremos o povo em assembleia-geral e demandaremos a retirada das forças navais dos Estados Unidos do território de Caimanera (APLAUSOS E EXCLAMAÇÕES DE: “Pim, Pom, fora, abaixo Caimanera!”).</p>
<p>Já todo o mundo sabe como se apoderaram dessa parte de nossa ilha; já todo o mundo sabe em virtude de que procedimentos; não discutindo com um país soberanamente livre, mas com um país intervindo e com um país submetido às cláusulas da Emenda Platt. Além disso, todo o mundo sabe o risco que entranha para nosso país, o fato de que uma potência agressora e guerreira mantenha uma base em nosso território; os riscos que implica para nossa população, em caso de uma guerra atômica, a presença de uma base militar ianque em território cubano. Mas, também todo o mundo sabe como isso, para nós, tem sido um motivo de permanente preocupação, e que aqui mesmo temos denunciado, mais de uma vez, que qualquer coisa que ali aconteça será sempre uma autoprovocarão, porque nós não vamos a incorrer jamais no erro de dar-lhes pretextos para que invadam nosso país. Se eles desejam invadir nosso país, que o invadam sem o menor pretexto, sem a menor justificação, que nunca a terão e já sabem o que lhes espera se invadirem nosso país. Porém, nós que conhecemos bem as falsidades e as truculências do Departamento de Estado norte-americano; nós, que sabemos bem dos procedimentos de que se têm valido; nós, por isso, temos advertido ao povo e temos advertido ao mundo, que nós jamais atacaremos a base, porque, antes pelo contrário, o que a nós nos corresponde é advertir contra qualquer autoprovocarão, porque eles são capazes, perfeitamente capazes, quem duvida disso?, de planificar ali uma autoprovocarão com criminosos de guerra, para ter um pretexto, e nós, que temos a obrigação de estar alertas sempre e de advertir ao povo de tudo, e de advertir ao mundo de todos os perigos, advertimos que qualquer coisa que aconteça sempre seria uma autoprovocarão, porque nós nunca atacaremos essa base. Quando as circunstâncias o demandem, nós demandaremos, soberana e democraticamente, como ocorreu hoje, a anulação desse tratado para recobrar nosso território, mas nós jamais atuaremos de maneira que lhe demos pretextos ao imperialismo para ensanguentar nosso país (APLAUSOS).</p>
<p>E como nosso povo é um povo inteligente, um povo que compreende como tem que ir marchando sobre pé firme, e um povo que compreende como tem que ir levando adiante esta batalha com a maior inteligência, é por isso que o povo apoia a linha que o Governo Revolucionário mantém sobre estas questões delicadas e espinhosas.</p>
<p>Agora vem um ponto que ainda faltava da declaração, porque aqui está o ponto cinco da declaração que diz:</p>
<p>“Proclama que todos os Estados membros da Organização Regional” —ouçam bem— “que todos os Estados membros da Organização Regional têm a obrigação de submeter-se à disciplina do sistema interamericano voluntária e livremente conveniada, e que a mais firme garantia de sua soberania e sua independência política provém da obediência às disposições da Carta da Organização dos Estados Americanos”.</p>
<p>Vejam que classe de garantia: “que a mais firme garantia&#8230; provém das disposições da Carta da Organização de Estados Americanos”, que não foram capazes de defender-nos das incursões aéreas, que não foram capazes de defender-nos dos planos dos contrarrevolucionários que se gestam ali em território norte-americano, das expedições que se organizam, dos atentados que gesta, prepara e paga o Departamento de Estado ianque, dos atentados terroristas, das bombas e de quanto ato de perturbação inspira, prepara e paga o Departamento de Estado ianque. E que, contudo, não conseguiram defender-nos nem dessas agressões, nem da hostilidade crescente contra nosso país, nem da agressão económica, e declara que “os Estados membros da Organização&#8230; têm a obrigação de submeter-se à disciplina”. Muito bem! Antes de submeter-nos à disciplina, nós expressamos que todos os Estados membros reúnam o povo e consultem o povo sobre todas estas questões da Organização de Estados Americanos e sobre a Declaração de Costa Rica. E quando eles consultem o povo, e quando o povo concordar com isso, então que venham falar de disciplina.</p>
<p>Não, nosso dever o entendemos desta forma: vai nosso Chanceler a Costa Rica com a delegação cubana, realiza-se a reunião, os chanceleres adotam a declaração. O quê faz o governo de Cuba? O governo de Cuba reúne o povo e lhe submete a declaração. Agora, nenhum Estado pode ser obrigado a nenhum acordo de tipo internacional contra a vontade de seu povo. Nós temos sido o primeiro e o único em submeter o assunto à consideração do povo. E isso é o que temos feito, esse é nosso dever. Nós obedecemos ao que diga o povo de Cuba, não o que digam os chanceleres que cumprem ordens de Washington (APLAUSOS). O governo de Cuba não é obrigado a outra obediência, nem a outra disciplina, nem a outro acatamento que não sejam as disposições que emanem da vontade livre e soberana de seu povo.</p>
<p>Ainda restam algumas questões que nós queremos submeter à consideração do povo, que o povo diga se concorda com que a política do nosso país deve ser de amizade e de comércio com todos os povos do mundo (EXCLAMAÇÕES UNANIMES DE: “Sim!”).</p>
<p>Queremos submeter a nosso povo outra consideração. Nosso povo tem restabelecido relações diplomáticas com a União Soviética; desejamos perguntar a nosso povo se está de acordo com que nós tenhamos estabelecido essas relações (EXCLAMAÇÕES UNANIMES DE: “Sim!”); se nosso povo concorda com que nós mantenhamos relações também com os demais países socialistas (EXCLAMAÇÕES UNANIMES DE: “Sim!”).</p>
<p>E resta outra questão de muita importância. Como vocês sabem, o imperialismo aproveitou para acusar a República Popular China de interferir também nos assuntos de América Latina, quando verdade é que até hoje nosso país não teve relações diplomáticas com a República Popular China, antes pelo contrário, tradicionalmente nosso país vinha mantendo relações com um governo fantoche, que está ali protegido pelos navios da Sétima Frota norte-americana. Ah!, contudo, nenhum país de América Latina se atreveu a restabelecer relações, não já diplomáticas, nem sequer comerciais, com a República Popular China. Portanto, o Governo Revolucionário de Cuba deseja submeter à consideração do povo de Cuba se está de acordo com que o povo de Cuba, nesta assembleia soberana e livre, acorde estabelecer relações diplomáticas com a República Popular China (EXCLAMAÇÕES UNANIMES DE: “Sim!”). Portanto, a partir deste momento cessam nossas relações diplomáticas com o regime fantoche de Chiang Kai Shek (EXCLAMAÇÕES DE: “Sim!”), e que se a República Popular China deseja ajudar-nos também no caso de que Cuba seja agredida por forças militares do imperialismo, Cuba aceita a ajuda da República Popular China (EXCLAMAÇÕES UNANIMES DE: “Sim!” “A aceitamos!”).</p>
<p>Isto quer dizer que nós sim somos um país livre em América, que nós decidimos nossa política nacional e nossa política internacional de uma maneira democrática e de uma maneira soberana. Democrática, ou seja, com o povo; soberana, ou seja, sem sujeição aos ditados de nenhuma potência estrangeira.</p>
<p>Isto quer dizer que nosso povo não lhe pede permissão a ninguém quando vai adotar uma determinação. Isso quer dizer povo livre; isso quer dizer povo soberano. Os que não se poderão chamar de povos livres e povos soberanos são os que têm que ir a pedir licença a Mr. Herter quando vão dar um passo (EXCLAMAÇÕES DE: “Fora!”). Os que têm que pedir permissão à embaixada ianque quando vão dar um passo. Este ato de nosso povo no dia de hoje, demonstra que, com efeito, Cuba é o território livre de América! (APLAUSOS E EXCLAMAÇÕES DE: “Cuba sim, ianques não!”).</p>
<p>No queriam que em América houvesse revoluções? Pois aqui têm uma revolução em América! Não queriam que em um país de América se fizesse justiça; que finalmente nossos camponeses tivessem terra; que finalmente nossas crianças tivessem escolas; que finalmente nossas famílias tivessem casas; que finalmente o povo tivesse trabalho, tivesse praias; tivesse oportunidade o mesmo o filho do camponês que o do operário de ir também às universidades? Não queriam que um povo fosse feliz? Pois terão um povo feliz, mesmo que o não desejem!, porque a esse povo essa felicidade ninguém a deu de presente, essa felicidade a está conquistando com muito sacrifício, e é um povo que tem direito à felicidade, porque sabe conquistá-la, porque unicamente quando se conta com um espírito revolucionário como o que tem o povo de Cuba, quando se conta com um povo tão maduro politicamente e tão formidável como este, pode-se levar a cabo uma luta como a que está levando a cabo Cuba. Por algo nosso povo se ganhou o respeito de todo o mundo, a admiração de todo o mundo, o carinho dos demais povos do mundo!, porque compreendem que somos um povo pequeno, que tivemos que enfrentar-nos a obstáculos muito grandes. Compreendem que éramos um povo pequeno submetido aqui à influência ianque, submetido à propaganda ianque, submetido aos filmes ianques, submetido às revistas ianques, à moda ianque, à politicagem ianque, aos costumes ianques, e que aqui tudo era ianque (EXCLAMAÇÕES).</p>
<p>Ah!, como vão falar agora, como vão falar agora de intromissão soviética, ou como vão culpar à República Popular China, se a única influência que aqui víamos todos os dias, os únicos livros que aqui víamos todos os dias, os únicos filmes que aqui víamos todos os dias, os únicos costumes e as únicas modas, era tudo procedente dos Estados Unidos; quer dizer, que se aqui havia um intruso, o intruso era o imperialismo ianque, que tentou destruir nosso espírito nacional, que tentou destruir o patriotismo dos cubanos, que tentou destruir nossa resistência à penetração dos interesses estrangeiros. Graças a que temos tido um povo extraordinariamente virtuoso, graças a que este povo começou sua luta desde muito cedo, que lutou sozinho por sua independência há um século, um povo que teve homens como Maceo, como Céspedes, como Agramonte, como Calixto García, e um povo que teve tão extraordinário Apóstolo, um homem de visão tão longínqua, um homem de entranha tão humana, um homem de eloquência e de sabedoria tão extraordinárias como José Martí, que forjou a nacionalidade da pátria (APLAUSOS PROLONGADOS).</p>
<p>E graças aos homens que em condições muito adversas, aos homens que na era republicana levaram a cabo uma luta desigual contra a penetração ianque, homens que começam desde Juan Gualberto Gómez e Sanguily, que se opuseram tenazmente a essa penetração, até os homens que nas décadas de 20 e de 30 se imolaram e caíram lutando para que sobrevivesse a nacionalidade cubana, o espírito nacional cubano, para que a alma nacional não fosse absorbida pelo estrangeiro poderoso; graças a esses, a essa obra de gerações, a essa tradição, nós temos conseguido recolher essa maturidade e essa consciência revolucionária do nosso povo, que admira a América, que admira o mundo; o admira por seu espírito, o admira por seus feitos, o admira por seu valor, o admira por seu entusiasmo, porque é um povo que quando lhe dizem: “É preciso reunir-se para responder à agressão!, É preciso reunir-se para demonstrar aos inimigos de Cuba que o povo está com a Revolução!, É preciso reunir-se para demonstrar que o povo não tem medo!, É preciso reunir-se para que vejam que o povo está disposto a cumprir sua promessa de Pátria ou Morte!” (EXCLAMAÇÕES), este povo se reúne em um número tão extraordinário, enche uma praça tão vasta quanto esta e oferece um espetáculo como o que nossos olhos não se haviam imaginado nunca.</p>
<p>Ah!, isso é o que explica a admiração dos nossos visitantes, porque não há espetáculo mais impressionante e mais formidável que um povo quando tem vida, que um povo quando tem consciência, que um povo quando tem alma, que um povo quando tem moral, quando tem razão, quando tem espírito de luta, quando é valente, quando é capaz de sentir um ideal e por esse ideal sacrificar todos os interesses individuais! Porque quando um povo chega a esse grau de consciência revolucionária, os indivíduos se fundem na alma do povo e então individualmente cada um de nós não importa, tem algo que não morre nem pode morrer nunca, esse é o povo! Os homens individualmente podem desaparecer, mas os povos perduram. E este povo nosso, este povo revolucionário, esta multidão, este povo que desfila, este povo que se agrupa, este povo que trabalha, este povo que se prepara, este povo que se educa, é algo que tem vida eterna, algo que tem vida imortal, algo em que a obra de cada um de nós, o grão de areia de cada um de nós, continuará ao longo da história, porque os que venham detrás continuarão a tradição de seu povo, como nós temos continuado a tradição dos que começaram a lutar pela nação cubana há um século; os que venham detrás continuarão a tradição nossa e terão os exemplos nossos, como nós tivemos os exemplos dos que vieram primeiro do que nós (APLAUSOS). Por isso o povo diz: Pátria ou Morte! O quê quer dizer Pátria ou Morte!? Quer dizer que a qualquer um de nós não lhe importa morrer com tal de que seu povo viva, de que sua pátria viva; que a nenhum de nós nos importa entregar nossa vida à pátria, para que a pátria continue vivendo (EXCLAMAÇÕES DE: “Pátria ou Morte!” “Venceremos!”). E, por quê o povo diz Venceremos!? O povo diz Venceremos!, porque mesmo quando muitos de nós possamos tombar, porque embora individualmente muitos compatriotas se a pátria o exige dessem sua vida em sacrifício, isso quer dizer que não a dão em vão, a dão para que a pátria triunfe! E por isso cada um de nós diz: Pátria ou Morte! E o povo diz: Venceremos! A pátria diz: Venceremos! (EXCLAMAÇÕES DE: “Venceremos!”).</p>
<p>E não temos nenhuma dúvida de que a pátria vencerá. Não temos nenhuma dúvida, porque sabemos o terreno que estamos pisando, porque, além disso, não é a batalha de um grupo de homens, é a batalha de um povo inteiro e nunca um povo inteiro tem perdido nenhuma batalha; É uma batalha com razão, uma batalha pela justiça, uma batalha pelo bem dos nossos compatriotas, uma batalha pelo bem dos nossos semelhantes, uma batalha pelo bem do homem, uma batalha pelo bem da humanidade, e nunca um povo inteiro que tem lutado por tão nobre causa tem perdido a batalha! Mas, também porque Cuba não está sozinha. Estaria sozinha se não defendesse uma causa justa, estaria sozinha se não estivesse lutando pelo bem da humanidade. Mas, os ficarão sozinhos são os que lutam contra o progresso da humanidade, são os que lutam contra o bem do homem; esses ficarão cada vez mais sozinhos, enquanto estaremos cada dia mais acompanhados os que estamos lutando pelo bem do homem e pelo bem da humanidade (APLAUSOS).</p>
<p>Nossa pátria pequena representa hoje interesses que ultrapassam nossas fronteiras. A nossa pátria pequena lhe coube o destino de ser o farol que ilumine os milhões e milhões de homens e mulheres igual do que nós, que na América sofrem hoje o mesmo que nós sofríamos ontem! Coube-nos esse destino glorioso e seremos uma luz que não se apagará nunca, uma luz que será cada dia mais brilhante e cujos reflexos chegarão cada dia mais longe sobre as terras da América irmã!</p>
<p>E disso sabe nosso povo, por isso responde tão formidavelmente, por isso atua tão digna e heroicamente.</p>
<p>Permitam-nos, os que temos a responsabilidade do Governo Revolucionário, permitam-me a mim e aos meus companheiros expressar aqui, permitam-nos satisfazer a necessidade de expressar todo o orgulho que sentimos por nosso povo, toda a satisfação que sentimos por nosso povo, a alegria infinita que sentimos pelos sucessos do nosso povo (APLAUSOS E EXCLAMAÇÕES). Permitam-nos expressar-lhes o alento que sentimos nós em nosso trabalho, o entusiasmo que sentimos nós em nossa luta, como cresce nosso fervor por esta causa e como sentimos que nossas forças e nossas energias se multiplicam para continuar trabalhando pelo povo, para continuar batalhando até com os últimos resíduos da injustiça, com os últimos resíduos da pobreza; continuar trabalhando para fazer o bem a nosso povo; continuar trabalhando para tornar feliz nosso povo; continuar lutando por superar-nos, por cumprir nossos deveres cada dia com mais eficiência; para agir cada dia com mais acerto. E como nós, em instantes como estes, prometemo-nos a nós mesmos que inclusive os erros mais pequenos devem ser eliminados; como nos prometemos que ainda aquelas coisas que não se tenham feito completamente bem ou perfeitamente bem, ou com absoluto acerto, porque, quem melhor do que nós sabemos que os homens erram, que os homens cometem erros, e que as revoluções, por justas, por nobres e por boas que sejam, ainda assim, até cometem às vezes injustiças, devido a que são homens os que atuam, são homens os que resolvem, e são homens os que decidem? Como, em momentos como estes, diante de um povo tão formidável como este, sentimos que também crescemos e nos sentimos ainda com mais força, com mais amor a esta causa, se cabe mais amor, e com mais disposição a fazer os sacrifícios que forem necessários porque possivelmente, poucas vezes na história nenhum grupo de homens governantes se viu tão correspondido pelo povo como se viram os homens do Governo Revolucionário cubano! (APLAUSOS PROLONGADOS E EXCLAMAÇÕES DE: “Com vocês!” “Com vocês!”).</p>
<p>E, para concluir esta assembleia, ainda resta uma coisa: vamos submeter à consideração do povo uma declaração, contentora dos pontos de vista do povo de Cuba, que temos estado discutindo. É como uma resposta à Declaração de Costa Rica, para contrapor à declaração dos chanceleres a declaração dos povos, a declaração que se chamará na história de América a Declaração de Havana! (APLAUSOS).</p>
<p>Esta declaração, uma vez submetida à consideração do povo de Cuba, pediremos a todas as organizações revolucionárias de América, a todos os sindicatos operários, às organizações estudantis, intelectuais, artísticas e a quanto homem revolucionário tenha em América, que a apoiem (APLAUSOS). Tem o prestígio de uma declaração que é subscrita por um povo inteiro, tem o prestígio da contribuição democrática de nosso povo, porque o que tem que ressaltar, e teremos de ressaltar sempre, é que esta Revolução chegou ao poder pela vontade do povo, governa para o povo e se sustenta no poder unicamente pelo apoio do povo! (APLAUSOS); que existe Governo Revolucionário porque existe um povo revolucionário que o apoia; e os governos se mantêm no poder, ou pela força, ou pelo apoio do povo. Mantêm-se no poder pela força as oligarquias militares e as oligarquias políticas, que representam os interesses mais reacionários de cada país, que representam a exploração de seus operários e seus camponeses, que representam a exploração de seus povos, e pela conjunção da força, do dinheiro e da mentira, mantêm-se no poder. E apesar dos ataques, apesar das agressões, apesar das campanhas de calúnias em que tem investido todo seu poderio propagandístico o império poderoso do Norte, apesar de suas agressões económicas, apesar de suas manobras diplomáticas internacionais, a Revolução se mantém no poder. Por quê? Pelo povo! E se manterá no poder enquanto tenha o povo! (APLAUSOS); e terá o povo, enquanto lute e trabalhe para o povo! (APLAUSOS).</p>
<p>Com esse prestígio e com esse apoio vai esta declaração.</p>
<p>“Declaração de Havana.</p>
<p>“Junto da imagem e da lembrança de José Martí (APLAUSOS), em Cuba, Território Livre de América (APLAUSOS), o povo, em uso das faculdades inalienáveis que dimanam do efetivo exercício da soberania, expressada no sufrágio direto, universal e público, tem-se constituído em Assembleia-geral Nacional (APLAUSOS).</p>
<p>“Em nome próprio, e recolhendo o sentir dos povos de nossa América, a Assembleia-geral Nacional do Povo de Cuba,</p>
<p>“PRIMEIRO: Condena em todos seus termos a denominada Declaração de San José de Costa Rica, documento ditado pelo Imperialismo Norte-americano, e atentatório à autodeterminação nacional, à soberania e à dignidade dos povos irmãos do Continente (APLAUSOS).</p>
<p>“SEGUNDO: A Assembleia-geral Nacional do Povo de Cuba condena energicamente a intervenção aberta e criminosa que durante mais de um século tem exercido o Imperialismo Norte-americano sobre todos os povos de América Latina; povos que mais de uma vez têm visto invadido seu solo no México, Nicarágua, Haiti, São Domingos ou Cuba; que têm perdido diante da voracidade dos imperialistas ianques extensas e ricas zonas, como Texas, centros estratégicos vitais, como o Canal de Panamá, países inteiros, como Porto Rico, convertido em território de ocupação; que também têm sofrido o trato vexaminoso dos infantes de marinha, o mesmo contra nossas mulheres e filhas que contra os símbolos mais altos da história pátria, como a efígie de José Martí.” (APLAUSOS).</p>
<p>Essa intervenção, afiançada na superioridade militar, em tratados desiguais e na submissão miserável de governantes traidores, tem convertido, ao longo de mais de cem anos, nossa América, a América que Bolívar, Hidalgo, Juárez, San Martín, O’Higgins, Sucre, Tiradentes e Martí, quiseram livre, em zona de exploração, em quintal do império financeiro e político ianque, em reserva de votos para os organismos internacionais, nos quais os países latino-<br />
-americanos temos figurado como tropas do “Norte revolto e brutal que nos despreza” (APLAUSOS).</p>
<p>“A Assembleia-geral Nacional do Povo declara que a aceitação por parte de governos que assumem oficialmente a representação dos países de América Latina dessa intervenção continuada e historicamente irrefutável, trai os ideais independentistas de seus povos, apaga sua soberania e impede a verdadeira solidariedade entre nossos países; o que obriga a esta Assembleia a repudiá-la, a nome do povo de Cuba, e com voz que recolhe a esperança e a decisão dos povos latino-americanos e o acento liberador dos próceres imortais de nossa América (APLAUSOS).</p>
<p>“TERCEIRO: A Assembleia-geral Nacional do Povo rejeita também a tentativa de preservar a Doutrina de Monroe, utilizada até agora, como o previsse José Martí, ‘para estender o domínio em América dos imperialistas vorazes, para injetar melhor o veneno também denunciado a tempo por José Martí, ‘o veneno dos empréstimos dos canais, dos caminhos-de-ferro&#8230;’</p>
<p>“Por isso, diante do hipócrita pan-americanismo que é só predomínio dos monopólios ianques sobre os interesses dos nossos povos e manejo ianque de governos preteridos perante Washington, a Assembleia do Povo de Cuba proclama o latino-americanismo liberador que late em José Martí e em Benito Juárez (APLAUSOS). E, ao estender a amizade ao povo norte-americano —o povo dos negros linchados, dos intelectuais perseguidos, dos operários forçados a aceitar a direção de gangsteres—, reafirma a vontade de marchar ‘com todo o mundo e não com uma parte dele’ (APLAUSOS).</p>
<p>“QUARTO: A Assembleia-geral Nacional do Povo declara, que a ajuda espontaneamente oferecida pela União Soviética a Cuba em caso de que nosso país fosse atacado por forças militares imperialistas, não poderá ser considerada jamais como um ato de intromissão, mas que constitui um evidente ato de solidariedade, e que essa ajuda, oferecida a Cuba perante um iminente ataque do Pentágono ianque (EXCLAMAÇÕES), honra tanto o Governo da União Soviética que a oferece, quanto desonram o Governo dos Estados Unidos, suas cobardes e criminosas agressões contra Cuba (APLAUSOS).</p>
<p>“PORTANTO: A Assembleia-geral Nacional do Povo declara diante de América e do mundo, que aceita e agradece o apoio dos mísseis da União Soviética (APLAUSOS E EXCLAMAÇÕES DE: “Morre, gringo!”), se seu território for invadido por forças militares dos Estados Unidos da América.</p>
<p>“QUINTO: A Assembleia-geral Nacional do Povo de Cuba, nega categoricamente que tenha existido pretensão alguma por parte da União Soviética e da República Popular China de ‘utilizar a posição económica, política e social de Cuba, para quebrantar a unidade continental e colocar em perigo a unidade do hemisfério’.</p>
<p>“Desde o primeiro até o último disparo, desde o primeiro até o último dos 20 000 mártires que custou a luta para derrocar a tirania e conquistar o poder revolucionário, desde a primeira até a última lei revolucionária, desde o primeiro até o último ato da Revolução, o povo de Cuba tem atuado por livre e absoluta determinação própria, sem que, portanto, se possa culpar jamais à União Soviética ou à República Popular China da existência de uma revolução, que é a resposta cabal de Cuba aos crimes e às injustiças instaurados pelo imperialismo em América (APLAUSOS E EXCLAMAÇÕES DE: “Fidel, seguro, nos ianques bate duro!”).</p>
<p>“Pelo contrário, a Assembleia-geral Nacional do Povo de Cuba entende que a política de isolamento e hostilidade para com a União Soviética e a República Popular China, preconizada pelo Governo dos Estados Unidos e imposta por este aos governos da América Latina, e a conduta guerreira e agressiva do Governo norte-americano, e sua negativa sistemática ao ingresso da República Popular China nas Nações Unidas apesar de representar aquela a quase totalidade de um país de mais de 600 milhões de habitantes, sim colocam em perigo a paz e a segurança do hemisfério e do mundo.</p>
<p>“PORTANTO: A Assembleia-geral Nacional do Povo de Cuba ratifica sua política de amizade com todos os povos do mundo, reafirma seu propósito de estabelecer relações diplomáticas também com todos os países socialistas (APLAUSOS E EXCLAMAÇÕES DE: “Khrushchev, Khrushchev!”), e desde este instante, em uso de sua soberania e livre vontade, expressa ao Governo da República Popular China, que acorda estabelecer relações diplomáticas entre ambos os países e que, portanto, ficam rescindidas as relações que até hoje Cuba tinha mantido com o regime fantoche que sustentam em Formosa os navios da Sétima Frota ianque (APLAUSOS).</p>
<p>“SEXTO: A Assembleia-geral Nacional do Povo reafirma —e tem a certeza de fazê-lo como expressão de um critério comum aos povos de América Latina—, que a democracia não é compatível com a oligarquia financeira, com a existência da discriminação do negro e os desmanes do Ku-Klux-Klan, com a perseguição que privou de seus cargos a cientistas como Oppenhimer; que impediu durante anos que o mundo escutasse a voz maravilhosa de Paul Robeson, preso em seu próprio país, e que conduziu à morte, diante do protesto e do espanto do mundo inteiro, e apesar da apelação de governantes de diversos países e do Papa Pio XII, aos esposos Rosenberg.</p>
<p>“A Assembleia-geral Nacional do Povo de Cuba, expressa a convicção cubana de que a democracia não pode consistir apenas no exercício de um voto eleitoral, que quase sempre é fictício e está manejado por latifundiários e políticos profissionais, mas no direito dos cidadãos a decidir, como agora o faz esta Assembleia-geral do Povo de Cuba, seus próprios destinos. A democracia, além disso, só existirá em América quando os povos sejam realmente livres para escolher, quando os humildes não estejam reduzidos —pela fome, a desigualdade social, o analfabetismo e os sistemas jurídicos—, à mais ominosa impotência.</p>
<p>“Por isso a Assembleia-geral Nacional do Povo de Cuba: condena o latifúndio, fonte de miséria para o camponês e sistema de produção agrícola retrógrado e desumano; condena os salários de fome e a exploração iníqua do trabalho humano por bastardos e privilegiados interesses; condena o analfabetismo, a ausência de mestres, de escolas, de médicos e de hospitais; a falta de à velhice que impera nos países de América; condena a discriminação do negro e do índio; condena a desigualdade e a exploração da mulher; condena as oligarquias militares e políticas que mantêm os nossos povos na miséria, impedem seu desenvolvimento democrático e o pleno exercício de sua soberania; condena as concessões dos recursos naturais dos nossos países aos monopólios estrangeiros como política entreguista e traidora ao interesse dos povos; condena os governos que não ouvem o sentimento de seus povos para acatar os mandatos de Washington; condena o engano sistemático aos povos por órgãos de divulgação que respondem ao interesse das oligarquias e à política do imperialismo opressor; condena o monopólio das notícias por agências ianques, instrumentos dos trustes norte-americanos e agentes de Washington; condena as leis repressivas que impedem aos operários, aos camponeses, aos estudantes e aos intelectuais, às grandes maiorias de cada país, organizar-se e lutar por suas reivindicações sociais e patrióticas; condena os monopólios e empresas imperialistas que roubam continuamente nossas riquezas, exploram os nossos operários e camponeses, dessangram e mantêm em retraso nossas economias, e submetem a política da América Latina a seus desígnios e interesses.</p>
<p>“A Assembleia-geral Nacional do Povo de Cuba condena, afinal, a exploração do homem pelo homem (APLAUSOS), e a exploração dos países subdesenvolvidos pelo capital financeiro imperialista. Em consequência, a Assembleia-geral Nacional do Povo de Cuba, proclama ante América:</p>
<p>“O direito dos camponeses à terra; o direito do operário ao fruto de seu trabalho; o direito das crianças à educação; o direito dos doentes à assistência médica e hospitalar; o direito dos jovens ao trabalho; o direito dos estudantes ao ensino livre, experimental e científico; o direito dos negros e dos índios à ‘dignidade plena do homem’; o direito da mulher à igualdade civil, social e política; o direito do idoso a uma velhice segura; o direito dos intelectuais, artistas e cientistas a lutar, com suas obras, por um mundo melhor; o direito dos Estados à nacionalização dos monopólios imperialistas, resgatando assim as riquezas e recursos nacionais; o direito dos países ao comércio livre com todos os povos do mundo; o direito das nações a sua plena soberania; o direito dos povos a converter suas fortalezas militares em escolas, e a armar a seus operários, a seus camponeses, a seus estudantes, a seus intelectuais, ao negro, ao índio, à mulher, ao jovem, ao idoso, a todos os oprimidos e explorados, para que defendam, por si próprios, seus direitos e seus destinos (APLAUSOS E EXCLAMAÇÕES DE: “Fidel, Fidel; Fidel, Fidel, o quê tem Fidel, que os americanos não podem com ele!”).</p>
<p>“SÉTIMO: A Assembleia-geral Nacional do Povo de Cuba postula: o dever dos operários, dos camponeses, dos estudantes, dos intelectuais, dos negros, dos índios, dos jovens, das mulheres, dos idosos, a lutar por suas reivindicações económicas, políticas e sociais (APLAUSOS); o dever das nações oprimidas e exploradas a lutar por sua libertação; o dever de cada povo à solidariedade com todos os povos oprimidos, colonizados, explorados ou agredidos (APLAUSOS), seja qual for o lugar do mundo em que estes se encontrem e a distância geográfica que os separe. Todos os povos do mundo são irmãos! (EXCLAMAÇÕES DE: “Unidade, unidade!”).</p>
<p>“OITAVO: A Assembleia-geral Nacional do Povo de Cuba reafirma sua fé em que a América Latina marchará logo, unida e vencedora, livre das ataduras que convertem suas economias em riqueza alienada ao imperialismo norte-americano e que lhe impedem fazer ouvir sua verdadeira voz nas reuniões onde chanceleres domesticados, fazem de coro infamante ao amo despótico. Ratifica, por isso, sua decisão de trabalhar por esse comum destino latino-americano que permitirá a nossos países edificar uma solidariedade verdadeira, assente na livre vontade de cada um deles e nas aspirações conjuntas de todos. Na luta por essa América Latina liberada, frente às vozes obedientes de aqueles que usurpam sua representação oficial, surge agora, com potência invencível, a voz genuína dos povos, voz que se abre passo desde as entranhas de suas minas de carvão e de estanho, desde suas fábricas e usinas açucareiras, desde suas terras enfeudadas, onde reles, mestiços, gaúchos, sáfaros, herdeiros de Zapata e de Sandino, empunham as armas de sua liberdade, voz que ressoa em seus poetas e em seus romancistas, em seus estudantes, em suas mulheres e em suas crianças, em seus idosos desvelados. A essa voz irmã, a Assembleia-geral Nacional do Povo de Cuba lhe responde (APLAUSOS): Presente! Cuba não falhará. Aqui está hoje Cuba para ratificar, diante da América Latina e diante do mundo, como um compromisso histórico, seu dilema irrenunciável: Pátria ou Morte.</p>
<p>“NONO: A Assembleia-geral Nacional do Povo de Cuba.</p>
<p>“Resolve que esta declaração seja conhecida com o nome de ‘Declaração de Havana’, Cuba, Havana, Território Livre de América. Setembro 2 de 1960.” (APLAUSOS).</p>
<p>Submetemos esta Declaração de Havana à consideração do povo, ou seja, que os que apoiam a Declaração, ergam a mão (A MULTIDÃO ERGUE A MÃO). (DURANTE VÁRIOS MINUTOS EXCLAMAM: “Já votamos com Fidel!” e “Fidel, Fidel, o quê tem Fidel, que os americanos não podem com ele!” e “Viva Raúl Roa!”).</p>
<p>E agora, falta uma coisa. E com a Declaração de San José, o quê fazemos? (EXCLAMAÇÕES DE: “Rompemo-la!”) Rompemo-la! (Fidel a rompe diante da multidão).</p>
<p>Estes acordos da Assembleia-geral Nacional do Povo de Cuba, que acabamos de adotar, ser comunicados a todos os povos irmãos de América Latina.</p>
<p>(OVAÇÃO).</p>
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		<title>Discurso proferido pelo Presidente da República de Cuba Fidel Castro RuzPrimeiro de Maio de 2000</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Apr 2020 20:43:56 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cubadebate</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Dia dos Trabalhadores]]></category>
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		<category><![CDATA[Fidel Castro]]></category>
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		<description><![CDATA[Revolução é sentido do momento histórico; é mudar tudo que deve ser mudado; é igualdade e liberdade plenas; é ser tratado e tratar aos demais como seres humanos; é emancipar-nos por nós mesmos e com nossos próprios esforços; é desafiar poderosas forças dominantes dentro e fora do âmbito social e nacional; é defender valores nos quais cremos ao preço de qualquer sacrifício; é modéstia, desinteresse, altruísmo, solidariedade e heroísmo; é lutar com audácia, inteligência e realismo]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-5866" alt="Fidel Castro primero de Mayo" src="/files/2020/04/Fidel-Castro-primero-de-Mayo.jpg" width="300" height="252" />Discurso proferido pelo Presidente da República de Cuba Fidel Castro Ruz na tribuna aberta da juventude, dos estudantes e dos trabalhadores, pelo Dia Internacional dos Trabalhadores, Praça da Revolução, Primeiro de Maio de 2000.<br />
Fecha: 01/05/2000</p>
<p>Compatriotas:</p>
<p>Nossa gratidão às admiraveis personalidades que nos acompanham. Nosso reconhecimento aos trabalhadores, aos estudantes e a todo o povo que inunda esta praça.</p>
<p>Estamos vivendo dias de intensa e transcendental luta. Cinco meses levamos batalhando sem trégua. Milhões de compatriotas, todos quase sem exceção, participam dela. Nossas armas têm sido a consciência e as idéias que semeou a Revolução ao longo de mais de quatro décadas.</p>
<p>Revolução é sentido do momento histórico; é mudar tudo que deve ser mudado; é igualdade e liberdade plenas; é ser tratado e tratar aos demais como seres humanos; é emancipar-nos por nós mesmos e com nossos próprios esforços; é desafiar poderosas forças dominantes dentro e fora do âmbito social e nacional; é defender valores nos quais cremos ao preço de qualquer sacrifício; é modéstia, desinteresse, altruísmo, solidariedade e heroísmo; é lutar com audácia, inteligência e realismo; é não mentir jamais nem violar princípios éticos; é convicção profunda de que não existe força no mundo capaz de aplastar a força da verdade e das idéias. Revolução é unidade, independência, é lutar por nosos sonhos de justiça para Cuba e para o mundo, que é a base do nosso patriotismo, nosso Socialismo e nosso Internacionalismo.</p>
<p>Em termos reais e concretos, enfrentamos durante quarenta e um anos a mais poderosa potência que jamais existiu no mundo, vizinha nossa a só noventa milhas, que na atualidade assume caráter unipolar e hegemônico.</p>
<p>Desta vez a luta adquiriu um matiz especialmente agudo. Foi motivado pelo seqüestro de um menino. Terá sido acaso o único? Não! Muitos meninos cubanos foram separados de um dos seus progenitores e conduzidos aos Estados Unidos de forma ilegal sem a mais remota possibilidade de recuperá-los recorrendo às autoridades norte-americanas. Só nos primeiros dois anos e meio da Revolução, 14 mil crianças foram subtraídas clandestinamente, com a anuência neste caso do pai, da mãe ou de ambos, vítimas do engano, ao propalar-se pelos Serviços de Inteligência dos Estados Unidos e seus agentes em Cuba o deliberado e cuidadosamente elaborado rumor, respaldado por uma Lei apócrifa, de que os pais seriam privados do Pátrio Poder sobre seus filhos. A posterior supressão abrupta pelo Governo dos Estados Unidos dos vôos normais a esse País deixou separados a esses pais dos seus filhos, muitos dos quais viveram um inferno de sofrimento, desamparo e desraizamento.</p>
<p>Nesta ocasião, um modesto pai havia-se dirigido ao Governo solicitando ajuda: seu filho, que não tinha completado ainda seis anos, havia sido vítima de uma grande tragédia. Sem seu conhecimento nem autorização, tinha sido levado do País em uma viagem ilegal, irresponsável e aventureira, organizada por um agressivo e violento delinqüente. Como disse Raquel, avó materna de Elián ao chegar a Nova Iorque no dia 21 de Janeiro deste ano, em gestões para a liberação do seu neto, sua filha tinha sido arrastada à tragédia pela violência desse sujeito.</p>
<p>A embarcação naufragou, e o menino viu morrer afogada a sua mãe. Era uma excelente trabalhadora, militante da Juventude e do Partido, da qual todos que conheceram guardam uma boa opinião. Foi uma das vítimas entre os onze cidadãos cubanos que pereceram nesse dia. Como outros muitos, ao longo de 34 anos, foram conduzidos à morte por um monstruoso e sanguinário engendro chamado Lei de Ajuste Cubano, que promove saídas ilegais e o contrabando de emigrantes, impulsionados a viajar aos Estados Unidos, como o fazem milhões de pessoas procedentes de Países pobres deste e de outros continentes, atraídos pela ostentação, pelo luxo e o esbanjamento das sociedades de consumo.</p>
<p>No caso particular de Cuba, a isso se somam os grandes e exclusivos privilégios que concede a mencionada Lei aos que viajam ilegalmente aos Estados Unidos procedentes de Cuba, e quatro décadas de bloqueio e guerra econômica não menos monstruosos que essa Lei. Assim, apesar dos Acordos Migratórios subscritos entre ambos Países, pela via ilegal se enche a Flórida de delinqüentes, cinco de cada dez que utilizam esse procedimento têm antecedentes penais, como roubo com força e outros delitos similares.</p>
<p>O menino pôde sobreviver como é conhecido, flutuando à deriva sobre um pneumático durante mais de trinta horas. A máfia terrorista cubano-americana, criada à sua imagem e semelhança por governos irresponsáveis dos Estados Unidos, apoderou-se do menino como um precioso troféu publicitário; um personagem corrupto e sinistro, a título de familiar distante, que só o tinha visto uma vez em sua vida, recebeu sua custódia temporária. Sob o controle total da máfia, negou-se a devolvê-lo quando seu Pai o reclamou logo após ter saído do Hospital. Imediatamente nosso povo, com sua tradicional tenacidade, iniciou a luta pela devolução do menino a seu pai e à sua família direta e próxima que sempre conviveu com ele.</p>
<p>Segundo as Leis Internacionais e as Normas Jurídicas dos Estados Unidos e de Cuba, o que correspondia era devolver imediatamente o menino ao seu País de origem. Qualquer litígio teria que ser resolvido em Tribunais cubanos. Quase dez dias tardaram em dar uma resposta à Nota Diplomática apresentada pelo Ministério das Relações Exteriores reclamando a devolução solicitada pelo pai desde os primeiros instantes. Já então havia-se produzido os primeiros protestos públicos em Cuba, que se prolongam até hoje.</p>
<p>É evidente que subestimaram o nosso povo, que não parou um só dia de lutar por algo absolutamente justo, e pôde transmitir ao próprio povo norte-americano e ao mundo sua mensagem de dor e indignação ante a injustiça cometida com uma humilde família cubana e o grande crime que se estava perpetrando com esse menino. Dante não haveria sido capaz de descrever o Inferno de quase cinco meses de tortura mental, pressão psíquica e manipulação política que tem sofrido.</p>
<p>O acontecido sensibilizou a dezenas de milhões de famílias norte-americanas que têm filhos, netos, bisnetos e sobrinhos da idade de Elián. Eles, igual que o resto do mundo, compreendiam cada vez mais que não podia haver pretexto político ou ideológico para cometer contra um menino e um pai, qualquer que fosse sua nacionalidade, esse crime bárbaro e cruel.</p>
<p>A máfia terrorista de Miami e seus aliados da extrema direita dos Estados Unidos nos acusavam de politizar o caso, quando o que fazíamos era lutar contra esse crime, e o fazemos com meios pacíficos: nem um só vidro da Repartição de Interesses dos Estados Unidos foi quebrado, nem uma só pedra foi lançada contra essa instalação, nenhum funcionário ou visitante norte-americano foi molestado, nenhuma bandeira norte-americana foi pisoteada ou queimada nas ruas.</p>
<p>Pergunto-me que haveria feito o Governo desse País se uma situação similar tivesse sido produzida com um menino norte-americano de apenas seis anos se fosse seqüestrado em Cuba e submetido ao atroz tratamento que sofreu esse menino nos Estados Unidos.</p>
<p>Durante quase cinco meses, desde que apareceu o menino nas costas da Flórida, sucederam coisas incríveis e foram cometidos todo tipo de arbitrariedades e erros. Até horas antes do seu resgate, nenhum dos distintos ramos da Administração, apesar de conhecer o que estava sucedendo, parecia preocupar-se pela sua saúde mental, pela escandalosa exibição pública e as manipulações de que era vítima, e o que é ainda mais censurável: pelos riscos físicos que estava correndo.</p>
<p>O Chefe do Comando que o resgatou acaba de afirmar que a resistência estava perfeitamente organizada e havia numerosos homens armados ao redor da casa onde estava seqüestrado o menino, o mesmo que o Governo de Cuba havia advertido ao Departamento de Estado e denunciado publicamente entre 22 de Março e 22 de Abril.</p>
<p>A última proposta de sete pontos que a Fiscal Geral fez chegar ao pai do menino, por volta das dez da noite de sexta-feira, 21 de Abril, sete horas aproximadamente antes das cinco da manhã em que foi liberado Elián dos seqüestradores, continha três pontos que não quis ler na Tribuna Aberta de Jagüey Grande, quando se comemorava o doloroso episódio da invasão mercenária de Girón, por considerá-los simplesmente grotescos, e preferi a trégua de 24 horas, da qual falei, para reconhecer a decisão que finalmente adotou a Fiscal, ainda que tenha deixado em nós profunda inquietude sobre as coisas que podiam ocorrer no futuro. Esses pontos eram:</p>
<p>&#8220;2. Na manhã do sábado, Elián e a família de Lázaro viajarão a Washington em um avião do Serviço de Aguazis, sob a supervisão deste. O Departamento de Justiça vai trasportá-los diretamente a Airlie House. O menino estará sob a proteção do INS.&#8221;</p>
<p>&#8220;3. Durante a permanência em Airlie, Elián viverá com Juan Miguel, que terá plena autoridade sobre ele, com exceção de qualquer condição relacionada com a liberdade vigiada ou outras limitações impostas pelo INS, como o controle de saída. Depois da chegada de Juan Miguel a Airlie House, a Procuradora Geral deixará Elián em liberdade vigiada, sob o cuidado de Juan Miguel. A família de Lázaro residirá em Airlie House em quartos separados.&#8221;</p>
<p>&#8220;4. As partes permanecerão no lugar especificado da residência, enquanto o interdito da Corte de Apelações do Circuito 11 seja mantido em vigência, ou até que a Procuradora Geral, em consulta com os peritos, determine a pertinência de modificar os Acordos concertados.&#8221;</p>
<p>Nada podia ser mais humilhante nem poderia parecer mais a um tratamento carcerário ou ao seqüestro de Juan Miguel com sua esposa e seus dois filhos, o início de uma nova etapa de tortura psíquica para toda a família pior ainda que a que o menino esteve sofrendo em Miami.</p>
<p>Os que viram a histeria de Marisleysis pela televisão e conhecem quem é o sinistro Lázaro, e todos os psiquiatras honestos, compreedem bem o que haveria significado para Elián e sua família aquela absurda e impossível co-habitação. Era precisamente a demanda da Fundação. Foi tal proposta a que determinou a decisão quase suicida de Juan Miguel de ir imediatamente com a esposa e o filho para resgatar pessoalmente Elián em Miami.</p>
<p>Tal foi a estupidez daqueles cabecilhas enlouquecidos, que rechaçaram essa proposta. Era exatamente o mesmo que eles demandavam, só que em Miami e não em Washington.</p>
<p>O conhecido legislador Bob Menéndez, lobbista e estreito aliado da máfia de Miami e uma Sub-Secretária Assistente de Estado, buscavam calorosamente, na sexta-feira 21, um lugar similar a Airlie House nas proximidades de Miami.</p>
<p>Utilizei estes fatos para demonstrar até que vergonhoso ponto a Procuradora Geral esforçou-se para evitar o uso da força. Ninguém pode no nosso País ignorar os riscos potenciais no torcido caminho que, por pressões de Fundação, escolheram as autoridades norte-americanas para resolver um simples caso de imigração se não se tratasse obviamente de um menino cubano.</p>
<p>Fatos que fundamentam isto:</p>
<p>Primeiro: Os três juízes do painel que tinham que decidir sobre o recurso da máfia não são confiáveis. A resposta à solicitação da Procuradora Geral para que ordenasse legalmente a Lázaro González que entregasse o menino depois do seu flagrante desacato à ordem do INS, passará à História como um exemplo de arbitrariedade, parcialidade e prepotência. Nesse dia decretavam que um menino, de qualquer idade e qualquer procedência, poderia solicitar asilo nos Estados Unidos contra a vontade de seus pais. Por outro lado, obrigava-se o menino martirizado a permanecer nos Estados Unidos até que se concluísse o processo legal. Pelo contrário, nada se disse sobre o desacato à ordem dada ao seqüestrador de entregar o menino. Isto deixou sem alternativa à Procuradora Geral. Obrigavam-na a fazer concessões impudicas ou a utilizar a força. Fez as duas coisas. Só o acaso e a perícia dos aguazis evitaram o pior, o menino foi resgatado são e salvo.</p>
<p>Que segurança resta agora ao pai de que o encontro com o seu filho é definitivo? – Nenhuma!</p>
<p>Segundo: O Nuevo Herald informa em 26 de Abril que no dia anterior, terça-feira 25, ante um grupo de onze Senadores que convocaram à Procuradora Geral Janet Reno a uma reunião para &#8220;discutir preocupações&#8221;, quando lhe perguntaram &#8220;o que aconteceria se a Corte de Atlanta ou qualquer outra decidisse que o menino deveria receber asilo&#8221;, a Procuradora Geral respondeu textualmente: &#8220;Então creio que teremos que enviá-lo de novo a Miami.&#8221;</p>
<p>O risco de que esse Tribunal decida que o menino tem direito ao asilo é real. Coincidiria inteiramente com a doutrina que subscreveu em sua sentença de 19 de Abril e que a máfia terrorista exigiu. Ninguém poderia imaginar qual seria a reação da opinião mundial e da própria opinião pública norte-americana, que viu tudo que fizeram ao menino em Miami e mais tarde as fotos comovedoras do encontro do pai com o filho, se tirasse de Juan Miguel seu filho para enviá-lo de novo ao inferno da casa de Lázaro González. Isto é impossível, mais isso disse a Procuradora Geral e isso pode decidir o Tribunal de Atlanta.</p>
<p>Terceiro: No próprio dia 26 de Abril a agência ANSA divulga desde Washington a seguinte notícia &#8220;Wye River&#8221; – assim chama o lugar onde estão Juan Miguel e sua familia – &#8220;foi escolhido porque é muito bom para um menino pois pode utilizar o quintal. E é suficientemente grande para que potencialmente os familiares possam estar sem incomodar-se mutuamente&#8221;, disse um funcionário do Departamento de Justiça, que solicitou que permanecesse anônimo.&#8221;</p>
<p>Como se pode apreciar, emerge de novo a velha e tenebrosa idéia contida nos horripilantes pontos já referidos da proposta entregue a Juan Miguel na noite crítica de sexta-feira, 21 de Abril. E isto é dito nada menos que por um &#8220;anônimo&#8221; funcionário de Justiça.</p>
<p>Quarto: Em 26 de Abril, Gregory Craig, advogado de Juan Miguel, apresenta ante o painel dos três juízes da Corte de Atlanta o que se conhece como uma moção de emergência solicitando a intervenção de Juan Miguel no processo e a substituição de Lázaro González pelo pai do menino como seu único representante legal, tanto em sua condição de pai sobrevivente como em caráter de &#8220;amigo próximo&#8221; de Elián, termo estranho este utilizado na legislação norte-americana quando o menor carece de familiar próximo que o represente ante uma Corte, o que, sem a menor dúvida, não é o caso de Elián.</p>
<p>No dia seguinte, 27 de Abril, o painel de Atlanta rejeita aceitar Juan Miguel em caráter de único representante do menino, e aceita por votação dividida que participe no processo.</p>
<p>Sobre este aspecto, em 28 de Abril o New York Times publica: &#8220;Em uma decisão mista sobre o caso de Elián González, uma Corte Federal de Apelações desconsiderou ontem a petição do pai do menino de atuar como seu único representante legal, a qual teria posto fim de maneira efetiva ao processo judicial. [...] Em sua decisão, o painel da Corte de Apelações disse que havia hesitado em conceder a Juan Miguel González o direito a participar no caso a estas alturas, mas havia acedido por se tratar do pai do menino. Um dos três juízes não esteve de acordo.</p>
<p>&#8220;[...] a Corte estimou também que seria prematuro dizer se o pai de Elián deveria ser seu único representante.&#8221;</p>
<p>O certeiro recurso do advogado de Juan Miguel e seus sólidos argumentos haviam sido subestimados por esse painel sobre a representatividade exclusiva do pai da criança.</p>
<p>Segundo expertos legais, se a decisão que tomam os três juízes no processo, que será tratado em 11 de Maio, for dividida, quer dizer, dois a um, a parte perdedora pode solicitar que todos os juízes da Corte de Apelações de Atlanta se pronunciem sobre o caso e não só os três designados.</p>
<p>Esse recurso em qualquer caso, estimam os peritos, significaria uma nova possibilidade de estender a duração do processo legal e sempre seria anterior a um recurso ante a Corte Suprema.</p>
<p>Há outras cinco variantes para dilatar o processo por tempo indeterminado.</p>
<p>Os advogados dos mafiosos solicitaram, por sua vez, distintas ordens e definições.</p>
<p>Quinto: Voltando ao dia 25, desde Laredo, Texas, a AP comunicou o seguinte: &#8220;O Governo de Bill Clinton deveria tratar de persuadir o pai de Elián González a ficar nos Estados Unidos para criar aqui seu filho&#8221;, disse o candidato presidencial republicano George W. Bush. &#8220;Espero que o Governo explique ao pai que, se assim o preferir, pode criar seu filho em liberdade e que o pai pode permanecer aqui nos Estados Unidos. É importante que nosso Governo recorde que a mãe fugia em busca de liberdade para trazer o seu filho à liberdade. Espero que o Governo convença ao pai a criar seu filho nos Estados Unidos da América.&#8221;</p>
<p>Sexto: No dia seguinte, segundo um telex da agência EFE, a Senhora Hillary Clinton, esposa do Presidente dos Estados Unidos, em um programa de rádio na cidade de Búfalo, estado de Nova Iorque, &#8220;mostrou sua esperança de que o pai do menino cubano Elián González, Juan Miguel, decida ao final exilar-se e permanecer vivendo nos Estados Unidos.</p>
<p>&#8220;Espero que provar a liberdade e a oportunidade que está tendo com seu filho durante este tempo talvez o ajude a reconsiderar e permanecer definitivamente nos Estados Unidos.</p>
<p>&#8220;[...] estou convencida de que fará contente muita gente por acolhê-los se decide desertar, disse a Primeira Dama utilizando o termo usado para aqueles militares que decidem abandonar seu País para refugiar-se em outro, normalmente inimigo.&#8221;</p>
<p>Quer dizer, falam tranqüilamente em instigar à deserção de um pai que tem sido vilmente ultrajado durante meses. Não podem imaginar digno a um só cubano. Primeiro o acusavam de homen covarde, que não se atrevia a viajar aos Estados Unidos nem se interessava pelo seu filho. Depois afirmaram que o Governo de Cuba não o autorizava a viajar a esse País para que não desertasse. Quando o viram chegar com sua esposa e seu pequeno filho menor, no momento preciso, na hora e no minuto exatos em que devia partir, ainda não saíam do seu assombro perante da dignidade, valentia e sentido de honra de Juan Miguel. Tratam de retê-lo até as calendas gregas com a esperança de seduzi-lo. Todos a um só som buscando o mesmo objetivo: que o menino não regresse jamais a Cuba para golpear moralmente a um povo altivo e heróico de onde surgiram Juan Miguel e Elián.</p>
<p>Onde está a ética dos líderes políticos desse País? Como é possível que ignorem em tão alto grau as realidades de Cuba? Por que tanto desprezo? Até quando vão seguir crendo em suas próprias mentiras?</p>
<p>Surgem repentinamente, no dia 27, restrições e obstáculos de todo tipo para o movimento dos funcionários cubanos que atendiam a Juan Miguel, sua esposa e seus dois filhos, já situados a 70 milhas de distância; concedem só quatro Vistos para os meninos que deveriam viajar para ajudar na recuperação de Elián, limitando-as a 15 dias; se estabelece a absurda fórmula de rotação a cada duas semanas, e não se concede autorização de viagem a nenhum dos especialistas indispensáveis solicitados pela família. Era evidente o propósito de isolar Juan Miguel, sua companheira e seus dois filhos na distante Wye Plantation de Maryland.</p>
<p>Coincidente com as declarações de Bush e de Hillary, a Senhora Albright, Secretária de Estado, disse à cadeia Fox, em uma entrevista televisada: &#8220;Temos alguns problemas muito sérios com Cuba e vamos continuar mantendo a Lei de Embargo&#8221; – assim chama ela ao bloqueio e à guerra econômica – &#8220;e a Lei para a Democracia Cubana&#8221; – assim se refere à genocida Lei Helms –Burton.</p>
<p>O curioso é que ninguém em Cuba solicitou o perdão ao Governo dos Estados Unidos; ninguém solicitou tampouco o cessar desse bloqueio que é cada vez mais insustentável e inexoravelmente se desmorona por anacrônico e por ser cada vez mais custoso, política e moralmente, para os Estados Unidos.</p>
<p>Os pais que iniciaram a heróica tradição de nossa Pátria frente aos sonhos anexionistas com relação a Cuba, concebidos nos Estados Unidos há duzentos anos, nos ensinaram que os direitos são exigidos e não mendigados. Nada será fácil em relação a Cuba no futuro. Quarenta anos de resistência contra agressões e injustiças de todo tipo e a batalha de idéias que temos travado sem trégua durante cinco longos meses nos fizeram mais fortes. Lutaremos sem descanso contra a assassina Lei de Ajuste Cubano, contra a cruel Lei Helms-Burton, cujos autores são merecedores – conforme os Tratados assinados em 1948 e 1949, subscritos tanto por Cuba como pelos Estados Unidos – de comparecer diante de um Tribunal por delito de genocídio; lutaremos contra a Lei cujo autor, Robert Torricelli, é aliado da máfia terrorista de Miami; lutaremos contra o bloqueio e a guerra econômica que nosso povo vem resistindo durante quase meio século; lutaremos contra as atividades subversivas levadas a cabo desde os Estados Unidos, incluído o terrorismo para nos desestabilizar e lutaremos para que seja devolvido finalmente à nossa Pátria o território ilegalmente ocupado em nosso País. Cumpriremos tudo que juramos em Baraguá diante da memória inapagável e imortal do Titán de Bronce.</p>
<p>Não culpamos o povo americano; culpamos os responsáveis pelas mentiras com que o enganaram muito mais tempo que o que imaginava Lincoln. Pelo contrário, rendemos tributo ao povo que, apesar das mentiras, de forma amplamente maioritária, foi capaz de rechaçar o repugnante crime que se estava cometendo contra o menino cubano.</p>
<p>Seria sábio que os atuais e futuros governantes dos Estados Unidos compreendessem que David cresceu. Que foi se convertendo em um gigante moral que não lança pedras com sua funda senão exemplos e idéias frente às quais o grande Golias das finanças, das grandes riquezas colossais, das armas nucleares, da mais sofisticada tecnologia e de um poder político mundial que se sustenta no egoísmo, na demagogia, na hipocrisia e na mentira, está indefeso.</p>
<p>Para que não se produzam demasiadas ilusões com sua ridícula e pírrica vitória frente à infame resolução de Genebra baseada na calúnia e imposta pelo Governo dos Estados Unidos mediante pressões humilhantes e o apoio dos seus aliados da NATO, Cuba, nesse mesmo período de sessões, apresentou seis resoluções a favor dos Países do Terceiro Mundo, que foram todas aprovadas por aplastante maioria, sempre com o voto contra dos Estados Unidos, que contou, de modo geral, com o único apoio ou abstenção do grupinho dos seus ricos aliados europeus.</p>
<p>Os povos de um mundo ingovernável, que sofrem a pobreza e a miséria, a quem exploram e saqueiam cada vez mais, serão nossos melhores companheiros de luta. Para cooperar com eles não dispomos de recursos financeiros. Contamos em câmbio com um extraordinário e abnegado capital humano, do que não dispõem nem poderão dispor jamais os países ricos.</p>
<p>Viva o patriotismo!</p>
<p>Viva o Socialismo!</p>
<p>Viva o Internacionalismo!</p>
<p>Pátria ou Morte!</p>
<p>Venceremos!</p>
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		<title>Díaz-Canel para o povo de Cuba: Unidos vencemos! Unidos vamos vencer!</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Dec 2019 23:32:52 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cubadebate</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Assembleia Nacional]]></category>
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		<category><![CDATA[Discurso]]></category>
		<category><![CDATA[Miguel Díaz-Canel]]></category>
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		<description><![CDATA[Discurso proferido por Miguel Mario Díaz-Canel Bermúdez, presidente da República de Cuba, no encerramento do 4º Período Ordinário de Sessões da Assembleia Nacional do Poder Popular na sua 9ª Legislatura, no Centro de Convenções, em 21 de dezembro de 2019, «Ano 61º da Revolução». urtidos na resistência de todos esses anos, e apoiados na força do trabalho humano levantado «contra o vento e a maré» por seis décadas, pudemos transcorrer este ano 2019 quebrando obstáculos que pareciam intransponíveis.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-5779" alt="Canel  Nacional" src="/files/2020/01/Canel-Nacional.jpg" width="300" height="252" />Discurso proferido por Miguel Mario Díaz-Canel Bermúdez, presidente da República de Cuba, no encerramento do 4º Período Ordinário de Sessões da Assembleia Nacional do Poder Popular na sua 9ª Legislatura, no Centro de Convenções, em 21 de dezembro de 2019, «Ano 61º da Revolução»</p>
<p>(Versões estenográficas &#8211; Presidência da República)</p>
<p>Estimado companheiro general-de-exército Raúl Castro Ruz, primeiro secretário do Comitê Central do nosso Partido;</p>
<p>Companheiro Esteban Lazo, presidente da Assembleia Nacional e do Conselho de Estado;</p>
<p>Companheiros da Geração Histórica que nos acompanham;</p>
<p>Deputadas e Deputados;</p>
<p>Povo de Cuba:</p>
<p>Na véspera de mais um aniversário da Revolução invicta e vitoriosa, antes de tudo, quero exclamar: Parabéns!</p>
<p>Vivemos um ano cheio de desafios, tensões e agressões. Juntos, nós os enfrentamos e juntos estamos vencendo.</p>
<p>Na verdade, o ano 61º da Revolução tem sido difícil e desafiador, embora nunca tanto quanto os que ocorreram após o triunfo de janeiro, quando o cerco foi acompanhado por ataques ardilosos, incluindo uma invasão, sabotagem, fogos, banditismo e o isolamento de Cuba em todo o hemisfério.</p>
<p>Esses desafios foram superados e superados um a um, e seus protagonistas nos deixaram uma história que nos orgulha e é a escola revolucionária mais formidável: pelo povo, junto ao povo e para o povo: tudo é possível!</p>
<p>Curtidos na resistência de todos esses anos, e apoiados na força do trabalho humano levantado «contra o vento e a maré» por seis décadas, pudemos transcorrer este ano 2019 quebrando obstáculos que pareciam intransponíveis e, hoje, temos todo o direito de comemorar o que foi alcançado sem complacência e cientes de que cada objetivo é um novo ponto de partida.</p>
<p>Falando em obstáculos, vamos começar pelo pior e mais abrangente de todos: o bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos.</p>
<p>Quando a história desses dias for escrita, um capítulo terá que ser reservado para o ano de 2019 pela maneira brutal e insana, poderíamos dizer assim que, durante este ano, a agressão a Cuba aumentou praticamente na taxa de mais de uma medida por semana; isto é, um «aperto no nó», a cada sete dias, para sufocar nossa economia.</p>
<p>Cruzeiros, vôos, remessas, serviços médicos, financiamento, transporte de combustível e seguros foram cancelados, restringidos ou banidos. Não há uma área que tenha fugido da caça, do cerco e da perseguição. Também não há projeto ou ação revolucionária alheio à difamação.</p>
<p>Para justificar sua atuação, Washington lançou mão novamente de mentiras rudes e da acusação grosseira de que somos um fator de instabilidade e ameaça à região, o que negamos veementemente.</p>
<p>As medidas adotadas são encaminhadas a sabotar o comércio exterior de Cuba e impedir as transações financeiras com países terceiros, incluindo pagamentos, cobranças e possibilidades de crédito. Elas buscam interromper os suprimentos da indústria nacional, limitar o acesso à tecnologia e fontes de capital e renda econômica, com ações específicas contra o transporte de combustíveis, o turismo e os serviços internacionais de saúde.</p>
<p>Para esse fim, os Estados Unidos lançaram uma campanha intensa e prejudicial contra a colaboração médica que Cuba oferece. É imoral e inaceitável questionar a dignidade, o profissionalismo e o altruísmo dos mais de 400.000 trabalhadores da saúde que, em 56 anos, completaram missões em 164 países.</p>
<p>Como o povo sabe, em uma conduta sem precedentes, o governo dos Estados Unidos hoje se orgulha de ter ameaçado, perseguido e adotado medidas ilegais contra mais de dez empresas e dezenas de navios de países terceiros que transportam petróleo para Cuba. Para a história, essas agressões ficarão registradas como atos de pirataria covarde.</p>
<p>O objetivo declarado é privar um país de 11 milhões de habitantes do suprimento de combustível. Seu impacto não foi mais severo graças à unidade, à solidariedade e à resposta consciente do povo, à força do sistema econômico e social socialista e à experiência de 60 anos de confronto com a agressão imperialista.</p>
<p>Mas aí está, nos resultados da economia, a afetação que ela causou. Praticamente todos os setores tiveram que sofrer interrupções ou atrasos em suas produções. Conseguimos afastar os incômodos apagões e suportar restrições com medidas adaptadas à situação específica por território e por agência. O país inteiro voltou a «apertar o cinto», mas não foram introduzidas medidas de ajuste que descarregariam o custo do bloqueio criminal sobre o povo. Nós somos território livre de neoliberalismo!</p>
<p>Segundo nossos inimigos e aqueles que amplificam suas mensagens em qualquer plataforma de comunicação, o bloqueio tem como fim prejudicar o governo. Mentira! O bloqueio afeta todo o povo porque afeta todos os setores e atores da economia.</p>
<p>As restrições adicionais à disponibilidade de combustível, iniciadas em abril, afetaram significativamente o transporte público, forçado a paralisar temporariamente ou diminuir o ritmo de alguns investimentos, prejudicando a agricultura, a produção e distribuição de alimentos e outras linhas de alto impacto econômico e social.</p>
<p>A interrupção da chegada de navios de cruzeiro, dos vôos para as províncias, a redução de remessas, o fechamento de escritórios consulares, a limitação das licenças de viagem, entre outras, atingiram especialmente o setor não estatal da economia.</p>
<p>O povo sabe disso porque sofre; mas também enfrentou isso com maior sabedoria e previsão, com a fonte inesgotável de energia que existe em todos os cubanos: a criatividade e a capacidade inigualável de encontrar uma solução para cada problema. Essa é a nossa história, que nos ensina que unidade, resistência, luta e emancipação são as chaves de nossas vitórias.</p>
<p>Em primeiro lugar, graças a isso e, também, à cooperação de governos soberanos e corajosos empresários, dispostos a desafiar a hegemonia dos EUA no comércio com Cuba, enfrentamos e resistimos à guerra econômica.</p>
<p>E nós estamos aqui! De pé, dignos e firmes. Calmos, mas atenciosos. Cientes de que quem tenciona ir mais longe em sua vilania não terá escrúpulos em adotar planos ainda mais perversos, se isso lhe permitir apagar esse exemplo de ousadia e resistência que os irrita e que eles não foram capazes de superar em 61 anos, nem por pressão nem por sedução.</p>
<p>Exatamente há dois anos, no encerramento da Assembleia Nacional, o general-de-exército Raúl Castro lembrou que «a Revolução Cubana resistiu aos ataques de 11 administrações dos Estados Unidos de diferentes signos e aqui estamos e vamos continuar sendo livres, soberanos e independentes».</p>
<p>Com o maior orgulho, as atuais gerações de líderes, do povo e, principalmente, da juventude cubana, presentes hoje na Revolução, dizemos: De Fidel, de Raúl e de todos os seus companheiros na luta: nós somos continuidade!</p>
<p>Sei que apenas essa afirmação enfurece os adversários, porque é a confirmação de que nenhum dos seus planos resultou. Eles nos bateram e nos batem. O bloqueio atrasa o progresso e diminui a eficiência dos nossos esforços. Dói, irrita e incomoda, tal como machucam, irritam e irritam o abuso, a arrogância e a maldade; mas é importante que eles saibam que não nos vamos render!</p>
<p>O bloqueio é uma política tão desacreditada, tão imoral e tão contrária a todos os direitos, que seus defensores excedem qualquer limite legal e humano para mantê-lo, esquecendo um provérbio espanhol, mais antigo que Don Quixote: «água mole em pedra dura, dando bate até que fura». Os provérbios, a propósito, expressam a sabedoria nascida das experiências dos povos, incluindo suas lutas.</p>
<p>Quem sabe se um dia da luta lendária do povo contra esse monstro nascerá um provérbio em todas as línguas, como um monumento universal à nossa resistência! E esse provérbio poderia dizer assim: «Império que isola, acaba ficando isolado» (Aplausos).</p>
<p>Enfraquecido pela corrupção interna e pela disfuncionalidade, o governo dos EUA tem um comportamento extremamente agressivo e unilateralista em quase todas as regiões do mundo diante dos problemas fundamentais do futuro da humanidade e exacerbou os conflitos existentes com absoluto desrespeito ao Direito Internacional e às prerrogativas soberanas de muitos Estados.</p>
<p>No hemisfério, reafirmou oficialmente a validade da Doutrina Monroe e tem atuado em total coerência com essa ambição imperialista. Suas estruturas políticas encarregadas da região parecem dominadas por elementos da extrema direita cubano-norte-americana e por personagens associados à trajetória terrorista e criminosa dos Estados Unidos nesta região.</p>
<p>Mas nem todos se curvam sob suas pressões. A Assembleia Geral das Nações Unidas, que todos os anos se opõe a essa política criminal, condenou-a novamente em 2019, praticamente por unanimidade. Na região, apenas dois governos se afastaram da condenação mundial: somente o Brasil votou contra, em clara submissão ao império, e o da Colômbia se absteve no voto de uma resolução que apoiava desde 1992.</p>
<p>Para justificar essa decisão censurável, as autoridades colombianas recorreram à manipulação, ingrata e motivada politicamente, da contribuição altruísta, consagrada, discreta e injustificável de Cuba à paz naquele país, questão em que a conduta do governo cubano é universalmente reconhecida.</p>
<p>A agressividade do imperialismo é complementada por um intenso e rude programa de subversão política e interferência nos assuntos internos de Cuba, ao qual dedicaram, nos últimos três anos, cerca de 120 milhões de dólares pagos pelos contribuintes daquele país.</p>
<p>Com crescente ativismo e como tem sido amplamente divulgado, há um envolvimento direto de sua embaixada em Cuba nessas ações, em franca violação das leis cubanas e do Direito Internacional, especificamente, da Convenção de Viena sobre as Relações Diplomáticas.</p>
<p>Fiel à trajetória histórica da Revolução, o governo cubano permaneceu firme e sereno diante dessa hostilidade aberta e crescente.</p>
<p>Recusamos a morder a isca das provocações e continuamos comprometidos, de forma responsável, com a preservação dos laços bilaterais formais e com os poucos espaços de cooperação oficial que ainda permanecem em vigor entre os dois países, buscando proteger as condições que permitem os laços familiares de milhões de cidadãos e a comunicação entre os dois países.</p>
<p>No entanto, deve-se enfatizar com absoluta clareza que Cuba tomará todas as medidas necessárias para coibir os propósitos intervencionistas dos Estados Unidos, proteger a tranquilidade e o bem-estar da população, salvaguardar a unidade nacional e defender, pelo preço necessário, a soberania e independência do país (Aplausos).</p>
<p>Não nos deixaremos provocar, nem renunciaremos à nossa sagrada independência. Diante das ameaças do inimigo, agiremos como Raúl nos convocou: cada um a partir de seu bairro, de sua comunidade, deve estar pronto para sair para o combater e tornar sua aquela frase que dissemos quando da morte do Comandante-em-chefe da Revolução Cubana: ‘Eu sou Fidel!’ (Aplausos.)</p>
<p>Quando olharmos para fora, todos os motivos para resistir e criar sem desmaiar são confirmados. A crise do multilateralismo, tão questionada na mais recente Cúpula dos Não-Alinhados, devido aos profundos desequilíbrios que causa e sua ameaça permanente à paz, mostra-nos um mundo em que as desigualdades se aprofundam, e as maiorias são marginalizadas e excluídas.</p>
<p>O neoliberalismo, impulsionado pelo poder da mídia e os fundamentalismos de todos os tipos, empobrece nações que foram prósperas ontem. Acabamos de verificá-lo na Argentina, salva uma vez do desastre neoliberal e convertida novamente em «terra arrasada», em apenas quatro anos de ajustes desproporcionais, conforme documentado por seus intelectuais e artistas, indignado com as altas dívidas sociais deixadas pelo governo cessante , grande promotor de receitas neoliberais.</p>
<p>Sob esquemas semelhantes, o modelo chileno, tão exaltado pelas organizações financeiras internacionais, mostra hoje a incapacidade de resolver os problemas sociais gerados pela economia projetada pelos Chicago Boys. Seus jovens, espancados e abusados ​​por centenas, lideram, em manifestações incansáveis, uma batalha épica contra o sistema que os exclui.</p>
<p>Eles reivindicam direitos que seu governo não levou a sério ou parecem ser invisíveis para a OEA, que tanta preocupação mostra com a estabilidade e a democracia na Venezuela, Nicarágua e até mesmo em Cuba, que nada tem a agradecer ao «ministério das colônias», à que felizmente deixamos de pertencer há mais de 50 anos.</p>
<p>Ratificamos que manteremos a solidariedade e a cooperação com a República Bolivariana da Venezuela, seu legítimo governo sob a presidência de Nicolás Maduro Moros, e com o governo sandinista e o povo, liderados pelo presidente Daniel Ortega.</p>
<p>O lembrete vale para aqueles que montaram os shows anticubanos com o grotesco secretário-geral da OEA no centro da cena.</p>
<p>Outro episódio ultrajante e inaceitável que nos deixa o ano de 2019 é o golpe de estado contra o presidente Evo Morales Ayma, na Bolívia, promovido pela oligarquia local sob as orientações dos ianques, também com a escandalosa cumplicidade da OEA.</p>
<p>Profundamente racistas, os executores do golpe de Estado, repetem a fórmula testada contra a Venezuela de poderes autoproclamados. Não importa se foi provado que o relatório da OEA era mentiroso e que nunca houve violações ou fraudes por parte do MAS. Seus líderes estão refugiados hoje em outros países, perseguidos pelos verdadeiros criminosos: aqueles que tomaram o poder com a Bíblia em uma mão e o fuzil na outra.</p>
<p>Desde o início do golpe, Cuba o condenou. Hoje reafirmamos nossa solidariedade ao companheiro Evo Morales Ayma e ao povo boliviano (Aplausos).</p>
<p>Às tentativas estrangeiras de desestabilizar os Estados caribenhos da Dominica e do Suriname, respondemos que a solidariedade de Cuba com esses governos e povos é sólida e firme.</p>
<p>Nesse contexto amargo, surgiram processos esperançosos no México e na Argentina. Nenhum deles propôs construir o socialismo ou nacionalizar a economia e, mesmo assim, a guerra contra suas políticas sociais já começou, despertando o fantasma da influência marxista.</p>
<p>Ratificamos nossas simpatias e solidariedade ao governo de Andrés Manuel López Obrador no México e aplaudimos a eleição de Alberto Fernández e Cristina Fernández como presidente e vice-presidente da Argentina (Aplausos). Insistimos que a restituição da inocência de Lula, seus direitos políticos e sua consequente plena liberdade devem ser reivindicados.</p>
<p>No México e na Argentina, assistimos, durante o último ano, ao ressurgimento do sonho integrador e à ideia de preservar a diversa e plural Celac, que conseguiu estabelecer em nosso país, em 2014, mais do que uma Proclamação, um desejo compartilhado de ser sempre Zona de Paz.</p>
<p>Os laços com a África, Ásia, Oceania e Oriente Médio são consolidados. Nossas relações políticas e trocas de alto nível com a Federação Russa, a República Popular da China e a República Socialista do Vietnã foram fortalecidas.</p>
<p>Foi um ano positivo nas relações com a União Europeia e seus Estados-Membros em diferentes esferas, incluindo a comercial, a econômica e de investimento e cooperação.</p>
<p>A participação de Cuba na 18ª Cúpula do Movimento dos Não-Alinhados, realizada em Baku, no Azerbaijão, foi ativa e proveitosa. Reiteramos a importância do Movimento desempenhar um papel internacional cada vez mais vigoroso para enfrentar juntos os grandes desafios impostos aos países do Sul.</p>
<p>Companheiras e companheiros:</p>
<p>Em termos gerais, descrevemos a situação política internacional, agravada pela mencionada crise do multilateralismo e a alta interferência dos EUA em nossa região.</p>
<p>Nesse contexto, atormentado por riscos e ameaças, o comportamento discreto da economia cubana não é exceção. A Cepal (Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina) confirmou que a desaceleração geral na América Latina e no Caribe persiste, com um crescimento de 0,1%. E anuncia que será baixo até 2020, com uma taxa estimada de 1,3%, em um contexto internacional caracterizado pela piora das tensões comerciais, entre outros fatores. Nesses índices, os resultados econômicos de Cuba em 2019 avançam, com seu crescimento de 0,5% e as previsões para 2020, localizadas em 1% realista.</p>
<p>Nós não somos exceção. O fato verdadeiramente excepcional é que não recuamos, apesar do peso das enormes pressões e perseguições financeiras que se agravaram este ano a limites incomuns.</p>
<p>A excepcionalidade também é que não recorremos às confortáveis ​​receitas neoliberais que voltam à moda, embora seja mais do que provado que elas servem apenas para aumentar a brecha entre aqueles poucos, muito poucos, que são cada vez mais ricos e a maioria que se empobrece rapidamente.</p>
<p>Lembremos que, no auge do neoliberalismo, na década de 90 do século passado, Fidel «foi ao futuro e voltou para nos contar», tal como era dito sobre suas faculdades premonitórias. No contexto de uma Cúpula Ibero-Americana, em 1993, nosso líder histórico alertou:</p>
<p>«O neoliberalismo não tem futuro e chegará o momento em que tudo começará a ser questionado, mas o tempo precisa passar e, enquanto isso, temos que estar lá lutando pelas coisas mais justas, pelas ideias mais corretas, conscientizando. É muito importante que os povos se conscientizem, e os povos se conscientizam na medida em que vêem que essas receitas não resolvem os problemas».</p>
<p>Quando Fidel expressou essa crítica avançada, os teóricos do sistema estavam determinados a nos convencer de que o capitalismo era o fim da história. Hoje podemos dizer que estamos testemunhando o fim da história do capitalismo. Tudo o que vemos é uma repetição de fórmulas que já comprovaram sua ineficiência e, o que é pior, apesar de seu alto custo social.</p>
<p>Não, obrigado, não queremos isso para o nosso povo. Queremos prosperidade e lutaremos por ela a todo o custo; mas nunca à custa de deixar a maioria fora dos seus benefícios.</p>
<p>Não estamos interessados ​​em uma sociedade, como já vimos por aí, onde as luminárias que divulgam o progresso escondem as estrelas no céu, enquanto centenas de pessoas dormem nos parques e dezenas de crianças correm para limpar os vidros dos carros climatizados aos seus passageiros abastados, homens e mulheres que acreditam que aliviam suas consciências jogando-lhe algumas moedas para comer.</p>
<p>Queremos que a decência, a beleza, o bom gosto e a cultura dos detalhes sejam instalados em nossas cidades e que as melhores práticas produtivas façam nossos campos florescer. Queremos que o trabalho honesto e a eficiência vençam na guerra contra as ilegalidades, a burocracia, a acomodação, a inércia e a apatia.</p>
<p>Nós cubanos somos vencedores do impossível. E é um bom momento para propor-nos outro ano de excepcionalidade positiva.</p>
<p>Revendo o final mais marcante, ficamos surpresos com o salto sobre as dificuldades:</p>
<p>A partir de 2019, um tornado devastador danificou severamente casas e centros produtivos em cinco municípios de nossa capital. Naquela manhã de 28 de janeiro, no meio da escuridão, entre os escombros, poucos acreditavam que seria possível curar suas feridas profundas e cumprir os programas de construção e embelezamento pelos 500 anos de Havana.</p>
<p>Um verdadeiro tornado de trabalho, esforço, solidariedade e inteligência coletiva apagou em poucos meses o golpe da natureza, impondo um recorde nos investimentos planejados.</p>
<p>Isso contribuiu para o cumprimento em excesso, que mais nos encoraja, no final do primeiro ano da Política de Habitação aprovada. Com nossos próprios esforços, os subsídios e por parte do Estado, 43.700 casas foram concluídas, 10.000 a mais do que o planejado, uma verdadeira inspiração para os próximos anos, nas quais aspiramos terminar mais de 60.000 anualmente. Só assim e sob novos conceitos de funcionalidade, qualidade e harmonia com o meio ambiente, um dia resolveremos os problemas acumulados com a habitação.</p>
<p>Foi também em 2019 o ano de começar a ver o resultado dos maiores investimentos em transporte terrestre e ferroviário. 80 trens novos foram colocados em operação em trens nacionais, o que foi acompanhado por uma renovação da qualidade desses serviços, além da reabilitação das principais estações ferroviárias.</p>
<p>Mais de 300 ônibus montados em Cuba, 69 semi-ônibus e 125 triciclos foram incorporados aos serviços públicos, enquanto houve progresso na recuperação de ônibus paralisados ​​de longo prazo, o que colocou algum alívio em um dos problemas mais graves do país e que continuará exigindo recursos e eficiência.</p>
<p>Os trabalhadores do setor orçamentado certamente se lembrarão de que em 2019 seus salários multiplicaram até três vezes, o que favoreceu, entre outras coisas, a reintegração de 12.942 professores às salas de aula, para atingir 96,9% da cobertura de professores, sem utilização de alternativas.</p>
<p>Amanhã, 22 de dezembro, é dia do educador, para os queridos professores cubanos, parabéns nesse dia e o reconhecimento por suas contribuições (Aplausos).</p>
<p>Ainda sem alcançar a reforma salarial, o aumento elevou o valor real da renda dos trabalhadores do setor estatal e, em menor grau, à previdência social, demanda adiada por anos, aguardando uma melhora na economia, que ainda está pendente.</p>
<p>Foi o ano em que os serviços de telefonia e acesso à Internet foram ampliados e aprofundados, a ponto de passar de um dos últimos lugares do mundo para uma das sociedades em que a conexão de rede de rede cresceu mais dinamicamente.</p>
<p>Sete milhões e trezentas mil linhas telefônicas, das quais 6 milhões para telefones móveis e mais de 3 milhões de usuários usando a tecnologia 3G e 4G, significam avanços significativos no objetivo de alcançar maior informatização da sociedade.</p>
<p>Parágrafo separado para o turismo que, sendo o setor mais atingido pelo reforço do bloqueio, juntamente com os serviços médicos, conseguiu ultrapassar 4 milhões de turistas, colocou em operação 3.855 novas capacidades e avançou nainterrelação com a produção nacional, o investimento estrangeiro e setor não estatal, aspectos nos quais devemos continuar trabalhando, devido ao seu impacto na economia nacional e à melhoria contínua da qualidade.</p>
<p>Na Zona de Desenvolvimento Especial de Mariel, já estão em operação plantas industriais que fabricam produtos cubanos necessários para nosso mercado interno e com possibilidades de exportação.</p>
<p>Mas o mais importante do ano para esta legislatura e para todos os cidadãos é que a nova Constituição foi aprovada, o que fortalece a sociedade cubana e abre novos caminhos para a institucionalização do país.</p>
<p>Seis leis surgiram de sua implementação em duas sessões, em um exercício legislativo sem precedentes que hoje nos deixa os instrumentos legais necessários para o melhor funcionamento da própria Assembleia Nacional, dos Conselhos Municipais e Populares, bem como com novos números e formas de exercício do governo, que devem nos levar à melhoria irreparável dos órgãos de poder do povo.</p>
<p>Nesta sessão parlamentar, elegemos pela primeira vez nestes anos o primeiro-ministro e também o novo Conselho de Ministros. Podemos assegurar-lhes que o companheiro Manuel Marrero Cruz, os vice-primeiros-ministros e os ministros nomeados vão se dedicar completamente, dando continuidade à ação exaltante de exercer o governo com o povo e para o povo.</p>
<p>Avançamos nessa dinâmica de trabalho em função das necessidades e demandas mais prementes da população, quando o ataque imperial nos privou de mais de 50% do combustível necessário em setembro.</p>
<p>Chegou a «conjuntura», período que estressou todas as nossas forças para evitar afetações e contratempos. E piadas e memes foram feitos em redes sociais que entrarão na lista de uma das forças mais poderosas do ser nacional: a capacidade de brincar, mesmo com nossos problemas mais sérios. Mesmo aqueles que usamos a palavra inicialmente para dissipar os sustos causados ​​pelo boato malicioso de que os momentos mais difíceis do Período Especial retornariam, aliviamos a angústia dos pontos de ônibus lotados, os postos de gasolina desligados ou com longas filas, as produções paradas e todo os problemas associados, rindo quando não havia outra saída.</p>
<p>Essa foi mais uma luta que vencemos, mas não totalmente (Aplausos). Se a «conjuntura» nos forçou a analisar as experiências de tempos piores de práticas de economia, mal passou a crise mais difícil alguns motoristas estaduais de carro voltaram novamente a subir as janelas e esquecer a solidariedade. E existem medidas que não podem ser temporárias. Temos que impô-las até que a rotina se torne habitual. Como todas as formas de poupança e todas as práticas de solidariedade.</p>
<p>Esta é uma decisão. Não é uma ordem. É uma disposição que dou em nome do governo e das necessidades da maioria (Aplausos). E exigiremos o cumprimento, porque é o mandato do povo.</p>
<p>O lado bom dos maus momentos é que eles nos educam sobre as melhores práticas. E a educação e a cultura adquiridas nos 60 anos da Revolução devem nos servir como algo, aquela riqueza moral que não há tesouro material para substituir ou superar.</p>
<p>Mencionei apenas alguns dos fatos mais notáveis ​​da atividade do governo no ano, devido ao seu impacto em toda a população e porque os comparecimentos de nosso ministro da Economia e da nossa ministra das Finanças deram os detalhes indispensáveis.</p>
<p>Outros dados e resultados das agências serão publicados no site da Presidência e esperamos que eles nutram nossas redes sociais. Na verdade, há muito do que se orgulhar, e ainda há muito a ser resolvido. O mais premente é a reorganização monetária.</p>
<p>Não esquecemos o que o general-de-exército disse há dois anos sobre o assunto:</p>
<p>«Ninguém pode calcular, mesmo os mais sábios que tenhamos, o alto custo que a persistência da dualidade monetária e cambial significou para o setor estatal, o que favorece a pirâmide invertida injusta, onde uma maior responsabilidade recebe salários mais baixos e nem todos os cidadãos elegíveis se sentem motivados a trabalhar legalmente, enquanto a promoção para cargos mais altos dos melhores e mais qualificados trabalhadores e quadros é desencorajada, alguns dos quais migram para o setor não estatal».</p>
<p>«Devo reconhecer que esse problema nos levou muito tempo e sua solução não pode ser adiada». Os aplausos que acompanharam suas palavras nós temos o dever de transformá-los em esforços para cumprir os prazos previstos.</p>
<p>Podemos garantir que a ordem monetária está em uma fase avançada de estudo e aprovação. Atualmente, os esforços estão focados na validação integral dos resultados de cada tópico; a elaboração das normas legais, a organização e execução de processos de treinamento, a garantia política e a comunicação social.</p>
<p>Confirma-se a integralidade do processo e sua complexidade, uma vez que engloba aspectos estreitamente interrelacionados que impactarão toda a sociedade, que serão aplicados na sequência esperada, minimizando os efeitos sobre a população.</p>
<p>Como esse processo não é uma troca de moedas, afirmo o que foi expresso em ocasiões anteriores em que serão garantidos os depósitos bancários em moedas estrangeiras, os pesos conversíveis, os pesos cubanos e o dinheiro nas mãos da população.</p>
<p>Todas as medidas dele derivadas serão devidamente informadas ao nosso povo.</p>
<p>Companheiras e companheiros:</p>
<p>Três prioridades foram levantadas para enfrentar os ataques do adversário sem abrir mão de nossos programas de desenvolvimento. A primeira é ideológica e tem a ver diretamente com a nossa defesa, a partir das mais profundas convicções. O povo cubano, formado e treinado por Fidel em batalhas lendárias, está preparado para entender e assumir quantos problemas a agressão inimiga coloca. Só precisa ser informado e receber as explicações em tempo hábil.</p>
<p>Isso ficou demonstrado quando informamos a situação criada com a disponibilidade de combustível e convocamos a transformar um ataque inimigo em uma oportunidade de liberar a criatividade e resgatar conhecimentos de outros tempos.</p>
<p>Fortalecer-se ideologicamente significa transformar resistência em aprendizado e esse aprendizado em soluções emancipatórias, enquanto nos livra de antigas dependências e vínculos com esquemas de trabalho obsoletos.</p>
<p>Quando chamamos para pensar como um país e pensamos de maneira diferente, estamos chamando para criar. Cuba é uma cidade de criadores. Acaso nossa longa resistência não tem sido um ato perpétuo de criação?</p>
<p>A outra prioridade é a batalha econômica. E vejam que eu não digo a segunda batalha, digo «outra prioridade», porque todas elas importam.</p>
<p>O inimigo transformou a economia cubana no primeiro objetivo a ser destruído. Não apenas porque seja o caminho para a destruição da Revolução, mas porque é uma maneira de demonstrar que o socialismo é um sistema inviável. E cada minuto de resistência à agressão está dizendo exatamente o oposto: que apenas o socialismo torna possível o milagre de uma pequena nação vitoriosa contra um poderoso império que não foi capaz de se render.</p>
<p>Mas não estamos interessados ​​apenas em resistir. Ganhamos esse mérito há muito tempo. O desafio é, no meio dessa mesma guerra, conquistar a maior prosperidade possível. Para isso, precisamos de mais produções, mais diversificadas e de melhor qualidade, com o valor agregado da ciência e das cadeias que nos capacitem a reduzir as importações e aumentar as exportações, em um esquema de sustentabilidade no nível do conhecimento científico e habilidades demonstradas dos cubanos. Com essa convicção, defenderemos o Plano da Economia e o Orçamento para 2020, aprovados nesta sessão.</p>
<p>Juntamente com essas prioridades, está o exercício legislativo cujo cronograma também foi aprovado nesta Assembléia.</p>
<p>Nos próximos meses e anos, devemos aprovar novas leis e nos preparar para legislar sobre questões transcendentes devido à sua alta sensibilidade, que inclui algumas que têm sido motivo de preocupação para várias pessoas, relacionadas à violência de gênero, racismo, abuso de animais e diversidade sexual</p>
<p>Os quatro estão sendo alvo da atenção e o acompanhamento para reforçar e fortalecer a legalidade, mas sem dar espaço a confrontos e fraturas que buscam promover forças exógenas determinadas a interferir em assuntos sagrados para a sensibilidade nacional.</p>
<p>O governo cubano, nascido da Revolução que libertou as mulheres da escravidão doméstica, que igualou todos os cidadãos, sanciona e condena a violência em todas as suas formas, conhece e compartilha as insatisfações de setores da população afetada pela vestígios dos abusos que nela sobrevivem, apesar das políticas oficiais voltadas à conquista de «toda a justiça», como José Martí pediu.</p>
<p>O que não podemos perder de vista é que só alcançaremos essa justiça total tal como chegamos até aqui, entre os piores presságios e vendavais; com unidade e unidade.</p>
<p>Não é fragmentando a sociedade, acusando o outro, procurando o que nos divide, como resolveremos nossas dívidas com a coisa mais justa para todos: Unidos conseguimos vencer! Unidos vamos vencer! (Aplausos.)</p>
<p>Recentemente, aprovamos um programa do governo para combater a discriminação racial. Esse é o espírito que nos encoraja quando nos preparamos para enfrentar um novo ano com a certeza do que isso nos deixa: juntos, tudo é possível! Uma sociedade em que a mulher escalou em 60 anos do recanto mais escuro da casa ao pódio da maioria profissional do país; uma nação mestiça, onde todos somos tão claros que parecemos brancos e tão escuros que parecemos negros, como diria Dom Fernando Ortiz. Um povo tão sensível que acredita na vida e a exalta todos os dias, tem todas as condições para enfrentar e resolver qualquer vestígio de abuso, exclusão, discriminação ou submissão que sobreviveu à justa obra da Revolução. E nós vamos fazer isso! (Aplausos.)</p>
<p>É assim que vemos o progresso de nossa sociedade em áreas igualmente profundas, mas menos tangíveis. Refiro-me à espiritualidade em todas as suas dimensões, à necessidade de crescer no reforço dos valores que devem distinguir uma sociedade como a nossa. E à erradicação de atitudes contrárias à moral desta sociedade em que nos reconhecemos.</p>
<p>O general-de-exército comentou mais de uma vez como, na escola em que foi treinado quando criança, foi educado em um exercício de introspecção autocrítica que ainda continua praticando em sua idade: avaliar no final de cada dia o que fez de bom e útil e o que não.</p>
<p>Na Idade de Ouro, José Marti deixou escrito que um dia não deveria passar sem ter feito uma boa ação, o princípio educativo fundamental de La Colmenita, que tanto admiramos.</p>
<p>Não é apenas para crianças essa recomendação. É para todas as idades e para os cidadãos como um todo. A bela sociedade que almejamos virá logo na medida em que nos exigirmos comportamentos cívicos como uma obrigação.</p>
<p>Para dar alguns exemplos: Que valor teriam as obras pelos 500 anos que enfeitaram a capital, se a higiene da cidade desaparecer novamente entre montanhas de lixo e não forem devidamente sancionados os que têm a responsabilidade de resolver esses problemas ou aqueles que convivem com essas práticas em sua própria porta?</p>
<p>E outro exemplo: qual o valor dos controles, auditorias e sanções severas, se somente quando a lei for aplicada, começaremos a ver quem comete uma vítima?</p>
<p>O paternalismo é outro daqueles vícios que enfraquecem a velocidade e a profundidade de nossos avanços. Durante os debates nas comissões, as práticas abusivas daqueles que complicam e negociam com os procedimentos mais simples foram discutidas mais de uma vez. Mas que trabalho custa que se generalize a sanção moral, a denúncia, a recusa em ser subornados ou em subornar.</p>
<p>Eu estendi meus pensamentos sobre esses assuntos, porque aqui estamos quase todos responsáveis, não apenas por elaborar e aprovar as leis, mas também por aplicá-las. E é nosso dever transformá-las em uma carta viva (Aplausos).</p>
<p>Resta muito para dizer e fazer, mas, além disso, precisamos nos dar tempo para celebrar o ano que termina, carregado de tensões e desafios, mas também de vitórias.</p>
<p>Vamos viver os próximos dias e horas como se a Revolução triunfasse novamente. A Revolução triunfa toda vez que conquistamos uma vitória por nossa causa ao império. E em 2019 fizemos isso várias vezes (Aplausos).</p>
<p>Que nossas praças urbanas e rurais estejam cheias de música e alegria.</p>
<p>Há todas as razões para comemorar. No 61º ano da Revolução, eles tentaram nos matar e estamos vivos (Longos aplausos). Vivos, comemorando e determinados em continuar vencendo.</p>
<p>Pátria ou Morte!</p>
<p>Socialismo ou Morte!</p>
<p>Venceremos!</p>
<p>(Ovação.)</p>
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		<title>Discurso proferido pelo Comandante-em-Chefe Fidel Castro Ruz à sua chegada a Havana, na Cidade Liberdade, em 8 de janeiro de 1959</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Oct 2019 14:33:56 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cubadebate</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Cuba]]></category>
		<category><![CDATA[Discurso]]></category>
		<category><![CDATA[Fidel Castro]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[Compatriotas:
Sei que ao falar nesta noite aqui, tenho uma das obrigações mais difíceis, se calhar, neste longo processo de luta que começou em Santiago de Cuba, a 30 de novembro de 1956.
O povo escuta, escutam os combatentes revolucionários e escutam os soldados do Exército, cujo destino está em nossas mãos.
]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong><br />
<img class="alignleft size-full wp-image-4436" alt="fidel-castro-viaje-a-la-urss-01-24-1-64" src="/files/2016/11/fidel-castro-viaje-a-la-urss-01-24-1-64.jpg" width="300" height="250" />Fecha: 08/01/1959</strong></p>
<p>Compatriotas:</p>
<p>Sei que ao falar nesta noite aqui, tenho uma das obrigações mais difíceis, se calhar, neste longo processo de luta que começou em Santiago de Cuba, a 30 de novembro de 1956.</p>
<p>O povo escuta, escutam os combatentes revolucionários e escutam os soldados do Exército, cujo destino está em nossas mãos.</p>
<p>Acho que este é um momento decisivo de nossa história: a tirania foi derrocada. A alegria é imensa. Contudo, ainda resta muita coisa por fazer. Não nos enganamos acreditando que daqui em diante tudo será fácil; talvez daqui em diante tudo seja mais difícil.</p>
<p>Dizer a verdade é o primeiro dever de todo revolucionário. Enganar o povo, avivar nele enganosas ilusões, sempre traria as piores consequências, e acho que o povo tem que ser alertado contra o excesso de otimismo.</p>
<p>Como ganhou a guerra o Exército Rebelde? Dizendo a verdade. Como perdeu a guerra a tirania? Enganando os soldados.</p>
<p>Quando sofríamos uma derrota, declarávamos isso na “Radio Rebelde”, censurávamos os erros de qualquer oficial que o tivesse cometido, e advertíamos a todos os companheiros para que não lhe fosse a acontecer o mesmo a qualquer outra tropa. Não acontecia assim com as companhias do Exército. Diferentes tropas caiam nos mesmos erros, porque aos oficiais e aos soldados jamais lhes diziam a verdade.</p>
<p>E por isso quero começar —aliás, continuar— com o mesmo sistema: o de falar sempre a verdade para o povo.</p>
<p>Caminhou-se um trecho, talvez um passo de avanço considerável. Aqui estamos na capital, aqui estamos em Colúmbia, parecem vitoriosas as forças revolucionárias; o governo está constituído, reconhecido por numerosos países do mundo, ao que parece foi conquistada a paz; contudo, não devemos ficar otimistas. Enquanto o povo ria hoje, enquanto o povo se alegrava nós ficávamos preocupados; e enquanto mais extraordinária era a multidão que acudia a receber-nos, e enquanto mais extraordinário era o júbilo do povo, maior era nossa preocupação, porque maior era também nossa responsabilidade diante da história e diante do povo de Cuba.</p>
<p>A Revolução já tem enfrente um Exército em prontidão para o combate. Quem daqui em diante podem ser os inimigos da Revolução? Quem podem ser diante deste povo vitorioso, doravante, os inimigos da Revolução? Os piores inimigos que doravante poderá ter a Revolução Cubana, somos os próprios revolucionários.</p>
<p>É o que sempre lhes falava aos combatentes rebeldes: quando não tenhamos diante o inimigo, quando a guerra conclua, os únicos inimigos da Revolução podemos ser nós próprios, e por isso sempre dizia, e digo, que com o soldado rebelde seremos mais rigorosos que com ninguém, que com o soldado rebelde seremos mais exigentes do que com ninguém, porque deles dependerá que a Revolução triunfe ou fracasse.</p>
<p>Tem muitas classes de revolucionários. De revolução temos ouvido falar há muito tempo; até no dia 10 de março se falou que fizeram uma revolução, e invocavam a palavra revolução, e tudo era revolucionário; aos soldados os reuniam aqui e lhes falavam da “Revolução de 10 de março” (RISOS).</p>
<p>Há muito tempo que ouvimos falar em revolucionários. Eu me lembro das minhas primeiras impressões de revolucionário, até que o estudo e alguma maturidade me deram noções do que era realmente uma revolução e do que era realmente um revolucionário. As primeiras impressões relativamente a um revolucionário as escutávamos quando éramos crianças, e ouvíamos dizer: “Fulano foi revolucionário, esteve em tal combate, ou em tal operação, ou colocou bombas”, “Beltrano era revolucionário&#8230;”, inclusive foi criada uma casta de revolucionários, e então tinha revolucionários que queriam viver da revolução, queriam viver a título de terem sido revolucionários, de terem colocado uma bomba ou duas bombas; e é possível que os que mais falavam fossem os que menos tinham feito. Mas, é verdade que acudiam aos ministérios à procura de vagas, a viverem de parasitas, a cobrar o preço daquilo que tinham feito naquele momento, por uma revolução que infelizmente não chegou a realizar-se, porque estimo que a primeira que parece que tem maiores possibilidades de realizar-se é a Revolução atual, se nós não a estragamos&#8230; (EXCLAMAÇÕES DE: “Não!” e APLAUSOS).</p>
<p>Aquele revolucionário das minhas primeiras impressões de criança andava com uma pistola 45 na cintura, e queria viver a seu bel-prazer; era preciso ter medo dele: era capaz de matar qualquer um; chegava ao gabinete dos altos funcionários com ar de homem ao qual era preciso ouvir; e na verdade a gente se perguntava:</p>
<p>Cadê a revolução que esta gente fez, estes revolucionários? Porque não houve revolução, e houve muito poucos revolucionários.</p>
<p>A primeira coisa que devemos perguntar-nos os que fizemos esta Revolução é, com que intenções a fizemos?; Se em algum de nós se ocultava uma ambição, um afã de mando, um propósito ignóbil; se em cada um dos combatentes desta Revolução havia um idealista ou com o pretexto do idealismo se perseguiam outros fins; se fizemos esta Revolução pensando que mal fosse derrocada a tirania íamos desfrutar dos benefícios do poder; se cada um de nós ia ter um “carrão”, se cada um de nós ia viver que nem rei, se cada um de nós ia ter um palacete, e daqui em diante para nós a vida seria um passeio, visto que para isso tínhamos sido revolucionários e tínhamos derrubado a tirania; se o que estávamos pensando era tirar uns ministros para colocar outros, se o que estávamos pensando simplesmente era tirar uns homens para colocar outros; ou se em cada um de nós existia um verdadeiro desinteresse, se em cada um de nós existia um verdadeiro espírito de sacrifício, se em cada um de nós existia o propósito de dar tudo a câmbio de nada, e se de antemão estávamos dispostos a renunciar a tudo o que não fosse seguir cumprindo sacrificadamente com o dever de sinceros revolucionários (APLAUSOS PROLONGADOS).<br />
É preciso que a gente se faça essa pergunta, porque de nosso exame de consciência pode depender muito o destino futuro de Cuba, de nós e do povo. Quando ouço falar em colunas, quando ouço falar em frentes de combate, quando ouço falar em tropas mais ou menos numerosas, sempre penso: eis nossa coluna mais firme, nossa melhor tropa, a única tropa que é capaz de ganhar a guerra sozinha: Essa tropa é o povo! (APLAUSOS.)</p>
<p>Mais do que o povo não pode nenhum general; mais do que o povo não pode nenhum Exército. Se a mim me perguntassem que tropa prefiro comandar, eu diria: prefiro comandar o povo (APLAUSOS), porque o povo é invencível. E o povo foi que ganhou esta guerra, porque nós não tínhamos tanques, nós não tínhamos aviões, nós não tínhamos canhões, nós não tínhamos academias militares, nós não tínhamos campos de recrutamento e de treino, nós não tínhamos divisões, nem regimentos, nem companhias, nem pelotões, nem esquadras sequer (APLAUSOS PROLONGADOS).</p>
<p>E aí?, Quem ganhou a guerra? O povo, o povo ganhou a guerra. Esta guerra não a ganhou ninguém mais do que o povo —e falo isso caso alguém pensasse que foi ele que ganhou a guerra, ou por se alguma tropa acha que foi que ganhou a guerra (APLAUSOS). Portanto, antes de nada está o povo.</p>
<p>Porém, tem mais uma coisa: a Revolução não me interessa a mim como pessoa, nem a outro comandante como pessoa, nem ao outro capitão, nem à outra coluna, nem à outra companhia; a Revolução é do interesse do povo (APLAUSOS).</p>
<p>Aquele que ganha ou perde com ela é o povo. Se o povo foi quem sofreu os horrores destes sete anos, o povo é quem tem que se perguntar se dentro de 10 ou dentro de 15, ou de 20 anos, ele, e seus filhos, e seus netos, vão continuar sofrendo os horrores que têm sofrido desde seu início a República de Cuba, coroada de ditaduras como as de Machado e as de Batista (APLAUSOS PROLONGADOS).</p>
<p>Ao povo lhe interessa muito se nós vamos fazer bem feita esta Revolução ou se nós vamos incorrer nos mesmos erros em que incorreu a revolução anterior, ou a anterior, ou a anterior, e em consequência vamos sofrer as consequências dos nossos erros, porque não tem erro sem consequências para o povo; não tem erro político que não se pague, mais tarde ou mais cedo.</p>
<p>Existem circunstâncias que não são as mesmas. Por exemplo, estimo que desta vez exista mais oportunidade do que nunca de que na verdade a Revolução cumpra seu destino cabalmente. Talvez por isso seja tão grande o júbilo do povo, esquecendo-se um pouco do muito que é preciso lutar ainda.</p>
<p>Um dos maiores anseios da nação, consequência dos horrores padecidos, pela repressão e pela guerra, era o anseio de paz, de paz com liberdade, de paz com justiça, e de paz com direitos. Ninguém queria a paz a outro preço, porque Batista falava de paz, falava de ordem, e ninguém queria aquela paz, porque tivesse sido a paz a custas da imposição.</p>
<p>Hoje o povo tem a paz como queria: uma paz sem ditadura, uma paz sem crime, uma paz sem censura, uma paz sem perseguição (APLAUSOS PROLONGADOS).<br />
É possível que a maior alegria neste instante seja a alegria das mães cubanas. Mães de soldados ou mães de revolucionários, mães de qualquer cidadão; hoje experimentam a sensação de que seus filhos, por fim, estão fora de perigo (APLAUSOS).</p>
<p>O maior crime que possa ser cometido hoje em Cuba, repito, o maior crime que possa ser cometido hoje em Cuba seria um crime contra a paz. O que ninguém perdoaria hoje em Cuba seria que alguém conspirasse contra a paz (APLAUSOS).</p>
<p>Todo aquele que faça alguma coisa contra a paz de Cuba, todo aquele que hoje faça alguma coisa que coloque em perigo a tranquilidade e a felicidade de milhões de mães cubanas, é um criminal e é um traidor (APLAUSOS). Aquele que não estiver disposto a renunciar a alguma coisa pela paz, quem não estiver disposto a renunciar tudo pela paz nesta hora, é um criminal e é um traidor (APLAUSOS).</p>
<p>Como eu penso assim, digo e juro diante dos meus compatriotas que se qualquer um dos meus companheiros, ou do nosso movimento, ou eu, fôssemos o menor obstáculo para a paz de Cuba, desde agora mesmo o povo pode dispor de todos nós e dizer o que temos que fazer (APLAUSOS). Porque sou um homem que sabe renunciar, porque o demonstrei mais de uma vez em minha vida, porque ensinei isso aos meus companheiros, tenho moral e me sinto com força e autoridade suficientes para falar em um instante como este (APLAUSOS e EXCLAMAÇÕES DE: “Viva Fidel Castro!”).</p>
<p>E aos primeiros que devo falar-lhes assim é aos revolucionários; e se for preciso, aliás, porque é preciso dizê-lo a tempo.</p>
<p>Não fica tão longínqua aquela década que se seguiu à queda de Machado; talvez um dos maiores males daquela luta fosse a proliferação dos grupos revolucionários, que não tardaram brigar aos tiros uns contra os outros (APLAUSOS). E em consequência o que se passou é que chegou Batista e ficou 11 anos no poder.</p>
<p>Quando o Movimento 26 de Julho se organizou, inclusive quando iniciamos esta guerra, eu considerei que se bem eram muito grandes os sacrifícios que estávamos fazendo, que se bem a luta ia ser muito longa, e tem sido, porque durou mais de dois anos, dois anos que não foram para nós um passeio, dois anos de duro batalhar, desde que reiniciamos a campanha com um punhado de homens, até que chegamos à capital da República apesar dos sacrifícios que tínhamos por diante, nos tranquilizava, contudo, uma ideia: era evidente que o Movimento 26 de Julho contava com a esmagadora maioria do apoio e da simpatia popular (APLAUSOS); era evidente que o Movimento 26 de Julho contava com o apoio quase unânime da juventude cubana (APLAUSOS). Parecia que desta vez uma organização grande e forte ia recolher as inquietações do nosso povo e as terríveis consequências da proliferação de organizações revolucionárias não ia acontecer neste processo.</p>
<p>Acho que todos devíamos ficar desde o primeiro momento em uma única organização revolucionária: a nossa ou a do outro, 26, 27 ou 50, na qual fosse, porque, afinal éramos os mesmos os que lutávamos na Sierra Maestra que os que lutávamos no Escambray, ou em Pinar do Río, e homens jovens, e homens com os mesmos ideais, por que tinha que existir meia dúzia de organizações revolucionárias? (APLAUSOS.)</p>
<p>A nossa, simplesmente foi a primeira; a nossa, simplesmente foi a que levou a cabo a primeira batalha no Moncada, a que desembarcou no “Granma” a 2 de dezembro (APLAUSOS), e a que lutou sozinha durante mais de um ano contra toda a força da tirania (APLAUSOS); a que quando não tinha mais do que 12 homens, manteve ao alto a bandeira da rebeldia, a que ensinou o povo que se podia lutar e se podia vencer, a que destruiu todas as falsas hipóteses sobre revolução que existiam em Cuba. Porque aqui toda a gente estava conspirando junto do cabo, do sargento, ou metendo armas em Havana, que as pegavam da polícia (APLAUSOS), até que viemos nós e demonstramos que essa não era a luta, que a luta tinha que ser outra, que era preciso inventar uma nova tática e uma nova estratégia, que foi a tática e a estratégia que nós colocamos em prática e que conduziu ao mais extraordinário triunfo que teve em sua história o povo de Cuba (APLAUSOS).</p>
<p>E quero que honradamente o povo me diga se isto é ou não é verdade (APLAUSOS e EXCLAMAÇÕES DE: “Sim!”)</p>
<p>De fato, também tem outra questão: o Movimento 26 de Julho era a organização absolutamente maioritária, não é verdade? (EXCLAMAÇÕES DE: “Sim!”) E, como terminou a luta? Vou dizê-lo: o Exército Rebelde, que é o nome do nosso Exército, daquele que iniciou na Sierra Maestra, ao cair a tirania tomou todo Oriente, todo Camagüey, parte das Villas, todo Matanzas, La Cabaña, Columbia, a Chefia da Polícia e Pinar do Río (APLAUSOS).</p>
<p>Terminou a luta de acordo com a correlação de forças que existia, porque por algo nossas colunas atravessaram as planícies de Camagüey, perseguidas por milhares de soldados e pela aviação, e chegaram a Las Villas; e porque o Exército Rebelde tinha o comandante Camilo Cienfuegos (APLAUSOS PROLONGADOS), em Las Villas, e porque tinha o comandante Ernesto Guevara em Las Villas (APLAUSOS PROLONGADOS) no dia 1º de janeiro, aquando da traição de Cantillo (EXCLAMAÇÕES DE: “Fora!”)&#8230; Porque ali estavam, digo, no dia Primeiro consegui dar a ordem ao comandante Camilo Cienfuegos de que avançasse com 500 homens sobre a capital e atacasse Columbia (APLAUSOS); porque tinha o comandante Ernesto Guevara em Las Villas, consegui dizer-lhe que avançasse sobre a capital e se apoderasse de La Cabaña (APLAUSOS).</p>
<p>Todos os regimentos, todas as fortalezas militares de importância, ficaram em poder do Exército Rebelde, e essas ninguém as deu para nós, não é que ninguém dissesse: “Vai ali, vai para lá, vai para ali”; foi nosso esforço e nosso sacrifício, nossa experiência e nossa organização o que conduziu a esses resultados (APLAUSOS).</p>
<p>Quer dizer que os outros não lutaram? Não. Quer dizer que os outros não tenham méritos? Não. Porque todos lutamos, porque todo o povo lutou. Em Havana não existia nenhuma Sierra, mas existem centenas de mortos, de companheiros que foram assassinados por cumprir com seus deveres revolucionários. Em Havana não existia nenhuma Sierra e, não obstante, a greve geral foi um fator decisivo para que a vitória da Revolução fosse completa (APLAUSOS).</p>
<p>Ao dizer isto, a única coisa que faço é colocar as coisas em seu sítio, o papel do Movimento 26 de Julho nesta luta, como guiou o povo, naqueles momentos em que aqui se falava de eleições e de eleitoralismo. Uma vez tive que escrever um artigo desde México, que se titulava: “Frente a todos”, porque realmente estávamos contra todas as opiniões, defendendo nossa tese revolucionária, a estratégia desta Revolução, que foi traçada pelo movimento 26 de Julho, e a culminação desta Revolução, que foi a derrota esmagadora da tirania, em que suas fortalezas mais importantes ficaram nas mãos das forças do Exército Rebelde, organizado pelo Movimento 26 de Julho.</p>
<p>O Movimento 26 de Julho não só traçou as pautas na guerra, mas também ensinou como devia ser tratado o inimigo na guerra. Se calhar esta tem sido no mundo a primeira revolução onde jamais foi assassinado um prisioneiro de guerra (APLAUSOS PROLONGADOS); onde jamais se abandonou um ferido, onde jamais foi torturado um homem (APLAUSOS); porque esta pauta foi traçada pelo Exército Rebelde. E mais uma coisa: esta é a única revolução no mundo onde não se deu um general (APLAUSOS), nem sequer um coronel, porque a patente que eu me coloquei ou me colocaram meus companheiros, foi a de comandante, e não a cambiei, apesar de que ganhamos muitas batalhas e ganhamos uma guerra; continuo sendo comandante, e não quero outra patente (APLAUSOS).</p>
<p>E o efeito moral, o fato de que os que iniciamos esta guerra determinássemos uma graduação determinada na hierarquia militar, fez com que ninguém se atrevesse a colocar aqui mais graus do que os de comandante —embora tenha comandantes demais, a julgar pelo que parece.</p>
<p>Acho que o povo concorde com que eu fale claro, porque ter lutado como lutei pelos direitos de cada cidadão, nem que seja me outorga o direito de dizer a verdade em voz alta (APLAUSOS). E, também, porque estando de por meio os interesses da pátria, não transijo absolutamente com a menor contemporização com os riscos que possam sobrevir à Revolução Cubana (APLAUSOS).</p>
<p>Acaso têm todos a mesma autoridade moral para falar? Eu digo que quem tiver mais méritos tem mais autoridade para falar do que aquele que tiver menos méritos. Acho que para que os homens se igualem em prerrogativas morais, têm que igualar-se primeiro em méritos. Acho que a Revolução concluiu como devia, quando o comandante Camilo Cienfuegos —veterano de dois anos e um mês de luta— (APLAUSOS), é o chefe de Columbia; quando o comandante Efigenio Ameijeiras, que perdeu três irmãos nesta guerra e é veterano do “Granma” e comandante pelas batalhas em que combateu (APLAUSOS), é chefe da polícia da República, e quando o comandante Ernesto Guevara —verdadeiro herói, expedicionário do “Granma” e veterano de dois anos e um mês de luta nas montanhas mais altas e mais ásperas de Cuba—, é o chefe de La Cabaña (APLAUSOS); e quando à frente de cada regimento nas diferentes províncias colocamos os homens que mais se sacrificaram e mais combateram nesta Revolução. E se isso é assim, ninguém tem direito a ficar zangado.</p>
<p>Antes do mais, renda-se culto ao mérito, porque aquele que não rende culto ao mérito é apenas um ambicioso (APLAUSOS); aquele que sem ter os méritos de outros quer em troca ter as prerrogativas de outros.</p>
<p>Agora a República, ou a Revolução, entra em uma nova fase. Seria justo que a ambição ou os personalismos viessem aqui a colocar em perigo o destino da Revolução? (EXCLAMAÇÕES DE: “Não!”) O quê lhe interessa ao povo, porque o povo é quem tem que dizer aqui a última palavra? (EXCLAMAÇÕES DE: “Liberdade!”, “Liberdade!”) Interessa-lhe, em primeiro lugar, as liberdades, os direitos que lhe foram arrebatados, e a paz. E os tem, porque nestes instantes tem todas as liberdades, todos os direitos que lhe arrebatou a tirania, e tem a paz (APLAUSOS).</p>
<p>O quê lhe interessa ao povo? Um governo honrado. Não é um governo honrado o que lhe interessa ao povo? (EXCLAMAÇÕES DE: “Sim!”) Aí está: um magistrado honorável de Presidente da República (APLAUSOS). O quê lhe interessa, que homens jovens e limpos sejam os ministros do Governo Revolucionário? (EXCLAMAÇÕES DE: “Sim!”) Aí está: analisem um por um os ministros do Governo Revolucionário, e me digam se aí tem um ladrão, ou um criminoso, ou um sem-vergonha (EXCLAMAÇÕES DE: “Não!”).</p>
<p>São muitos os homens que podem ser ministros em Cuba por sua honradez e sua capacidade, mas nem todos podem ser ministros, porque os ministros podem ser 14, 15 ou 16. E aqui não é do interesse do povo que “Don Fulano” ou “Don Beltrano” seja, mas que aquele que seja, seja um homem jovem e um homem honrado (APLAUSOS). E aqui o que importa é que os que foram designados reúnam essas qualidades, não que não esteja Fulano ou não esteja Beltrano, porque os beltranos e os fulanos não importam nada neste momento à Revolução e à República (APLAUSOS).</p>
<p>Pode alguém, pelo fato de não ser ministro, tentar ensangüentar este país? (EXCLAMAÇÕES DE: “Não!”) Pode algum grupo, pelo fato de que não lhe deram três ou quatro ministérios, ensangüentar este país, e perturbar a paz? (EXCLAMAÇÕES DE: “Não!”) Se a equipe governante que neste momento tem o povo de Cuba não presta, tempo terá o povo de deitá-la fora, mas não de deitá-la fora nas urnas, senão de jogá-la fora das eleições (APLAUSOS). Este não é o caso de que se não resultasse idônea a equipe governante, fosse alguém aqui fazer uma revolução ou um golpe de Estado para tirá-la, quando toda a gente sabe que haverão umas eleições, e se não presta, o povo se encarregará de dizer a última palavra livremente; não fazer aquilo que Batista fez, que a<br />
80 dias de umas eleições, porque dizia que estava combatendo tal governo, e fazia uma série de imputações contra esse governo, dizer que ele tinha de tirá-lo e que isso era patriota, porque aqui se acabaram para sempre os golpes de Estado e os atentados contra a Constituição e o Direito (APLAUSOS).</p>
<p>É necessário falar assim, para que não surja a demagogia e o confucionismo e o divisionismo e que o primeiro que assome as orelhas da ambição, o povo o conheça (APLAUSOS). E, por meu lado, digo-lhes que como desejo é comandar o povo, porque é a melhor tropa e que prefiro o povo do que a todas as colunas armadas juntas, digo-lhes que a primeira coisa que farei sempre, quando veja a Revolução em perigo, será chamar ao povo (APLAUSOS). Porque falando para o povo podemos poupar sangue; porque aqui, antes de atirar um tiro, é preciso chamar mil vezes ao povo e falar-lhe ao povo para que o povo, sem tiros, resolva os problemas. Eu, que tenho fé no povo, e já o demonstrei, e sei o que o povo pode fazer, e acho que já o demonstrei, digo-lhes que se o povo quiser aqui não volta a soar nunca mais um tiro neste país (APLAUSOS). Porque a opinião pública tem uma força extraordinária e tem uma influência extraordinária, sobretudo quando não há ditadura. Na época de ditadura a opinião pública não é nada, mas na época da liberdade a opinião pública representa tudo, e os fuzis têm que se dobrar e ajoelhar perante a opinião pública (APLAUSOS). Vou bem, Camilo? (EXCLAMAÇÕES DE: “Viva Camilo!”).</p>
<p>Falo para o povo desta forma porque sempre gostei de prever, e acho que falando previsoramente para o povo a Revolução pode evitar os únicos perigos que lhe restam por diante; e dir-lhes-ei que não são tão grandes, mas gostaria era que para que a Revolução se consolidasse, não fosse necessário derramar um só pingo de sangue cubano (APLAUSOS).<br />
Minha grande preocupação é que no exterior, onde esta Revolução é a admiração do mundo todo, não tenha que falar-se dentro de três semanas, ou quatro semanas, ou um mês, ou uma semana, que aqui se voltou a derramar sangue cubano para consolidar esta Revolução, porque então esta Revolução não seria exemplo (APLAUSOS).</p>
<p>Eu não teria falado assim quando éramos um grupo de 12 homens, porque quando éramos um grupo de 12 homens tudo o que tínhamos por diante era lutar, lutar e lutar, e havia mérito em combater nessas circunstâncias; mas hoje, que temos os aviões, os tanques, os canhões e a imensa maioria dos homens armados, a marinha de guerra, numerosas companhias do Exército e um poder enorme na ordem militar (EXCLAMAÇÕES DE: “E o povo!”, “E o povo!”) Povo&#8230; Vou à ideia que lhes queria dizer: hoje que temos tudo isso, preocupa-me muito ver combater, porque assim não há mérito em combater; preferiria ir-me para a Sierra Maestra de novo, com 12 homens, a lutar contra todos os tanques, antes de vir com todos os tanques a atirar contra alguém aqui (APLAUSOS).</p>
<p>E a quem peço que nos ajude muito, a quem peço de coração que me ajude, é ao povo (APLAUSOS), à opinião pública, para desarmar aos ambiciosos, para condenar de antemão os que desde agora estão começando a assomar as orelhas (APLAUSOS).</p>
<p>Não vou me estender hoje em ataques de tipo pessoal ou específico, porque é muito recente e rápido demais para entrar em polémicas públicas —embora que quando seja necessário fazê-lo, não me importo com isso, porque tenho a frente alta e estou disposto a discutir com a verdade quando for preciso—, porque existe uma alegria muito grande no povo, e porque na massa dos combatentes, não vou dizer que em todas suas lideranças, embora sim na maior parte dos líderes, porque na maior parte dos líderes —e aí está Carlos Prío Socarrás como exemplo, que veio a Cuba em uma atitude de ajudar a Revolução incondicionalmente, como ele fala, e não a aspirar absolutamente a nada— (APLAUSOS); não tem protestado do fato, não tem protestado absolutamente nada, não tem mostrado a menor queija, nem a menor inconformidade pelo gabinete, sabe que tem um gabinete de homens honrados e de homens jovens, que bem merece que se lhe outorgue um voto de confiança para trabalhar.</p>
<p>E eis os dirigentes de outras organizações, na mesma disposição. E também tem uma coisa: as massas dos combatentes, os homens que lutaram e que não se guiam mais do que por ideais, os homens que combateram, de todas as organizações, esses estão em uma postura bem patriótica e são de sentimentos bem revolucionários e bem nobres, visto que sempre pensarão como pensa o povo, porque tenho a certeza de que aquele que tente a loucura de provocar uma guerra civil, vai ter a condenação do povo todo (APLAUSOS), e o abandono dos combatentes de fileira, que o não seguiriam. E necessário ficar verdadeiramente louco para desafiar, não só à força nas condições em que a temos hoje, senão à razão, ao direito da pátria e ao povo inteiro de Cuba (APLAUSOS).<br />
E digo tudo isso porque quero fazer-lhe uma pergunta ao povo; quero fazer-lhe uma pergunta ao povo que me interessa muito, e lhe interessa muito ao povo, que a responda: Para que estar armazenando armas clandestinamente nestes momentos? Para que estar escondendo armas em diferentes lugares da capital? Para que estar contrabandeando armas nestes momentos? Para que? E eu lhes digo que tem elementos de determinada organização revolucionária que estão escondendo armas (EXCLAMAÇÕES DE: “A por elas”!), que estão armazenando armas, e que estão passando armas. Todas as armas que capturou o Exército Rebelde estão nos quartéis, e daí não tem saído arma alguma, ninguém as levou para sua casa, nem as escondeu; estão nos quartéis, sob sete chaves; tanto em Pinar do Río, quanto em La Cabaña, em Colúmbia, em Matanzas, em Santa Clara, em Camagüey e em Oriente; não se carregaram caminhões com armas para escondê-las em parte alguma, porque essas armas devem ficar nos quartéis.</p>
<p>Vou fazer-lhes uma pergunta, porque falando claro e analisando os problemas é como se resolvem, e estou disposto a fazer o que estiver ao alcance da minha mão por resolvê-los como se devem resolver: com a razão e a inteligência, e com a influência da opinião pública, que é a que manda, não com a força; porque se fosse acreditar na força, que tinha que resolver-se com a força, não teria que falar com o povo, nem colocar-lhe este problema, mas ir procurar essas armas (APLAUSOS).</p>
<p>E o que aqui devemos procurar é que os combatentes revolucionários, os homens idealistas, que podem ser enganados com essa manobra, abandonem os falsos liderzinhos que estão com essa postura e venham colocar-se junto do povo, que é ao que têm que servir antes que nada.</p>
<p>Vou fazer-lhes uma pergunta: Armas para que?, Para lutar contra quem?, Contra o Governo Revolucionário, que tem o apoio de todo o povo? (EXCLAMAÇÕES DE: “Não!”) É por acaso a mesma coisa o magistrado Urrutia governando a República do que Batista governando a República? (EXCLAMAÇÕES DE: “Não!”) Armas para que?, Tem alguma ditadura aqui? (EXCLAMAÇÕES DE: “Não!”) Vão lutar contra um governo livre, que respeita os direitos do povo? (EXCLAMAÇÕES DE: “Não!”), agora que não tem censura, e que a imprensa é inteiramente livre, mais livre do que nunca antes, e além disso tem a segurança de que o seguirá sendo para sempre, sem que volte a haver censura aqui? (APLAUSOS), hoje, que todo o povo pode se reunir livremente? Hoje, que não existem torturas, nem presos políticos, nem assassinatos, nem terror? Hoje que não existe mais do que alegria, que todos os líderes traidores foram demitidos nos sindicatos, e que logo vão ser convocadas eleições em todos os sindicatos? (APLAUSOS). Quando todos os direitos do cidadão foram restabelecidos, quando serão convocadas umas eleições no prazo de tempo mais breve possível, armas para que? Esconder armas, para que? Para chantagear o Presidente da República?, Para ameaçar aqui com quebrantar a paz? Para criar organizações de gângsteres? É que vamos regressar ao gangsterismo? É que vamos voltar ao tiroteio diário pelas ruas da capital? Armas, para que?</p>
<p>Pois, digo-lhes que há dois dias elementos de determinada organização foram a um quartel, que era o quartel San Antonio, quartel que estava sob a jurisdição do comandante Camilo Cienfuegos e sob a jurisdição minha, como Comandante-em-Chefe de todas as forças, e as armas que ali estavam recolhidas, levaram-nas; levaram-se 500 armas e 6 metralhadoras e 80 000 balas (EXCLAMAÇÕES DE: “A por elas!”).<br />
E honradamente lhes digo que não se pôde ter cometido provocação pior. Por que fazer-lhes isso a homens que souberam lutar aqui pelo país durante dois anos, a homens que hoje estão responsabilizados com a paz do país e querem fazer as coisas bem feitas, é uma sacanagem e é uma provocação injustificável.</p>
<p>E o que nós fizemos foi não procurar esses fuzis; porque, precisamente —o que lhes dizia antes— o que queremos é falar com o povo, utilizar a influência da opinião pública, para que os liderzinhos que andam detrás de essas manobras criminosas, fiquem sem tropa. Para que os combatentes idealistas —e os homens que combateram em cada organização aqui são verdadeiros idealistas—, saibam isso, para que exijam responsabilidade por esses fatos.</p>
<p>E é por isso que não nos deixamos nem provocar, deixamo-los tão tranquilos por esse roubo de armas, roubo injustificado, porque aqui não existe ditadura, e ninguém tema que nós nos convertamos em ditadores, e vou lhes dizer por que, vou dizer-lhes: converte-se em ditador aquele que não tem o povo e tem que recorrer à força, porque não tem votos no dia que tenha que concorrer (APLAUSOS). Não nos podemos tornar ditadores os homens que vimos tanto carinho no povo, um carinho unânime, total e absoluto no povo; além dos nossos princípios, porque jamais incorreremos na grosseria de ostentar pela força uma posição, porque repugnamos isso, que por algo fomos os porta-estandartes desta luta contra a asquerosa e repugnante tirania (APLAUSOS).</p>
<p>Jamais precisaremos da força, porque temos o povo, e também porque no dia em que o povo aparecer com cara de poucos amigos, só aparecer com essa cara, vamos embora (APLAUSOS). Porque entendemos isto corno um dever, não como um prazer; entendemos isto como um trabalho, que por algo nem dormimos, nem descansamos, nem comemos, recorrendo a ilha e trabalhando honradamente por servir o nosso país; que por algo não temos nada, e por algo seremos sempre homens que não teremos nada (APLAUSOS E EXCLAMAÇÕES DE: “Tens o povo!”). E jamais nos verá o povo com uma imoralidade, nem outorgando um privilégio a alguém, nem tolerando uma injustiça, nem roubando, nem enriquecendo-nos, nem coisas parecidas; porque o poder o concebemos como um sacrifício, e acreditem que se não for assim, depois de todas as amostras de carinho que recebi do povo, de toda essa manifestação apoteótica de hoje, se não fosse esse um dever que a gente tem que cumprir, o melhor era ir-se, retirar-se, ou morrer; porque depois de tanto carinho e de tanta fé, dá medo não poder cumprir como a gente tem que cumprir com este povo! (APLAUSOS PROLONGADOS.)</p>
<p>E se não fosse por esse dever, se não fosse por esse dever —digo-o— o que eu faria seria despedir-me do povo, e ficar sempre com o carinho que tenho hoje, e que me chamem com as mesmas frases de alento com que me chamaram hoje.</p>
<p>Não obstante, sei que o poder é uma tarefa árdua, complicada, que nossas missões e nossas tarefas como este problema que se nos apresenta, realmente é um problema difícil e está cheio de amarguras, e a gente o defronta porque o único que a gente não vai dizer para o povo nesta hora é: “Vou-me embora.” (EXCLAMAÇÕES DE: “Viva o pai da pátria!” SEGUIDO DE UMA OVAÇÃO CERRADA).</p>
<p>Também, por outra razão não nos interessa a força: porque no dia que alguém se alçasse aqui com a força, e me atreveria chamar o pior inimigo e ao que menos simpatizasse comigo, se estivesse disposto a cumprir com o povo, e lhe diria: “Veja, tome todas essas forças, todas essas tropas e todas essas armas”, e ficaria tão tranquilo, porque sei que no dia em que se alçasse com a força, eu ia de novo para a Sierra Maestra e íamos ver quanto durava essa ditadura aí no poder (APLAUSOS).</p>
<p>Acho que são razões mais do que suficientes para que toda a gente acredite que a nós não nos interessa controlar nenhum poder pela força.</p>
<p>O Presidente da República me encomendou a mais espinhosa de todas as tarefas, a tarefa de reorganizar os institutos armados da República e me assignou o cargo de Comandante-em-Chefe de todas as forças de ar, mar e terra da nação (APLAUSOS E EXCLAMAÇÕES DE: “Você merece!”). Não, não mereço, porque isso é um sacrifício para mim, e afinal para mim não é nem motivo de orgulho, nem motivo de vaidade, mas sim um sacrifício. Mas desejo que o povo me diga se acredita que devo assumir essa função (APLAUSOS PROLONGADOS E EXCLAMAÇÕES DE: “Sim!”).</p>
<p>Julgo que se fizemos um Exército com 12 homens, e esses 12 homens hoje estão à frente dos mandos militares, acho que se lhe ensinamos a nosso Exército que um prisioneiro jamais era assassinado, que um ferido jamais era abandonado, que um preso jamais era espancado, somos os homens que podemos ensinar a todos os institutos armados da República as mesmas coisas que ensinamos a esse Exército (APLAUSOS). Para termos uns institutos armados onde nem um só de seus homens volte jamais a espancar um prisioneiro, nem tortura-lo, nem matá-lo (APLAUSOS). E porque, além disso, podemos servir de ponte entre os revolucionários e os militares decentes, os que não roubaram, nem assassinaram, porque esses militares, os que não roubaram e os que não assassinaram, terão direito a continuar pertencendo às forças armadas (APLAUSOS); como também lhes digo que aquele que tenha assassinado, não o salva ninguém do pelotão de fuzilamento (APLAUSOS PROLONGADOS).</p>
<p>Além disso, todos os combatentes revolucionários que desejem pertencer às forças regulares da República têm direito, pertençam à organização que pertencerem, com suas patentes&#8230; As portas estão abertas para todos os combatentes revolucionários que desejem lutar e que desejem fazer uma tarefa em prol do país. E se isso for assim, se existem liberdades, se existe um governo de homens jovens e honrados, se o país está contente, se tem confiança nesse governo e nos homens que estão comandando as forças armadas, se haverão umas eleições, se as portas estão abertas para todos, por que armazenar armas?</p>
<p>Quero que me digam se o povo o que quer é que haja paz, ou o que quer é que em todas as esquinas tenha um tipo armado com um fuzil; quero que me digam se o povo está de acordo ou considera que é correto que qualquer um deseje aqui ter um Exército particular, que não obedeça mais do que a seu chefinho (EXCLAMAÇÕES DE: “Não!”); se assim pode ter ordem e paz na República (EXCLAMAÇÕES DE: “Não!”).</p>
<p>(ALGUÉM EXCLAMA: “Depuração das forças armadas!”) Superdepuração, não depuração (APLAUSOS).</p>
<p>(EXCLAMAÇÕES DE: “Fala de Raúl!”) Raúl está em El Moncada, que é onde tem que estar agora.</p>
<p>Esses são os problemas que hoje quis colocar diante do povo. Os fuzis têm que sair das ruas o antes possível; desaparecer os fuzis das ruas (APLAUSOS). Porque já não existe inimigo em frente, porque já não há que lutar contra ninguém; e se algum dia é preciso lutar contra um inimigo estranho ou contra um movimento que esteja contra a Revolução, não lutarão quatro gatos pingados, lutará o povo todo (APLAUSOS PROLONGADOS).</p>
<p>As armas têm que estar é nos quartéis; aqui ninguém tem direito a ter exércitos particulares (APLAUSOS).</p>
<p>Esses indivíduos que andam com essas manobras suspeitosas, talvez encontraram um pretexto para fazer isso pelo fato de eu ter sido nomeado, e meus companheiros, para um trabalho que foi esse que nos incumbiu o Presidente, e falaram de que existe um exército político. Exército político, quando como lhes disse a vocês, temos todo o povo, que esse é na verdade nosso exército político?</p>
<p>Hoje quero advertir ao povo, e quero advertir às mães cubanas, que sempre farei tudo que estiver a nosso alcance para resolver todos os problemas sem derramar um pingo de sangue (APLAUSOS). Quero dizer para as mães cubanas que jamais, por nossa causa, aqui voltará a disparar-se um só tiro; e quero pedir-lhe ao povo, como quero pedir à imprensa, como quero pedir a todos os homens saudáveis e responsáveis do país, que nos ajudem a resolver esses problemas com o apoio da opinião pública, não com transações, porque quando a gente se arma e ameaça para que lhe deem alguma coisa, isso é uma imoralidade, e isso não o aceitarei jamais (APLAUSOS). Porque depois que determinados indivíduos começaram a armazenar armas, digo aqui que não aceitarei a menor concessão, porque isso seria rebaixar a moral da Revolução (APLAUSOS). O que temos de fazer é que aquele que não pertencer às forças regulares da República —onde tem direito a pertencer todo combatente revolucionário—, que devolva as armas aos quartéis, porque aqui as armas sobram quando já não existe tirania e está demonstrado que as armas só são válidas quando se tem a razão, e se tem ao povo, caso contrário, não servem mais do que para assassinar e para cometer desmandos (APLAUSOS).</p>
<p>Além disso, desejo dizer ao povo que pode ter a certeza de que as leis do país serão respeitadas e que aqui não haverá gangsterismo, nem gatunagem, nem bandoleirismo; simplesmente porque não haverá tolerância. As armas da República estão hoje nas mãos dos revolucionários. Essas armas, tenho a esperança de que não será preciso usá-las jamais, mas no dia em que o povo o ordene para garantir sua paz, sua tranquilidade e seus direitos, quando o povo o peça, quando o povo assim o deseje, quando seja uma necessidade, então essas armas cumprirão com o que têm que cumprir, e cumprirão com seu dever, simplesmente (APLAUSOS).</p>
<p>Ninguém pense que vamos cair em provocações, porque estamos serenos demais para cair em provocações, porque temos umas responsabilidades muito grandes para precipitar-nos nunca em tomar medidas, nem em fazer alardes nem coisa que se pareça, e porque estou muito consciente de que aqui temos que esgotar sempre —e esgotarei sempre— todos os meios persuasivos, e todos os meios razoáveis, e todos os meios humanos para evitar que se derrame uma só gota de sangue mais em Cuba. Portanto, em questão de provocações, ninguém tema que caia; porque quando a paciência se nos tenha acabado a todos nós, procuraremos mais paciência, e quando a paciência se nos volte a acabar, voltaremos a procurar mais paciência; essa será nossa norma (APLAUSOS). E essa tem que ser a palavra de ordem dos homens que têm as armas na mão e dos que têm o poder na mão: não cansar-se nunca de suportar, não cansar-se nunca de resignar-se a todas as amarguras e a todas as provocações, salvo quando já fiquem em perigo os interesses mais sagrados do povo. Mas isso, quando na verdade fique demonstrado, isso quando já seja uma demanda da nação toda, da imprensa, das instituições cívicas, dos trabalhadores, e de todo o povo; quando o peçam, e só quando o peçam. E aquilo que sempre farei, em cada uma dessas circunstâncias, é chegar e falar para o povo: “Vejam, aconteceu isto.”</p>
<p>Desta vez omiti nomes, porque não quero envenenar a atmosfera, porque não desejo aumentar a tensão; o que simplesmente quero é prevenir o povo desses perigos, porque seria muito triste que esta Revolução que tanto sacrifício custou —não quer dizer que se vai frustrar, porque esta Revolução não se frustra de maneira nenhuma, porque já se sabe que com o povo e com tudo o que existe a favor do povo, não existe o menor perigo—, porém seria muito triste que depois do exemplo que se deu para a América, aqui se volte a disparar um tiro.</p>
<p>É verdade que em quase todas as revoluções, depois da luta, vem outra, e depois vem outra —e observem a história de todas as revoluções, no México e em todas as partes. Não obstante, parecia que esta ia ser uma exceção, como foi uma exceção em tudo o resto; tem sido extraordinária em tudo o resto, e gostaríamos que também fosse extraordinária no fato de que não se disparasse mais um tiro aqui; e acho que se poderá conseguir, acho que a Revolução triunfará sem que seja disparado mais um tiro, sabem por quê? Porque resulta realmente admirável o grau de consciência que se desenvolveu no país, o civismo deste povo, a disciplina deste povo, o espírito deste povo; realmente, sinto-me orgulhoso de todo o povo, tenho uma fé extraordinária no povo de Cuba (APLAUSOS). Vale a pena sacrificar-se por nosso povo.</p>
<p>Hoje tive o prazer de dar um exemplo diante de toda a imprensa: estava a multidão diante do Palácio Presidencial, e me falavam que se precisavam 1 000 homens para sair dali; então, saí e lhe pedi ao povo que fizesse duas fileiras, que não era necessário para isso que viesse alguém, que eu sozinho iria ali, e em poucos minutos o povo fez duas fileiras, e passamos por ali, sem problemas de nenhum tipo. Esse é o povo de Cuba, e essa prova se deu diante de todos os jornalistas (APLAUSOS).</p>
<p>Desde agora, já se acabaram os agasalhos e as ovações; desde agora, para nós: a trabalhar, amanhã será um dia igual do que outro qualquer, e todos os demais igual, e nos acostumaremos à liberdade. Agora estamos contentes porque havia muito tempo que não éramos livres, mas dentro de uma semana nos preocuparão outras coisas: se temos dinheiro para pagar o aluguel, se a energia elétrica, se a comida, esses são na verdade os problemas que tem que resolver o Governo Revolucionário, o milhão de problemas que tem o povo de Cuba, e que para isso tem um conselho de ministros de homens jovens que eu sei que estão possuídos de um entusiasmo, que tenho a certeza de que vão mudar a República, tenho a certeza (APLAUSOS PROLONGADOS). Aliás, porque tem um Presidente que está seguro no poder, que o não ameaça perigo algum, porque os perigos de que eu falava, não eram os perigos de que o regime corresse algum perigo de ser derrubado, estão a mil léguas de distância disso; eu falava do perigo de que se derramasse uma só gota de sangue mais. Mas o Presidente da República está consolidado, reconhecido já por todas as nações —nem todas, mas rapidamente o estão reconhecendo todas as nações do mundo—, e conta com o apoio do povo e com nosso apoio, com o apoio das forças revolucionárias; e apoio verdadeiro, e apoio sem condições, apoio sem pedir nem reclamar nada, porque aqui lutamos pelos foros do poder civil, e vamos demonstrá-lo, que para nós os princípios estão por em cima de toda outra consideração e que não lutamos por ambições.</p>
<p>Acho que demonstramos suficientemente ter lutado sem ambições. Julgo que nenhum cubano albergue sobre isso a menor dúvida.</p>
<p>Portanto, agora todos temos que trabalhar muito. Eu, por minha parte, estou disposto a fazer tudo que possa ser feito em benefício do país, como sei que estão todos meus companheiros, como sei que está o Presidente da República e como sei que estão todos os ministros, que não vão descansar. E eu lhes garanto que se hoje sai alguém de Cuba e regressa dentro de dois anos, não vai conhecer esta República.</p>
<p>Vejo um extraordinário espírito de colaboração em todo o povo, vejo a imprensa, os jornalistas, todos os setores do país, desejosos de ajudar, e isso é o que faz falta. E resulta que o povo de Cuba aprendeu muito, e nestes sete anos aprendeu por setenta. Falou-se que o golpe de Estado fora um retraso de vinte e cinco anos; se foi assim —y aquilo era na verdade um retraso de vinte e cinco anos—, agora demos um passo de cinquenta. A República está desconhecida: nada de politicagem, nada de vício, nada de jogo, nada de roubo. Começamos há uns dias, e já está quase desconhecida a República.</p>
<p>Agora nos resta um trabalho grande por fazer. Todos os problemas relacionados com as forças armadas, são problemas que estarão relacionados com nossas futuras actividades, mas, além disso, sempre faremos tudo o que estiver ao alcance das nossas mãos por todo o povo, porque não sou militar profissional, nem de carreira, nem muito menos; estarei aqui o tempo mínimo, e quando termine aqui vou fazer outras coisas porque, sinceramente, não vou ser preciso aqui nisto (EXCLAMAÇÕES). Refiro-me a que não vou fazer falta dentro das atividades de tipo militar, e que tenho outras ilusões, de outras classes. E isso mesmo, entre outras coisas: quando quiser atirar tiros, combater, cimentar uma inquietação, há muito campo aqui onde fazer coisas (APLAUSOS).</p>
<p>(EXCLAMAÇÕES DE: “É preciso fomentar fontes de trabalho!”) Se não resolvemos todos esses problemas, esta não seria uma revolução, companheiros, porque acho que o problema fundamental da República nestes momentos, e o que dentro de pouco estará necessitando o povo, quando passe a alegria do triunfo, é trabalho, a maneira de se ganhar a vida decorosamente (APLAUSOS).</p>
<p>Mas não só é isso, companheiros; existem mil coisas mais das quais tenho falado nesses dias todos, que imagino que vocês, quem mais e quem menos, terá ouvido pela rádio e pela imprensa, e demais, porque não vamos esgotar todos os temas em uma só noite.</p>
<p>Vamos ficar pensando nesses problemas dos quais lhes falei hoje, e vamos concluir a longa jornada —que embora não esteja cansado, sei que vocês têm que regressar às casas e estão longe. (EXCLAMAÇÕES DE: “Não importa!”, “Continua!”).<br />
Eu tinha o compromisso de ir ao programa “Perante a Imprensa” esta noite pelas 22h30 ou na hora que fosse, e já são 01h30 (EXCLAMAÇÕES DE: “Amanhã!”) Bom, deixá-lo-ei para amanhã. Vocês terão oportunidade de escutar pela imprensa, pela rádio e por todos os meios possíveis, aos ministros.</p>
<p>Todos meus amigos de tanto tempo, de donde for, têm vindo: da escola, do bairro. Quase estou por dizer-lhes que já conheço a todos os cubanos&#8230;</p>
<p>E diziam que terão oportunidade de ouvir os ministros, cada um dos quais tem seus planos e informarão de seu programa; e cada um dos homens que está no conselho de ministros está grandemente compenetrado com todos os demais elementos revolucionários.</p>
<p>O Presidente da República, com o direito que lhe corresponde —porque foi eleito sem condições—, elegeu uma maioria de ministros do Movimento 26 de Julho. Tinha seu direito, e ao pedir nossa colaboração, teve-a plenamente, e nos responsabilizamos com esse Governo Revolucionário.</p>
<p>O que eu disse em outra parte: ninguém acredite que as coisas vão se resolver da noite para o dia. A guerra não foi ganha em um só dia, nem em dois, nem em três, e foi preciso lutar duro; a Revolução também não será ganha em um dia, nem será feito tudo o que vai ser feito em um dia. Além disso, falei para o povo em outros comícios que não vá acreditar que esses ministros são uns sábios —começo por dizer-lhes que nenhum deles foi ministro antes, ou quase nenhum. Assim que ninguém sabe ser ministro, isso é uma coisa nova para eles; o que estão é cheios de boas intenções. E falo nisso, igual que falo dos comandantes rebeldes: vejam, o comandante Camilo Cienfuegos não sabia de guerra, nem de manejar uma arma, absolutamente nada. Che não sabia nada; quando conheci Che no México se dedicava a dissecar coelhos e fazer investigações médicas. Raúl também não sabia nada; Efigenio Ameijeiras também não sabia nada; e ao começo não sabiam nada de guerra, e ao final lhes podia dizer, como lhes disse: “Comandante, avance sobre Colúmbia, e tome-a”; “Comandante, avance sobre La Cabaña, e tome-a”; “Avance sobre Santiago, e tome-o”, e eu sabia que o tomavam&#8230; (APLAUSOS PROLONGADOS). Por quê? Porque tinham aprendido.</p>
<p>É possível que os ministros agora não tenham grandes acertos, mas tenho a certeza de que dentro de uns meses vão saber resolver todos os problemas que lhes coloque o povo, porque têm o mais importante: a vontade de acertar e de ajudar o povo; e, sobretudo, tenho a certeza de que nem um só, jamais, cometerá uma das faltas clássicas dos ministros. Vocês sabem qual é, não é? (EXCLAMAÇÕES DE: “Roubar!”, “Roubar!”) Ah!, Como sabem disso?</p>
<p>Pois, sobretudo, isso: a moral, a honradez desses companheiros. Não serão sábios, porque aqui ninguém é sábio, mas lhes garanto que tem honrados demais, que é o que se está pedindo. Não é o que o povo tem estado solicitando sempre, um governo honrado? (EXCLAMAÇÕES DE: “Sim!”). Então, vamos dar-lhes um voto de confiança, vamos dá-lo, vamos esperar (EXCLAMAÇÕES). Sim, são do movimento “26” a maioria, mas se não prestam, depois virão os de 27, ou os de 28. Já sabemos que existe muita gente capacitada em Cuba, mas todos não podem ser ministros. Ou acaso o “26 de Julho” não tem direito a fazer um ensaio de governar a República? (EXCLAMAÇÕES DE: “Sim!”).<br />
Portanto, isso é tudo por hoje. Realmente, nada mais me falta uma coisa&#8230; Se soubessem, que quando me reúno com o povo se me vai o sono, a fome; tudo desaparece. A vocês também lhes foge o sono, não é? (EXCLAMAÇÕES DE: “Sim”!)</p>
<p>O importante, ou o que me falta por dizer-lhes, é que eu acho que os comícios do povo de Havana hoje, as concentrações multitudinárias de hoje, essa multidão de quilômetros de comprimento —porque isto tem sido assombroso, vocês viram; sairá nos filmes, nas fotografias—, acho que, sinceramente, foi um exagero do povo, porque é muito mais do que nós merecemos (EXCLAMAÇÕES DE: “Não!”).</p>
<p>Também sei que nunca mais em nossas vidas voltaremos a presenciar uma multidão semelhante, exceto em outra ocasião —em que tenho a certeza de que voltarão a reunir-se as multidões—, e será no dia em que muramos, porque nós, quando nos tenham que levar para a cova, nesse dia, reunir-se-á tanta gente como hoje, porque nós jamais defraudaremos nosso povo!</p>
<p>(OVAÇÃO)<br />
VERSÃO TAQUIGRÁFICA DOS GABINETES DO PRIMEIRO-MINISTRO</p>
<p><strong>Source: <a rel="nofollow" target="_blank" href="http://www.fidelcastro.cu/es/node/79480?fbclid=IwAR2KzRW2MdqG7ZlsuYca_6oRoNYAsWC5J_Uc9w4g239JOxpDvXR6j-z-k6o" >Fidel Soldado de las ideas</a></strong></p>
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		<title>O mundo vai ver o que somos capazes de fazer e o mundo nos acompanhará em nossa resistência</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Jul 2019 16:47:44 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cubadebate</dc:creator>
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		<category><![CDATA[26 de julho]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[Discurso proferido pelo presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, Miguel M. Díaz-Canel Bermúdez, no ato central pelo 66º aniversário do ataque aos quartéis Moncada e Carlos Manuel de Céspedes, na Praça da Pátria, em Bayamo, Granma, em 26 de julho de 2019, «Ano 61º da Revolução».
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				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-5549" alt="canel 26 julio" src="/files/2019/07/canel-26-julio.jpg" width="300" height="243" />«Estou claro que hoje falo em nome dos gratos, aqueles que enfrentam o desafio de empurrar um país», disse o presidente dos Conselhos de Estado e Ministros Miguel Díaz-Canel Bermúdez, no ato central pelo 66º aniversário do ataque aos quartéis Moncada e Carlos Manuel de Céspedes</p>
<p>Discurso proferido pelo presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, Miguel M. Díaz-Canel Bermúdez, no ato central pelo 66º aniversário do ataque aos quartéis Moncada e Carlos Manuel de Céspedes, na Praça da Pátria, em Bayamo, Granma, em 26 de julho de 2019, «Ano 61º da Revolução».</p>
<p>(Tradução da versão estenográfica &#8211; Conselho de Estado)</p>
<p>Estimado general-de-exército, Raúl Castro Ruz, primeiro secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba;</p>
<p>Companheiro Machado;</p>
<p>Comandantes da Revolução;</p>
<p>Companheiro Lazo;</p>
<p>Povo heróico de Granma (Aplausos):</p>
<p>Perante a Geração histórica que nos acompanha, eu proferirei as palavras centrais deste ato, no mesmo lugar onde o Comandante-em-chefe, na mesma data em 2006, presidiu e encerrou, pela última vez, uma comemoração do Dia Nacional da Rebelião.</p>
<p>Quando a liderança do nosso Partido me pediu para falar aqui hoje, lembrei-me daquele momento e pensei sobre o significado da tradição que começou há 60 anos. Em uma viagem em rumo contrária à nossa, milhares de camponeses a cavalo tomaram a Praça da Revolução José Martí, em Havana, com Camilo Cienfuegos à frente. Pelo menos dois deles subiram para aos lampiões da rua, como se fossem palmeiras, para saudar Fidel.</p>
<p>Aqueles camponeses, com seus facões nas mãos, mostravam ao mundo o rosto mais autêntico de uma Revolução dos humildes, pelos humildes e para os humildes.</p>
<p>Com esse ato começaram as atividades comemorativas de 26 de julho, data que o ódio ensanguentou e que o amor tornou uma celebração de homenagem aos filhos da Geração do Centenário.</p>
<p>Fiquei imaginando como e em nome de quem devo falar hoje, tendo em conta que nesses atos, por tradição, sempre são proferidos dois discursos: o da província anfitriã da celebração e o dos protagonistas da história.</p>
<p>Em nome dos moradores da província Granma falou o companheiro Federico Hernández, primeiro secretário do Partido na província. As palavras centrais de todas as comemorações anteriores foram apenas feitas por Fidel, Raúl, Ramiro Valdés e Machado Ventura.</p>
<p>Pode parecer um detalhe, mas é relevante que os protagonistas da história, vivos, lúcidos, ativos em sua liderança política, confiem à nova geração de líderes do país que pronunciem as palavras centrais em uma das mais importantes comemorações da história revolucionária. (Aplausos)</p>
<p>Estou claro que hoje falo em nome dos agradecidos, aqueles que enfrentam o desafio de empurrar um país — como diz o poema de Miguel Barnet — cientes da extraordinária história que herdamos e do compromisso de não falhar aos heróis da pátria nem ao povo do qual nascemos.</p>
<p>Eu digo isso no começo, para que vocês entendam se em algum momento, como frequentemente ocorre, a emoção nos faz esquecer uma palavra ou algum nome muito cativante.</p>
<p>Para Raúl, Ramiro e todos os assaltantes que estão conosco: Obrigados pela confiança, pelo exemplo e pelo legado! (Aplausos)</p>
<p>A história, a história tem um peso descomunal em nossas vidas! É justo dizer isso aqui, onde começou a se expressar como uma nação, há 151 anos.</p>
<p>Quem se sentir e diga que é cubano pode passar por La Demajagua, por Yara, por Manzanillo, por Jiguaní, Dos Rios, La Plata, Guisa, por Bayamo!, através de suas ruas e praças, sem perceber que a história nos está julgando?</p>
<p>Quem pode atravessar o rio Cauto, subir as colinas da Serra Maestra ou molhar os pés na praia de Las Coloradas sem estremecer por respeito e adoração ao heroísmo?</p>
<p>Quem ler a História me Absolverá pode esquecer as palavras de Fidel ao explicar por que a fortaleza militar de Bayamo foi escolhida para um dos ataques?, e cito:</p>
<p>«Bayamo foi atacado precisamente para colocar nossos postos avançados ao longo do rio Cauto. Nunca se esqueçam que esta província — Fidel referia-se à antiga província do Oriente — que hoje tem um milhão e meio de habitantes, é sem dúvida a mais guerreira e patriótica de Cuba; foi ela que manteve acesa a luta pela independência por 30 anos e deu o maior tributo de sangue, sacrifício e heroísmo. No Oriente você ainda pode respirar o ar do épico glorioso e, de madrugada, quando os galos cantam como clarins que chamam os soldados a fazer fila e o sol nasce radiante sobre as montanhas íngremes, todos os dias parece que será novamente o de Yara ou Baire».</p>
<p>É por isso que quando os cumprimentava hoje eu disse: povo heróico da província Granma.</p>
<p>Esta província, honrada com o nome do navio que trouxe 82 de seus filhos à terra cubana, dispostos a ser livres ou mártires em 1956, é também o berço de nossa nacionalidade, de nosso hino, da Revolução que Céspedes iniciou em 1868 e do Exército Rebelde que a trouxe até nossos dias com Fidel na frente.</p>
<p>Não é por acaso, portanto, que nesta província de Granma esteja o segundo quartel atacado naquela manhã de Santa Ana, o quartel Carlos Manuel de Céspedes, de Bayamo, que hoje, transformado em parque-museu, ostenta o honorável nome de Ñico López, um dos chefes da ação nesta cidade; grande amiga de Raúl, em cujo escritório a foto do menino de óculos grandes ocupa um lugar de honra.</p>
<p>Ñico é inspiração um dia como hoje em Bayamo. Nossos filhos e os filhos de seus filhos devem conhecer a história daquele jovem, descendente de emigrantes galegos, que não era bayamês, mas de Havana, que teve que deixar a escola e trabalhar quando criança para ajudar sua família. Ele foi um dos organizadores das ações de 66 anos atrás e conseguiu salvar sua vida batendo-se heroicamente nas ruas da cidade. Que, já na capital, entrou em uma embaixada e emigrou para a Guatemala em ebulição, nos tempos de Jacobo Árbenz. Lá ele conheceu o doutor Ernesto Guevara e, como dizem, Ñico foi quem lhe deu a alcunha com a qual o mundo o reconhece: Che Guevara.</p>
<p>Ñico foi assassinado nas horas após o desembarque do Granma, também nas terras desta província, mas ele não esteve ausente nem um minuto da obra revolucionária à que se entregou com tanta paixão e fé no triunfo, pela qual sofreu a fome e dificuldades de todos os tipos, nunca perdendo o entusiasmo ou o sorriso.</p>
<p>É curioso que várias instituições importantes, como a refinaria de petróleo de Rela, em Havana, ou a Escola Superior do Partido, levem como nome, não o oficial de Antonio López, mas o de Ñico. Nessas quatro letras da alcunha familiar há uma mensagem: a camaradagem e a amizade sem limites, como um dos valores da Geração do Centenário.</p>
<p>Eles eram irmãos — Fidel, Raúl, Almeida, Ramiro e aqueles homens e mulheres que colocaram a nação à frente, que pensavam no país como uma família.</p>
<p>Deles derivamos nós e é muito importante que nosso tributo, anual ou diário, não seja trancado em um ato, em alguns versículos ou em poucas palavras para comemorar uma efeméride.</p>
<p>«O Programa do Moncada, brilhantemente exposto pelo jovem Fidel Castro em sua alegação de defesa, fala claramente das razões que os levaram a combater nesse dia 26 de julho». Photo: Endrys Correa Vaillant<br />
A Revolução, que agora precisa de nós para travar a grande batalha pela defesa e economia, que nós quebremos o plano do inimigo para nos destruir e sufocar, precisa, ao mesmo tempo, que fortaleçamos em nosso povo a espiritualidade, a civilidade, a decência, a solidariedade, a disciplina social e o sentido do serviço público. Porque esse é um dos grandes legados de nossos heróis, de quem a Geração do Centenário os adotou. E porque nenhum progresso seria duradouro se o corpo social se decompõe moralmente.</p>
<p>Vamos revisar brevemente os eventos de 66 anos atrás: As ações de 26 de julho de 1953 não atingiram os objetivos propostos pelos assaltantes: o fator surpresa foi perdido, nem todos conseguiram escapar da repressão, que foi violenta e cruel.</p>
<p>Homens fotografados vivos, como José Luis Tasende, feridos apenas em uma perna, foram brutalmente torturados e depois denunciados como mortos em combate.</p>
<p>Ainda somos chocados pelos duros testemunhos gráficos e orais que historiadores e jornalistas coletaram ao longo desses anos, o mais insuportável deles: imaginar os olhos de Abel nas mãos dos assassinos.</p>
<p>Apesar da dor, da perda física daqueles &#8220;seres de outro mundo&#8221;, segundo diz a Canção do Eleito, de Silvio Rodríguez, os sobreviventes daquele fato épico, guiados por Fidel, nunca lamentaram, não foram chorar nos recantos por seus companheiros mortos ou assassinados. Eles criaram um movimento com um programa libertador que ainda conserva toda a força e transformaram o evento na motivação de outros combates: o pequeno motor que fez funcionar o motor grande.</p>
<p>Cinco anos, cinco meses e cinco dias após o ataque aos quartéis de Santiago de Cuba e de Bayamo, negando o alegado fracasso de 1953, viria a vitória de 1959. O revés tinha-se convertido em vitória (Aplausos).</p>
<p>A explicação do milagre de que um grupo de homens acabou derrotando um dos melhores exércitos armados no continente, só pode ser encontrada nos mais destacados valores humanos da Geração do Centenário: senso de justiça, lealdade a uma causa, respeito pela palavra empenhada, confiança na vitória, fé inabalável no povo e a unidade como princípio.</p>
<p>Durante a recente discussão da Lei dos Símbolos Nacionais, muito foi dito sobre essa força. A unidade é representada no escudo, desde os tempos da fundação, pelo feixe de hastes que vai da base até o lado posterior, como a espinha dorsal da nação.</p>
<p>Nossos pais e professores nos ensinaram que era fácil quebrar as varinhas separadas, mas é impossível dividir um feixe de varinhas unidas.</p>
<p>Quando nós fazemos o apelo para pensar como um país, estamos pensando acerca da força física absoluta que existe em um feixe de varas, as que sozinhas poderiam ser quebradas facilmente.</p>
<p>Temos que pensar como um país porque ninguém vai pensar por nós.</p>
<p>E o gigante das botas de sete léguas, que atravessa o céu engolindo mundos, há muito tempo deixou de ser uma metáfora visionária de José Martí para se tornar uma cruel certeza daquilo que nos espera se, pela ingenuidade ou ignorância, subestimamos ou acreditamos que não é para nós o plano de reapropriação da Nossa América que empreendeu o império, com a bandeira da Doutrina Monroe no alto do mastro de seu navio pirata.</p>
<p>A Venezuela cercada, roubada, literalmente atacada com a aprovação ou o silêncio cúmplice de outras nações poderosas, e o que é pior, com a colaboração vergonhosa de governos latino-americanos, é hoje o cenário mais dramático da crueldade das políticas do império decadente, que combina o comportamento de polícia do mundo com o de juiz supremo da aldeia global.</p>
<p>A OEA, cada vez mais desacreditada e servil, estende um tapete vermelho para a possibilidade de uma intervenção militar. A Zona de Paz que a Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) concordou em Havana, para preservar a região da violência da guerra convencional, sobrevive apenas pela vontade de algumas nações dignas da América Latina e do Caribe.</p>
<p>E também pela resistência inteligente, heróica e exemplar da aliança cívica-militar da Venezuela, seu governo e seu povo à guerra não convencional com a qual novas modalidades são testadas todos os dias para rendê-los.</p>
<p>Com absoluto desprezo pelo que já foi a mais sagrada conquista da comunidade das nações do planeta: a legalidade internacional, a atual administração dos EUA vive ameaçando a todos, até mesmo aos seus parceiros tradicionais, e agredindo até mesmo seus servos incondicionais.</p>
<p>O mundo inteiro sabe disso. É reconhecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas, cujas resoluções o império ignora.</p>
<p>Sofremos isso, há 60 anos, várias gerações de cubanas e cubanos, impedidos de construir uma nação adaptada aos nossos sonhos.</p>
<p>E qual é o crime pelo qual somos punidos?</p>
<p>«Nossos pais e professores nos ensinaram que era fácil quebrar as varinhas separadas, mas é impossível dividir um pacote de varinhas juntas». Photo: Endrys Correa Vaillant<br />
Nossos pais tiveram a audácia de acabar com o abuso e recuperar o que havia sido tirado do país, inúmeras vezes, ao longo dos séculos: primeiro a terra, comprada por transnacionais ianques ao preço ridículo de seis dólares por hectare, no final da longa e sangrenta guerra de 30 anos que terminou com um pacto entre o nascente império em expansão e a velha metrópole decadente, na encruzilhada dos séculos. A colônia foi substituída por uma neocôlonia. A intervenção</p>
<p>Por que a Reforma Agrária?, perguntaram os autores do Levantamento de Trabalhadores Agrícolas Cubanos, realizado pela Associação Católica Universitária, em 1956-1957, um estudo que a Lei Helms-Burton nos faz tirar da gaveta e desempoeirar.</p>
<p>«&#8230; no campo, e especialmente os trabalhadores agrícolas estão vivendo em condições de estagnação, miséria e desespero difíceis de acreditar», disseram os autores do estudo.</p>
<p>Um deles, o doutor José Ignacio Lasaga, reconheceu que em todas as suas viagens pela Europa, América e África raramente encontrava camponeses que viviam mais miseravelmente que os cubanos.</p>
<p>Escusado será dizer que trabalhar a terra não significa possuir. Quando aqueles trabalhadores agrícolas desnutridos, analfabetos e desesperançados foram questionados sobre qual era sua maior necessidade, praticamente todos apenas pediam trabalho. Eles nem sequer tinham esse direito garantido metade do ano.</p>
<p>O grau de pobreza material e social em nossos campos impressionou tanto os entrevistadores que nas conclusões afirmaram:</p>
<p>«Já é tempo de a nossa nação deixar de ser um feudo privado de alguns poderosos, temos a firme esperança de que em poucos anos Cuba não seja propriedade de poucos, mas a verdadeira Pátria de todos os cubanos&#8230;».</p>
<p>A Constituição de 1940, conquistada praticamente por sangue e fogo pelos revolucionários da época, propunha a Reforma Agrária, mas a Lei não veio até maio de 1959.</p>
<p>Até então, nossa terra era propriedade de empresas norte-americanas em conluio com políticos corruptos e sob a proteção das forças militares, sob o comando do ditador Fulgencio Batista, o que em 1958 tinha diferentes graus de propriedade em nove usinas de açúcar, um banco, três companhias aéreas, várias estações de rádio, uma estação de televisão, jornais, revistas, uma fábrica de materiais de construção, uma companhia de navegação, um centro turístico, vários imóveis urbanos e rurais, etc., como indicado no livro Os proprietários de Cuba, 1958.</p>
<p>Afirma-se nessa investigação que pouco mais de 500 pessoas eram os donos do país. A maioria deles fugiu depois do triunfo da Revolução, abandonando suas posses ganhas ilicitamente e obtidas com abuso de poder e incontáveis ​​crimes cometidos por seguidores de Batista e cúmplices do ditador.</p>
<p>Foram as propriedades daqueles trapaceiros que a Revolução confiscou.</p>
<p>Outra história é a das nacionalizações, uma lei que a legalidade internacional reconhece a todas as nações soberanas — daí seu nome — em termos do bem público. Também se baseia em uma lei que apoia a Constituição de 1940 e que previa compensações, que Cuba negociou com outros governos — conforme as nacionalizações são negociadas — exceto com os Estados Unidos, que se recusou a fazê-lo, confiante de que poderiam retomar tudo, em pouco tempo, pela força.</p>
<p>A Lei da Reforma Agrária foi a primeira grande nacionalização e o maior ato de justiça social exigido pelo povo. E foi também o ponto de ruptura, a travessia do Rubicão, como disse o general-de-exército, Raúl Castro Ruz.</p>
<p>Aqueles que achavam que possuíam Cuba, se recusaram a perdê-la, desencadearam desde então essa guerra não declarada, que teve algumas pausas breves, mas que não teve um final.</p>
<p>Para confundir a opinião pública e dar àquele confronto uma legalidade que não tem, foi elaborada a Lei Helms-Burton, um engendro jurídico, onde se misturam os desejos imperiais de dominação sobre nossos destinos e a vingança dos nostálgicos da época de Batista.</p>
<p>Daquela geração imoral e antipatriótica que saqueou o país vêm os atuais reivindicadores dos bens que há 60 anos passaram, finalmente, nas mãos do povo.</p>
<p>Incapazes de fazê-lo por si mesmos, os ladrões desta época, hoje, utilizam uma lei sem poder sobre Cuba, para recuperar bens confiscados por serem o resultado de peculato ou propriedade abandonada por medo da justiça popular.</p>
<p>Mas deixem-me avisá-los que os descendentes daquela cavalaria mambisa e camponesa que tomou a Praça, em 1959, para saudar a Revolução vitoriosa, herdou a terra e os facões de seus antepassados ​​e não hesitará em brandi-los contra aqueles que tentem lhe arrebatar a terra que a Revolução lhe entregou (Aplausos).</p>
<p>«Não, não nos entendemos» nem jamais nos vamos entender com aqueles que pretendem devolver Cuba ao estado de coisas que em 1953 levou o melhor da juventude cubana a atacar dois quartéis militares com mais moral do que armas.</p>
<p>O Programa do Moncada, brilhantemente exposto pelo jovem Fidel Castro em seu argumento de defesa, fala claramente das razões que os levaram a combater naquele dia 26 de julho:</p>
<p>«O problema da terra, o problema da industrialização, o problema da habitação, o problema do desemprego, o problema da educação e o problema da saúde do povo. Lá estão concentrados os seis pontos para os quais nossos esforços teriam sido resolutamente dirigidos, juntamente com a conquista das liberdades públicas e da democracia política».</p>
<p>«Talvez esta exposição pareça fria e teórica, se a terrível tragédia que o país está vivenciando nessas seis ordens não for conhecida, juntamente com a opressão política mais humilhante».</p>
<p>Apenas uma Revolução poderia mudar esse panorama, que quatro anos após o ataque aos quartéis tinha piorado tanto que, em 1957, uma organização religiosa como a que mencionei terminou sua pesquisa com a reivindicação de uma mudança radical e definitiva no país.</p>
<p>Cuba mudou, mas o desejo de possuí-la por parte do vizinho poderoso não mudou, com a colaboração entusiasta dos falcões e dos servos apátridas do sul da Flórida.</p>
<p>Eles não podem se apropriar de Cuba, como Antonio Maceo advertiu, e decidem persegui-la, encurralá-la, sufocá-la. O cerco sofrido por todas as nossas operações comerciais e financeiras aumentou nos últimos anos e meses para níveis extraterritoriais, ilegais e criminais.</p>
<p>Eu vou dar uma quantia nova para que o mundo possa julgar: só no último ano decorrido, de março de 2018 a abril de 2019, o bloqueio nos causou perdas no valor de 4,3 bilhões (4.343.000.000) de dólares.</p>
<p>Quero advertir que os dados não refletem os efeitos causados ​​pelas medidas mais recentes da administração atual, que limitam as licenças de viagem, proíbem a entrada de navios de cruzeiro e reforçam as restrições financeiras, impactando diretamente o turismo e atividades associadas que beneficiam o crescente setor não estatal da economia.</p>
<p>São essas restrições e a perseguição financeira contra Cuba as principais causas da escassez de alimentos e combustíveis e a dificuldade em adquirir peças de reposição essenciais para sustentar a vitalidade do Sistema Eletroenergético Nacional, que nos afetou nas últimas semanas e meses e que estamos enfrentando criativamente, com a vontade de ferro de resistir e superar.</p>
<p>Após seis décadas de assédio à mais simples transação cubana, as perdas acumuladas chegam a 922,6 bilhões de dólares, considerando a desvalorização do papel moeda em relação ao ouro.</p>
<p>O cerco se fecha cada vez mais em torno ao nosso país, tal como contra a Venezuela, Nicarágua e qualquer outra nação que se recuse a aceitar o plano imperial para o seu destino.</p>
<p>Hoje denuncio ao povo de Cuba e ao mundo que a administração dos Estados Unidos começou a agir de forma mais agressiva para impedir a chegada do combustível a Cuba.</p>
<p>Com ações extraterritoriais cruéis de bloqueio hoje tentam impedir, por todos os meios, a chegada aos portos cubanos dos navios petroleiros, ameaçando brutalmente as companhias de navegação, os governos dos países onde os navios são registrados e as companhias de seguros.</p>
<p>O plano genocida é afetar, ainda mais, a qualidade de vida da população, seu progresso e até suas esperanças, com o objetivo de ferir a família cubana em seu cotidiano, em suas necessidades básicas e, em paralelo, acusando o governo cubano de ineficiência. Eles torcem pelo levante social.</p>
<p>Quão pouco eles nos conhecem! Quando eles finalmente acabarão entendendo que a heróica família cubana é capaz de enfrentar e resistir com dignidade os piores cercos e continuar se amando, mesmo à distância, porque nada ou ninguém a poderá dividir? (Aplausos)</p>
<p>Eles querem nos cortar a luz, a água e até o ar, para nos obrigar a fazer concessões políticas. Eles não se escondem para fazer isso. Declaram publicamente os fundos destinados à subversão dentro de Cuba, inventam pretextos falsos e hipócritas para nos incluir novamente em suas listas espúrias e justificar o ressurgimento do bloqueio.</p>
<p>No cúmulo do cinismo, até lançam mão da chantagem.</p>
<p>Desconhecendo a história e os princípios da política externa da Revolução Cubana, propõem-nos negociar uma possível reconciliação em troca de abandonar o curso escolhido e defendido por nosso povo, agora como antes. Eles sugerem trair amigos, jogando 60 anos de dignidade na lata de lixo.</p>
<p>Não, senhores imperialistas, não nos entendemos! (Aplausos) Cuba, que conhece as distâncias éticas e políticas entre este governo dos EUA e os cidadãos mais nobres daquele país, não renunciou à sua vontade declarada de construir um relacionamento civilizado com os Estados Unidos, mas deve ser baseado no respeito mútuo de nossas profundas diferenças. .</p>
<p>Qualquer proposta que se afaste do respeito entre iguais, não estamos interessados! (Aplausos).</p>
<p>E quanto ao povo americano, ele é permanentemente convidado para vir a Cuba. Nossas portas estão abertas. Venha, veja e conheça a realidade do país que lhe é negado visitar, em nome da liberdade, um direito humano essencial que, dizem eles, está faltando em Cuba e é abundante lá.</p>
<p>De nossa parte, não seremos distraídos por pressões e ameaças. Há muitos desafios a serem superados e vamos nos concentrar neles: primeiro, a invulnerabilidade econômica e militar do país, a reorganização do sistema jurídico, a derrota de qualquer obstáculo interno ou externo que persistir: seja burocratismo, insensibilidade ou corrupção, que não podem ser aceitos no socialismo.</p>
<p>E ao imperialismo, «nem um tantinho assim», frase de Che Guevara e permanente ensinamento da Revolução (Aplausos).</p>
<p>Estas mensagens de Cuba de princípios políticos invariáveis, vamos levá-las ao Fórum de São Paulo, reunido em Caracas nesta semana, para fortalecer a integração das forças de esquerda e sua mobilização contra a ofensiva imperial que se propôs nos separar, nos dividir e nos confrontar.</p>
<p>Queridos compatriotas:</p>
<p>O que encontramos em nossas visitas a esta província e ouvimos no discurso do seu primeiro secretário, Federico Hernández, são importantes resultados econômicos e sociais. O território merecia a sede, devido aos seus inegáveis ​​avanços (Aplausos).</p>
<p>Destaco principalmente 80% da exploração das terras aráveis ​​e o impulso aos polos produtivos de auto-abastecimento municipal, pela contribuição que podem dar à substituição de importações em itens como o arroz, um alimento básico da dieta da família cubana. Porém — há sempre porém — as autoridades do território reconhecem que, mesmo com registros produtivos importantes, estão longe de seu potencial.</p>
<p>É uma realidade comum em todo o país, onde a batalha pelo desenvolvimento é uma corrida intensa e cansativa, com obstáculos de todos os tipos. O primeiro e decisivo, o bloqueio dos EUA; o segundo, as práticas incompatíveis com o socialismo, que já apontamos nas intervenções perante economistas, intelectuais e artistas e na Assembleia Nacional.</p>
<p>Não me cansarei de insistir no dever de pensar como país, de afastar o egoísmo, a vaidade, a preguiça, o mal feito, o «não se pode».</p>
<p>Vamos deixar de acreditar e afirmar que a culpa é de outrem, sem primeiro olhar para o que estamos fazendo, criando, contribuindo cada um de nós.</p>
<p>Considerando o panorama do cerco brutal às nossas operações financeiras que descrevi anteriormente, todos nós temos o dever de cuidar, como «meninas dos nossos olhos», os dispendiosos investimentos realizados em transportes, indústria, comunicações e outras áreas que estamos empreendendo.</p>
<p>Pretender que de repente a mentalidade seja transformada à velocidade máxima que nossos trens podem alcançar, poderia soar como uma utopia se não acreditarmos nas pessoas e em suas reservas morais e suas aspirações por um crescimento com beleza.</p>
<p>Mas essas mudanças não saem de um chapéu. Nós não somos mágicos.</p>
<p>Nosso Conselho de Ministros não opera com ilusões. Cabe-nos gerenciar e direcionar bem os escassos recursos disponíveis para garantir a distribuição equitativa e justa dos bens criados.</p>
<p>Estamos impulsionando a produção nacional com eficiência e competitividade, as exportações e a substituição de importações, o investimento estrangeiro, as cadeias produtivas, o uso da ciência, a tecnologia e o talento de nossas universidades para inovar; o governo eletrônico e a comunicação como elemento fundamental na luta para desbloquear e resolver uma parte, tão grande quanto possível, dos problemas de cada dia.</p>
<p>Pode ser percebido um nível de resposta que excita, mas não é suficiente. As circunstâncias nos forçam hoje, como sempre nos forçaram, a impor uma taxa de progresso além de nossos objetivos, exigir, controlar, banir a rotina e verificar nos fatos se a fórmula que usamos ontem é efetiva ou precisa ser renovada.</p>
<p>Devemos sancionar de maneira firme e oportuna aqueles que não compreendem que defender o país hoje é cuidar e proteger seus bens materiais escassos.</p>
<p>Se o governo se dedicar a melhorar a vida de nossos cidadãos, o governo e os cidadãos devem evitar o abuso, a contaminação ou a negligência daquilo que custa tanto adquirir.</p>
<p>Diante do antigo dilema de elevar os salários e esperar resultados produtivos para suportar esses gastos, decidimos elevá-los. Não uma vez, mas várias vezes o valor do que estava sendo pago.</p>
<p>Também não esperamos terminar o ano para começar a aplicar essa medida tão popular, pois depende do que nós todos somos capazes de fazer para que se traduza em crescimento.</p>
<p>Mas, para sustentar essa e todas as possíveis medidas de benefício social, é necessário produzir mais e aumentar a qualidade dos serviços.</p>
<p>Novas medidas, propostas pelo povo, devem ser aprovadas nas próximas semanas e meses.</p>
<p>Vamos para mais não é um slogan. É a tradução para a linguagem do governo da resposta política ao inimigo: com aqueles que querem nos roubar a terra, a casa, as escolas, os hospitais, as creches, as fábricas, as praias, os portos e os aeroportos. Nós não nos entendemos!</p>
<p>É a concretização na prática de nossa vontade de não sermos distraídos por pressões e ameaças e resistir criativamente, sem abrir mão do desenvolvimento.</p>
<p>«Os duros anos impostos pelo cerco do imperialismo não podem esconder verdades como punhos sob o manto da desgraça», escreveu a amada intelectual Graziella Pogolotti em seu artigo mais recente, onde ela também nos lembra que: «Porque a luta não acabou, é sempre 26». (Aplausos).</p>
<p>Sim, 26 de julho será sempre uma ótima inspiração. E pensando como país, quero retomar o slogan dos anos de trabalho nas províncias, quando conclamávamos o povo, motivados pelo significado desta data:</p>
<p>Vamos todos trabalhar para tornar cada dia do calendário um 26, de cada mês do calendário um dia de julho, de cada compromisso um Moncada vitorioso!</p>
<p>O mundo verá o que somos capazes de fazer e o mundo nos acompanhará em nossa resistência. É hora de fazer um novo e urgente chamado à sua consciência.</p>
<p>Podemos iniciar ou terminar esse apelo, com alguns versos de quem sempre disse Sim à Revolução: Roberto Fernández Retamar, ensaísta e poeta, grande intelectual que recentemente nos deixou. Deixem-nos explicar com suas belas palavras o que somos e o que estamos fazendo, apesar dos incêndios e dos cercos.</p>
<p>Em seu poema A quem possa interessa, Roberto escreveu:</p>
<p>Em toda a Ilha, somos menos os que diariamente</p>
<p>perambulam por uma cidade grande.</p>
<p>Nós somos menos: um punhado de homens em uma fita de terra</p>
<p>batida pelo mar. Mas</p>
<p>nós construímos uma alegria esquecida.</p>
<p>Para essa alegria que continuamos a construir: vamos para mais! Porque somos todos Cuba! Nós somos continuidade!</p>
<p>Pátria ou Morte!</p>
<p>Venceremos!</p>
<p>(Ovação)</p>
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		<title>Nós não vamos renunciar a nenhum dos nossos princípios</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Jun 2019 17:26:31 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cubadebate</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cuba]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[NOVAMENTE, um cenário adverso foi criado e novamente a euforia em nossos inimigos ressurge e a pressa em tornar realidade o sonho de destruir o exemplo de Cuba. Não será a primeira e nem a última que a Revolução Cubana terá que enfrentar desafios e ameaças. Corremos todos os riscos e resistimos invictos 60 anos.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-5483" alt="Raul Castro" src="/files/2019/06/Raul-Castro.jpg" width="300" height="249" />NOVAMENTE, um cenário adverso foi criado e novamente a euforia em nossos inimigos ressurge e a pressa em tornar realidade o sonho de destruir o exemplo de Cuba. Não será a primeira e nem a última que a Revolução Cubana terá que enfrentar desafios e ameaças. Corremos todos os riscos e resistimos invictos 60 anos.</p>
<p>Para nós, como para a Venezuela e Nicarágua, é claro que o círculo está se fechando e nosso povo deve estar alerta e pronto para responder a cada desafio com a unidade, força, otimismo e fé inabalável na vitória.</p>
<p>Após quase uma década de implementar os métodos de guerra não convencional para impedir a continuação ou retardar o retorno de governos progressistas, os círculos do poder em Washington patrocinaram golpes, primeiro um militar para derrubar em Honduras o presidente Zelaya e mais à frente foram para os golpes parlamentares-judiciais contra Lugo no Paraguai e Dilma Rousseff no Brasil.</p>
<p>Promoveram processos judiciais fraudulentos e politicamente motivados, bem como campanhas de manipulação e descrédito contra líderes e organizações de esquerda, fazendo uso do controle monopolista sobre a mídia de massas. Dessa forma, conseguiram prender o camarada Lula da Silva e privaram-no do direito de ser candidato presidencial do Partido dos Trabalhadores para evitar sua vitória nas últimas eleições. Aproveito esta oportunidade para apelar a todas as forças políticas honestas no mundo para exigir a sua libertação e o fim dos ataques e a perseguição judicial contra as ex-presidentas Dilma Rousseff e Cristina Fernández de Kirchner.</p>
<p>Aqueles que estão empolgados com a restauração da dominação imperialista em nossa região devem entender que a América Latina e o Caribe mudaram e o mundo também.</p>
<p>Nunca foi mais necessário marchar efetivamente pelo caminho da unidade, reconhecendo que temos muitos interesses em comum. Trabalhar pela «unidade na diversidade» é uma necessidade urgente.</p>
<p>Para alcançá-la, uma adesão estrita à proclamação da América Latina e do Caribe como Zona de Paz, assinada pelos Chefes de Estado e de Governo em Havana, em janeiro de 2014, é requerida, na qual nós nos comprometemos «com o cumprimento estrito de sua obrigação de não intervir, direta ou indiretamente, nos assuntos internos de qualquer outro Estado» e resolver as diferenças pacificamente e de «respeitar plenamente o direito inalienável de cada Estado para escolher seu sistema político, econômico, social e cultural».</p>
<p>Nós, cubanos, estamos conscientes de que, sem o esforço sustentado do nosso povo para consolidar a capacidade defensiva do país, teríamos deixado de existir há muito tempo como uma nação independente.</p>
<p>Nossa segurança na vitória é baseada no sangue dos camaradas caídos e nos rios de suor despejados por milhões de cubanos ao longo de várias décadas, e particularmente nos últimos anos, que trabalharam para tornar realidade nosso principal objetivo de evitar a guerra.</p>
<p>O ninho de vespas terrível em que se converteriam todos os cantos do nosso país, repito, o ninho de vespas terrível em que se converteriam todos os cantos do nosso país se tornaria, causaria ao inimigo um número muito maior de baixas do que a opinião pública norte-americana estaria disposta a aceitar.</p>
<p>O aumento da guerra econômica, com o fortalecimento do bloqueio e a contínua aplicação da Lei Helms-Burton, perseguem o velho desejo de derrubar a Revolução Cubana por meio de sufocação econômica e as dificuldades. Esta aspiração já falhou no passado e falhará novamente.</p>
<p>O socialismo, sistema que denigra o governo dos Estados Unidos, defendemo-lo porque acreditamos na justiça social, no desenvolvimento equilibrado e sustentável, com uma justa distribuição da riqueza e as garantias de serviços de qualidade para toda a população; praticamos a solidariedade e rejeitamos o egoísmo, não compartilhamos o que nos resta, mas até o que nos falta; repudiamos todas as formas de discriminação social e combatemos o crime organizado, o tráfico de droga, o terrorismo, o tráfico de pessoas e todas as formas de escravatura; defendemos os direitos humanos de todos os cidadãos, não de segmentos exclusivos e privilegiados; acreditamos na democracia do povo e não no poder político e antidemocrático do capital; procuramos promover a prosperidade da pátria, em harmonia com a natureza e cuidando das fontes das quais depende a vida no planeta; e porque temos a certeza de que um mundo melhor é possível.</p>
<p>Em 60 anos contra as agressões e ameaças, nós, os cubanos, mostramos a vontade ferrenha de resistir e superar as circunstâncias mais difíceis. Apesar do seu imenso poder, o imperialismo não possui a capacidade de quebrar a dignidade de um povo unido, orgulhoso da sua história e da liberdade conquistada por tanto sacrifício. Cuba já mostrou que sim era possível, sim é possível e sempre será capaz de resistir, lutar e alcançar a vitória. Não há outra alternativa. •</p>
<p>Fontes:<br />
Discurso pelo 45º aniversário da fundação do Exército Ocidental, em 13 de junho de 2016.<br />
Discurso na 5ª Cúpula da Celac, em 25 de janeiro de 2017.<br />
Discurso pelo 65º aniversário do ataque aos quartéis Moncada e Carlos M. de Céspedes, em 26 de julho de 2018.<br />
Discurso pelo 60º aniversário do triunfo da Revolução Cubana, em 1º de janeiro de 2019.<br />
Discurso por ocasião da proclamação da Constituição da República, em 10 de abril de 2019.</p>
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		<item>
		<title>Díaz-Canel: «Vamos avançar e vamos continuar vencendo»</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Dec 2018 18:24:13 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cubadebate</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Discurso de Miguel M. Díaz-Canel Bermúdez, Presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, no encerramento da 2ª Sessão Ordinária da 9ª Legislatura da Assembleia Nacional do Poder, no Palácio das Convenções, no dia 22 dezembro de 2018, "Ano 60º da Revolução"]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-5365" alt="Diaz Canel Asamblea discurso" src="/files/2018/12/Diaz-Canel-Asamblea-discurso.jpg" width="300" height="235" />Discurso de Miguel M. Díaz-Canel Bermúdez, Presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, no encerramento da 2ª Sessão Ordinária da 9ª Legislatura da Assembleia Nacional do Poder, no Palácio das Convenções, no dia 22 dezembro de 2018, &#8220;Ano 60º da Revolução&#8221;</p>
<p>(Tradução da versão estenográfica &#8211; Conselho de Estado)</p>
<p>Querido general-de-exército Raúl Castro Ruz, primeiro secretário do Comitê Central do Partido;</p>
<p>Companheiros Machado e Lazo;</p>
<p>Deputadas e deputados;</p>
<p>Compatriotas:</p>
<p>Nossas primeiras palavras, no Dia do Educador, são para felicitar e reconhecer os professores cubanos, que nos dedicam, mais do que suas horas, o sentido de suas vidas.</p>
<p>O ano 2018 quase termina e nos encontramos novamente para o tradicional abraço e a avaliação de um período crucial na história da Revolução Cubana.</p>
<p>O ano ao que hoje dizemos adeus permanecerá em nossa memória nacional como o ano em que uma nova geração, paulatina e gradualmente, em clara expressão de continuidade, passou a assumir as principais tarefas de gestão, com a sorte de manter a orientação da Geração Histórica, em particular, o general-de-exército Raúl Castro Ruz, primeiro secretário do Partido Comunista de Cuba.</p>
<p>Durante os meses decorridos desde as sessões da Assembleia, em abril, contamos com esse guia diante dos desafios mais difíceis e inesperados e encontramos em sua confiança e na liderança coletiva os recursos fundamentais para chegar aqui hoje para prestar contas, comprometidos com a solução dos problemas que mais preocupam o povo, que são os que absorvem cada minuto de nossos dias e cada partícula de nossas energias.</p>
<p>Fazendo um balanço dos esforços e resultados, devo falar, em primeiro lugar, da profunda satisfação que nos deixa a discussão popular da nova Constituição que hoje foi aprovada.</p>
<p>Com esse debate, não apenas enriquecemos nossa cultura política, o sentimento de pertencer a uma nação e o futuro do país. Chegamos mais perto das preocupações e demandas de nosso povo, um objetivo fundamental da Revolução do qual nossos opositores sempre tentaram nos distrair, com a intenção de fraturar e dividir a sociedade cubana, conscientes de que a unidade é sua maior fortaleza.</p>
<p>Eu gostaria de dizer que foi um ano de impulso para o governo eletrônico e uma maior eficiência na gestão econômica, mas é apenas o primeiro passo em uma tarefa de demandas infinitas, que em 2019 devem começar a dar seus primeiros frutos.</p>
<p>E é preciso dizer que nós também tivemos testes realmente duros, como as enchentes que devastaram as províncias centrais e a queda de um avião que deixou um doloroso número de 112 mortes e uma única sobrevivente, que nos últimos dias enviou uma bela mensagem de agradecimento a seus compatriotas e especialmente à equipe médica que a manteve viva.</p>
<p>Depois da triste tarefa de relembrar as piores notícias deste ano para Cuba, retorno as mais estimulantes.</p>
<p>Esta sessão da Assembleia Nacional conclui com uma decisão transcendente para a vida da nação: a aprovação da nova Constituição da República que em fevereiro será submetida ao referendo.</p>
<p>Chegamos a ela depois de um extenso processo de consulta popular em que cidadãos, residentes dentro ou fora do país, tiveram a oportunidade de expressar livremente suas considerações sobre o conteúdo do projeto, que incluiu, entre outros aspectos relevantes, os fundamentos políticos e econômicos, os direitos e deveres e a estrutura do Estado.</p>
<p>Todas e cada uma das intervenções foram devidamente avaliadas e originaram mudanças em cerca de 60% dos artigos do Projeto, o que permitiu enriquecer seu conteúdo.</p>
<p>A análise popular mostrou a vontade de melhorar a Constituição, mas foi muito mais longe porque forneceu elementos importantes a serem levados em conta no amplo exercício legislativo que devemos empreender, para apoiar com as leis necessárias o cumprimento dos preceitos constitucionais.</p>
<p>A ocasião é propícia para, em nome da Assembleia Nacional, felicitar aqueles que participaram na garantia e organização do processo de consulta popular, incluindo os duetos que conduziram as mais de 133 mil assembleias realizadas em todo o país, os funcionários responsáveis ​​pela coleta e análise das abordagens; ao Centro de Estudos Sociopolíticos do Comité Central do Partido e, em particular, à Comissão encarregada de elaborar o projeto da Constituição e, que como foi aqui corretamente expresso, ao seu presidente, o general-de-exército Raul Castro Ruz (Aplausos).</p>
<p>A Lei Fundamental que acabamos de aprovar reafirma o curso socialista da Revolução e nos permite canalizar o trabalho do Estado, do Governo, das organizações e de todo o povo no aperfeiçoamento contínuo da sociedade; reforça a institucionalidade; estabelece a prevalência da Constituição em nosso desempenho com maior inclusão, justiça e igualdade social e um reforço do empoderamento do povo no governo da nação.</p>
<p>Este processo, que continua com a celebração do referendo, em 24 de fevereiro do ano seguinte, é uma demonstração genuína e excepcional do exercício do poder pelo povo e, portanto, do marcado caráter participativo e democrático de nosso sistema político.</p>
<p>Ao contrário do exposto pelos inimigos da Revolução, Cuba mostrou mais uma vez que as decisões fundamentais e o consenso sobre as questões que definem a vida da nação são construídas com a contribuição decisiva de todos. Devemos dizer aos nossos detratores que se arrisquem a fazer em seus países um processo com características semelhantes àquelas que estamos desenvolvendo.</p>
<p>Em uma data tão íntima quanto o dia 24 de fevereiro, 124 anos depois da retomada da luta pela independência liderada pelo Herói Nacional José Martí, os cubanos da atualidade, fiéis às tradições de lutas, iremos às urnas para aprovar a Constituição, como uma expressão de firmeza, lealdade ao legado do Comandante-em-chefe da Revolução Cubana, o companheiro Fidel Castro, e diremos com o nosso voto: Sim à Revolução, à soberania e independência da pátria, à unidade. Sim ao socialismo e ao compromisso com os heróis e mártires em mais de 150 anos de luta pela liberdade.</p>
<p>Queridas companheiras e companheiros:</p>
<p>O debate nas dez comissões de trabalho desta Assembleia foi intenso e frutífero. Além do texto constitucional, discutimos duas questões prioritárias em plenário: cumprimento do plano e o Orçamento deste ano e suas propostas para 2019.</p>
<p>Com um crescimento discreto do Produto Interno Bruto de 1,2% — que ainda que limitado não deixa de ser animador, em meio a tantos fatores adversos — o comportamento da economia fecha em sinal positivo.</p>
<p>Para que não seja subestimado, gostaria de me referir a algumas decisões favorecidas por este crescimento discreto, mas real:</p>
<p>Em novembro deste ano, foi efetivado o aumento das aposentadorias mínimas dos aposentados, passando de 200 para 242 pesos para quase 300 mil pessoas.</p>
<p>Além disso, todos os benefícios monetários recebidos através da assistência social foram aumentados em 70 pesos, beneficiando 99 mil famílias.</p>
<p>Estes aumentos, que têm um custo anual para o Orçamento do Estado de 224 milhões de pesos, destinam-se a melhorar modestamente o rendimento das pessoas e famílias com menor poder de compra e são um avanço parcial das medidas que serão adotadas para ordenar a situação de salários, pensões, benefícios sociais, subsídios e gratificações.</p>
<p>Um dos setores que mais contribui é o das comunicações, graças ao crescimento da conectividade e do acesso à Internet nas entidades estatais, bem como nos serviços demandados pela população, com o aumento de 700 mil linhas móveis, para um total de 5,3 milhões (5.300.000) em serviço.</p>
<p>Os pontos de acesso público via Wi-Fi também crescem em mais de 300 e os lares conectados à Internet já somam 60 mil.</p>
<p>As maiores afetações no Produto Interno Bruto foram concentradas na indústria açucareira e, mais modestamente, no setor agrícola e pecuário. No entanto, é justo destacar o aumento da produção de arroz e feijão, o que nos permite substituir as importações.</p>
<p>Apesar do impacto do furacão Irma, que afetou gravemente a comercialização do destino de Cuba, na temporada alta 2017-2018, e as medidas adotadas pelo governo dos EUA para dificultar as viagens ao nosso país, o turismo terminará este ano com crescimento e um novo recorde de visitantes internacionais.</p>
<p>Não menos relevante é o fato de que, em meio a tantos fatores adversos, os serviços sociais têm sido garantidos à população em Educação, Saúde, Cultura e Esportes. Prevê-se que o ano de 2018 feche com uma taxa de mortalidade infantil de 4, semelhante à do ano anterior, que é a menor da história.</p>
<p>Um programa que teve um impulso significativo foi o da habitação, que permitiu a conclusão da execução de mais de 29 mil casas pelo plano estatal, enquanto graças ao esforço da população serão terminadas cerca de 11 mil. A esse empenho deverá contribuir a política habitacional que foi recentemente aprovada pelo Conselho de Ministros e informada aos deputados nesta sessão do Parlamento.</p>
<p>Para o ano que vem, esperam-se níveis semelhantes de crescimento econômico, 1,5% do Produto Interno Bruto, com a recuperação da indústria açucareira, e aumento da atividade em outros setores, como construção, transporte e comunicações.</p>
<p>Mas esses crescimentos, apesar de refletirem o progresso do país em certos setores, não permitem alcançar os níveis de desenvolvimento necessários para atender às crescentes necessidades da população. Por esta razão, dentro do Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para 2030, foram definidos um grupo de objetivos para os quais o desempenho da economia para o período 2019-2021 deveria ser direcionado. Entre eles, o aumento das receitas de exportação e a capacidade de aumentar a produção nacional serão vitais, através de um processo de investimento que exige maior eficiência.</p>
<p>As formas de gestão não estatais contribuíram para o Orçamento do Estado com 12% do total das receitas, em 2018, o que deverá crescer ligeiramente no próximo ano. Quase 600 mil trabalhadores independentes contribuem com 5% do rendimento para o Orçamento.</p>
<p>Companheiras e companheiros:</p>
<p>O país continua sofrendo uma situação tensa nas finanças externas, devido ao descumprimento das receitas planejadas das exportações, o turismo e a produção de açúcar, além dos danos causados ​​por uma seca prolongada, seguida pela destruição do furacão Irma e subsequentemente, a ocorrência de fortes chuvas, que afetaram a chegada de matérias-primas, equipamentos e suprimentos.</p>
<p>Somente graças a medidas adicionais de controle nas principais garantias financeiras do plano de 2018, visando trabalhar com maior precisão as decisões sobre as importações e outras despesas em moeda estrangeira, no segundo semestre do ano, o crescimento foi alcançado com saldo positivo na balança comercial e na das contas correntes.</p>
<p>Nós expressamos que a batalha econômica continua sendo a tarefa fundamental e também a mais complexa. Esta é a tarefa que exige mais de todos nós hoje, porque é o que nosso povo mais espera.</p>
<p>O contexto que descrevemos exige um planejamento mobilizador, encaminhado a impedir que a burocracia imobilize o desempenho dos principais atores econômicos.</p>
<p>É necessário fortalecer nossas estruturas e equipes de direção e gestão econômica, com as contribuições de especialistas e peritos das Ciências Econômicas em particular e outros em geral. Não podemos nos cansar de ouvir aqueles que sabem, avaliar suas propostas e articulá-las com o que nos propomos alcançar.</p>
<p>Precisamos de uma atitude mais proativa, inteligente e concreta dos líderes promovendo — não trabalhando ou retardando — soluções seguras e particulares para os problemas, com a busca contínua e intensa de respostas ágeis e eficientes.</p>
<p>É necessário sermos mais coerente com a Conceituação do Modelo Econômico e Social e mais sistemáticos e precisos na implementação das Diretrizes da Política Econômica e Social da Revolução, aprovadas pelo nosso Partido.</p>
<p>É hora de agir sem dogmas e com realismo, atendendo às prioridades, facilitando o real fortalecimento da empresa estatal e sua vinculação produtiva com o investimento estrangeiro, as joint ventures e o setor não-estatal da economia.</p>
<p>Devemos, também, ordenar a atividade do setor privado da economia, mas sem parar ou retardar seu desempenho, estimulando as melhores práticas, até conseguirmos que aqueles que o exercem não cometam atos ilegais. O desafio é integrar todos os atores, formas de propriedade e gestão presentes em nosso ambiente econômico-social, na batalha pela economia que, reitero, é hoje a batalha fundamental.</p>
<p>Como nos indicam os resultados do ano, é imperativo impulsionar o investimento estrangeiro, promover um ambiente de confiança e segurança para os investidores, exportar mais, defender as receitas, fechar o ciclo das exportações com cobrança oportuna, cumprir o que foi indicado pelo general-de-exército Raúl Castro, repetidamente, para não gastar mais do que o que entramos e para não assumir compromissos que não podemos honrar. Além disso, parar e resolver a cadeia de inadimplências e pagamentos atrasados.</p>
<p>Investir de forma eficiente e aplicar as disposições dos estudos de viabilidade após o início dos investimentos é tão importante quanto dar toda a atenção possível à sua execução, garantindo suprimentos e mão-de-obra em tempo hábil, evitando surpresas e improvisações.</p>
<p>Ao mesmo tempo, devemos conhecer e lidar com todas as possibilidades de financiamento, usar os créditos de maneira mais eficiente e sermos responsáveis ​​com seus pagamentos.</p>
<p>Fazer uso eficiente dos valiosos recursos humanos e da força de trabalho qualificada e científica de que dispomos, graças ao grande trabalho educacional da Revolução; defender a produção nacional, mobilizar todo o nosso potencial para produzir mais e eficientemente, é a única coisa que nos permitirá crescer, acima dos efeitos climáticos e do estresse financeiro.</p>
<p>Precisamos também evitar gastos supérfluos com atividades do governo, ter um controle real dos recursos e aproveitar as experiências de outras nações socialistas, como a China, o Vietnã e o Laos.</p>
<p>A gestão governamental deve ser orientada com maior ímpeto para a demanda de maior qualidade nos serviços e para evitar que suas deficiências causem desconforto e irritação à população. Nunca se deve esquecer que, como funcionários públicos, nosso maior objetivo é o bem-estar do povo.</p>
<p>Abordar a situação atual de maneira realista e objetiva é o que nos permite definir um plano para a economia para o ano de 2019 sustentável, alicerçado em bases sólidas que promovam, apesar das dificuldades, o desenvolvimento nas atividades prioritárias para o crescimento e contribuam para a restauração gradual da credibilidade financeira da nação.</p>
<p>Compatriotas:</p>
<p>2019 será um ano de ordenação. O plano será baseado na renda em moeda estrangeira do país e sua cobrança, pagando mais dívidas do que créditos a obter e cumprindo com a máxima pontualidade possível o pagamento dos compromissos.</p>
<p>Não há outra maneira de fazer o plano; caso contrário, seria propor algo que não seria cumprido e que se tornaria incontrolável.</p>
<p>Devo enfatizar que o que está previsto neste plano é o mínimo a ser alcançado. Precisamos gerar riqueza para ter mais. Sua execução deve ser apoiada por uma administração adequada do orçamento, na qual devemos promover todas as possibilidades de renda, a redução das despesas orçamentárias no setor empresarial e a maior redução possível do déficit orçamentário.</p>
<p>Atingir os objetivos propostos requer um processo profundo de discussão do plano, um alto nível de controle e envolvendo todos para defendê-lo entre todos.</p>
<p>A safra açucareira, importante atividade econômica não só para a produção de açúcar, mas pela sua capacidade de gerar renda líquida, sua contribuição para a geração de eletricidade a partir da biomassa, a produção de ração animal e derivados, começaram superando os principais indicadores. Agora, o importante é não deixar acumular problemas que atentam contra o bom desempenho no que resta da campanha.</p>
<p>Como parte do processo de informatização da sociedade, avança a digitalização da televisão e foi instalado o serviço de Internet nos telefones móveis, uma nova possibilidade para os cidadãos e uma expressão clara da vontade política do Governo para levar a cabo este programa com os nossos próprios esforços e talento, sem espaço para interferências que alguns disfarçam em ofertas perversas e planos colonizadores.</p>
<p>Os investimentos em parques eólicos e fotovoltaicos continuam, enquanto se iniciam aqueles relacionados à geração de biomassa em usinas bioelétricas, apoiando a projeção de mudança na matriz energética e o aumento no uso de fontes renováveis ​​de energia.</p>
<p>A fim de discutir amplamente as projeções de desenvolvimento do país, consideramos conveniente convocar, no primeiro trimestre do próximo ano, uma sessão extraordinária da Assembleia Nacional que dedicaremos à análise do Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social até 2030, em três etapas e o relatório sobre o estado de implementação das Diretrizes para a Política Econômica e Social do Partido e da Revolução.</p>
<p>Por outro lado, recentemente começaram a vigorar medidas relacionadas com a atividade do trabalho autônomo ou privado. A maioria da população aceita as ditas medidas e considera que são necessárias para a organização e controle desse processo.</p>
<p>Nesse sentido, quero precisar nosso ponto de vista sobre essa atividade.</p>
<p>Os trabalhadores autônomos não são inimigos da Revolução, são o resultado do processo de atualização do modelo econômico, eles estão solucionando problemas que sobrecarregavam o Estado e, para os quais, às vezes, o Estado era ineficiente. Eles foram resgatando ofícios que a vida mostrou serem necessários.</p>
<p>Reconhecemos o setor não estatal como um complemento da economia e não há intenção de impedir que possa prosperar, mas seu funcionamento deve estar dentro da lei.</p>
<p>Sabemos que temos ao apoio da maioria deles para impulsionar e dinamizar a economia. Devemos apagar de algumas mentes os preconceitos em relação ao seu trabalho, o que nos prejudica tanto quanto aqueles inspetores que se corrompem e geram desconfiança e insegurança.</p>
<p>Para o seu bom exercício, devemos criar condições que estimulem o cumprimento das novas regras e contribuam para a real reorganização dessa atividade. Os funcionários responsáveis ​​por garantir a aplicação das normas devem agir com ética, rigor e equidade e apagar a má imagem causada pelo comportamento corrupto de alguns.</p>
<p>Também não ignoramos que os trabalhadores privados de algumas modalidades expressaram insatisfação com esses regulamentos, mas não de uma perspectiva de cooperação com a população, mas porque são contra uma ordem que ponha fim ao enriquecimento ilícito, o que não será permitido.</p>
<p>Sabemos que há tentativas de transformar o setor não-estatal em inimigo do processo revolucionário, mas não conseguirão nos desunir. Para isso contamos com o compromisso de nossos trabalhadores autônomos ou independentes e das instituições do Estado.</p>
<p>Deputadas e deputados:</p>
<p>Também é necessário esclarecer que existem aqueles que tentam distorcer o escopo e os objetivos do Decreto 349º, associando-o a um instrumento para exercer a censura artística. Falo de entidades externas à Cultura, que nunca se preocuparam e permaneceram caladas em face da proliferação da banalidade, vulgaridade, violência, grosseria, discriminação contra as mulheres, sexismo e racismo presentes nas expressões mais variadas que, atacando a política cultural da Revolução, são exibidas em espaços públicos estatais e privados, alguns dos quais nem sequer são legalmente reconhecidos.</p>
<p>Sabemos muito bem de onde vêm as instruções, com o objetivo de confundir, dividir, desencorajar e desmobilizar.</p>
<p>É evidente que o Decreto acima mencionado, devido à sua importância, deveria ter sido mais discutido e melhor explicado. Isso fica evidente nas opiniões das grandes personalidades de nossa cultura, que têm um trabalho comprovado e comprometido.</p>
<p>Eu conclamo essas personalidades para nos acompanharem na tarefa de fazer agora o que deveríamos ter feito antes.</p>
<p>Nesses aprendizados essenciais, podemos encontrar juntos, a partir do diálogo sincero, como implementar essa regra, pois ela obedecia a uma necessidade e a uma demanda dos próprios artistas, para evitar que continuasse proliferando o desrespeito à política cultural com produções pseudo-artísticas que dão uma imagem do país que não somos, nem nunca fomos e nem deveríamos ser.</p>
<p>Posso assegurar-lhe que este Decreto tem apenas um objetivo: proteger a cultura nacional dos artistas falsos, da intrusão profissional e da pseudocultura gerando antivalores, temas denunciados em múltiplos espaços por nossos criadores, escritores e artistas.</p>
<p>A criação artística em Cuba é gratuita e continuará sendo, conforme estipulado na Constituição e as instituições culturais têm a responsabilidade de aplicar essa norma com total apego a esses propósitos.</p>
<p>Companheiras e companheiros:</p>
<p>As questões debatidas nesta Assembleia requerem atenção prioritária do Conselho de Ministros. Nesse sentido, estamos desenvolvendo um sistema de trabalho baseado no intercâmbio com o povo, na visita aos territórios e comunidades, no vínculo com os coletivos que são os protagonistas dos programas de desenvolvimento econômico e social.</p>
<p>Até eles nós chegamos para ouvir, argumentar, esclarecer, desbloquear e resolver problemas; abordar reclamações, incompreensões e erros.</p>
<p>Estamos interessados ​​em promover a prestação de contas daqueles que dirigimos, favorecendo a comunicação direta com o povo, através da mídia e nas redes sociais, sistematicamente.</p>
<p>Queremos abrir caminhos para que a pesquisa científica tenha espaço em cada processo e forneça inovação, e precisamos promover a informatização da sociedade.</p>
<p>Sistematizamos o acompanhamento e a garantia dos programas de desenvolvimento, promovendo um estilo de direção e liderança coletiva e defendendo com disciplina e comprometimento as orientações de nosso Partido.</p>
<p>Temos convocado e continuado uma batalha ética contra a corrupção, ilegalidades, vícios e indisciplina social, manifestações que são antagônicas e incompatíveis com o nosso presente e futuro.</p>
<p>O que foi feito ainda é insuficiente e o que foi conseguido não é nada em relação aos nossos propósitos como o Governo da Revolução, mas queremos agradecer o apoio e a compreensão das cubanas e cubanos que habitam a nossa geografia. Nós nos devemos a eles.</p>
<p>Existem muitas perguntas para atender e responder. Daremos respostas ao maior número assim que for possível e para aquelas que no momento não têm respostas, não vamos parar de tentar encontrá-las.</p>
<p>Cubanas e Cubanos:</p>
<p>O ano de 2018 tem sido intenso em meio a um contexto internacional complexo, devido ao aumento da hegemonia imperial que paralisa o multilateralismo nas relações internacionais.</p>
<p>A América Latina e Caribe, nossa Grande Pátria não é estranha a essas influências.</p>
<p>Cuba é acusada pelo império de ser a causa daquilo que considera «os grandes males da região». O bloqueio se agrava e a perseguição financeira se intensifica para impedir o desenvolvimento do país.</p>
<p>O resultado alcançado em 1º de novembro, em dez votações sucessivas da Assembleia Geral das Nações Unidas, demonstrou o apoio esmagador que Cuba tem em sua luta contra o bloqueio, uma política agressiva, anacrônica e fracassada, que causa enormes prejuízos ao povo cubano, constitui o principal obstáculo ao nosso desenvolvimento e é uma violação dos direitos humanos. Nós agradecemos imenso a todos os governos que contribuíram para a demanda de pôr fim ao bloqueio.</p>
<p>Nesse mesmo dia, o Conselheiro Nacional de Segurança dos Estados Unidos, com linguagem extremamente agressiva e desrespeitosa, anunciou em Miami novas medidas que reforçam o bloqueio, que juntamente com outros fatos e ameaças, preveem que seu governo está caminhando em direção a um confronto com Cuba.</p>
<p>O imperialismo dos EUA reiterou a validade da Doutrina Monroe e ataca os governos e os processos progressistas, tentando reverter o progresso feito em termos de integração e justiça social na região; realiza uma operação sistemática e enorme de comunicação e manipulação cultural; e persegue e criminaliza forças políticas e líderes de esquerda, movimentos populares e organizações sociais, com o objetivo de impor o neoliberalismo. Também tenta destruir os mecanismos de cooperação e os acordos genuinamente latino-americanos e caribenhos, como a Celac e a Unasul.</p>
<p>Mas os povos não se dobram ou abandonam a luta, como ficou demonstrado no 24º Encontro amplo e unitário do Fórum de São Paulo, realizado nesta cidade no último mês de julho.</p>
<p>Expresso nossa profunda gratidão à Comunidade do Caribe pela encorajadora Declaração de Solidariedade de 8 de dezembro de 2018, em homenagem à celebração do Dia Caricom-Cuba.</p>
<p>A Declaração da 16ª Cúpula da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América, ALBA-TCP, realizada em Havana, em 14 de dezembro, abordou estas questões, se pronunciou para atuar com determinação na mobilização e unidade indispensável das forças revolucionárias, progressistas e populares e expressou total apoio e solidariedade à República Bolivariana da Venezuela e à República da Nicarágua, em face da hostilidade imperialista e oligárquica.</p>
<p>No México, o presidente Andrés Manuel López Obrador obteve uma vitória histórica que desperta grande simpatia. Para ele e para o povo mexicano fraterno, agradeço a calorosa hospitalidade com a qual fomos recebidos durante a sua posse.</p>
<p>No Brasil, as condições e calúnias inaceitáveis ​​reiteradas pelo presidente eleito daquele país para liquidar o Programa Mais Médicos, violando os respectivos acordos com a Organização Pan-Americana da Saúde, nos obrigaram, em defesa da dignidade, do altruísmo e do reconhecido profissionalismo nossos trabalhadores de saúde, a acabar com a participação cubana, como foi relatado em detalhe ao nosso povo e à opinião pública brasileira e internacional.</p>
<p>Todos os dias chegam, desde os recantos mais remotos do gigante sul-americano, mensagens de gratidão aos nossos médicos e de rejeição da política do novo presidente que os tirou daqueles lugares onde só foram salvar vidas.</p>
<p>Tal como Lula expressou em uma mensagem ao nosso povo: «Lamento que o preconceito do novo governo contra os cubanos tenha sido mais importante do que a saúde dos brasileiros que vivem nas comunidades mais distantes e carentes».</p>
<p>A história registrará o antes e o depois da nossa cooperação. Na 40ª edição do Festival Internacional do Novo Cinema Latino-americano de Havana, um documentarista brasileiro empolgou toda a plateia apenas mencionando nossos médicos. Mídias de todo o mundo voltaram seus olhos para a nossa colaboração médica, pela primeira vez, como resultado do absurdo do governo brasileiro de extrema-direita.</p>
<p>Nossos profissionais de saúde são o paradigma que se opõe ao egoísmo e à comercialização dos serviços médicos. Eles são Cuba e são o mais belo monumento ao trabalho humanista e internacionalista em defesa dos direitos humanos em escala universal, de Fidel.</p>
<p>Nos últimos meses, tivemos intercâmbios bilaterais intensivos e frutíferos, em particular durante as nossas visitas oficiais à Federação Russa, à República Popular Democrática da Coreia, à República Popular da China, à República Socialista do Vietnã e à República Democrática Popular do Laos, de cuja calorosa hospitalidade somos gratos e da qual derivaram acordos importantes, em cujo cumprimento colocamos todos os nossos esforços.</p>
<p>Os intercâmbios mantidos durante a nossa presença na República Francesa e no Reino Unido também foram significativos. A visita a Havana do presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, também foi útil.</p>
<p>A comemoração do centenário do nascimento de Nelson Mandela e do trigésimo aniversário da batalha de Cuito Cuanavale contra o regime do apartheid foi particularmente comovente.</p>
<p>Queridos compatriotas:</p>
<p>A que tremendo ano estamos dizendo adeus!</p>
<p>Se só atendermos os símbolos, bastaria com os 150 anos de luta feroz pela nossa independência, que se completam no ano 2018 e os 60 anos de combate, resistência e criatividade que se vão completar do triunfo definitivo, no primeiro minuto do ano 2019.</p>
<p>Passamos de um aniversário ao outro encorajados pela imponente façanha daqueles que se embrenharam no mato, às vezes sem mais armas do que com a honra e enfrentando a fome e a escassez, sem limites, para nos libertar.</p>
<p>Homens e mulheres de propriedades e riquezas herdadas, que renunciaram a elas para criar uma nova nação.</p>
<p>Este ano, um museu local da antiga metrópole, nos emprestou uma cadeira que pertencia a Antonio Maceo. De um tronco de palmeira foi feito o trono do mais corajosos dos nossos generais. Ele não utilizou nenhuma cadeira elegante e fofa daqueles que então submetiam seu país. É por isso que a conservaram como troféu de guerra aqueles que, mesmo matando-o, nunca puderam superar nossa vocação libertária.</p>
<p>Exatamente 60 anos após a morte de Maceo, em dezembro de 1956, Fidel, Raúl e seus companheiros do Granma retomaram o espírito daquele guerreiro e acamparam nas montanhas. Tão crioulo e soberano, como a cadeira do Titã de Bronze, seria o Comando rebelde.</p>
<p>Também de tábuas de palmeira e teto de colmo é a casa de Fidel em La Plata, o lugar nunca conquistado pelo exército da ditadura, guardado como foi e sempre será, pelos humildes habitantes dessas terras, onde corre som e livre o córrego da Serra.</p>
<p>Somos uma nação marcada por tão grandes aspirações de independência que isso também nos salvou de dependências egoístas acerca de posses materiais, quando o preço de as obter era a liberdade.</p>
<p>Os símbolos aos quais me referi, aqueles sinais e essências que a História nos deixa, falam-nos de um país com caráter, que sempre soube que «a pobreza passa, o que não se esquece é desonra», tal como disse o Apóstolo do paletó desgastado, que reunia dinheiro e vontades para a Guerra Necessária, sem nunca receber um centavo.</p>
<p>Esse caráter, que vem dos avós e dos pais, que nos faz verter lágrimas pela Pátria, mas acima de tudo, nos lança a galope sobre aqueles que querem prejudicá-la; não é, como alguns acreditam, o livro da História que a geração jovem não consegue ler.</p>
<p>Sentir a paixão e o orgulho por aquilo que somos, enquanto sentimos impaciência e ansiedade para aquilo que não podemos atingir, mais do que um sofrimento, torna a transição entre estes dois anos em um arco triunfal, coroado por tudo aquilo que temos entregue e a certeza de que lutar é a vitória (Aplausos).</p>
<p>Nós sempre vamos a propor-nos mais. E com todas as gerações vivendo juntas, em homenagem aos que sacrificaram tudo porque o caminho rumo à conquista daquele mais, sempre pendente, fosse guardado pela paz e a unidade de todos os cubanos.</p>
<p>Em nome de uma geração orgulhosa de ser, não substituta, mas a continuidade, eu quero expressar o profundo compromisso que nos move a lutar incansavelmente para manter-nos à mesma altura da história, dos nossos antepassados e do povo, inseparáveis no sentimento e a fidelidade.</p>
<p>Hoje temos vindo a prestar contas do nosso trabalho e a comprometer-nos mais: promover tudo o que nos permita avançar e vencer, juntamente com nossas próprias limitações e diante da guerra econômica, a perseguição financeira e o bloqueio intensificado.</p>
<p>A maior motivação é proporcionada pelo 60º aniversário da Revolução, com suas lições indeléveis de que é possível superar todos os obstáculos, se o povo nos acompanhar.</p>
<p>Será, sem dúvida, mais um ano de desafios. Mas, como disse José Martí falando da Alma da Revolução, e do dever de Cuba (&#8230;): «Nada o povo cubano espera da revolução que a revolução não lhe possa dar».</p>
<p>Vamos seguir em frente. E vamos continuar vencendo. Isso é o que os pais da nação nos ensinaram. Isso é o que nos conclama cada dia o povo digno e heróico de Carlos Manuel de Céspedes, Mariana Grajales, Antonio Maceo, Máximo Gómez, José Martí, Julio Antonio Mella, Ruben Martínez Villena, Haydee Santamaría, Abel Santamaría, Celia Sánchez, Frank País, Vilma Espín, Camilo Cienfuegos, Che Guevara, Juan Almeida, Fidel Castro, Raul Castro e seus companheiros de luta que nos honra nos acompanhando.</p>
<p>Em 24 de Fevereiro, no referendo para ratificar a Constituição, Cuba vai estar em um ponto culminante dos 150 anos que temos comemorado e os 60 anos da Revolução Cubana, a Revolução de Fidel e Raúl, que vamos comemorar no próximo 1 de janeiro.</p>
<p>Vamos dizer Sim e vamos vencer de novo. Porque somos Cuba.</p>
<p>Parabéns a todo nosso povo pelo novo ano.</p>
<p>Até à vitória, sempre!</p>
<p>Pátria ou Morte!</p>
<p>Venceremos!</p>
<p>(Ovação)</p>
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		<title>Cuba procura mais</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jul 2018 18:27:47 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cubadebate</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Discurso proferido pelo presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, Miguel M. Díaz-Canel Bermúdez, no encerramento do Primeiro Período Ordinário de Sessões da Nona Assembleia Nacional do Poder Popular, no Palácio das Convenções, no dia 22 de julho de 2018. «Ano 60º da Revolução»]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-5128" alt="Canel Discurso asamblea" src="/files/2018/07/Canel-Discurso-asamblea.jpg" width="300" height="246" />Discurso proferido pelo presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, Miguel M. Díaz-Canel Bermúdez, no encerramento do Primeiro Período Ordinário de Sessões da Nona Assembleia Nacional do Poder Popular, no Palácio das Convenções, no dia 22 de julho de 2018. «Ano 60º da Revolução»</p>
<p>(Tradução da versão estenográfica &#8211; Conselho de Estado)</p>
<p>Prezado general-de-exército Raúl Castro Ruz, primeiro secretário do Comitê Central do Partido;</p>
<p>Companheiros Machado e Lazo;</p>
<p>Deputadas e deputados;</p>
<p>Compatriotas:</p>
<p>Precisamente no ano em que comemoramos o 150º aniversário do início das guerras de independência de Cuba, e como expressão do fato de que no presente continuamos a luta revolucionária que nos distingue há mais de um século e meio, desenvolve-se esta sessão histórica da Assembleia Nacional do Poder Popular.</p>
<p>Além de deliberar sobre a liquidação do Orçamento do Estado no ano passado, esta reunião adquire enorme significado por duas razões fundamentais: a aprovação do Projeto de Constituição da República e a apresentação do Conselho de Ministros da nação.</p>
<p>Há pouco mais de três meses, nesta mesma sala, assumi diante de vocês e perante o povo cubano a mais honrosa e desafiadora das missões que tive: a presidência do Conselho de Estado e de Ministros, cargo que até então só ocuparam dois homens, cujas histórias pessoais são, ao mesmo tempo, a própria história da Revolução.</p>
<p>Fidel, a partir da eternidade em que vive agora, foi a imagem recorrente durante os minutos que durou o ato solene de 19 de abril. Nesses momentos, pensei sobre isso muitas vezes: apreciei melhor sua estatura insuperável de estadista continental e mundial, lembrei-me de algumas de suas lições políticas e humanísticas inesgotáveis, valorizei mais suas «qualidades de líder revolucionário» e assumi como seu o forte credo martiano, a profunda convicção que toda a glória do mundo cabe em um grão de milho.</p>
<p>Raúl, erguendo o braço, foi então a certeza de que temos um guia, lúcido e incansável, cujo apoio eu não deixei de sentir um dia. Sou, portanto, um presidente afortunado, não apenas pelo povo extraordinário ao que devo servir, mas pela condição excepcional daqueles que me precederam. Como então cumpri-las?</p>
<p>Tudo o que fizemos ou tentamos fazer nestes meses tem como objetivo primordial o de servir a Cuba, com nossos ouvidos perto do chão e com os olhos bem abertos, como Raúl nos pediu, e com o espírito de uma frase proferida por Fidel, em fevereiro de 1959, quando falava aos moradores de uma humilde cidade no leste do país, que lhes perguntou: «O que vocês fariam, os que estão pedindo essas demandas, se estivessem no poder? (&#8230;) resolver os problemas vocês (&#8230;) porque vocês somos nós e nós, que somos vocês, estamos no poder».</p>
<p>Vocês sabem quais eram as demandas daquele povo? Casas, empregos, escolas, professores, hospitais, médicos&#8230;</p>
<p>A Revolução tinha apenas um mês e o plano para enfrentar a miséria galopante, que excluía milhões de cubanos dos benefícios elementares de uma sociedade moderna, já estava em andamento.</p>
<p>Todo esforço hoje parece insignificante diante das proezas daqueles anos. O caminho não era um leito coberto de rosas. Tinha que ser construído, com todos os riscos que representou viver, trabalhar e criar em um país que cresceu sob ameaças. Mas nós pudemos. Com todas as nossas deficiências, necessidades e erros, superamos nações com possibilidades econômicas similares em praticamente todos os índices de desenvolvimento humano. E nós vamos por mais!</p>
<p>É isso que buscamos com a profunda reforma de nossa Constituição, que precisa ser atualizada para fortalecer o marco institucional e, com ele, o Modelo Econômico e Social aprovado pelo 6º e 6º Congressos do Partido.</p>
<p>Abençoada oportunidade que nos obriga a repensarmo-nos como nação e a mergulhar em nossa essência, com a participação de todos, inspirados por aqueles e aquelas que imortalizaram Guáimaro, uma cidade de passagem para Camaguey, que José Martí declarou sagrada, porque ali foi redigida a primeira Constituição cubana.</p>
<p>Debatemos o Projeto de Constituição da República em várias sessões. O estudo anterior e o debate realizado nesses dias foram muito úteis e de proveito. Debate apaixonado, comprometido, crítico, patriótico e colaborador; centrado no humanismo de Fidel e de Raúl, na sensibilidade revolucionária e na argumentação histórica, cultural e científica na essência e fibra da nação; que reconheceu o trabalho da Comissão encarregada de redigir e apresentar o Projeto de Constituição, liderada pelo general-de-exército.</p>
<p>Debate também apoiado por um vibrante axé, sob proposta de um deputado.</p>
<p>Mais uma vez, com um orgulho saudável, sentimos que neste Parlamento também todos somos Cuba.</p>
<p>Podemos afirmar que estamos diante de um projeto que contribuirá, após a consulta popular e o referendo, para fortalecer a unidade dos cubanos em torno da Revolução.</p>
<p>Nos próximos dias, começará a preparação dos companheiros selecionados em cada uma das províncias, para realizar o processo de consulta popular.</p>
<p>Este exercício de participação direta do povo adquire a maior relevância política e será mais um reflexo de que a Revolução se sustenta na mais genuína democracia.</p>
<p>A participação ativa e consciente na discussão do Projeto de Constituição da República é uma grande responsabilidade para todo nosso povo.</p>
<p>Cada cubano poderá expressar livremente suas opiniões e contribuir para alcançar um texto constitucional que reflita o hoje e o futuro do país.</p>
<p>Àqueles que nos fundaram no calor da luta pela liberdade, com mais moral e vergonha do que armas para enfrentar o adversário e graças a isso venceram, porque se importavam mais com ser do que ter, devemos o ato cívico nacional que nos devolverá a Constituição renovada como um exercício unificador, moralizador e revigorante da alma do país.</p>
<p>Agora depende de nós, das instituições e entidades educacionais e formadoras, que a nova obra possa servir para que nossas crianças, adolescentes, jovens e menos jovens possam explorar a história das Constituições e para que o povo se familiarize mais com a Lei das leis.</p>
<p>Devemos facilitar e insistir no conhecimento por parte de todos os componentes da atual sociedade cubana desta Lei fundamental, para corroborar e estabelecer a convicção de que somos um povo que, no árduo caminho dos anos mais difíceis para nossa economia, não perdemos a bússola dos valores que nos sustentam há 150 anos.</p>
<p>Companheiras e companheiros:</p>
<p>Coube-me ontem, tal como acordamos na sessão constituinte em abril, apresentar uma proposta de integração do Conselho de Ministros, renovada em mais de 30%.</p>
<p>Entre os vice-presidentes do Conselho de Ministros foram mantidos alguns líderes experientes, com méritos e reconhecimento pelo trabalho feito durante décadas a serviço da Revolução e foram promovidos Inés María Chapman Waugh, mulher corajosa, inteligente e negra, e Roberto Morales Ojeda, companheiro capaz e firme, que ocupou por vários anos as responsabilidades à frente de um instituto e de um ministério, respectivamente, com bons resultados, independentemente da complexidade e das altas demandas de ambas as instituições.</p>
<p>O restante dos membros do Governo é completado por companheiras e companheiros que são ratificados em seus cargos pelos resultados alcançados nestes anos difíceis, o que garante a experiência e continuidade necessárias neste órgão de governo, que ao mesmo tempo é rejuvenescido e renovado, ao serem promovidos jovens com histórico comprovado e em pleno desenvolvimento em seu trabalho como líderes.</p>
<p>Da mesma forma, o Conselho de Estado acordou, nos últimos dias, nomear uma jovem e mestiça, a companheira Yamila Peña Ojeda, à frente da Procuradoria Geral da República.</p>
<p>Como se pode ver, as mudanças feitas na composição do Conselho de Ministros correspondem aos preceitos da política de quadros aprovada pelo Partido.</p>
<p>Parabenizamos todos aqueles que foram promovidos ou ratificados em suas importantes responsabilidades e, ao mesmo tempo, considero justo reconhecer perante o Parlamento a consagração ao trabalho e a atitude mantida no cumprimento do dever daqueles que hoje se livraram de seus deveres e assumem novas tarefas.</p>
<p>O mais alto órgão do governo deverá realizar seu trabalho em uma situação difícil, marcada pela complexidade do cenário internacional, particularmente a da nossa região, analisada exaustivamente na recente reunião do Fórum de São Paulo, realizada em Havana, bem como a situação econômica do país.</p>
<p>O comportamento da economia no primeiro semestre fecha com um crescimento discreto do Produto Interno Bruto de 1,1%, que embora discreto, não deixa de ser alentador, em meio a muitos fatores adversos.</p>
<p>Mantém-se uma situação tensa nas finanças externas devido ao descumprimento das receitas planejadas das exportações, do turismo e da produção de açúcar, além dos danos causados ​​pela seca prolongada, seguidos pela destruição do furacão Irma e, posteriormente, pela ocorrência de intensas chuvas, que provocaram afetações na chegada de matérias-primas, equipamentos e suprimentos.</p>
<p>Essa situação nos obriga a adotar, no segundo semestre do ano, medidas adicionais de controle nos principais itens do plano de 2018, visando trabalhar com maior precisão nas decisões relativas a importações e outras despesas de divisas. Para atingir tais objetivos, devemos apelar ao uso máximo e uso eficiente dos recursos disponíveis.</p>
<p>Nessas circunstâncias, o esforço deve ser multiplicado e não renunciar ao cumprimento dos principais objetivos expressos no plano, fundamentalmente aqueles relacionados à garantia de serviços básicos à população e ao desenvolvimento, o que pressupõe orientar o trabalho para um controle rigoroso e uso racional e eficiente de todos os recursos materiais e financeiros que temos, poupar aqui e ali, sempre que possível, eliminando qualquer desperdício. Esta atitude deve tornar-se a regra de conduta dos quadros do governo em todas as áreas, em primeiro lugar por aqueles que são membros do Conselho de Ministros.</p>
<p>Abordar esta situação permitirá, desde agora, estabelecer as bases para definir um plano para a economia de 2019 objetivo, realista e sustentável, que parta de bases sólidas e realizáveis ​​e que, apesar das dificuldades, não impeça o desenvolvimento nas atividades prioritárias para o crescimento e o progresso, contribuindo para o gradual restabelecimento da credibilidade financeira da nação.</p>
<p>O Conselho de Ministros aprovado por vocês vai se dedicar inteiramente ao povo e à Revolução, com um estilo de direção e liderança coletiva, agindo incansavelmente, criando e trabalhando para responder às demandas e necessidades, em permanente e estreito vínculo com nosso povo humilde, generosos e nobre, para facilitar sua participação nas tarefas revolucionárias e na tomada de decisões.</p>
<p>Encorajaremos o exercício de um estilo de trabalho que aproxime a gestão do governo central do âmbito dos governos locais, favorecendo a eliminação de obstáculos e mecanismos burocráticos que atrasem as decisões; poremos ênfase na prestação de contas dos líderes e instituições governamentais, a verificação sistemática de programas de desenvolvimento, a defesa da saúde pública, a educação e a cultura nacional, a comunicação social, a informatização, a pesquisa e a inovação como pilares da gestão do governo.</p>
<p>Manteremos e, ao mesmo tempo, convocamos a travar uma batalha ética contra a corrupção, as ilegalidades, os vícios e a indisciplina social.</p>
<p>Sabemos que temos o apoio irrestrito dos cidadãos quando enfrentamos a perniciosa impunidade das cadeias criminosas que monopolizam os produtos deficitários e especulam com os preços para se enriquecer sem escrúpulos ou limites, por conta de recursos subsidiados pelo Estado, em detrimento das necessidades daqueles que têm menos e são os que mais apoiam a Revolução.</p>
<p>A luta contra as manifestações da corrupção ou daquilo que foi mal feito, não devemos vê-la como uma ação que só corresponde ao governo ou à polícia, o enfrentamento resoluto a esse fenômeno é tarefa de toda a sociedade, que não deve se deixar arrebatar algumas das grandes conquistas que a Revolução ganhou para ela.</p>
<p>Reafirmo o que disse na sessão constitutiva desta legislatura: «Em todos os organismos, organizações e instituições devemos agir em defesa permanente da unidade, disciplina, análise abrangente e a exigência para conseguir que as enormes potencialidades e possibilidades presentes em nossa sociedade se sustentem e se expressem em resultados concretos e tangíveis de crescimento, desenvolvimento e prosperidade».</p>
<p>Em suma, não há muito para dizer e sim fazer; muito para resolver, corrigir, fortalecer e criar.</p>
<p>Nosso compromisso é retornar perante vocês com resultados, quando o país está entrando nos primeiros 60 anos da Revolução.</p>
<p>Não será fácil, porque o principal obstáculo ao nosso desenvolvimento, o bloqueio econômico, comercial e financeiro e seus enormes efeitos extraterritoriais, ainda está lá, tal como o dinossauro do conto de Augusto Monterroso.</p>
<p>Porém, não foi ainda mais difícil para os patriotas que há 150 anos foram para a floresta, queimando suas casas para expulsar o império colonizador, e para aqueles que há 65 anos atacaram uma fortaleza, quase sem armas e sem experiência de luta? ? E para aqueles que, derrotados mas nunca vencidos, deixaram a prisão e foram para o exílio, do exílio ao Granma, do Granma à Serra e Serra, à luta clandestina e à conquista da esperança, essa que defendemos há 60 anos?</p>
<p>Cubanas e cubanos:</p>
<p>Com essa história, só podemos insistir&#8230; Lutar e lutar, até a vitória sempre.</p>
<p>Pátria ou Morte! Venceremos!</p>
<p>(Ovação)</p>
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