<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Cubadebate (Português) &#187; Frei Betto</title>
	<atom:link href="http://pt.cubadebate.cu/categoria/autores/frei-betto/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://pt.cubadebate.cu</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Fri, 08 Sep 2023 15:09:14 +0000</lastBuildDate>
	<language>es-ES</language>
		<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
		<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.8.1</generator>
	<item>
		<title>Fórum Social Mundial 2012</title>
<link>http://pt.cubadebate.cu/opinioes/2012/01/18/forum-social-mundial-2012/</link>
		<comments>http://pt.cubadebate.cu/opinioes/2012/01/18/forum-social-mundial-2012/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 17:06:40 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cubadebate</dc:creator>
				<category><![CDATA[Frei Betto]]></category>
		<category><![CDATA[Opiniões]]></category>
		<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.cubadebate.cu/?p=2402</guid>
		<description><![CDATA[Porto Alegre abrigará, de 24 a 29 deste mês de janeiro, o FSM (Fórum Social Mundial) centrado no tema “Crise capitalista – justiça social e ambiental”. O evento é uma das atividades preparatórias da Cúpula dos Povos da Rio+20, que se reunirá na Cidade Maravilhosa entre 20 e 21 de junho de 2012.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div><img class="alignleft size-full wp-image-2403" src="/files/2012/01/frei.jpg" alt="" width="299" height="250" /></div>
<div></div>
<div>Porto Alegre abrigará, de 24 a 29 deste mês de janeiro, o FSM (Fórum Social Mundial) centrado no tema “Crise capitalista – justiça social e ambiental”. O evento é uma das atividades preparatórias da Cúpula dos Povos da Rio+20, que se reunirá na Cidade Maravilhosa entre 20 e 21 de junho de 2012.</div>
<div></div>
<div>O FSM se realiza no momento em que vários povos se movimentam por liberdade e democracia, como ocorre no mundo árabe. No Ocidente, a crise do capitalismo suscita o movimento Ocupem Wall Street. As duas manifestações têm em comum clareza quanto <em>ao que não se quer</em>, sem, no entanto, apresentar propostas alternativas viáveis.</div>
<div></div>
<div>No último 15 de outubro, houve mobilizações em quase 1 mil cidades de 82 países! No mundo andino, povos indígenas questionam o modelo capitalista de desenvolvimento e resgatam os valores do bem viver - <em>sumak kawsay</em>.</div>
<div></div>
<div>Como resultado da incompetência de um sistema que prioriza a acumulação privada da riqueza em detrimento dos direitos humanos, sociais e ambientais, o capitalismo conhece, agora, nova crise. Diante dela, a reação dos donos do poder é o samba de uma nota só: austeridade, cortes, aumento de impostos e desemprego, flexibilização das leis trabalhistas, congelamento de salários.</div>
<div></div>
<div>Salvam-se os bancos e dane-se a população. Mais miséria à vista; jovens sem perspectiva de futuro, condenados à droga e ao crime; fluxos migratórios desordenados.</div>
<div></div>
<div>Do lado da esperança, e após três décadas de globocolonização neoliberal, as manifestações sinalizam valores positivos como a empatia pelo sofrimento alheio, a solidariedade, a defesa da igualdade, a busca de justiça, o reconhecimento da diversidade e a preservação ambiental. Sem esse universo ético não há esperança de se construir <em>um outro mundo possível</em>.</div>
<div></div>
<div>É preciso reinventar a convivência humana. E, da parte dos donos do poder, não há nenhuma proposta fora da preocupação de não refrear a roleta do cassino global. A crise ambiental é ignorada pela ONU, pelos governos dos EUA e da União Europeia, e nada garante que a Rio+20 conseguirá reunir, como na Eco-92, chefes de Estado dos países do G8.</div>
<div>Mercantiliza-se a vida, destroem-se os ecossistemas, reduz-se rapidamente a biodiversidade. Em todo o planeta, acentuam-se os empreendimentos extrativistas, sem nenhuma preocupação com seus impactos sociais e ambientais. Áreas fundiárias são descaradamente transnacionalizadas em países do Terceiro Mundo.</div>
<div></div>
<div>Em Belém 2009 e Dakar 2011, o FSM deu passos significativos na busca de alternativas ao desenvolvimentismo e ao consumismo, tendo em vista a preservação ambiental. Agora, a luta social é oxigenada pela busca de democracia e soberania nos países árabes, e as amplas manifestações, na Europa e nos EUA, contra a lógica necrófila do neoliberalismo.</div>
<div></div>
<div>Se <em>outro mundo é possível</em>, isso se dará a partir da convergência de todas essas mobilizações, da sincronia entre todos que lutam pela preservação ambiental, do diálogo entre as forças sociais e políticas convencidas de que dentro do capitalismo não há salvação para o futuro da humanidade.</div>
<div></div>
<div>O FSM de Porto Alegre 2012 deverá ser o ponto de encontro de sujeitos políticos capazes de apontar uma saída para a crise e as bases de construção de um novo modelo civilizatório, no qual predomine a globalização da solidariedade. E dele poderão brotar propostas temáticas para abastecer aqueles que, em junho, se encontrarão na Cúpula dos Povos (Rio+20).</div>
<div></div>
<div>A dinâmica do FSM 2012 será à base de grupos temáticos, de modo a acolher experiências e contribuições dos participantes em torno de quatro eixos transversais: 1. Fundamentos éticos e filosóficos: subjetividade, dominação e emancipação; 2. Direitos humanos, povos, territórios e defesa da Mãe-Terra; 3. Produção, distribuição e consumo: acesso à riqueza, bens comuns e economia de transição; 4. Sujeitos políticos, arquitetura de poder e democracia.</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.cubadebate.cu/opinioes/2012/01/18/forum-social-mundial-2012/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Um grito mudo‏</title>
<link>http://pt.cubadebate.cu/opinioes/2011/08/19/um-grito-mudo/</link>
		<comments>http://pt.cubadebate.cu/opinioes/2011/08/19/um-grito-mudo/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 20 Aug 2011 02:12:26 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cubadebate</dc:creator>
				<category><![CDATA[Frei Betto]]></category>
		<category><![CDATA[Opiniões]]></category>
		<category><![CDATA[Barack Obama]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[solidariedade]]></category>
		<category><![CDATA[União Europeia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.cubadebate.cu/?p=2091</guid>
		<description><![CDATA[Ora, deixemos o pessimismo para dias melhores! É hora de reacender e organizar a esperança, construir outros mundos possíveis, substituir a globocolonização pela globalização da solidariedade. Sobretudo, transformar a indignação em ação efetiva por um mundo ecologicamente sustentável, politicamente democrático e economicamente justo.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-2092" src="/files/2011/08/Hambre-Somalia.jpg" alt="" width="300" height="250" />É hora de reacender e organizar a esperança, construir outros mundos possíveis, substituir a globocolonização pela globalização da solidariedade</p>
<p>A foto do jornal me causou horror. A criança somali lembrava um ET desnutrido. O corpo, ossinhos estufados sob a pele escura. A cabeça, enorme, desproporcional ao tronco minguado, se assemelhava ao globo terrestre. A boca – ah, a boca! – escancarada de fome emitia um grito mudo, amargura de quem não mereceu a vida como dom. Mereceu-a como dor. Ao lado da foto, manchetes sobre a crise financeira do cassino global. Em 10 dias, as bolsas de valores perderam US$ 4 trilhões. Estarrecedor! E nem um centavo para aplacar a fome da criança somali? Nem uma mísera gota de alívio para tamanho sofrimento?</p>
<p>Tive vergonha. Vergonha da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que reza que todos nascemos iguais, sem propor que vivamos com menos desigualdades. Vergonha de não haver uma Declaração Universal dos Deveres Humanos. Vergonha das solenes palavras de nossas constituições e discursos políticos e humanitários. Vergonha de tantas mentiras que permeiam nossas democracias governadas pela ditadura do dinheiro. US$ 4 trilhões derretidos na roleta da especulação! O PIB atual do Brasil ultrapassa US$ 2,1 trilhões. Dois Brasis sugados pelos desacertos dos devotos do lucro e indiferentes à criança somali.</p>
<p>Neste mundo injusto, uma elite privilegiada dispõe de tanto dinheiro que se dá ao luxo de aplicar o supérfluo na gangorra financeira à espera de que o movimento seja sempre ascendente. Sonha em ver sua fortuna multiplicada numa proporção que nem Jesus foi capaz de fazê-lo com os pães e os peixes. Basta dizer que o PIB mundial é, hoje, de US$ 62 trilhões. E no cassino global se negociam papéis que somam US$ 600 trilhões! Ora, a realidade fala mais alto que os sonhos e a necessidade que o supérfluo. Toda a fortuna investida na especulação explica a dor da criança somali. Arrancaram-lhe o pão da boca na esperança de que a alquimia da ciranda financeira o transformasse em ouro.</p>
<p>À criança faltou o mais básico de todos os direitos: o pão nosso de cada dia. Aos donos do dinheiro, que viram suas ações despencarem na bolsa, nenhum prejuízo. Apenas certo desapontamento. Nenhum deles se vê obrigado a abrir mão de seus luxos. Sabemos todos que a conta da recessão, de novo, será paga pelos pobres. São eles os condenados a sofrer com a falta de postos de trabalho, de crédito, de serviços públicos de qualidade. Eles padecerão o desemprego, os cortes nos investimentos do governo, as medidas cirúrgicas propostas pelo FMI, o recuo das ajudas humanitárias.</p>
<p>A miséria nutre a inércia dos miseráveis. Antevejo, porém, o inconformismo da classe média, que, nos EUA e na União Europeia, acalentava o sonho de enriquecer. A periferia de Londres entra em ebulição, as praças da Espanha e da Itália são ocupadas por protestos. Tantas poupanças a se volatilizarem como fumaça nas chaminés do cassino global! Temo que a onda de protestos dê sinal verde ao neofascismo. Em nome da recuperação do sistema financeiro (dirão: “retomada do crescimento”), nossas democracias apelarão às forças políticas que prometem mais ouro aos ricos e sonhos, meros sonhos, aos pobres.</p>
<p>Nos EUA, a derrota de Obama na eleição de 2012 revigorará o preconceito aos negros e o fundamentalismo do Tea Party incrementará o belicismo, a guerra como fator de recuperação econômica. A direita racista e xenófoba assumirá os governos da União Europeia, disposta a conter a insatisfação e os protestos. Enquanto isso, a criança somali terá sua dor sanada pela morte precoce. E a Somália se multiplicará pelas periferias das grandes metrópoles e dos países periféricos afetados em suas frágeis economias.</p>
<p>Ora, deixemos o pessimismo para dias melhores! É hora de reacender e organizar a esperança, construir outros mundos possíveis, substituir a globocolonização pela globalização da solidariedade. Sobretudo, transformar a indignação em ação efetiva por um mundo ecologicamente sustentável, politicamente democrático e economicamente justo.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.cubadebate.cu/opinioes/2011/08/19/um-grito-mudo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Operação Jerônimo</title>
<link>http://pt.cubadebate.cu/opinioes/2011/05/17/operacao-jeronimo/</link>
		<comments>http://pt.cubadebate.cu/opinioes/2011/05/17/operacao-jeronimo/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 17 May 2011 22:25:12 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cubadebate</dc:creator>
				<category><![CDATA[Frei Betto]]></category>
		<category><![CDATA[Opiniões]]></category>
		<category><![CDATA[CIA]]></category>
		<category><![CDATA[George Bush]]></category>
		<category><![CDATA[Osama Bin Laden]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.cubadebate.cu/?p=2023</guid>
		<description><![CDATA[Por que a ação militar que teria matado Bin Laden mereceu o nome de Operação Jerônimo? Prescott Bush integrava, em 1918, a associação estudantil Skull &#38; Bones (Crânio e Osso). Desafiado pelos colegas, invadiu um cemitério apache e roubou o escalpo do lendário cacique Jerônimo. Dono de terras no Texas, Prescott tornou-se um exitoso empresário do ramo de petróleo e amigo íntimo de John Foster Dulles, que comandava a CIA por ocasião do assassinato de John Kennedy, em 1963. Dulles convenceu o amigo a fazer um gesto magnânimo e devolver aos apaches o escalpo de Jerônimo. Bush o atendeu, mas não tardou para os indígenas descobrirem que a relíquia restituída era falsa.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Frei Betto</strong></p>
<p><strong>(Agencia Latinoamericana de Información)<br />
</strong></p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-2024" src="/files/2011/05/George-W.-Bush.jpg" alt="" width="300" height="250" />Por que a ação militar que teria matado Bin Laden mereceu o nome de Operação Jerônimo? Prescott Bush integrava, em 1918, a associação estudantil Skull &amp; Bones (Crânio e Osso). Desafiado pelos colegas, invadiu um cemitério apache e roubou o escalpo do lendário cacique Jerônimo.</p>
<p>Dono de terras no Texas, Prescott tornou-se um exitoso empresário do ramo de petróleo e amigo íntimo de John Foster Dulles, que comandava a CIA por ocasião do assassinato de John Kennedy, em 1963. Dulles convenceu o amigo a fazer um gesto magnânimo e devolver aos apaches o escalpo  de Jerônimo. Bush o atendeu, mas não tardou para os indígenas descobrirem que a relíquia restituída era falsa…</p>
<p>A amizade com Dulles garantiu ao filho mais velho de Prescott, George H. Bush, o emprego de agente da CIA. George destacou- se a ponto de, em 1961, coordenar a invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, para tentar derrubar o regime implantado pela guerrilha de Sierra Maestra. Malgrado a derrota, tornou-se diretor da CIA em 1976.</p>
<p>Triste com o mau desempenho de seu primogênito como 007, Prescott Bush consolava-se com o êxito dele nos negócios de petróleo. E aplaudiu o faro empresarial do filho quando George, em meados dos anos 60, tornou-se amigo de um empreiteiro árabe que viajava com frequência ao Texas: Muhammad Bin Laden. Em 1968, ao sobrevoar os  poços de petróleo de Bush, Bin Laden morreu em acidente aéreo no Texas. Os laços de família, no entanto, estavam criados.</p>
<p>George Bush não pranteou a morte do amigo. Andava mais  preocupado com as dificuldades escolares de seu filho George W.  Bush, que só obtinha média C. A guerra do Vietnã acirrou-se e, para  evitar que o filho fosse convocado, George tratou de alistá-lo na força  aérea da Guarda Nacional.</p>
<p>Papai George incentivou o filho a fundar, em meados dos anos 70, sua própria empresa petrolífera, a Arbusto (bush, em inglês) Energy. Gracas aos contatos internacionais que o pai mantinha desde os tempos da CIA, George filho buscou os investimentos de Khaled Bin Mafouz e Salem Bin Laden, o mais velho dos 52 filhos gerados pelo falecido Muhammad. Mafouz era banqueiro da família real saudita e casara com uma das irmãs de Salem. Esses vínculos familiares permitiram que Mafouz se tornasse presidente da Blessed Relief, a ONG árabe na qual trabalhava um dos irmãos de Salem, Osama Bin Laden.</p>
<p>Em dezembro de 1979, George H. Bush viajou a Paris para um encontro entre republicanos e partidários moderados de Khomeini, no qual trataram da libertação dos 64 reféns estadunidenses sequestrados, em novembro, na embaixada dos EUA, em Teerã. Buscava-se evitar que o presidente Jimmy Carter se valesse do episódio e prejudicasse as  pretensões presidenciais de Ronald Reagan. Papai George fez o percurso até a capital francesa a bordo do jatinho  de Salem Bin Laden, que lhe facilitava o contato com o mundo islâmico. (Em 1988, Salem faleceu, como o pai, num desastre de avião).</p>
<p>Naquele mesmo ano, os soviéticos invadiram o Afeganistão. Papai George, que coordenava operações da CIA, recorreu a Osama, um dos irmãos de Salem, que aceitou infiltrar-se no Afeganistão para, monitorado pela CIA, fortalecer a resistência afegã contra os  invasores comunistas.</p>
<p>Os dados acima são do analista italiano Francesco Piccioni. Mais detalhes no livro <em>A fortunate son: George W. Bush and the making of na American President</em>, de Steve Hatfield.</p>
<p>Em 1979, a pedido de George Bush pai, então diretor da CIA, Osama, já com 23 anos, transferiu-se para o Afeganistão para administrar os recursos financeiros destinados às operações secretas da agência contra a invasão soviética àquele país. Preocupado com a ofensiva de Moscou, o governo dos EUA havia liberado a mais alta soma que a CIA recebeu, em toda a sua história, para atuar em um só país: US$ 2 bilhões.</p>
<p>Quando o presidente George W. Bush, após 11 de setembro, enquadrou, como crime anexo ao terrorismo o “aproveitamento ilícito de informações privilegiadas”, sabia do que falava. Tudo indica que, graças a essas informações, Osama Bin Laden montou a sua rede terrorista mundo afora, movimentando recursos através de paraísos fiscais.</p>
<p>Talvez Freud pudesse explicar um detalhe das armas escolhidas pelos terroristas de 11 de setembro: aviões. O pai e o irmão mais velho de Osama Bin Laden morreram em acidentes aéreos, ambos nos EUA.</p>
<p>Se o escalpe de Jerônimo era falso, quem garante que  Bin Laden foi mesmo morto na mansão paquistanesa? Não seria mais útil ao combate ao terrorismo agarrá-lo vivo e obrigá-lo a revelar tudo sobre a Al-Qaeda? Não duvido que, em algum  porta-aviões dos EUA, Bin Laden esteja sendo torturado para dizer o que sabe. Depois, basta adotar a “solução argentina”: atirar o corpo ao mar. Caso o encontrem boiando em alguma praia, ficam por conta dos afiados dentes dos peixes as marcas profundas.</p>
<p><em>Frei Betto é escritor, autor de “Calendário do Poder” (Rocco), entre outros livros. www.freibetto.org</em> - twitter:@freibetto</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.cubadebate.cu/opinioes/2011/05/17/operacao-jeronimo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Osama e Obama</title>
<link>http://pt.cubadebate.cu/opinioes/2011/05/11/osama-e-obama/</link>
		<comments>http://pt.cubadebate.cu/opinioes/2011/05/11/osama-e-obama/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 11 May 2011 15:57:01 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cubadebate</dc:creator>
				<category><![CDATA[Frei Betto]]></category>
		<category><![CDATA[Opiniões]]></category>
		<category><![CDATA[Barack Obama]]></category>
		<category><![CDATA[CIA]]></category>
		<category><![CDATA[Osama Bin Laden]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.cubadebate.cu/?p=2014</guid>
		<description><![CDATA[Estranho que a CIA, ao declarar que assassinou Osama Bin Laden, não tenha exibido o corpo, como fez à sobeja com outro “troféu de caça”: Ernesto Che Guevara. Bin Laden saiu da vida para entrar na história. Até aí, nada de novo. A história, da qual poucos têm memória, está repleta de bandidos e terroristas, cujos nomes e feitos quase ninguém lembra. Os mais conhecidos são o rei Herodes; Torquemada, o grande inquisidor; a rainha Vitória, a maior traficante de drogas de todos os tempos, que promoveu, na China, a Guerra do Ópio; Hitler; o presidente Truman, que atirou bombas atômicas sobre as populações de Hiroshima e Nagasaki; e Stálin.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Frei Betto</strong></p>
<div id="attachment_2015" style="width: 300px" class="wp-caption alignleft"><img class="size-full wp-image-2015" src="/files/2011/05/osama-obama.jpg" alt="" width="300" height="250" /><p class="wp-caption-text">Osama e Obama</p></div>
<p>Estranho  que a CIA, ao declarar que assassinou Osama Bin Laden, não tenha  exibido o corpo, como fez à sobeja com outro “troféu de caça”: Ernesto  Che Guevara.</p>
<p>Bin  Laden saiu da vida para entrar na história. Até aí, nada de novo. A  história, da qual poucos têm memória, está repleta de bandidos e  terroristas, cujos nomes e feitos quase ninguém lembra. Os mais  conhecidos são o rei Herodes; Torquemada, o grande inquisidor; a rainha  Vitória, a maior traficante de drogas de todos os tempos, que promoveu,  na China, a Guerra do Ópio; Hitler; o presidente Truman, que atirou  bombas atômicas sobre as populações de Hiroshima e Nagasaki; e Stálin.</p>
<p>O  perigo é que Osama passe da história ao mito e, de mito, a mártir. Sua  morte não deveria merecer mais do que uma nota nas páginas interiores  dos jornais. No entanto, como os EUA são um país necrófilo, que se nutre  de vítimas de suas guerras, Obama transforma Osama num ícone do mal,  atiçando o imaginário de todos aqueles que, por alguma razão, odeiam o  imperialismo estadunidense.</p>
<p>Saddam  Hussein, marionete da Casa Branca manipulada contra a revolução  islâmica do Irã, demonstrou que o feitiço se volta contra o feiticeiro.</p>
<p>Desde  1979, Osama Bin Laden tornou-se o braço armado da CIA contra a ocupação  soviética no Afeganistão. A CIA ensinou-o a fabricar explosivos e  realizar ataques terroristas, movimentar sua fortuna através de  empresas-fantasmas e paraísos fiscais, operar códigos secretos e  infiltrar agentes e comandos.</p>
<p>“Bin  Laden é produto dos serviços americanos”, afirmou o escritor suíço  Richard Labévière. Derrubado o Muro de Berlim, desde 1990 Bin Laden  passou a apontar seu arsenal terrorista para o coração de Tio Sam.</p>
<p>O  terrorismo é execrável, ainda que praticado pela esquerda, pois todo  terrorismo só beneficia um lado: a extrema direita. Na vida se colhe o  que se planta. Isso vale para as dimensões pessoal e social. Se os EUA  são hoje atacados de forma tão violenta é porque, de alguma forma, eles  se valeram do seu poder para humilhar povos e etnias. Há décadas abusam  de seu poder, como é o caso da ocupação de Porto Rico; a base naval de  Guantánamo encravada em Cuba; as guerras ao Iraque e Afeganistão e,  agora, à Líbia; a participação nas guerras da Europa Central; a omissão  diante dos conflitos e das ditaduras árabes e africanas.</p>
<p>Já  era tempo de os EUA, como mediadores, terem induzido árabes e  israelenses a chegarem a um acordo de paz. Tudo isso foi sendo  protelado, em nome da hegemonia de Tio Sam no planeta. De repente, o  ódio irrompeu da forma brutal, mostrando que o inimigo age, também, fora  de toda ética, com a única diferença de que ele não dispõe de fóruns  internacionais para legitimar sua ação criminosa, como é o caso da  conivência da ONU com os genocídios praticados pela Casa Branca.</p>
<p>Quem  conhece a história da América Latina sabe muito bem como os EUA, nos  últimos 100 anos, interferiram diretamente na soberania de nossos  países, disseminando o terror. Maurice Bishop foi assassinado pelos  boinas verdes em Granada; os sandinistas foram derrubados pelo  terrorismo desencadeado por Reagan; os cubanos continuam bloqueados  desde 1961, sem direito a relações normais com os demais países do  mundo, e uma parte de seu território, Guantánamo, continua invadida pelo  Pentágono.</p>
<p>Nas  décadas de 1960 e 70, ditaduras foram instauradas no Brasil, na  Argentina, no Chile, no Uruguai, na Bolívia, na Guatemala e em El  Salvador, com o patrocínio da CIA e sob a orientação de Henry Kissinger.</p>
<p>Violência  atrai violência, dizia dom Helder Camara. O terrorismo não leva a nada,  exceto a endurecer a direita e suprimir a democracia, levando os  poderosos à convicção de que o povo é incapaz de governar-se por si  mesmo.</p>
<p>Vítimas  inocentes não podem ser sacrificadas para satisfazer a ganância de  governos imperiais que se julgam donos do mundo e pretendem repartir o  planeta como se fossem fatias de um apetitoso bolo. Os atentados de 11  de setembro de 2001 demonstraram que não há ciência ou tecnologia capaz  de proteger pessoas ou nações. Inútil os EUA gastarem trilhões de  dólares em esquemas sofisticados de defesa. Melhor seria que essa  fortuna fosse aplicada na paz mundial, que só irromperá no dia em que  ela for filha da justiça.</p>
<p>A  queda do Muro de Berlim pôs fim ao conflito Leste-Oeste. Resta agora  derrubar a muralha da desigualdade entre Norte-Sul. Sem que o pão seja  nosso, nem o Pai e nem paz serão nossos.</p>
<p><em>*  Escritor, autor, em parceria com Marcelo Gleiser e Waldemar Falcão, de  “Conversa entre a fé e a ciência” (Agir), entre outros livros. <a rel="nofollow" href="http://www.freibetto.org/"  target="_blank">www.freibetto.org</a> – twitter:@freibetto<br />
</em></p>
<div><em><br />
</em></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.cubadebate.cu/opinioes/2011/05/11/osama-e-obama/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Kadafi e as potências ocidentais</title>
<link>http://pt.cubadebate.cu/opinioes/2011/03/25/kadafi-e-as-potencias-ocidentais/</link>
		<comments>http://pt.cubadebate.cu/opinioes/2011/03/25/kadafi-e-as-potencias-ocidentais/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 25 Mar 2011 19:41:09 +0000</pubDate>
<dc:creator>Cubadebate</dc:creator>
				<category><![CDATA[Frei Betto]]></category>
		<category><![CDATA[Opiniões]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[Líbia]]></category>
		<category><![CDATA[ONU]]></category>
		<category><![CDATA[União Europeia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://pt.cubadebate.cu/?p=1886</guid>
		<description><![CDATA[As potências ocidentais, lideradas pelos EUA, botam a boca no trombone em defesa dos direitos humanos na Líbia. E as ocupações genocidas do Iraque e do Afeganistão? Quem dobra os sinos por um milhão de mortos no Iraque? Quem conduz à Corte Internacional de Justiça da ONU os assassinos confessos no Afeganistão, os responsáveis por crimes de lesa-humanidade? Por que o Conselho de Segurança da ONU não diz uma palavra contra os massacres praticados contra os povos iraquiano, afegão e palestino?
]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-large wp-image-1887" title="Military Assets in the mediterranean" src="/files/2011/03/mapa_coalicion_libia-580x460.jpg" alt="" width="580" height="460" /></p>
<p>As potências ocidentais, lideradas pelos EUA, botam a boca no trombone em defesa dos direitos humanos na Líbia. E as ocupações genocidas do Iraque e do Afeganistão? Quem dobra os sinos por um milhão de mortos no Iraque? Quem conduz à Corte Internacional de Justiça da ONU os assassinos confessos no Afeganistão, os responsáveis por crimes de lesa-humanidade? Por que o Conselho de Segurança da ONU não diz uma palavra contra os massacres praticados contra os povos iraquiano, afegão e palestino?</p>
<p>O interesse dos EUA e da União Europeia não é a defesa dos direitos humanos na Líbia. É assegurar o controle de um território que produz 1,7 milhão de barris de petróleo por dia, dos quais depende a energia de países como Itália, Portugal, Áustria e Irlanda.</p>
<p>O caso do Iraque é exemplar: os EUA inventaram as jamais encontradas “armas de destruição em massa” de Saddam Hussein para exercer o controle sobre um país que é o segundo maior produtor mundial de petróleo – 2,11 milhões de barris por dia, só superado pela Arábia Saudita. E possui uma reserva calculada em 115 bilhões de barris. Soma-se a essa riqueza o fato de ocupar uma posição geográfica estratégica, já que faz fronteiras com Arábia Saudita, Irã, Jordânia, Kwait, Síria e Turquia.</p>
<p>No próximo dia 20 de março, completam-se oito anos que os EUA e parceiros invadiram o Iraque sob o pretexto de “estabelecer a democracia”. O governo de Maliki está longe do que possa ser considerado uma democracia. Em fevereiro último, milhares de iraquianos foram às ruas para reivindicar trabalho, pão, eletricidade e água potável. O exército os reprimiu brutalmente, com mortes, detenções arbitrárias e sequestro de ativistas. Nenhuma potência mundial clamou em favor do direitos humanos nem sugeriu que Maliki responda perante tribunais internacionais.</p>
<p>A ONU é, hoje, lamentavelmente, uma instituição desacreditada. Os EUA a utilizam para aprovar resoluções que justifiquem seu papel de polícia global a serviço de um sistema injusto e excludente. Quando a ONU aprova resoluções que contrariam a Casa Branca – como a condenação do bloqueio a Cuba e da opressão dos palestinos – ela simplesmente faz ouvidos moucos.</p>
<p>Kadafi está no poder desde 1969. São 42 anos de ditadura. Por que os EUA e a União Europeia jamais falaram em derrubá-lo? Porque, apesar de seus atentados terroristas, era conveniente manter ali um déspota que atraía investimentos estrangeiros e impedia que chegassem à Europa os imigrantes ilegais da África subsaariana, ou seja, todos os países ao sul do deserto de Saara.</p>
<p>Agora que o povo líbio clama por liberdade, os EUA ocupam posições estratégicas no Mediterrâneo. Barcos anfíbios, aviões e helicópteros são transportados pelos navios de guerra US Ponce e US Kearsarge. A União Europeia, por sua vez, não está preocupada com a democracia na Líbia, e sim em evitar que milhares de refugiados desembarquem em seus países combalidos pela crise financeira.</p>
<p>Temem ainda que a onda libertária que assola os países árabes, produtores de petróleo, elevem o preço do produto, onerando ainda mais as potências ocidentais, que lutam com dificuldade para vencer a crise do sistema capitalista.</p>
<p>Fala-se em estabelecer uma “zona de exclusão aérea” na Líbia. Isso significa bombardear os aeroportos do país e todas as aeronaves ali estacionadas. E exige o envio de porta-aviões às costas africanas. Em suma: uma nova frente de guerra.</p>
<p>O fato é que a Casa Branca foi surpreendida pelo movimento libertário no mundo árabe e, agora, não sabe como proceder. Era mais cômodo prosseguir cúmplice dos regimes autoritários em troca de fontes de energia, como gás e petróleo. Mas como opor-se ao clamor por democracia e evitar o risco de o governo de tais países cair em mãos de fundamentalistas?</p>
<p>Kadafi chegou ao poder com amplo apoio popular ao derrubar o regime tirânico do rei Idris, em 1969. Mordido pela mosca azul, com o tempo esqueceu todas a promessas libertárias que fizera. Em 1974, valendo-se da recessão mundial, expulsou as empresas ocidentais, expropriou propriedades estrangeiras, e promoveu uma série de reformas progressistas que fizeram melhorar a qualidade de vida dos líbios.</p>
<p>Finda a União Soviética, a partir de 1993 Kadafi deu boas-vindas aos investimentos estrangeiros. Após a queda de Saddam, temendo ser a bola da vez, assinou acordos para erradicar armas de destruição em massa e indenizou vítimas de seus atentados terroristas. Tornou-se feroz caçador de Osama Bin Laden. Pediu ingresso no FMI, criou zonas especiais de livre comércio, abriu o país às transnacionais do petróleo e eliminou os subsídios aos produtos alimentícios de primeira necessidade. Iniciou o processo de privatização da economia, o que fez o desemprego aumentar cerca de 30% e agravar a desigualdade social.</p>
<p>Kadafi mereceu elogios de Tony Blair, Berlusconi, Sarkozy e Zapatero. Como ao Ocidente, desagradou-lhe a derrubada dos governos tirânicos da Tunísia e do Egito. Agora, atira contra um povo desarmado que aspira vê-lo fora do poder.</p>
<p>Para as potências ocidentais, Kadafi tornou-se uma carta fora do baralho. O problema, agora, é como derrubá-lo de fato sem abrir uma nova frente de guerra e tornar a Líbia um “protetorado” sob controle da Casa Branca. Se Kadafi resistir, Bin Laden pode ganhar mais um aliado ou, no mínimo, um concorrente em matéria de ameaças terroristas.</p>
<p>O discurso do Ocidente é a democracia. O interesse, o petróleo. E para o capitalismo, só isto interessa: privatizar as fontes de riqueza. Enquanto a lógica do capital predominar sobre a da liberdade, o Ocidente jamais conhecerá verdadeiras democracias, aquelas nas quais a maioria do povo decide os destinos da nação.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://pt.cubadebate.cu/opinioes/2011/03/25/kadafi-e-as-potencias-ocidentais/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
